Malecon

Renato Alves (textos e fotos)

MalecónApós o Centro e Havana Velha, Vedado e Plaza são outras duas regiões imperdíveis para quem deseja conhecer a história de Havana e de Cuba. Diferente das duas anteriores, Vedado e Plaza são áreas mais novas — para os padrões cubanos —, mas não menos charmosas e instigantes. O ponto de partida ideal é o Malecón, a avenida beira-mar da capital.

Comece o passeio pela quadra do Hotel Nacional, jóia da arquitetura Art Decó, inaugurada em 1930 e principal abrigo de estrelas hollywoodianas, presidentes ocidentais e mafiosos, no período pré-revolução. Mesmo sem o cassino — a jogatina é proibida desde a ascensão de Fidel Castro ao poder — , o Hotel Nacional não perdeu o charme. Ainda é o mais badalado de Cuba.

Siga pela Rua 23 (Calle 23), no trecho conhecido como La Rampa. Durante a semana, é uma via bem agitada, devido aos inúmeros escritórios, restaurantes e bares com gastos letreiros de néon — a maioria, apagada. Na La Rampa fica a sede do Ministério do Açúcar com sua fachada revolucionária, o Pabellón Cuba — espaço para exposições de artes — e uma pequena feira de artesanato.

Artesanato cubanoApós menos de 10 minutos de caminhada, chega-se ao cruzamento com a Rua L e a uma agradável e disputada praça. Em dia de calor forte, sempre há uma fila enorme de pessoas sob as árvores. São cubanos à espera da entrada na concorrida sorveteria Coppelia, instalada em um prédio de vidro e metal, no meio da praça.

Inaugurada em 1966, a Coppelia ficou famosa no mundo inteiro devido ao filme Morango e Chocolate (1993), de Tomás Gutiérrez Alea. Na verdade, há duas Coppelias. A outra também fica na praça, é bem menor e só atende turistas, que não precisam enfrentar filas. Mas os sabores de ambas são os mesmos: deliciosos. Duas bolas com um biscoito waffle saem por menos de R$ 5.

Quartel-general

Do outro lado da Rua 23 está o também charmoso hotel Habana Libre, com sua impressionante fachada, uma obra de arte feita de ladrilhos da renomada cubana Amelia Peláez. Aberto em 1958, acabou confiscado um ano depois para servir de quartel-general de Fidel durante a tomada de Havana. Várias fotos exibidas nas paredes do hall do prédio ilustram esse momento histórico.

Praça da RevoluçãoDo Habana Libre, vá em direção à Praça da Revolução, que fica a umas 10 quadras. Faça o trajeto pela Avenida dos Presidentes e a Calle Paseo. O caminho pelas largas e arborizadas vias é cercado de luxuosos edifícios dos séculos 19 e 20 em estilo francês. Em alguns dos prédios funcionam museus, escritórios do governo e ministérios.

O ponto alto é a Praça da Revolução. Não há qualquer sombra ou verde no meio ou entorno dela. Nem bancos ou chafarizes. Sem uma arquitetura ou projeto de destaque, a importância dela é histórica e política. Desde a vitória de Fidel, a praça se tornou palco das maiores e decisivas manifestações populares. Ali costumam se encontrar mais de 1 milhão de cubanos a cada discurso dos seus líderes.

Entre os monumentos da Praça da Revolução, o mais imponente é o Memorial José Martí, que começou a ser construído em 1953, no centésimo aniversário de nascimento do herói nacional de Cuba. Concluído em 1959, é uma torre de 109m de altura representando uma estrela de cinco pontas, feita com mármore cinza da Isla de la Juventud (ilha da região oeste de Cuba).

Embaixo há uma estátua de José Martí, de mármore branco. Chega-se ao ponto mais alto da torre por um elevador. É o ponto mais alto de Havana. De lá se vê toda a cidade. Menor, mas tão atraente quanto o memorial, o Ministério da do Interior se destaca por causa da fachada. Na verdade, em função do que há sobre ela: uma imensa escultura de bronze de Che Guevara.

A escultura é uma cópia da célebre imagem eternizada pelo fotojornalista Alberto Korda. Sob o busto está a frase Hasta la Victoria siempre (Sempre em busca da vitória). Che tinha um escritório no Ministério do Interior, que comandou por um curto período, após o triunfo da revolução cubana.

Se ainda tiver ânimo, termine o dia com uma caminhada pelo Malecón, curtindo o pôr-do-sol e ritmos cubanos, tocados por músicos sempre dispostos a agradar o turista em troca de alguns dólares. Eles fazem por merecer o agrado.

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