Esqueça a ideologia e vá para Cuba

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Renato Alves (texto e fotos)

O que vai ser de Cuba após Fidel Castro? Nem os cubanos têm uma resposta pronta. Na dúvida, pegue logo um avião rumo à ilha. Antes que vire mais um reduto de ricos europeus e norte-americanos, em busca de sol, praias, bebida gelada, mulher bonita e o conforto dos modernos resorts. Nada além do que existe na costa brasileira ou em outros destinos capitalistas do Caribe.

Estive em Cuba duas vezes. A primeira, a trabalho, com o intuito de apurar um reportagem que descrevesse o modo de vida do único país comunista das Américas. A segunda, em férias, para aproveitar as maravilhas da ilha.

Conhecer a terra dos irmãos Castros a é uma experiência inesquecível, independentemente de ideologia. Eu, por exemplo, sou contra qualquer regime totalitário, mas me tornei um admirador do país. Do país dos cubanos, dos carrões, do tabaco, dos drinques, da música, da dança.

Desembarque

A chegada ao Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, torna-se excitante assim que o passageiro deixa o avião. O terminal pequeno, as instalações simples e antigas e o rigor da fiscalização deixam claro que se trata de um país diferente do ponto de vista capitalista.

Além dos olhares desconfiados, o turista pode estranhar a morosidade do guarda fardado na cabine do controle de passaporte. O militar faz questão de olhar cada página do documento. Apesar do semblante sério dos guardas de emigração e da alfândega, a maioria dos visitantes é aceita sem transtornos.

No máximo, durante o exame do seu passaporte, o estrangeiro é convidado a tirar os óculos (se tiver) para conferência da fotografia do documento. Não há interrogatório, obrigatoriedade de tirar o calçado ou outra medida incômoda do tipo antiterrorista.

O turista é liberado após uma ou duas perguntas, como o quê pretende fazer e quanto tempo ficará no país. Um visto de entrada em Cuba, antes tratado como questão de segurança nacional, hoje custa US$ 20. Ele é vendido nas agências de turismo, com os pacotes de viagem.

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A primeira sensação fora do aeroporto pode não ser das mais agradáveis, caso se desembarque em um dia chuvoso ou de alta umidade relativa do ar, dois fenômenos corriqueiros na ilha. O forte calor úmido impede uma fotografia em frente à fachada singular do terminal — é impossível desembaçar a lente da câmera — e faz o turista procurar imediatamente um veículo com ar-condicionado.

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O desconforto é esquecido assim que a van ou táxi deixa as dependências do José Martí. No começo da viagem entre o aeroporto e a área urbana de Havana se vê outdoors de madeira com propaganda oficial. Os primeiros de milhares instalados em todo o país.

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Um dos símbolos do regime comunista, as placas trazem principalmente mensagens de apoio à revolução e provocações ao maior inimigo, os EUA. A estrada que liga o aeroporto à capital cubana cruza fazendas, vilas e os bairros mais afastados de Havana. No traslado, os primeiros contatos com o cotidiano revolucionário e os efeitos do embargo “imperialista” norte-americano.

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Homens consertando os carrões confiscados dos antigos ricos moradores de Havana — produtores de cana-de-açúcar, comerciantes, empresários e mafiosos estadunidenses — são vistos em cada esquina. Mulheres jogando conversa fora nos muros baixos. Idosos sentados em gastas cadeiras de balanço, nas varandas e calçadas. Todos em um ritmo lento, como quem não tem pressa para ganhar dinheiro.

Havana Velha

A melhor maneira de conhecer Havana é andando, vasculhando becos, bares, feiras, museus e casarões. Para não cansar mais do que deve, organize com antecedência cada passeio. Compre um guia ou um mapa — nos hotéis há bons mapas, muitos de cortesia — e trace um roteiro a partir da quantidade dos dias em que pretende ficar na cidade.

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O ideal é ao menos dois dias para cada uma das quatro mais movimentadas regiões: Habana Vieja (Havana Velha), Centro, Vedado e Plaza. Em todas há prédios históricos, museus, bons restaurantes, bares charmosos e gente atraente.

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Como há muito a ver, fotografar e conversar, acorde cedo e tome um café reforçado. A moderna rede hoteleira de Havana oferece ótimas refeições, além de amplos e confortáveis quartos. A maioria, de redes europeias, que com o baixo custo da mão-de-obra e vantagens oferecidas pelo governo cubano conseguem manter serviços de padrões internacionais com tarifas relativamente baratas.

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Comece o tour por Habana Vieja. Com calçado confortável e roupas leves, entre pela Plaza de la Catedral. Fechada por prédios coloniais nos quatro lados, tem acesso por três ruelas. A praça é cercada pela Catedral de San Cristóbal, pelo Museo de Arte Colonial, Palacio del Conde e Palacio de los Marqueses de Arcos, além do restaurante El Patio.

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A rua, exclusiva dos pedestres, é feita de pequenos blocos de pedra. Nas calçadas, também de pedra, artistas locais produzem e exibem suas obras, como pinturas em telas e desenhos de nanquim ou guache. A paisagem serve de modelo.

Mojitos

Quase na esquina com a Catedral, fica o mais famoso bar cubano. O La Bodeguita del Medio ganhou o mundo por meio do seu mais ilustre freqüentador, o escritor norte-americano Ernest Hemingway. Ele sempre exaltou o mojito (bebida típica cubana, feita de rum, suco de limão hortelã, água e gelo) do La Bodeguita. Hemingway tem razão. Mesmo na ilha, é difícil encontrar igual.

