Um passeio de busão por Paris

Alberto Lima, do Pelejar

Paris é daquelas cidades no mundo em que você não precisa morrer numa grana com site seeing bus para ver atrativos turísticos. Em cada rua, em cada canto, há uma história, há algo de interessante a conhecer. E este é um lugar que valoriza muito isso.

Há placas por todos os lados, de todos os tamanhos, contando quem morou naquele prédio, quem nasceu naquela casa, quem morreu naquele hotel, o que é aquele monumento, quem foi aquele sujeito que deu nome àquela avenida.

Isso dá uma sensação de familiaridade danada com o local em que se está. Você se sente em um território mais conhecido, mais acolhedor, cheio de referências por todos os lados, que fazem aflorar um clima comunitário muito forte.

Ao lado de onde moro, por exemplo, aprendi que nasceu Marcel Proust, trabalhou Jean-Baptiste Carpeaux, habitou o Barão do Rio Branco, viveu Boileau, morreu Claude François.

Então, o negócio por aqui é caminhar para conhecer. A todo momento, você encontrará algo de formoso para admirar e curioso de saber.

Mas, se tem pouco tempo e quer dar um passeio rápido pra ver muita coisa, alguns ônibus convencionais vão te oferecer uma solução barata ao problema. Por apenas 1,60 euro, você pode conhecer alguns dos pontos mais turísticos de Paris montado em um transporte público de qualidade. Deixo aqui a sugestão da linha 72, que liga o Parc de Saint-Cloud ao Hôtel de Ville, sede da Prefeitura.

Se você pegar o ônibus no início do trajeto em direção ao centro da cidade, vai pela margem direita do Sena vendo belezas como a Torre Eiffel, o Trocadéro, o Palais de Chaillot, o Museu de Arte Moderna, o Palais de Tokyo, Invalides (onde estão os restos mortais de Napoleão), a Assembleia Nacional (a Câmara dos Deputados deles), o Museu d´Orsay, a Pont des Arts, Châtelet e a própria Prefeitura, que é linda. Ah, de quebra, passa ao lado do túnel de l´Alma, dentro do qual morreu Lady Di.

Na volta, você ganha o Louvre, o Palais Royal, o Jardim de Tuileries, a Place de la Concorde, o início da avenida des Champs-Elysées, de onde vê o Arco do Triunfo ao fundo, o Grand Palais e, se já estiver batendo aquela saudade de casa, levante a cabeça logo depois que passar pelo Palais de la Découverte. No alto, vai encontrar uma familiar bandeira verde e amarela tremulando dentro do Hôtel Schneider, sede da Embaixada do Brasil em Paris.

Dê parada, desça do ônibus e, no Chez Francis, que fica de esquina com a avenida George V, de frente pra Torre e à brisa do rio, invista todo o dinheiro economizado em Stella Artois. Você vai ver que fez um ótimo negócio.

(Alberto Lima é pernambucano, jornalista, gente boa e mora em Paris, onde peleja)

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