Estrada Real – O mapa do conforto

Ouro PretoRanking revela os municípios com melhor infraestrutura para os viajantes interessados em conhecer um dos mais visitados roteiros turísticos do país

Paulo Henrique Lobato, do Estado de Minas / Jorge Cardoso (fotos)

O título não é de Diamantina, terra de personalidades ilustres, como a escrava Chica da Silva e o presidente Juscelino Kubitschek, e de onde saíram toneladas da pedra preciosa, que abarrotou os cofres da Coroa Portuguesa na época do Brasil Colônia. Tampouco é de Ouro Preto, a cidade-berço da Inconfidência Mineira, que também financiou, com suas inúmeras minas, boa parte das regalias da família real no outro lado do Atlântico.

Para surpresa de muitos, a campeã é Juiz de Fora. O município da Zona da Mata, a 300 quilômetros de Belo Horizonte, figura no topo do estudo A oferta turística da Estrada Real: uma proposta de hierarquização, assinado pelo turismólogo e geólogo Éder Romagna Rodrigues, de 27 anos. A pesquisa, resultado da dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas, sob a orientação do professor Alexandre Diniz, elaborou o ranking de infra-estrutura oferecida aos turistas pelos 176 municípios mineiros, paulistas e fluminenses que fazem parte da Estrada Real (ER).

Ouro PretoIndicadores 

A tabela elaborada por Éder levou em conta 29 indicadores, como hotéis, pousadas, postos de saúde, hospitais, agências bancárias, dos Correios e de viagem, além de centros de convenção e outros serviços ou espaços físicos importantes para o conforto e uso dos visitantes. Os dados foram colhidos junto às três esferas de governo – União, estados e municípios – e em várias instituições, como o Instituto Estrada Real, o Sistema Único de Saúde (SUS), diversos sindicatos etc. De posse dos números, ele elaborou um índice que oscila de zero a um: quanto mais alto, melhor é a nota da cidade. A pesquisa, por outro lado, não leva em conta os atrativos naturais e históricos, indicadores que só serão levantados pelo turismólogo este ano.

A decisão de deixar para a segunda etapa do estudo os cartões-postais moldados pela natureza e os que tiveram importância para o passado histórico dos 176 municípios ajuda a entender o motivo de Juiz de Fora liderar o ranking com 0,570784 pontos. Diamantina ficou na quarta posição (0,271003) e Ouro Preto, na oitava (0,241093). No fim da lista está Olímpio Noronha, no Sul de Minas, a 360 quillômetros da capital (0,011057).

“A ideia é desvendar de que forma a antiga rede de núcleos coloniais da ER está estruturada para desempenhar funções de prestação de serviços turísticos, com base em informações referentes a 2000, 2003 e 2006. Em meio à extensa malha da rede urbana da ER, foi possível identificar que ela se diferencia internamente em níveis distintos de hierarquização turística. Cada nível representa municípios que têm níveis de excelência em comum. Dessa forma, os resultados permitem dizer que há quatro níveis hierárquicos: centros de ordem superior, centros de ordem intermediária, centros de ordem inferior e centros complementares”, explica Éder.
 
Ouro PretoBelas paisagens

O morador ou visitante que chega à Região Metropolitana de Belo Horizonte pode se deliciar com belas paisagens e a rica arquitetura de municípios vizinhos à capital que integram a Estrada Real, um dos principais circuitos turísticos de Minas Gerais. Em Santa Luzia, localidade que homenageia a protetora dos olhos, quem vem de fora encontra várias opções de hotéis, bandeiras de bancos e casarões que ficam bem em qualquer máquina fotográfica ou filmadora. Mas, por outro lado, também há margem para muitas melhorias em alguns setores da Grande BH: entre Jaboticatubas e Taquaraçu de Minas, onde a natureza é um convite às trilhas, o problema é a parte de uma estrada de chão que liga os dois municípios.

Mas, na balança, moradores e visitantes vão se encantar com a parte da região metropolitana que integra a Estrada Real, como Santa Luzia, a 15ª cidade no ranking batizado de A oferta turística da Estrada Real: uma proposta de hierarquização, elaborado pelo turismólogo e geólogo Éder Romagna Rodrigues, de 27 anos, sob a orientação de Alexandre Diniz, professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial, da PUC Minas. Santa Luzia está no grupo dos centros de ordem intermediária.

