Houston — Viagem ao espaço sem sair da Terra

Renato Alves (texto e fotos)

UniformeHouston, no Texas, é uma cidade industrial, sem graça. Nos fins de semana, fica quase deserta. Mas a metrópole norte-americana tem uma atração que vale a pena a estada por um ou dois dias. A 40km do centro de Houston, é possível sentir-se um astronauta, passear pelo espaço por algumas horas pagando pouco e sem sair da Terra.

O sonho de criança é realizado (em parte) no Johnson Space Center, unidade da Nasa (agência espacial norte-americana). O centro é aberto aos turistas desde 1992. Para receber os visitantes, foi construído um centro de 17 mil metros quadrados projetado pela Walt Disney Imagineering. Obra que custou US$ 70 milhões. O investimento valeu a pena.

O centro espacial é hoje a maior atração de Houston. Uma espécie de Disneylândia das viagens espaciais. As crianças e os adolescentes se divertem em um parque temático científico com jogos e simuladores de vôos. Os adultos se emocionam na visita ao museu de aventuras estelares humanas.

Projeto Apollo

Réplica da Estação InternacionalO passeio inclui visita ao centro de controle dos vôos do projeto Apollo, que levou o homem à Lua pela primeira vez, e aulas sobre o treinamento dos astronautas e pesquisas espaciais. Tudo isso por, no máximo, R$ 50, o ingresso inteiro para adulto.

Para se ter uma importância do lugar, “Houston” foi a primeira palavra dita pelo homem na Lua. O final da frase era “…o Eagle (águia, símbolo dos EUA e nome do módulo lunar) pousou”. Isso rendeu a Houston o apelido de space city.

Outra lembrança da cidade vem do filme Apollo 13 (1995), em que o comandante Jim Lovell, interpretado por Tom Hanks, diz a hoje famosa frase “Houston, we have a problem” (“Houston, nós temos um problema”). Ele informava ao Controle de Missões da Nasa de que a nave estava à deriva no espaço.

Essas histórias são contadas e mostradas — por meio de vídeos e áudios originais — no tour pelo Johnson Space Center. Os funcionários da unidade da Nasa ainda monitoram todas as viagens espaciais americanas. No centro também são treinados astronautas e projetados foguetes e naves.

Emoção

O visitante ganha um mapa com os horários das atrações na comprado ingresso do Space Center. O melhor é, de primeira, ignorar as atrações tecnológicas e ir direto ao trenzinho que faz o passeio pelas vias do centro espacial e leva aos prédios funcionais onde estão escondidas coisas extraordinárias.

No caminho, dentro do veículo — comum em qualquer parque brasileiro — ouve-se ao fundo uma musiquinha épica de filme hollywoodiano sobre conquista espacial e o depoimento de ex-astronautas sobre a razão da humanidade tentar desvendar os mistérios do universo. Soa piegas, mas funciona. Não há quem preste atenção nos relatos sem se emocionar.

Tem-se a constatação de que ali é mesmo a Nasa e há gente trabalhando para o homem conquistar o espaço quando se ouve o depoimento do diretor de vôo aposentado e ex-comandante do Johnson Space Center Gene Kranz. Entre tantas coisas, ele explica em uma gravação que, até hoje, ali foram treinados 320 astronautas.

O trenzinho pára pela primeira vez em frente a um dos prédios funcionais quadrados, sem qualquer placa na fachada ou janela. É o lugar onde fica o primeiro e mais famoso centro de controle de missões da Nasa. Para chegar à sala onde foram ouvidas as primeiras palavras do homem na Lua e a clássica frase de Jim Lovell, o visitante precisa subir 87 degraus.

Centro de controleAcomodados em poltronas vermelhas como as de cinema, os turistas vêem, por trás de uma barreira de vidro, o centro de controle. Os equipamentos são os mesmos do começo dos anos 1990, quando deixaram de ser usados por estarem ultrapassados.

A apresentação de vídeos exibidos nas telas do painel de controle, em preto e branco, mostram aos visitantes momentos históricos vividos ali. Entre eles, a contagem regressiva para partida da Apollo 11 rumo ao espaço e os primeiros passos do homem na Lua. O sistema de áudio reproduz gravações dos diálogos entre os cientistas da Nasa em Houston e os astronautas da Apollo 11.

Do centro de controle, o trenzinho parte para o Hangar X. O prédio abriga naves que, por algum motivo, não passaram nos testes de vôo. Ponto obrigatório para fotografias (sim, as fotografias são liberadas dentro dos pontos turísticos da Nasa).

Ônibus espacial

Do depósito de espaçonaves, o visitante segue para as instalações onde são treinados os astronautas. Há uma trilha só para os turistas. Todos têm que caminhar sob uma plataforma suspensa de aço. Também por trás de barreiras de vidro, estão os instrumentos de testes. Destaque para a versão de um ônibus espacial e parte da Estação Espacial Internacional.