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A atmosfera do Bodeguita também é única. Os balcões, cadeiras, mesas e paredes revestidas de madeira são os mesmos da época de Hemingway. As partes das paredes sem a madeira são cobertas de nomes e mensagens, escritas a caneta pelos visitantes.

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Os preguiçosos ventiladores não conseguem esfriar o clima festivo, que esquenta ainda mais com a entrada de um grupo musical. O cliente pode desfrutar até de música popular brasileira. Os cubanos conhecem a maioria dos nossos compositores e intérpretes. Eles admiram Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan, Caetano Veloso.

Caderneta, arte e sabores

Após conhecer a La Bodeguita del Medio e tomar uns drinques, se ainda tiver fôlego e pernas para caminhar, siga por qualquer uma das ruas que cortam a Plaza de la Catedral. O passeio é obrigatório para quem deseja conhecer o estilo de vida cubano e os moradores da cidade. Entre na primeira bodega que encontrar.

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Nela é distribuída a comida e outros produtos de primeira necessidade da população. Na hora de passar no caixa, os clientes não tiram cartão de crédito ou débito. Da bolsa ou do bolso saem moedas e uma caderneta, em que o funcionário anota o produto e a quantidade. Cada cubano tem uma cota mensal.

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Quando quer mais (e pode pagar), o cubano recorre ao mercado paralelo, onde tudo é muito caro, devido à escassez de produtos no país. Apesar de certa melhora na economia, comparando com anos 1990, ainda falta de tudo, do sabonete à camisa. É comum ver meninos brincando de sapatos furados ou vestidos em roupas bem mais curtas — eles usam até esfarelar.

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Não é lenda nem preconceito. Os cubanos param sim os turistas para pedir itens de higiene pessoal. Como custam caro à população, xampu, sabonetes e similares são considerados artigos de luxo. Carregue os kits de banho dos hotéis para agradá-los e ajudá-los. Os pais, sem vergonha alguma, costumam pedir caneta e borracha para os filhos estudantes.

Em Cuba, porém, ninguém fica sem escola, morre de fome ou ao relento. Nem vive debaixo de ponte ou em favela.

Ver, ler, descansar

Partindo da Plaza de la Catedral, após 10 minutos de caminhada ininterrupta, chega-se à Plaza Vieja. Prédios da tradicional arquitetura espanhola emolduram a praça, calçada de pedras centenárias. A sombra dos restaurantes, seus drinques deliciosos e a ótima música cubana, são um alívio em dias de sol quente. Ainda há oficinas de arte que valem a pena ser visitadas.

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Entre na Calle Obispo (Rua do Bispo), em direção a Plaza de Armas. Ande devagar. Aproveite a sombra e aprecie os sobrados coloniais ao longo da rua apertada e aprazível. Assim que avistar um vendedor ambulante de cartão-postal ou de artesanato, pare e puxe conversa.

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Eles sempre têm tempo para contar boas histórias. O cubano adora fazer amizades. Principalmente com brasileiro. Não deixe de fazer uma foto ao lado de um dessas figuras caricatas. Elas também gostam de serem fotografados.

A Plaza de Armas é toda arborizada. Também com trânsito restrito aos pedestres, é um convite ao descanso. Os bancos de concreto são disputados por cubanos — abertos a uma prosa — e turistas.

A praça abriga uma feira permanente de livros novos e usados (a maioria). Algumas obras dos melhores autores cubanos podem ser compradas por uma pechincha. Entre os lançamentos, os melhores são os livros de fotografia, que retratam a revolução e o cotidiano.

Em torno dessa praça, também há excelentes restaurantes e prédios históricos. O mais atraente é o Palacio de los Capitanes Generales, belo exemplo do barroco cubano. Construído entre 1776 e 1792, abrigou a Assembléia Legislativa, serviu de residência do governador da província de Havana e cadeia. Em 1967, tornou-se o Museo de la Cidade, mas a estrutura da suntuosa casa oficial permanece intacta.

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Paladares

Além de restaurantes tradicionais e requintados, em Havana Velha também há ótimos paladares. São restaurantes de comida caseira, administrados por cubanos comuns, que ganharam autorização do governo para ter o próprio negócio.

Mas eles precisam seguir algumas regras, como atender no máximo a 12 pessoas ao mesmo tempo. O restaurante só pode funcionar na casa do dono da licença. O microempresário não pode contratar ninguém. O cozinheiro e garçons têm que ser da família.

Com isso, almoçar em um paladar é uma das melhores oportunidades de se conhecer uma casa cubana e seus moradores. Além de tudo, é a maneira mais econômica de se comer em Havana.

Os paladares têm poucas opções no cardápio — por causa da falta de capital do dono e da escassez de produtos —, mas todas são muito bem preparadas e saudáveis. A mais comum é a carne de porco, acompanhada de salada e de arroz e feijão preto (misturados, tipo baião de dois, sem queijo). O prato sai, em média, por R$ 15.

O nome paladar é fruto do sucesso da novela Vale Tudo (Rede Globo, 1988 a 1989). Também em Cuba, a trama bateu recordes de audiência. A protagonista Raquel (Regina Duarte), que, após perder tudo ao ser roubada pela filha Maria de Fátima (Glória Pires), se reergueu ao abrir um restaurante, o Paladar.

Revolução, ballet e charutos

Após Havana Velha, o melhor destino na capital cubana é o Centro. Inicie o passeio pelo Capitólio. Isso mesmo, Cuba tem seu Capitólio. É uma imitação do prédio homônimo de Washington (EUA), mas ainda mais alto.

