A aventura de viajar com os pequenos

João e Pedro em Amsterdan

Carolina Nogueira / De Paris

O João e o Pedro têm pouco mais de dois anos e meio e começaram a viajar com três meses. Aos quatro meses e meio fizeram a primeira viagem internacional, quando nos mudamos de Brasília para Paris. A partir daí, sempre que o orçamento dá uma folguinha, fazemos pequenas viagens pela Europa tentando aliar dois fatores que quase nunca se coadunam: crianças e economia.

Se ainda existisse carimbo em passaporte dentro da União Européia, os deles já teriam a estampa da Bélgica, Espanha, Portugal, Grécia, Reino Unido, Alemanha e Holanda. Sem falar no da França, claro.

João e Pedro em BerlimAcho muito difícil dar dicas sobre como viajar com crianças. Guias turísticos e revistas especializadas estão cheios de matérias sobre o assunto na mesma medida em que de boas intenções está repleto o inferno. Eles parecem ignorar que, primeiro, crianças são seres únicos. Cada uma tem seus gostos bem particulares. Segundo, são imprevisíveis — principalmente quando estão fora da rotina delas.

Conclusão: as dicas acabam sendo inócuas, porque vão se aplicar perfeitamente a umas e de jeito nenhum a outras crianças. O que pretendo fazer aqui, então, é contar como nós viajamos. E as lições que tiramos das nossas experiências.

Nunca viajamos com babás e quase nunca com ajuda de outras pessoas. Então, para nós, viajar é descoberta, distração, uma deliciosa saída da rotina – mas não é sinônimo de descanso. As poucas vezes que associamos viagem com algum descanso foi quando fomos ao Brasil, nas casas da minha mãe e da minha sogra, e os respectivos tios e primos entraram em cena.

Dizem que em grandes resorts também há babás disponíveis, mas isso não faz minha cabeça, nem o perfil do meu bolso. O que vou contar aqui é como conhecemos lugares novos gastando pouco e nos divertimos carregando a tiracolo pequenos que mal sabiam andar. Mas não estou dizendo que foi mole, hein?

Alimentação

Como a maior parte das mães, sou paranoica com a ideia de que meus filhos estejam bem alimentados. Depois que acaba a amamentação exclusiva (quer algo mais prático do que ter sempre comida pronta, quente e disponível?), vem a interminável fase das papinhas.

Quando viajamos nessa fase, adotei os potinhos de comida pronta sem um pingo de culpa – até porque a maior parte das nossas viagens duraram dois ou três dias. Na mala, levava dois potinhos para cada um. Logo na chegada ao hotel, encontrava um supermercado próximo para comprar frutas, mais potinhos e biscoitos.

Mais ou menos aos dois anos a rotina ficou bem mais fácil. Hoje os meninos nos acompanham nos restaurantes e dividem um prato entre eles. Quando o tempo está bom, preferimos fazer um piquenique na hora do almoço. Assim aproveitamos os parques sem ter de ficar vigiando as facas afiadas e os copos de vidro dos restaurantes.

Bagagem

Este foi, sem dúvida, meu maior aprendizado ao viajar com meus filhos. Como nós viajamos barato para poder viajar mais, normalmente tentamos ir ao aeroporto de metrô. Como somos dois, carregando duas crianças, e só temos dois braços cada um (infelizmente), a opção que nos resta é levar a bagagem nas costas. Tudo tem que caber em duas mochilas.

O único jeito é limitar seriamente a quantidade de roupa. Duas calças e umas quatro blusas, dois casacos, peças íntimas, um pijama e um par de sapatos: está feita a mala do fim de semana. As roupas mais pesadas, como sobretudo e botas, vão no corpo. No bolso da mochila ponho um colar ou um lenço para me sentir um pouco na moda, abro espaço para uma bolsinha pequena, que vou usar durante a estadia no nosso destino – e todo o resto do espaço vai para as fraldas descartáveis.

O carrinho (duplo) é fundamental para o tipo de viagem que gostamos de fazer, em que caminhamos bastante pelas cidades. Lá os meninos dormem, olham a paisagem, descansam. Quando paramos para brincar ou passear em algum lugar, o carrinho fica preso a um poste com um anti-furto igual esses de bicicleta.

Emergências

Depois que o João teve uma febre super alta no nosso primeiro dia em Madri, não viajo mais sem paracetamol e um termômetro, nem que seja por dois dias. É altamente aconselhável levar pomadas para picadas de inseto, mertiolate ou algo parecido, soros de reidratação e um bom antiinflamatório. Mas quase nunca levo tudo isso. Aqui na Europa, as farmácias são um bom ponto de partida para se informar sobre primeiros cuidados quando alguma coisa vai errado.

Pedro em banheira improvisada na capital inglesaSe virar

Como em todas as situações da vida, o mais importante é saber rir de si mesmo e encarar tudo como uma aventura.

Em Londres, ficamos em hotel sem banheiro no quarto. A pequena pia virou banheira para o banho dos meninos, que tinham um ano e meio. No banheiro coletivo, encontrei um desses secadores de mão com ar quente que me fez as vezes de secador de cabelo.

Em Amsterdam, o hotel não tinha dois berços para colocar no mesmo quarto, então um dos meninos dormiu no berço e o outro, na cama com a gente. Juro que ele achou ótimo.