Os protótipos são usados para exercícios dos astronautas, como saídas de emergências e reparos no espaço. Há bandeirinhas brasileiras em alguns pontos do hangar. Elas lembram que o nosso país integra o projeto de construção e manutenção da Estação Espacial Internacional.

O Brasil foi representado por Marcos Pontes, nosso primeiro astronauta. Ele entrou para a Nasa em agosto de1998. Começou o treinamento no Johnson Space Center. Formou-se em 2000. Morou em Houston com a família.

Homenagem

Rocket ParkA quarta parada do trenzinho da Nasa fica em um bosque, onde os visitantes contemplam várias árvores. Algumas, enormes. Elas fazem parte de um memorial. Cada uma representa um astronauta morto em acidentes com ônibus espaciais — o da Challenger,em 1986, e o da Columbia, que em 2003 se desintegrou ao reentrar na atmosfera, matando sete astronautas.

Após as explicações do guia e do momento de reflexão, o trenzinho faz a última parada. É a mais atraente. Ideal para uma fotografia. No Rocket Park, um espaço gramado e aberto, estão foguetes testados no começo dos anos 1960, os primeiros do projeto Apollo. Também há propulsores e peças dessas naves. Todas lançadas de Houston.

Pedras lunares

De volta ao centro de visitantes, após uma hora de passeio de trenzinho, o visitante — em especial crianças e os adolescentes — brincam à vontade. Para os adultos, também é difícil se conter. Pode-se usar à vontade simuladores de vôos, que dão a real dificuldade de pilotar um ônibus espacial.

Sala dos uniformesTambém é possível entrarem uma Apollo e ver um módulo lunar como o que desceu na Lua. E entrar na cabine de um ônibus espacial. Ainda, se pode tocar uma pedra lunar. O Johnson Space Center é o maior depósito de pedras lunares do mundo.

Outro programa no centro é assistir filmes em um cinema de última geração — um deles no estilo 4-D, que promete a mesma sensação experimentada pelos astronautas quando os foguetes são lançados. Cada vídeo dura, em média, meia hora.

Por fim, há o museu de roupas de astronautas e de flâmulas de missões. O visitante pode experimentar alguns capacetes antigos.

COMPRAS

O centro de visitantes tem duas lojas de souvenirs da Nasa. Elas oferecem de broches a uniformes de astronautas. As camisetas variam de R$ 25 a R$ 80. Os bonés custam, em média, R$ 30. Há ainda brinquedos, camisetas, miniaturas de espaçonaves, entre outros.

Se der fome, tem uma praça de alimentação, com cachorro quente, hambúrgueres hipercalóricos, batata-frita e até comida de astronauta. Tudo para você ficar com a cabeça na Lua.

COMO CHEGAR

O melhor e mais barato é ficar em um dos vários hotéis ao redor do Johnson Space Center. Em média, um quarto padrão quatro estrelas para duas pessoas custa US$ 80. O traslado de van entre o aeroporto e o hotel, nesse caso, custa US$ 35 (R$ 87).

Para quem se hospeda no centro de Houston, há três opções para chegar à Nasa. A mais barata é contratar uma excursão. Por US$ 50 (R$ 125), incluído o ingresso(US$ 17,95, R$ 46, no caso dos adultos), uma van lhe pega e deixa de volta no hotel.

Estrada para VictoriaTambém pode-se alugar um carro (cerca de US$ 39 a diária) e dirigir até lá. Mas é recomendável levar um mapa. A não ser que esteja com muito dinheiro sobrando, recuse a oferta dos serviços de táxis oferecidos pelos recepcionistas dos hotéis.

Os taxistas cobram, no mínimo, US$ 100 pela ida e volta, com ingresso a parte. E se te sugerirem um passeio pelo enorme shopping de Victoria, cidade vizinha a Houston, te cobram mais US$ 20, pelo menos. Não há ônibus público que liga o centro de Houston à Nasa.

Uma maneira de pagar mais barato — até metade — para entrar no Space Center é pegar um dos folhetos de roteiros turísticos no hotel, procurar por cupons promocionais, recortá-lo se apresentá-los no caixa do centro de visitantes da Nasa.

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7 comentários em “Houston — Viagem ao espaço sem sair da Terra

  1. Achei incrível! Desisti de conhecer a Disney depois do que lí aqui! Não fazia ideia do quão incrível podia ser…

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  2. Oi, passarei algumas horas em Houston, por causa da escala do vôo. Como chego do aeroporto ao centro aeroespacial ? É muito longe ? Obrigada.

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  3. ola.como vcs se sente na viagem e no espaco e divertido o
    da um frio na bariga ?
    me nome e Mariana.tenho 10 anos

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  4. ola meu amigo eu gostaria muito de fazer esta viagen ,por favor me oriente como encontrar uma empresa de turismo para que eu possa fazer esta viagen,desde agradeço j roberto .

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