O camelódromo da Champs-Élysées

Alberto Lima, do Pelejar

Ela é considerada a mais linda avenida do mundo. Vai da Place de la Concorde aos pés do Arco do Triunfo. A Champs-Élysées, que virou baladinha muito simpática na década de 70 em letra e música de Joe Dassin , resistiu até mesmo à marcha do exército de Hitler. Mas, agora, os parisienses se inquietam quanto ao seu futuro.

Os estabelecimentos comerciais de lazer – restaurantes, bares, casas de espetáculo — que deveriam ser o carro-chefe do lugar, têm cedido, pouco a pouco, espaço a lojas prêt-à-porter. Nos últimos três meses, um teatro e uma cervejaria bem bacanas fecharam suas portas, pressionados, principalmente, pelos preços de aluguel, que chegam a 1.500 euros mensais, o metro quadrado.

Vão ser substituídas por Thomas Hilfiger e Levi’s. Um ano e meio atrás, um grande protesto impediu a instalação da H&M no número 90. Mas o capitalismo é um câncer, é nefasto como o nazismo. E, devagarzinho, vai tomando conta de tudo. A resistência continua. Mas, esperando oportunidade para aterrissar por lá, já estão vários desses grandes grupos.

Em breve, se nada de concreto realmente for feito, um dos cartões postais mais conhecidos do mundo pode virar um imenso shopping center ao ar livre.

(Alberto Lima é pernambucano, jornalista, gente boa e mora em Paris, onde peleja.)

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