Programação

Após algumas tentativas catastróficas, os museus foram riscados dos nossos mapas de viagem. Nosso principal objetivo como turistas munidos de crianças pequenas é conhecer, realmente, as cidades. Andar muito pelas ruas, explorar bairros alternativos, experimentar a comida da região.

Se os meninos tiram uma sonequinha de tarde, a gente para em um barzinho agradável para tomar uma cervejinha e ver a vida passar. Todos os dias tentamos prever pelo menos uma parada estratégica para eles: um parquinho bem legal ou, na pior das hipóteses, uma mega-loja de brinquedos, como a Hamley’s, em Londres – porque é importante que a viagem também seja legal para eles.

Um alerta: parques de diversões enormes, como a Disney, é perda de tempo para crianças tão novinhas. Levamos o João e o Pedro às vésperas do aniversário de dois anos e eles simplesmente não interagira. Passaram mais tempo prestando atenção em embalagens coloridas jogadas pelo chão do que no castelo da Cinderela.

Por outro lado, alugar bicicletas com cestinhas para crianças, em Amsterdam, foi uma experiência que eles amaram. Se divertiram mais do que a gente!

(Além de mãe do Pedro e do João, Carolina Nogueira é jornalista, brasiliense e moradora de Paris há dois anos, de onde escreve para blogs, guias de viagem, jornais e ainda grava para TV e rádio brasileiras. Ah, ela também estuda, muito.)

João e Pedro em Londres

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17 comentários em “A aventura de viajar com os pequenos

  1. Meu bebê vai fazer um ano e oito meses em agosto/10, e já foi pra Bahia, pra Argentina e mês que vem vai pra Paris de novo.

    Quem cuida dos filhos, pessoalmente, sabe do que trabalho que dá, em casa mesmo. Então, se vai dar trabalho, dê trabalho fora de casa também. Pelo menos a gente vê outras coisas né?

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  2. Carol….
    Adoro viajar e tbm já fui há vários países mas, agora tenho um bebê de 1 ano e meio e estou criando coragem para no ano que vem ir para fora do país com ele….ai que medo!!! bem ele terá dois anos e meio e espero que até lá de menos trabalho!!!! Bjs Susete

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  3. Carol:Li tudo. Tudo meeesmo ! Eu adoro, amo, admiro, venero e devoro Paris. Tenho uma filha que mora aí. Com meus netos. Já fui a Paris 49 vezes ! Já fui prá China, India, Russia, Polônia, Canadá, Espanha, Itália, Turquia, Marrocos, Israel, Toda América do Sul, EEUU, mas igual Paris, necas de pitibiribas!
    Seja feliz com tuas crias, estude mesmo que isso conta e vai escrevendo deliciosamente sempre! Beijinhos, Nina.

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  4. Carol,
    Adorei!!! Já repassei para as amigas-mães!!!
    Vamos ver se, na minha próxima ida a Paris, a gente se encontra :)!
    Beijoooo!

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  5. Que legal! Tb viajei com minha filha om 5 meses pela França e depis num barco, Simples, já que só mamava. Começa a dificuldade ao andar e aí conhecemps tds os parquinhos de Paris!!!!!
    O bom é que agora ela tem 16 anos e ano que vem ROTA 66 pra não nos esquecermos…

    Alice

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  6. Carol,

    Adorei! Realmente viajar com os pequenos não é fácil, mas nem por isso deixa de ser muito divertido. O Lucas com 6 meses dormiu dentro de uma mala uns quatro dias quando ficamos num apartamento que não tinha berço em Vancouver. Fora os banhos em piscinas infláveis que são ótimas em hotéis ou apartamentos sem banheira. Beijos, Ana e Kiko

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  7. Amei!
    Concordo plenamente! Sempre estou com meus pequenos (agora nem tão pequenos assim) na bagagem. Eles amam e eu também. Além de tudo, é ma experiência familiar super gostosa. Sem babás, vovós (que são maravilhosas), escola e trabalho a gente consegue, de fato, CONVIVER e se conhecer melhor. Todo o trabalho que dá compensa. E a cada viagem fica mais fácil.Concordo com a Carol, as dicas nem sempre se aplicam para todos…exceto a da mini farmácia a tira-colo. É fundamental!
    Agora o meu maior desafio será viajar SEM eles…já estou sofrendo hehehe, mas o casal precisa…
    Beijos

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  8. Carol,
    Quase sempre leio seus textos, mas acabo ficando quietinha.
    Mas, resolvi dizer mais uma vez como é bom escutar você através das suas letras.
    Linda!
    Adorei
    beijocas
    Veri

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  9. Sempre digo a eles nessas viagens: “Espero que vocês se lembrem bem de todo esse trampo, que é para, no futuro, não reclamarem de empurrar minha cadeira de rodas ou me ajudar a andar de bengala”.

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  10. Depois dessas dicas, até me deu coragem de sair para pagos mais distantes com a Joaninha. Beijões e saudades dos guris.

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  11. Depois que eu já achei vocês heróis subindo o carrinho das escadas do Montmartre com eles, imagina o que dizer de viajar pra esse bando de lugares?

    Afi. Mas espero que, com dois anos e meio, eles estejam dando cada vez menos trabalho.

    beijocas

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