Ouro PretoCores e arquitetura

A cidade, com pontuação 0,200928, atrai muita gente que se delicia com as cores e arquitetura do Centro Histórico, onde está o Solar Teixeira da Costa, na tradicional Rua Direita, que, atualmente, abriga o museu Casa de Cultura. Uma placa no imenso casarão, onde estão expostos centenas de objetos e quadros que ajudam a contar páginas importantes da história do país, informa que o imóvel foi quartel-general, entre 15 e 20 de agosto de 1842, do Exército Revolucionário até ser conquistado e ocupado pelo Exército Imperial Pacificador.

E é difícil encontrar um turista que passa pela Rua Direita e não vá ao Mosteiro de Macaúbas, a 15 quilômetros do centro histórico, fundado, em 1712, pelo ermitão Félix da Costa. Em 1847, de acordo com informações afixadas no próprio local, “(o prédio) passa a ser recolhimento e colégio. Já em 1933 é incorporado à Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriza da Silva e Menezes, em Toledo, na Espanha, em 1484”.

Sabará, Tiradentes, Congonhas

A vizinha Sabará, com nota 0,049624, está na 58ª posição e também atrai muitos turistas, como os noivos Jean Kotowski, de 26 anos, e Melissa Camargo, de 27, de Curitiba (PR). Depois de conhecerem São João del-Rei, Tiradentes e Congonhas, o engenheiro eletricista e a pedagoga foram passear no Centro Histórico do importante povoado desde a época do Brasil Colônia, quando era chamada de Sabarabucu.

Puro PretoA bandeira de Fernão Dias Paes chegou à região em 1674 para o processo de organização urbana dos núcleos mineradores, mas, segundo a prefeitura, importante publicação do historiador Zoroastro Viana Passos cita que os baianos chegaram aos sertões de Sabará em 1555, muito antes dos bandeirantes paulistas. O certo é que Sabará continua encantando os visitantes, como os noivos paranaenses, que guardaram, na máquina fotográfica, uma lembrança da Igreja de Nossa Senhora do Ó, fundada pelo paulista Bartolomeu Bueno da Silva.

Ouro Preto“É muito bonita”, diz o economista José Orlando Silva, de 54, que, juntamente com a filha, Marina, de 23, e a neta Melissa, de 2, apresentou os paranaenses a Sabará. Segundo a prefeitura, “a fachada apresenta alguns detalhes orientais, com interior exuberante, numa profusão de vermelho dourado e azul em talha representativa da primeira fase do barroco mineiro, muito bem representada na talha do altar-mor, em policromia, com colunas torsas (ou salomônicas) com cachos de uvas e folhas de videira simbolizando a eucaristia, e a ave fênix representando a Ressurreição de Cristo. Nas faces frontais do arco-cruzeiro, painéis com motivos chineses, pintados a ouro, dão um toque bem oriental ao interior desta belíssima construção religiosa”.
 
Ouro PretoBelezas de difícil acesso
 
As belas paisagens entre Jaboticatubas e Taquaraçu de Minas atraem, todos os anos, muita gente que se encanta com as trilhas, montanhas e cursos d’água, mas também se decepciona com a parte da estrada que é de chão e vira um caos na época de chuva. É possível sair de Jaboticatubas e chegar a Taquaraçu por outro caminho, mas a distância aumenta muito. Para moradores, como o lavrador Carlos Santos Ferreira, de 43 anos, o caminho mais curto oferece uma vista mais atrativa.

O problema incomoda não só turistas, mas os habitantes da região. Outro dia, conta o lavrador, um caminhão não conseguiu atravessar o barro e correu o risco de o suado leite retirado pelos pequenos produtores se perder. “Teve que fazer um desvio. O caminho foi aumentado, acredito, em seis quilômetros”, alertou o homem, que, durante o período chuvoso, só usa a estrada montado na égua Sirigaita.

“Passou da hora de asfaltar isso aqui. É ela que me ajuda”, acrescenta Carlos, mostrando a égua. Quase todos os dias, ele sai de casa na companhia de outros dois animais: a cadela Campina e o cão Campeiro. Os vira-latas, companheiros, não temem a lama, a poeira e outras dificuldades. São exemplos que reforçam o velho ditado: o cão é o melhor amigo do homem.
 
Já o asfalto da estrada que liga Santa Luzia a Jaboticatubas é excelente. Por outro lado, a pista carece de acostamento. É um alerta aos motoristas, principalmente porque seu traçado, em muitas partes, esconde curvas que podem se transformar em armadilha.

ONDE FICAR, COMER E SE DIVERTIR NA ESTRADA REAL

 

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