Cuba (3) – Caderneta, arte e sabores

Renato Alves/Set.2007

Após conhecer a La Bodeguita del Medio e tomar uns drinques, se ainda tiver fôlego e pernas para caminhar, siga por qualquer uma das ruas que cortam a Plaza de la Catedral. O passeio é obrigatório para quem deseja conhecer o estilo de vida cubano e os moradores da cidade. Entre na primeira bodega que encontrar.

Nela é distribuída a comida e outros produtos de primeira necessidade da população. Na hora de passar no caixa, os clientes não tiram cartão de crédito ou débito. Da bolsa ou do bolso saem moedas e uma caderneta, em que o funcionário anota o produto e a quantidade. Cada cubano tem uma cota mensal.

Quando quer mais (e pode pagar), o cubano recorre ao mercado paralelo, onde tudo é muito caro, devido à escassez de produtos no país. Apesar de certa melhora na economia, comparando com anos 1990, ainda falta de tudo, do sabonete à camisa. É comum ver meninos brincando de sapatos furados ou vestidos em roupas bem mais curtas — eles usam até esfarelar.

Homem analisa cadernetaNão é lenda nem preconceito. Os cubanos páram sim os turistas para pedir itens de higiene pessoal. Como custam caro à população, xampu, sabonetes e similares são considerados artigos de luxo. Carregue os kits de banho dos hotéis para agradá-los e ajudá-los.

Os pais, sem vergonha alguma, costumam pedir caneta e borracha para os filhos estudantes.

Em Cuba, porém, ninguém fica sem escola, morre de fome ou ao relento. Nem vive debaixo de ponte ou em favela.

Ver, ler, descansar

Partindo da Plaza de la Catedral, após 10 minutos de caminhada ininterrupta, chega-se à Plaza Vieja. Prédios da tradicional arquitetura espanhola emolduram a praça, calçada de pedras centenárias. A sombra dos restaurantes, seus drinques deliciosos e a ótima música cubana, são um alívio em dias de sol quente. Ainda há oficinas de arte que valem a pena ser visitadas.

Entre na Calle Obispo (Rua do Bispo), em direção a Plaza de Armas. Ande devagar. Aproveite a sombra e aprecie os sobrados coloniais ao longo da rua apertada e aprazível. Assim que avistar um vendedor ambulante de cartão-postal ou de artesanato, pare e puxe conversa.

Renato Alves/Set.2007Eles sempre têm tempo para contar boas histórias. O cubano adora fazer amizades. Principalmente com brasileiro. Não deixe de fazer uma foto ao lado de um dessas figuras caricatas. Elas também gostam de serem fotografados.

A Plaza de Armas é toda arborizada. Também com trânsito restrito aos pedestres, é um convite ao descanso. Os bancos de concreto são disputados por cubanos — abertos a uma prosa — e turistas.

Renato Alves/Set.2007A praça abriga uma feira permanente de livros novos e usados (a maioria). Algumas obras dos melhores autores cubanos podem ser compradas por uma pechincha. Entre os lançamentos, os melhores são os livros de fotografia, que retratam a revolução e o cotidiano.

Em torno dessa praça, também há excelentes restaurantes e prédios históricos. O mais atraente é o Palacio de los Capitanes Generales, belo exemplo do barroco cubano. Construído entre 1776 e 1792, abrigou a Assembléia Legislativa, serviu de residência do governador da província de Havana e cadeia. Em 1967, tornou-se o Museo de la Cidade, mas a estrutura da suntuosa casa oficial permanece intacta.

Paladares

Além de restaurantes tradicionais e requintados, em Havana Velha também há ótimos paladares. São restaurantes de comida caseira, administrados por cubanos comuns, que ganharam autorização do governo para ter o próprio negócio.

Mas eles precisam seguir algumas regras, como atender no máximo a 12 pessoas ao mesmo tempo. O restaurante só pode funcionar na casa do dono da licença. O microempresário não pode contratar ninguém. O cozinheiro e garçons têm que ser da família.

Com isso, almoçar em um paladar é uma das melhores oportunidades de se conhecer uma casa cubana e seus moradores. Além de tudo, é a maneira mais econômica de se comer em Havana.

Os paladares têm poucas opções no cardápio — por causa da falta de capital do dono e da escassez de produtos —, mas todas são muito bem preparadas e saudáveis. A mais comum é a carne de porco, acompanhada de salada e de arroz e feijão preto (misturados, tipo baião de dois, sem queijo). O prato sai, em média, por R$ 15.

O nome paladar é fruto do sucesso da novela Vale Tudo (Rede Globo, 1988 a 1989). Também em Cuba, a trama bateu recordes de audiência. A protagonista Raquel (Regina Duarte), que, após perder tudo ao ser roubada pela filha Maria de Fátima (Glória Pires), se reergueu ao abrir um restaurante, o Paladar.

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4 comentários em “Cuba (3) – Caderneta, arte e sabores

  1. Por falar em comida, descobrimos no Vedado um belo restaurante de comida internacional e de culinária cubana. O La Roca fica pertinho do Hotel Habana Libre e qualquer prato não custa mais de R$ 10. Há camarão, lagosta e congrí, o arroz com feijão cubano. À noite, o lugar recebe artistas locais.

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