Inaugurado em 1929 pelo ditador Geraldo Machado, aliado dos norte-americanos, foi sede do governo cubano até 1959. Hoje, abriga alguns ministérios e exposições de artes. Por quase R$ 16, pode-se visitar quase todo o prédio, como a antiga Câmara dos Deputados, o extinto Senado Federal e a deslumbrante biblioteca.

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Imponente por fora, o Capitólio é um símbolo de Havana. O seu domo, com 92m de altura, era o ponto mais alto da cidade até 1950. Ainda hoje, ele pode ser visto de quase toda capital cubana. Por dentro, o mais impressionante é o hall.

A cópia de um diamante de 25 quilates está embutida no piso embaixo do domo. O original pertenceu ao último czar da Rússia e foi vendido a Cuba por um joalheiro turco. Acabou roubado e mais tarde misteriosamente devolvido ao então presidente Machado.

De frente à obra está outra preciosidade, a Estátua da República. Fundida em Roma (Itália) e coberta com folhas de ouro de 22 quilates, a obra tem 17m de altura e pesa 49 toneladas.

Do lado de fora, na escadaria, há outra raridade cubana, bem menos valiosa mas tão deslumbrante quanto o diamante e a estátua. São os fotógrafos lambe-lambe. Em plena era digital, eles ainda fazem retratos em preto e branco, em equipamentos manuais, com revelação manual.

São homens acima de 60 anos, de muita paciência, experiência e habilidade. Vale a pena sentar na escadaria do Capitólio e pagar poucos mais de R$ 6 por uma cópia de 5cm X 7cm. Depois da pose, acompanhe de perto a magia da fotografia.

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Veja a confecção da cópia, em menos de 20 minutos, no meio da calçada, feita em uma máquina velhaencoberta por madeirite, pano e escorada em um tripé fino.

Charutos

Em volta do Capitólio, não faltam prédios, ruas e praças interessantes. Atrás do edifício fica a Real Fábrica de Tabacos Partagás. O prédio é sede da maior fábrica de charutos cubanos e um modelo da arquitetura industrial do século 19. Os operários trabalham ouvindo trechos de leituras com músicas e notícias saídas de um alto-falante. A rotina pode ser acompanhada pelos turistas por pouco mais de R$ 20.

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Anexa à fábrica está La Casa del Habano , uma confortável loja de charutos, com uma sala nos fundos para provar os tabacos mais famosos de Cuba, como Romeo y Julieta, Montecristo e Cohiba.

Perto da Partagás fica o Bairro Chinês. Do seu apogeu, no início do século 20, restaram o portal e poucas lojas e restaurantes com especialidades asiáticas, concentradas na área chamada Chuchillo de Zanja. O bairro também abriga a Igreja da Caridade, dedicada à santa padroeira de Cuba, a Virgem do Cobre.

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Grande Teatro

Ainda no entorno do Capitólio, de grande valor arquitetônico, histórico e cultural, estão o Grande Teatro de Havana e os hotéis Inglaterra e Plaza. Os dois últimos são do século 19.

O Grande Teatro é uma das maiores casas de ópera do mundo. Foi inaugurado em 1915 com a apresentação de Aída, de Verdi. A impressionante fachada tem quatro grupos de esculturas do artista italiano Giuseppe Moretti, que representam a caridade, a educação, a música e o teatro.

Além de óperas e peças de teatro, o Grande Teatro tornou-se o palco principal da bailarina cubana Alicia Alonso. Ela fundou o Ballet Nacional de Cuba, companhia de dança e escola conhecida por organizar um famoso festival anual de balé.

Algumas das discípulas de Alonso servem de guias turísticas em visitas guiadas pelos salões do Grande Teatro, por menos de R$ 6.

Do segundo pavimento do prédio, se vê dois parques que valem a pena ser visitados: o Fraternidade e o Central. Ambos com árvores frondosas e muita sombra. Próximo ao segundo está o Passeio do Prado, construído em 1772.

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A avenida preferida pelo povo de Havana para passear, é ladeada por belos edifícios. O canteiro central, exclusivo para pedestres, tem oito leões de bronze e bancos de mármore, além de elegantes luminárias de ferro.

Revolução

A três quadras do Passeio do Prado está o Museu da Revolução, instalado no antigo palácio presidencial do ditador direitista Fulgencio Batista, tirado do poder pelos guerrilheiros.

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O prédio, inaugurado em 1920, serviu de residência a outros 21 presidentes. Ele foi decorado pela Tiffany de Nova York. Algumas obras de arte e móveis foram mantidos. Mas o mais importante são os documentos, fotografias e objetos que representam a luta do povo cubano pela independência. Ideologias a parte, a visita é obrigatória para quem se interessa pela história do país.

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Nos fundos do museu fica o Memorial Granma, com destaque para o iate que dá nome ao pavilhão de vidro. O barco trouxe Fidel Castro e alguns de seus companheiros do México para Cuba, em 1956, para iniciar a luta armada contra Batista.

Há ainda veículos e aviões relacionados ao episódio da Baía dos Porcos (1961) — invasão fracassada de mercenários financiada pelos Estados Unidos — e mísseis soviéticos do período da Guerra Fria, além de relíquias da atividade cubana na Etiópia e em Angola. O ingresso para visita ao museu e ao memorial custa pouco mais de R$ 10. Justifica-se cada centavo.

Malecón

Após o Centro e Havana Velha, Vedado e Plaza são outras duas regiões imperdíveis para quem deseja conhecer a história de Havana e de Cuba. Diferente das duas anteriores, Vedado e Plaza são áreas mais novas — para os padrões cubanos —, mas não menos charmosas e instigantes. O ponto de partida ideal é o Malecón, a avenida beira-mar da capital.

