Gripe suína — Cancelei a minha viagem

Passageiros em aeroporto

Diego Amorim

O pacote estava fechado. Minha primeira viagem internacional começaria em 20 de julho. Seriam quatro noites em Santiago e outras quatro em Buenos Aires. Li sobre as duas capitais, conversei com amigos que já as conhecem, colecionei guias, montei roteiro, criei expectativas. Até que a nova gripe resolveu balançar meus planos.

Os meios de comunicação não se cansam de anunciar novos casos da doença e de espalhar o clima de medo no Chile e na Argentina. No começo, mantive-me firme na decisão de encarar o vírus e curtir as férias despreocupado — ou ao menos fingindo. Pensei: capricho nas doses de vitamina C, levo máscaras no bolso e pronto.

Eu? Do alto dos meus 24 anos, que não me enquadro no grupo de risco, seria derrubado por uma gripe cuja letalidade é quase a mesma de uma gripe comum? De forma alguma. E, enfim, mesmo se entrasse para a estatística dos contaminados, não morreria. Foi com esse discurso que tentei convencer os que me orientaram a adiar a viagem.

Passageiro em aviaoPois bem. Decidi ir a agência de viagens onde fechei o pacote para ouvir a opinião deles. Fui com a intenção de ser encorajado e abandonar a ideia remota de cancelar a ida em 20 de julho. Porém, para minha surpresa, veio a recomendação incisiva: não viaje. Não consegui insistir na tese de que não haveria problema arriscar. A viagem ficará para depois.

Férias não combinam com preocupação, por menor que ela seja. Sair de casa para conhecer lugares e pessoas novas e se remoer em pensamentos e previsões desconfortáveis não vale a pena. Não que ache que a nova gripe é terrivelmente assustadora. Mas, pelo bem das minhas férias, me permiti voltar atrás e refazer planos. Será melhor assim.

Para os que estão enfrentando situação parecida com a minha, adianto o que o agente de viagem me informou:

Gripe suina mascara# Se o cliente quiser o que já pagou de volta, terá de esperar. Apesar das notícias que correm de que, por causa da gripe, as empresas não podem cobrar multa ou juros, na prática isso não ocorre. A minha agência foi bem cautelosa em relação. Disse que se eu quiser hoje a grana, teria de arcar com as multas de quebra de contrato. Mas não descartou a possibilidade de, em um futuro próximo, mudar.

# O cliente tem a opção de continuar pagando as parcelas do pacote e mudar o roteiro. É isso que farei, por exemplo. Em setembro, vou a Portugual usando como crédito parte do que paguei para ir a Argentina e ao Chile. E ainda sobrará grana, que continuará lá como crédito para futuras viagens.

# Independentemente da decisão do cliente, ele precisa ir pessoalmente à agência para refazer contratos e assinar papeis. Mas não é preciso muita pressa, segundo o agente que me atenteu. De acordo com ele, até quatro dias antes da data da viagem, posso dizer o que escolhi fazer.

(Diego Amorim é jornalista, repórter do Correio Braziliense)

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2 comentários em “Gripe suína — Cancelei a minha viagem

  1. O curioso é que, tirante a última semana na Argentina (em que a situação se agravou), a imprensa nacional sempre viu uma crise muito maior nos países vizinhos que eles mesmos. No Chile, a imprensa está c*g*ndo para a gripe, até hoje. A doença é novidade, assusta mesmo, mas já está na hora dos jornais brasileiros procurarem outro assunto para noticiar.

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