Ryanair: baixo custo e baixo nível

Avião da Ryanair

Do blog O turista razoável

Eu vou confessar uma coisa: tenho saudade da velha Varig. Sim, a velha Varig. Aquela mesma, aquele símbolo do que um dia se chamou entulho autoritário. Voar era sinônimo de aeromoças bonitas, aeroporto vazio e comida relativamente quente e decente. Até os acidentes tinham mais glamour. E então surgiu um fenômeno que desgraçou o que décadas de aviação haviam construído: o fenômeno das low-cost, as companhias aéreas que se aproveitaram da desregulamentação do mercado para baixar os preços — e o nível.

Muita gente acreditou que as low-cost iriam, enfim, dar cabo das malvadas gigantes estatais que faziam o que queriam conosco. Voar tornou-se acessível para milhões de pessoas. Elas viraram heroínas dos sem-passagem. Hoje, sabemos que as low-cost estão atrás da mesma coisa: lucro. O maior símbolo disso é a inglesa Ryanair.

No mês passado, um estudo americano revelou que ela foi a quarta empresa de aviação mais lucrativa em 2008. Mais de 1 bilhão de dólares vieram de cobranças extras — excesso de bagagem, comida, seguro etc.

A Ryanair é campeã em reclamações. Recentemente, indo de Londres a Roma, um amigo pagou uma taxa extra de 80 libras porque não havia imprimido o papel do check-in em casa. Mais 80 foram pagas porque a mala estava 1 quilo mais pesada.

Essas informações são dadas por funcionários mal-educados e secos que sabem que faturam com cada minuto de dor de cabeça do cliente. A arrogância é uma contaminação do CEO Michael O’Leary, um célebre pitbull dos ares.

Para completar, o embarque é confuso, as poltronas são duras e não inclinam, a bandeja é de plástico barato e as comissárias também. Da próxima vez que você pensar em fazer economia, lembre-se daquela musiquinha: “Varig, Varig, Varig”. Não é porque você paga “pouco” que tem de ser tratado como lixo. Não precisa ser primeira classe. Mas chega de falta de classe.

(O turista razoável é de responsabilidade e autoria de Kiko Nogueira, diretor de redação do Guia Quatro Rodas e da Viagem e Turismo, e seu alter ego J. Pinto Fernandes, colunista com 253 países e alguns desatinos carimbados no passaporte.)

 

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3 comentários em “Ryanair: baixo custo e baixo nível

  1. É tudo verdade…
    Mas TUDO TUDO TUDO mesmo compensa se vc turista LOW COAST fizer a coisa certa…
    É bem simples… leia as instruções… leia o cartão de embarque… siga as instruções e é só isso!
    No dia 1º de setembro fiz uma viagem de Milão a Roma (ida e volta) por 1,98€, que no cambio de hoje seriam 5 reais…
    Os aeroportos eram longe do centro das cidades, gastei mais 22€ de ônibus.
    Mochilinha nas costas (não pode pesar mais que 10kg) e nada mais nas mãos.
    É assim, escrito bem grande PASSAGEIROS QUE NÃO DESPACHAM BAGAGEM EXTRA (paga… aprox. 15€ por volume até 15kg) TEM DIREITO A APENAS 1 BAGAEM DE MÃO QUE NÃO PODE ULTRAPASSAR 10 KG. Quem paga menos de 1€ por bilhete tem direto a reclamar?
    Nãooooooooooooooooooooooooo!
    Se vc turista faz tudo direitinho, vai viajar um montão dentro da Europa por menos que um ônibus intermunicipal.
    Apenas seguindo as regras…
    PS: Bolsa de mulher na Ryanair é BAGAGEM DE MÃO, ok?!?!?

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  2. É tudo verdade…
    Mas TUDO TUDO TUDO mesmo compensa se vc turista LOW COAST fizer a coisa certa…
    É bem simples… leia as instruções… leia o cartão de embarque… só isso!
    No dia 1º de setembro fiz uma viagem de Milão a Roma (ida e volta) por 1,98€, que no cambio de hoje seriam 5 reais…
    Os aeroportos eram longe do centro das cidades, gastei mais 22€ de ônibus.
    Mochilinha nas costas (não pode pesar mais que 10kg) e nada mais nas mãos.
    É assim, escrito bem grande

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  3. Essas companhias são cheias de truques mesmo. Só assim eles ganham dinheiro. Esse lance do check in mesmo, está escrito bem pequeninho, mas tá lá: o check só é feito pela web. Se nao fizer antes, paga multa no aeroporto. Tambem paga taxa por cada mala despachada, mesmo a primeira.

    Mesmo com todas as taxas, porém, é ridiculamente barato viajar nessas companhias e graças a Deus que elas existem. Voei de Bucareste para Madrid em julho (quase quatro horas de voo) por menos de 100 euros, nao dá nem R$ 300. Isso aqui no Brasil nao custaria menos de R$ 1 mil (algo como Natal – Porto Alegre). Conheço gente que pagou menos de 30 euros com todas as taxas para ir de Madrid a Eindhoven, por exemplo.

    Tem os truques dos aeroportos também. Normalmente as companhias baratas te levam para um aeroporto lá na PQP, que você leva duas horas pra chegar na cidade. Se não for fresquinho-filhinho-de-mamae-criado-no-interior-de-minas, porém, é só se virar e pegar um onibus, trem ou metro que chega no centro. Demora, mas chega.

    E a economia vale a pena.

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