Comece o passeio pela quadra do Hotel Nacional, joia da arquitetura Art Decó, inaugurada em 1930 e principal abrigo de estrelas hollywoodianas, presidentes ocidentais e mafiosos, no período pré-revolução. Mesmo sem o cassino — a jogatina é proibida desde a ascensão de Fidel Castro ao poder — , o Hotel Nacional não perdeu o charme. Ainda é o mais badalado de Cuba.

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Siga pela Rua 23 (Calle 23), no trecho conhecido como La Rampa. Durante a semana, é uma via bem agitada, devido aos inúmeros escritórios, restaurantes e bares com gastos letreiros de néon — a maioria, apagada. Na La Rampa fica a sede do Ministério do Açúcar com sua fachada revolucionária, o Pabellón Cuba — espaço para exposições de artes — e uma pequena feira de artesanato.

Após menos de 10 minutos de caminhada, chega-se ao cruzamento com a Rua L e a uma agradável e disputada praça. Em dia de calor forte, sempre há uma fila enorme de pessoas sob as árvores. São cubanos à espera da entrada na concorrida sorveteria Coppelia, instalada em um prédio de vidro e metal, no meio da praça.

Inaugurada em 1966, a Coppelia ficou famosa no mundo inteiro devido ao filme Morango e Chocolate (1993), de Tomás Gutiérrez Alea. Na verdade, há duas Coppelias. A outra também fica na praça, é bem menor e só atende turistas, que não precisam enfrentar filas. Mas os sabores de ambas são os mesmos: deliciosos. Duas bolas com um biscoito waffle saem por menos de R$ 5.

Quartel-general

Do outro lado da Rua 23 está o também charmoso hotel Habana Libre, com sua impressionante fachada, uma obra de arte feita de ladrilhos da renomada cubana Amelia Peláez. Aberto em 1958, acabou confiscado um ano depois para servir de quartel-general de Fidel durante a tomada de Havana. Várias fotos exibidas nas paredes do hall do prédio ilustram esse momento histórico.

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Do Habana Libre, vá em direção à Praça da Revolução, que fica a umas 10 quadras. Faça o trajeto pela Avenida dos Presidentes e a Calle Paseo. O caminho pelas largas e arborizadas vias é cercado de luxuosos edifícios dos séculos 19 e 20 em estilo francês. Em alguns dos prédios funcionam museus, escritórios do governo e ministérios.

O ponto alto é a Praça da Revolução. Não há qualquer sombra ou verde no meio ou entorno dela. Nem bancos ou chafarizes. Sem uma arquitetura ou projeto de destaque, a importância dela é histórica e política. Desde a vitória de Fidel, a praça se tornou palco das maiores e decisivas manifestações populares. Ali costumam se encontrar mais de 1 milhão de cubanos a cada discurso dos seus líderes.

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Entre os monumentos da Praça da Revolução, o mais imponente é o Memorial José Martí, que começou a ser construído em 1953, no centésimo aniversário de nascimento do herói nacional de Cuba. Concluído em 1959, é uma torre de 109m de altura representando uma estrela de cinco pontas, feita com mármore cinza da Isla de la Juventud (ilha da região oeste de Cuba).

Embaixo há uma estátua de José Martí, de mármore branco. Chega-se ao ponto mais alto da torre por um elevador. É o ponto mais alto de Havana. De lá se vê toda a cidade. Menor, mas tão atraente quanto o memorial, o Ministério da do Interior se destaca por causa da fachada. Na verdade, em função do que há sobre ela: uma imensa escultura de bronze de Che Guevara.

A escultura é uma cópia da célebre imagem eternizada pelo fotojornalista Alberto Korda. Sob o busto está a frase Hasta la Victoria siempre (Sempre em busca da vitória). Che tinha um escritório no Ministério do Interior, que comandou por um curto período, após o triunfo da revolução cubana.

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Se ainda tiver ânimo, termine o dia com uma caminhada pelo Malecón, curtindo o pôr-do-sol e ritmos cubanos, tocados por músicos sempre dispostos a agradar o turista em troca de alguns dólares. Eles fazem por merecer o agrado.

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Os 10 melhores cafés de Pirenópolis

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Esqueça o empadão goiano, o arroz com pequi, a gueiroba, os sorvetes de frutos do cerrado. Foi-se o tempo em que as cozinhas de Pirenópolis (GO) limitavam-se à típica culinária goiana. Nada contra, até porque sou um dos fãs das iguarias daquelas bandas. Mas, como tenho o café como um dos meus vícios, fico feliz em constatar que as cafeterias estão brotando na cidade famosa pelo casario colonial e pelas dezenas de cachoeiras.

A proliferação de cafeterias levou um grupo de jovens produtores culturais locais a levantar as melhores lojas. O trabalho resultou em uma mapa no formato cartão-postal. Na frente uma bela foto de uma jovem em café. No verso, o mapa das lojas com uma lista dos nomes e dos endereços.

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Interior do Café Pitoresco, em Pirenópolis. Foto: Renato Alves

São nove as cafeterias listadas. Seis ficam no Centro Histórico. Dessas, conheço três que merecem uma parada para uma longa prosa e um lanche.

Localizado na Rua Rui Barbosa, onde concentram-se as lojas voltadas aos turistas, o Pitoresco Arte e Café, como o nome sugere, é um mix de cafeteria com galeria de arte. Todas as obras de arte e quinquilharias expostos nos três cômodos públicos do casarão estão a venda. Há ainda a área externa, de onde se vê o movimento na rua e parte do casario da cidade.

