África do Sul – Um passeio por Soweto

Chaminé em SowetoRenato Alves (texto e fotos)

Os townships, guetos criados na época do apartheid para abrigar os negros, viraram pontos turísticos em Johannesburgo. Um tour por um desses guetos pode até parecer programa de gringo em favela carioca, mas a experiência é válida para quem quer conhecer a realidade do país. O passeio de duas a quatro horas (dependendo do destino) custa, em média, R$ 60.

Soweto, a mais famosa township, fica a 15km do centro de Johanesburgo. O grande subúrbio negro, com mais de 3 milhões de moradores, mostra nova face. Originais barracos de zinco dividem espaço com casas extravagantes. Soweto também abriga museus que reúnem documentos e imagens do apartheid.

Hector Pieterson Memorial MuseumAlgumas das mais chocantes mostras dessas lembranças cruéis estão no Hector Pieterson Memorial Museum, em Orlando West, um dos bairros de Soweto. Ele relata as revoltas que começaram em 1976, motivadas pela imposição do idioma afrikaans no ensino médio. As manifestações dos estudantes deram início ao fim do apartheid.

O afrikaans, derivado do holandês, é a língua materna dos sul-africanos brancos e, durante o apartheid, era considerada pelos negros como a linguagem da dominação racial. A lei que tornava obrigatório o estudo do afrikaans foi a gota d´água para os estudantes.

Meninas dançarinasMassacre

Em 16 de junho de 1976, 5 mil estudantes saíram das salas de aulas e iniciaram uma marcha pelas ruas do bairro. Há muitas versões sobre que ocorreu neste dia em Soweto, inclusive em relação ao número de mortos. As estimativas variam entre 4 e 600. O certo é que a polícia abriu fogo contra os adolescentes, que revidaram com pedras.

A primeira vítima foi Hastings Ndlovu, que morreu no hospital horas após ser baleado. O primeiro morto no local dos protestos foi Hector Pieterson, 13 anos, cuja foto se transformou em um símbolo da brutalidade policial sul-africana.

Os motins de Soweto se repetiram em muitas outras das chamadas cidades negras da África do Sul. Em 1977, os estudantes negros começaram a fazer provas em seus idiomas nativos. A violência de 1976 terminou com centenas de civis mortos, prédios administrativos incendiados, lojas saqueadas e funcionários do governo assassinados pelas multidões.

Vendedora de artesanatoPrêmio Nobel

Orlando West também é o único lugar que pode se gabar de ter dois vencedores do Prêmio Nobel da Paz: o ex-presidente Nelson Mandela e o bispo anglicano Desmond Tutu. A casa onde o primeiro foi preso virou museu. O segundo ainda mora no bairro. Assim como a primeira mulher de Mandela, que se transformou em líder negra, Winnie Mandela.

Os guetos são conhecidos ainda pelos seus curandeiros, que recebem os turistas com paciência, em troca de uma boa conversa. Eles garantem que seus conhecimentos e ervas curam quase tudo. O artesanato é outra atração dos townships, assim como as crianças, que só começam a falar inglês após os 7 anos, quando ingressam na escola. Antes, elas aprendem a língua étnica.

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14 comentários em “África do Sul – Um passeio por Soweto

  1. Acho q na Africa do Sul pode ter lugares bonitos e tal , mas se eu for para la é para me me divertir e ver coisas lindas ,para mim é melhor nem ir pq vou ficar bm triste vendo pessoas passando fomee bm mangras.Naum pensem q eu tenho preconceito naum é nda disso .O meu professor passou uma palestra para o pessoal da escola
    e eu vi imagens inacreditaveis bm triste msm .Depois disso naum vai um grão de arroz para o lixo

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  2. Nova York pra quÊ?se na Africa há uma união de cultura, emoção, luta, objetivos, valorização da natureza e da cultura em geral e principalmente belas pessoas, belas paisagens e belas músicas e tudo isso naturalmente falando, em minha lua de mel tinha todas as opções para ir viajar, sem dúvida escolhi a Africa por todos esses motivos…

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  3. eu tenho muita vontade de conhacer a Africa do Sul é um pais muito bom de se apresciar as suas belesas!!!!!!!!!!!

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  4. Carol, acabou o apartheid político, mas ficou o econômico. Mais ou menos quando ocorreu o fim da escravidão no Brasil. Em Johannesburgo, negros andam a pé pelas vias ou empuleirados em caminhonetes, ao lado dos carrões de luxo dirigidos por brancos. Lá, como aqui, se tem negro dirigindo carro chique é motorista de branco rico.

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  5. Entendi um pouco mais da realidade da África do Sul lendo esse post, Rê. Tenho uma grande amiga que é de lá e, apesar da franqueza nas nossas conversas sobre tudo quanto é assunto, o tema do apartheid fica sempre meio truncado… Só olhando de fora mesmo para entender melhor. Beijo!

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