50 anos — Festa alternativa em Brasília

Ana Clara Brant, do Correio Braziliense

Pelo menos mil artistas de Brasília decidiram se unir para a criação do projeto Brasília, Outros 50, organizado pelo Fórum Cultural do Distrito Federal. A festa “não oficial” em comemoração ao cinquentenário da cidade terá 50 horas de duração e contará com atividades artísticas como música, cultura popular, circo, cinema, dança, teatro, fotografia, artes plásticas, artesanato e poesia.

“A festa é na nossa casa e trazem só gente de fora. Isso não é certo. Temos o direito de participar. Por isso, a criação desse movimento. Uma festa dos artistas de Brasília para o povo de Brasília. Isso prova que já temos sim uma identidade cultural”, enfatiza Ricardo Moreira, um dos coordenadores do evento, que tem o apoio dos ministérios da Cultura e do Turismo e será realizado de terça-feira (20/4) a sexta, no Espaço Funarte, próximo à Torre de TV.

A poucos quilômetros dali, no gramado da Esplanada dos Ministérios, estará rolando a programação oficial do cinquentenário de Brasília organizada pelo governo local, com artistas de renome nacional como Daniela Mercury, Milton Nascimento, Paralamas do Sucesso e Pedro Paulo e Matheus.

Entretanto, nada disso parece preocupar os organizadores do Brasília, Outros 50. “Não é um confronto e não é uma festa contra ninguém, mas a favor de Brasília. É um feito inédito realizado de baixo para cima e de coração. É uma declaração de amor à capital e espero que os governos futuros fiquem atentos a esse tipo de iniciativa”, destaca o maestro e músico Rênio Quintas, outro coordenador do movimento.

Nem uma possível disputa de público com o evento oficial parece ser problema. Para os participantes, só o fato de a iniciativa congregar tanta gente boa, e ser pioneira, já é motivo para despertar a atenção da população brasiliense. “Acredito que haverá sim uma mobilização do púbico. E até para quem não conhece, será uma grande oportunidade para mostrar toda essa riqueza cultural que há em Brasília. Somos uma cidade extremamente artística. As pessoas têm que aprender a valorizar o que é daqui e parar de cultuar só o que é de fora”, opina a atriz Maíra Oliveira, da trupe teatral Esquadrão da Vida.

Transformação
Para o cantor de rap Gog, o envolvimento dos artistas participantes é tão intenso que vai facilitar a aproximação do grande público. Além disso, mais do que a quantidade de pessoas presentes, o importante dessa iniciativa é a transformação de pensamento e de atitude. “Queremos chamar a atenção para a política cultural que vem sendo implementada há anos aqui. A aura que esse movimento está passando certamente vai mobilizar muita gente. Temos vários artistas da cidade que já são conhecidos do público não só de Brasília, como de fora. E além do mais, essa questão da quantidade não é o nosso foco. A intenção é mudar, é transformar as pessoas pela arte. Vai ser algo histórico”, acredita.

Rênio Quintas também espera que a festa organizada pelos artistas brasilienses possa mudar o pensamento de muita gente e, sobretudo, proporcionar a formação de uma plateia. “Temos exemplos de grandes eventos organizados por pessoas daqui, com artistas locais, como o Concerto Cabeças, nos anos 1980, que foi um sucesso. Chegou a reunir 10 mil pessoas. Isso prova que o público prestigia sim a prata da casa. É preciso haver uma política cultural de incentivo a isso. As pessoas nos conhecem, mas falta esse tipo de oportunidade”, opina.

Programação
Além de artistas e grupos de todas as regiões do Distrito Federal, o Brasília, Outros 50 vai contar com a participação especial de atrações de fora da capital federal, como Frejat, Paulinho Pedra Azul, Marcelo Yuka, Falcão (O Rappa), Fernando Anitelli (Teatro Mágico) e Sandra de Sá. Todos eles têm alguma relação especial com a cidade e fizeram questão de participar da festa mesmo com cachês “simbólicos”. “Sou brasileira e todo brasileiro deveria ter uma intimidade com Brasília. É a nossa capital. Sempre estou na cidade, porque participo de discussões culturais no Congresso. É uma cidade importante pra mim. Fiz questão de participar desse evento porque Brasília merece”, ressalta Sandra de Sá.

Outro artista é o cantor e compositor Frejat. O ex-líder do Barão Vermelho diz que tem uma relação de carinho grande por Brasília, onde tem muitos amigos, primos e tios e, com o passar dos anos, por conta de todos os shows que faz na cidade, tem um enorme prazer em se apresentar nos palcos candangos. “Acho muito positiva essa iniciativa porque percebo que neste momento a administração de Brasília se comporta de maneira bem diferente do que a classe artística gostaria e seria muito delicado criar algum vínculo entre os dois. Tenho vários amigos que são pessoas atuantes na cena musical de Brasília e por isso faço questão de participar do evento”, declarou.

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