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No Pitoresco, além do tradicional café espresso, tem comidinhas sempre frescas. Tudo feito na hora, como os biscoitos e bolos feitos na casa da avó. A casa serve de queijo quente a saladas. Também tem cerveja gelada: Heineken, Stella Artois, Bohemia. E, vale destacar, a simpatia da dona e dos funcionários, além de agradável set list no som ambiente.

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Interior do Café Pitoresco, em Pirenópolis. Foto: Renato Alves

SAM_0150.JPGKnow-how

Mas a cafeteria com mais cara, ambiente, know-how de Pirenópolis é a Pé di Café. No meio da Rua Aurora (a mais charmosa da cidade), a casa tem um ambiente agradável, com uma decoração de bom gosto e assentos aconchegantes.

O café 100% arábica é extraído por baristas treinados. O menu inclui dos espressos convencionais a opções quentes e geladas, com frapês e um exclusivo frozen com licor de baru. Há ainda capuccinos especiais, chocolate quente europeu, escondidinho de sorvete e uma carta de chás artesanais de ervas naturais, com massalas exclusivas, chás ingleses e chai indiano.

Além de um menu diversificado de cafés e chás artesanais, o cardápio tem uma variedade de quitandas, sanduíches leves, waffles, omeletes, tapiocas, saladas de frutas, sucos e um destaque especial para os memoráveis bolinhos de chuva.

Na Pé di Café pode-se ainda saborear doces, como brigadeiro de colher (de pau!) em xícara esmaltada, além de bebidas alcoólicas leves, como cervejas artesanais, sodas italianas, vinhos e licores.

Para melhorar, recentemente, os donos resolveram um problemão: instalaram o um sistema de ar-condicionado que deixam o clima agradável sem que a casa precise fechar as duas grandes portas de madeira com vista para a rua histórica. Um diferencial e tanto, já que loja climatizada, apesar do calorão característico, é uma raridade em Pirenópolis.

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Brigadeiro de colher, Pé di Café, Pirenópolis. Foto: Renato Alves

Lanchinhos

Inexplicavelmente, porém, o mais conhecido e badalado dos cafés pirenopolinos está de fora do mapa recém-lançado. Trata-se do Café Pireneus, rebatizado de Pireneus Café & Forneria, devido à diversidade de comidinhas. É um daqueles cafés para você sentar, ler um livro (há diversos livros de fotografia à disposição dos clientes), ou jogar conversa fora com os amigos enquanto observa o movimento da praça em frente, a Praça do Coreto, onde ocorre a tradicional feirinha de artesanato nas noites de sábados.

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Além do tradicional café espresso, a casa oferece um delicioso café cremoso gelado. Entre as opções de lanche, os sanduíches são os mais apreciados pela clientela. A foccacia é o prato mais famoso. Mas o bolo de banana também faz muito sucesso. Nas noites frias, a melhor pedida é um caldo. No calor, uma cerveja importada gelada. Nos fins de semana, ainda tem música ao vivo e de qualidade, como trios de jazz ou um solo de MPB.

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ONDE FICAM

Ateliê Café: RuaLuiz G. Jaime, 42, Espaço Retrô-Ativo, Alto do Bonfim

Café Pand’oro: Rua Direita, 90, Centro Histórico

Café Sertão Veredas: Rua do Rosário, 7, Centro Histórico

Florinda Comidinhas: Rua Aurora, 18, Centro Histórico

Info Café, Av. Sizenando Jyme, 8, Centro

Lírio Café Bistrô: Rua do Bonfim, 31, Centro Histórico

Mundo Quinta Café: Rua Rui Barbosa, 31, Feira de Quintal, Centro Histórico

Pitoresco Arte e Café: Rua Aurora, 2, esquina com Rui Barbosa, Centro Histórico

Pé di Café: Rua Aurora, 21, Centro Histórico

Pireneus Café & Forneria: Rua dos Pireneus, 41, em frente à Praça do Coreto,  Centro Histórico

San Miguel de Allende: onde ficar, comer, comprar

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Centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

O México dispensa visto para brasileiros. A Latam e a Aeroméxico têm voos diretos do Brasil para o país da América Central, partindo de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os preços variam muito, de acordo com as datas.

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Centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

San Miguel de Allende fica a 274 km da Cidade do México. Uma opção para visitar San Miguel é alugar um carro (as estradas são seguras e bem sinalizadas). Outra, ir de ônibus (os de 1a classe são bastantes confortáveis e a viagem dura de 3h e 30min a 4h e 15min). Empresas de turismo oferecem passeios bate e volta (em vans e microônibus), que podem ser comprados com um dia antecedência. Mas esta não é a melhor opção. San Miguel merece ao menos duas noites.

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Casa Mia, San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

ONDE FICAR

Casa Mia: situado a apenas dois quarteirões da praça principal, esse casarão possui quartos amplos, equipados com sala e cozinha, e um pitoresco pátio interno.

Coqueta Hotel Boutique: localizado em um casarão, no  centro histórico, tem um belo jardim com piscina e quartos simples, mas espaçosos.

Hotel Casa Loteria: funciona em um casarão amarelo-mostarda, com um belo pátio interno. Com com 14 quartos simples, mas novos e bem decorados.

Hotel Matilda: hotelmatilda.com

Mansion San Miguel: terraços floridos com vistas para a cidade. Quartos com móveis vintage e itens mais contemporâneos.

Rosewood Hotel: os 67 apartamentos construídos no estilo barroco têm uma charmosa sala-de-estar e teto com vigas de madeira. Algumas suítes contam com um terraço, do qual se pode desfrutar de um jardim privado ou da linda vista de San Miguel de Allende. 

