Aventura na Antártida

Luiz Roberto Magalhães//Do Correio Braziliense

O continente branco é o único no planeta que jamais foi manchado por uma guerra ou qualquer tipo de conflito armado. Embora militares de vários países tenham equipes trabalhando em diversos pontos da Antártida e haja reivindicações sobre a propriedade das terras, não ocorrem demonstrações de animosidade. Por enquanto, toda a massa de 14 milhões de km2 , o equivalente à soma das áreas do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Bolívia — mas que pode chegar a 32 milhões de km2 no inverno, com o congelamento dos mares —, pertence simplesmente à humanidade, com base em um acordo firmado em 1961 e conhecido por Tratado da Antártida.

Em meio ao clima pacífico, os militares se dedicam a tornar possível o trabalho de cientistas e outros visitantes. “Acho que a presença militar na Antártida existe mais por conta da logística mesmo”, diz o carioca Francisco Carlos Ortiz de Holanda Chaves, 54 anos. Contra-almirante da Marinha do Brasil, ele é o secretário e o responsável pela Comissão Interministerial para Recursos do Mar (Cirm), que tem como um de seus braços o Programa Antártico Brasileiro (Proantar).

“As organizações civis, em sua maioria, dificilmente teriam como se instalar aqui, por conta das condições extremas do local. Então, existe essa cooperação militar. Os militares só estão aqui para permitir que os cientistas trabalhem. A cordialidade entre as bases de todos os países é muito alta”, completa o almirante. Quem quer que se aventure a explorar a Antártida deve estar disposto a enfrentar grandes desafios. A claridade reflete 80% da luz solar que incide no território e, assim, não permite que ele se aqueça.

Deserto branco

Apesar de todo o gelo, a Antártida é, na verdade, um gigantesco deserto, cuja precipitação média anual é quase nula, variando de 30ml a 70ml. Para se ter uma idéia do que isso significa, a precipitação média em Brasília, famosa por sua secura, fica entre 1.200ml e 1.800ml nos meses de março a outubro.

Com tanto gelo, as temperaturas antárticas são baixíssimas. Na região central, os termômetros oscilam entre -30oC e -65oC. Devido à influência das correntes marítimas, entretanto, as zonas costeiras, onde se localiza a Estação Antártica Comandante Ferraz, base do Brasil, apresentam temperaturas mais amenas, entre os -10°C e -20°C.

Para preservar esse habitat, que concentra cerca de 80% de toda a água doce do mundo, muita gente está se esforçando nas proximidades do Pólo Sul. “A Antártica é o refrigerador da Terra. Se ela não existisse, a vida humana aqui não seria possível”, ressalta o paulista José Roberto Chagas, 56 anos, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que trabalha desde 1983 monitorando o clima e o buraco na camada de ozônio na região.

Luiz Roberto Magalhães é jornalista. A matéria acima faz parte da série de reportagem que ele publica a partir de hoje no Correio Braziliense (www.correiobraziliense.com.br). Para quem não tem acesso ao jornal e quer saber como se vive e o que se faz na Antártida, esse blog publicará, em breve, posts especiais do Luiz Roberto e fotos feitas pelo parceiro de viagem dele, o repórter-fotográfico Breno Fortes. 

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Um comentário em “Aventura na Antártida

  1. Sensacional. Ele me mandou um vídeo de lá. Vou te botar o link depois.

    É um iluminado. Poucas pessoas têm o privilégio de ir à Antártida. Curioso deve ser o nível de loucura que nego fica depois de passar horas sem ter o que fazer ou pra onde ir, dependendo do clima.

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