IMG_5963.JPGONDE COMER E BEBER

Cumpanio: padaria francesa (baguetes, croissants e sobremesas típicas). Em um dos dois endereços, é conjugada a um restaurante com cardápio variado.

Café San Augustín: o melhor churros da cidade. Por isso as constantes e longas filas na porta.

De Temporada: fica em uma fazenda, a 10 minutos de centro. Pratos como salada apimentada de papaia e polvo e ovos de codorna na manteiga de mostarda com purê de rúcula indicam a sofisticação da cozinha. 

Hotel Rosewood: além do melhor guacamole da cidade, ele tem uma vista imperdível da cidade ao entardecer.

Martinez: mais de 20 tipos de martínis, preparados com ingredientes exóticos. Às vezes, tem DJ ou uma banda tocando ao vivo. Mesones 80; 52-415-152-4343.

Pujol: comandado por uma estrela da gastronomia internacional, Enrique Olvera. Pratos sofisticados. Hotel Matilda, Aldama 53

Via Orgânica: vertente gourmet saudável, com cereais e sucos detox. Calle Margarito Ledesma 2

La Azotea: é um bar em um terraço do El Jardin, ao lado da Paróquia. No pátio exterior, pode-se bebericar margarita. Umaran 6

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ONDE COMPRAR

Altelier: a fashionista Laura Reyesvende casacos e coletes feitos da estopa das sacas de café em sua boutique. Relox 79; aberta a partir das 11h.

Mixta: artesanato e objetos de decoração divertidos, móveis e roupas (vestidos e blusas bordados à mão por Almudena). Pila Seca 3

La Aurora: fábrica têxtil desativada, ocupada por 50 galerias. Quinquilharias a joias artesanais e obras de artistas contemporâneos consagrados como Andy Warhol.

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Mercado de Artesanías: em um beco ao longo de três quarteirões, tem opções baratas de artesanato, jóias, roupas e todos os souvenires típicos do país.

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Mercado de Artesanías, San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Mercado El Nigromante: nele, pode-se observar a produção de objetos em ferro forjado e mobiliário de estilo colonial. Ainda, tem produtos frescos e lanchonetes.

Mujeres Productoras: cooperativa rural feminina de moradoras dos municípios vizinhos. Produtos feitos à mão, que são fonte de renda para as famílias.

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OUTRAS ATIVIDADES

Arqueologia

Localizada entre as serras de San Miguel de Allende, encontra-se a zona arqueológica La Cañada de la Virgem. É um assentamento pré-hispânico desenhado para observar os céus e os ciclos cósmicos. O apogeu deste importante centro cerimonial teve lugar entre os anos 600 e 900 D.C.

Golfe

Algumas opções ficam em hotéis internacionais, como o Las Ventanas de San Miguel. Ele tem um campo de golfe com 18 buracos, ideal para os mais exigentes. Outras opções são os Campo de Golf de la Hacienda Santuário e o Malanquín Golf Club. Ambos são públicos, de nove buracos, com restaurante e aluguel de equipamentos.

Montanhismo

Os picos e pinturas rupestres são dois dos locais escolhidos para a atividade, independentemente da idade ou físico. Eles fazem parte de uma cadeia de montanhas que cercam a cidade. Há trilhas simpáticas e vistas espetaculares. Oferecidas por empresas como a San Miguel Adventours, as excursões partem de San Miguel para qualquer destino.

Rapel

San Miguel é cercada por montanhas e uma floresta. A agência Aventuras Cañón del Coyote oferece passeios e descida por uma parede de 37m de altura. Também se pode ir a cavalo, caminhar, andar a pé ou em um curso de parapente para o local de pouso, você pode apreciar a flora e fauna. A região tem águias, gaviões, abutres, corvos, coelhos, gambás, tatus, coelhos, cucos, entre outros.

Spa

Nos arredores da cidade, há mananciais de águas termais e alcalinas, ricas em propriedades minerais. Alguns hotéis e clubes têm suas piscinas naturais, com infraestrutura de banheiros, vestiários e restaurantes. Entre os mais populares estão o La Gruta Spa, com uma gruta e spa de massagem, e o Escondido Place, com piscinas aberta e fechada, restaurante e lavandas enfeitando o jardim.

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Artesã em rua de San Miguel de Allende. Foto:Renato Alves

 

San Miguel de Allende, a capital gourmet do México

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Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

No início das manhãs de sábado, filas tomam conta das ruas e calçadas do centro histórico de San Miguel de Allende. Moradores e visitantes disputam logo cedo uma mesa nos mais badalados restaurantes e cafés. Os mexicanos, na esperança de conseguir tomar o seu tradicional e pesado café de manhã. Os turistas, ávidos por experimentar o que de melhor há na cozinha local.

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Estudantes compram guloseimas na praça central de San Miguel de Allende

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San Miguel de Allende tem se consolidado como um dos principais destinos dos apreciadores da boa mesa. A cidade abriga cafés internacionais e restaurantes de comida contemporânea. Todos em casarões belíssimos, com seus pátios aprazíveis.

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Interior da Doce-18 Concept House, em San Miguel de Allende

Nada se compara, no entanto, com o que se esconde por trás da fachada de um antigo casarão conhecido como Doce-18 Concept House. Totalmente reformado, seu interior moderninho contrasta com as construções históricas de San Miguel e com a sua própria fachada.

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Interior do Doce-18 Concept Housee, em San Miguel de Allende

Trata-se de uma imensa galeria multiuso que concentra não só excelentes opções gastronômicas, como lojas que oferecem objetos de arte, moda e desenhos. Além da tradicional comida mexicana, essa casa conceito abriga um café francês, uma hamburgueria, uma pizzaria, degustação de espumantes, uma lojinha de chás e outra das mais variadas combinações de temperos artesanais.

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Lojas de doces na Doce-18 Concept House, em San Miguel de Allende

Doçura

Vegetarianos e apreciadores de comida têm ainda mais atrativos. Muitos dos restaurantes oferecem saladas e pratos preparados com produtos orgânicos, cultivados em hortas próprias. Os chamados telhados verdes têm se tornado cada vez mais comuns na cidade. Os moradores plantam legumes e pequenas árvores frutíferas para consumo e para trocar com os conhecidos.

Já para os fãs de chocolates e outros doces há lojas como a Nuestros Dulces. Na Rua de Hernández Macías, ela oferece os mais finos doces mexicanos elaborados de forma artesanal, como jamoncillos (à base de leite e açúcar), rompope (à base de ovos), arrayán (fruta cristalizada) e tamarindos cristalizados, entre outros.

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Grupo de maricahi canta para clientes de restaurante em San Miguel de Allende

O El Tumbagón vende doces de todo Guanajuato, o estado onde fica San Miguel. Entre eles, se destacam o guayabate (de goiaba), o queijo de amêndoas, os doces de leite com coco, o rolo de goiaba, o tarugos (semelhante aos pirulitos), geleias, cocadas, natillhas (creme a base de leite, ovos, açúcar e baunilha), trompadas (à base de mel e sementes de anis) e charamuscadas (à base de açúcar, leite, coco e nozes). Claro, tem ainda a estrela local, os tumbagones (à base de farinha de trigo, ovos, canela e açúcar) com rompope.

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San Miguel de Allende respira arte

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Galeria de arte em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

A partir do El Jardín, a praça principal de San Miguel de Allende, caminhar por qualquer rua paralela ou transversal descortina um número sem fim de atrações, além das fachadas coloniais. As distâncias da compacta cidade colonial podem ser percorridas a pé. Andando pelas ruas com calçadas de pedra e ladeiras íngremes, nem mesmos os viajantes com orçamento limitado conseguem evitar as inúmeras galerias de arte.

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San Miguel tem atraído uma grande comunidade artística, composta em sua maioria por estrangeiros aposentados: artesãos, pintores e escultores. As obras dessa gente estão em galerias, museus e em escolas de arte. Qualquer ruazinha de San Miguel esconde tesouros.

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A beleza e tranquilidade do lugar servem de inspiração a todas as formas de arte. Muitos dos artistas deixam seu atelier aberto à visitação. A maioria fica no centro histórico, onde também se concentram as melhores lojas. Grande parte, instalada em algum casarão antigo. Elas exibem móveis artesanais, joias, artigos de luxo, quadros, fotografias, esculturas.

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No centro também há muitas lojinhas com souvenieres típicos do México, como desenhos aztecas, camisetas com o rosto da artista Frida Khalo e ricos bordados feitos à mão. Ainda, os famosos corações mexicanos e os espelhos emoldurados em azulejos.

IMG_5711.JPGMurais famosos

Rivalizando em esplendor com a catedral, ainda no centro, há o prédio de quase 250 anos onde funciona o Centro Cultural Ignacio Ramirez “El Nigromante”, também conhecido como Instituto Nacional de Bellas Artes. Primeiro um convento, depois faculdade de artes, hoje, totalmente reformado, ele funciona como centro comunitário e galeria de arte.

Os degraus de pedra são fundos no meio, resultado de séculos de uso. Embora haja cinco salas para mostras temporárias, o acervo permanente é o mais impressionante. Eles exibem afrescos de um dos maiores muralistas do México, David Alfaro Siqueiros.

Contato com os nativos

Outra parte do centro histórico que tem de ser visitada é a Praça Cívica. Além de ponto de encontro de moradores, ela é rodeada por lojas que servem basicamente aos locais (vendendo artigos de primeira necessidade a preços baratos), pelo antigo colégio de San Francisco de Sales e pelo Templo Nossa Senhora da Saúde.

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Templo de Nossa Senhora da Saúde, em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Construída no século XVIII, a igreja católica é uma das imagens mais representativas de San Miguel. A cúpula está coberta de azulejos amarelos e azuis. Ela conta ainda com uma fachada barroca em forma de concha, esculpida em pedra com nichos sobre as portas principais, dedicados a São Joaquim, Santa Ana, ao Sagrado Coração e a São João Evangelista.

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MEMÓRIA

Migração pós-guerra

Os estrangeiros, a arte e a importância histórica salvaram San Miguel. No início dos anos 1900, ela esteve perto de se transformar em uma cidade fantasma. Mas, em 1926, o governo mexicano a declarou monumento histórico. Desde então, as construções em seu centro estão limitadas para conservar o cenário colonial.

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A partir de 1950, San Miguel tornou-se destino de milhares de norte-americanos, onde começaram a estabelecer-se após a Segunda Guerra Mundial. No final de 1950, começou a virar um ponto turístico conhecido por sua bela arquitetura colonial e as suas fontes termais.

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Jornais mexicanos e estrangeiros à venda na praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Uma praça faz a alegria em San Miguel de Allende

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Conhecida como El Jardín, a praça principal do centro histórico de San Miguel de Allende reúne moradores e turistas.Foto: Renato Alves

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Como na maior parte das cidades interioranas, a vida em San Miguel pulsa ao redor de sua principal praça, conhecida como El Jardín. É o ponto de encontro dos moradores e turistas. O coreto faz a festa das crianças. Jovens e adultos preferem os bancos de ferro forjado sob as sombras de loureiros. Neles, descansam, conversam, namoram ou aproveitam a internet grátis fornecida por meio de pontos de wi-fi.

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Nos fins de semana, bandas se apresentam ao redor da El Jardín, comandando bailes ao ar livre no centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Nos fins de semana e feriados, grupos de mariachis fazem apresentações públicas e gratuitas. Nas tardes e noites de sábado, a presença dos músicos transforma as ruas ao redor da praça em uma casa de shows a céu aberto, com muita cantoria, dança e bebedeira. Mas tudo sem bagunça. Crianças, jovens e idosos se misturam de forma respeitosa. E ainda há espaço para quem não quer entrar na dança. Sempre há um canto de paz na praça.

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Gente de todas as idades se reúne ao redor da El Jardín para conversar, paquerar, dança, cantar, beber. Foto: Renato Alves

 

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Paróquia de San Miguel Arcanjo, em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Paróquia

A principal construção da cidade fica em frente a El Jardín. A Paróquia de São Miguel Arcanjo começou a ser construída nos primeiros anos da cidade. Em 1564, estava concluído, com fachada em estilo barroco, mas, entre 1880 e 1890, após uma reforma, passou a apresentar um estilo neogótico, toda em pedras extraídas da região.


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Palco de tradicionais feirinhas de comidas e artesanato, com barraquinhas montadas na sua entrada, a igreja também proporciona cenas bucólicas. Em meio a vendedores ambulantes, famílias locais em um passeio de fim de semana, turistas e fiéis, noivas desembarcam em carros de época para suas cerimônias de casamento.

A igreja também sedia a mais importante festa local, que celebra o padroeiro da cidade: São Miguel Arcanjo. O evento acontece na última semana de setembro. Começa com o nascer do sol e termina com a tradicional procissão com a estátua de São Miguel Arcanjo nas ruas do centro da cidade. Paralelamente, são realizados eventos sociais, artísticos, esportivos, culturais, bem como suas famosas touradas.

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Coreto na El Jardín, a praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Herói nacional

Ainda vizinho a El Jardín, está a casa de Ignacio Allende, o herói insurgente da Independência que dá nome à cidade (leia Para saber mais). Ela abriga um museu dedicado a este personagem e ao seu papel na história do México. Erguido no século XVIII, o edifício tem um estilo barroco e mostra uma coleção de peças originais da época, assim como documentos e objetos históricos desde a fundação da cidade, passando pelo movimento de independência, até a morte de Allende.

PARA SABER MAIS

Histórico de luta

O monge franciscano Juan de San Miguel fundou o assentamento San Miguel el Grande, em 1542. A localidade era um importante ponto de passagem do Antigo Caminho Real, parte da rota da prata que conduzia a Zacatecas. Já um distrito, San Miguel ganhou destaque na Guerra da Independência do México (1810-1821).

Nascido no povoado, o general Ignacio Allende foi um dos líderes do movimento que pretendia tornar a colônia livre da Espanha. Mas soldados o capturaram quando marchava rumo aos Estados Unidos, em busca de armas.

Julgado em Chihuahua, Allende acabou condenado e executado. Exibiram a sua cabeça em Alhóndiga Granaditas, no estado de Guanajuato, com as cabeças de outras três lideranças: Miguel Hidalgo, Juan Aldama e Mariano Jiménez.

Em 8 de março de 1826, o governo mexicano elevou o povoado de San Miguel el Grande à categoria de cidade, sendo o nome mudado para San Miguel de Allende, em honra ao general Allende, herói nacional.

San Miguel de Allende, a joia mexicana

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Centro histórico de San Miguel de Allende,tombado pela Unesco. Foto: Renato Alves


Eliane Moreira
(texto) e Renato Alves (fotos)

Esqueça Acapulco, Cancún, Playa del Carmen. O destino da moda no México é a pequena San Miguel de Allende. Nada de praias, resorts, tequilas e hordas de jovens norte-americanos. Lá, as atrações são os prédios coloniais que ladeiam as ruas estreitas de pedra, os charmosos hotéis, uma infinidade de galerias de arte, renomados restaurantes e as festas públicas.

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Localizada entre as montanhas no estado de Guanajuato, a quase 2 mil metros de altitude, San Miguel é considerada por muitos a cidade mais bonita do México. Beleza advinda da combinação casario colorido em tons de vermelho, marrom, rosa e amarelo, canteiros de bouganvilles, igrejas do período colonial espanhol e pátios internos com jardins exuberantes. Tudo muito bem preservado.

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As cores fortes são uma marca das construções históricas de San Miguel de Allende


Fundada em 1542, San Miguel também é um dos municípios mais importantes do país. Ele teve papel fundamental na independência mexicana. História contada em museus e em obras de arte espalhadas pelo compacto e seguro centro. Tais importância e beleza lhe renderam, em 2008, o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedido pela Unesco.

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Grupo de mariachi no centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves 

As virtudes de San Miguel têm atraído, desde a metade do século passado, aposentados canadenses, norte-americanos e europeus. Eles são cerca de 12 mil dos 70 mil habitantes. A presença dos expatriados e dos turistas a transformam numa cidade cosmopolita. Mas ela está longe de ser só um refúgio para idosos. Jovens não deixam os bares e as casas noturnas fecharem as portas cedo.

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Jovens em uma tarde festiva na praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

A partir deste, publicamos uma série de textos mostrando o que de melhor há nesse cada vez mais disputado destino, onde ficamos por cinco noites, em uma viagem de férias em família, com todos os custos pagos por nossa conta. Para quem quiser conhecer  todas as atrações em volta e praticar as mais diferentes e prazerosas atividades, deve permanecer mais tempo. A satisfação é garantida.