Dentro do cárcere de Mandela

Cidade do Cabo – A ilha onde Nelson Mandela ficou 18 dos 27 anos preso é um dos pontos mais visitados por sul-africanos e estrangeiros na Cidade do Cabo. Todos interessados em conhecer as atrocidades do apartheid. Muitas lembradas por ex-prisioneiros políticos, também trancafiados durante anos por lutar contra o regime de segregação criado pelos brancos descendentes de holandeses.

Distante 12km do porto da costa da Cidade do Cabo, a Robben Island começou a receber líderes negros que se rebelaram contra o apartheid em 1960. Somente 31 anos depois, ela foi desativada para essa finalidade. Em 1996, deixou de ser definitivamente um presídio de segurança máxima e virou museu. Moderna lancha mantida pelo governo sul-africano leva os visitantes até lá, em uma travessia que dura de 20 a 30 minutos, dependendo das condições do mar.

Não há outra maneira de fazer o passeio. Patrimônio da humanidade, o lugar é santuário natural de espécies marinhas e terrestres. Ao pisar no cais da Robben, logo se vê grandes painéis fotográficos mostrando negros presos sendo levados para a prisão sob escolta de soldados brancos. A partir de então, todo o cenário é o mesmo dos tempos dos horrores da política racista.

Os turistas passeiam pela ilha dentro de um ônibus, acompanhado de guia. Em uma das paradas, tem-se a mais bela vista da Cidade do Cabo. De volta ao coletivo, chama a atenção ainda o paredão de calcário, onde presos passaram anos quebrando pedras, sem qualquer proteção. A atividade prejudicou a visão de Mandela, devido aos raios de sol que refletiam nas pedras.

Mas a maior atração é o complexo da penitenciária de segurança máxima, onde os prisioneiros eram divididos pelos sete setores, classificados de acordo com o grau de periculosidade. O atual presidente do país, Jacob Zuma, por exemplo, era da ala G, onde ficou por 10 anos. Já a de Mandela, a B, era dos presos considerados mais perigosos, os principais líderes anti-apartheid.

Mandela passou a maior parte do tempo na cela 4, sozinho. Ele era o prisioneiro 466/64, ou seja, o 446º detido em 1964. No cubículo de 4 metros quadrados, Mandela ajeitava o corpo de quase dois metros para tentar dormir. Na maior parte do tempo na ilha, ele nunca teve cama, cadeira ou mesa. O cubículo está como Mandela o deixou para se tornar o primeiro presidente negro de seu país.

Passeio depende do clima

Barcos rápidos e confortáveis, chamados de ferry boat, partem diariamente da V&A Waterfront (porto que virou um dos mais badalados pontos turísticos da Cidade do Cabo). Os barcos saem a cada duas horas, a partir das 9h, sendo que o último parte às 15h. No entanto, são comuns as suspensões das travessias, quando o tempo ou o mar não estão bons. O passeio custa 200 randes, o equivalente a R$ 50, e inclui a passagem de ida e volta da travessia, a entrada na prisão e o passeio guiado pela ilha.

Museu lembra bairro destruído


Imagine 60 mil pessoas sendo removidas à força de suas casas por causa da cor de suas peles. Isso ocorreu no District Six, reduto de artesãos, trabalhadores, imigrantes e ex-escravos. O governo racista decretou o bairro de área exclusiva para brancos, em 1966, durante o apartheid. Seus habitantes não só foram expulsos para as townships, na periferia da cidade, como também tiveram suas casas demolidas.

Construído com a ajuda das vítimas, o acervo do Museu District Six conta essa história, por meio de fotografias, depoimentos, jornais e objetos, além de ambientes reconstituídos, numa tentativa de manter viva a memória do bairro.

Apesar da demolição, à época do apartheid não construíram novas casas na região. Com o fim do regime, o governo tentou fazer com que antigos moradores retornassem ao District Six, mas apenas poucas casas foram erguidas.

A entrada custa 20 randes (cerca de R$ 5). Às segundas-feiras, abre das 9h às 14h. De terça a sábado, das 9h às 16h. Mais informações: http://www.districtsix.co.za, tel. 021 466 7200, info@districtsix.co.za

Fé e cor

Já no bairro mais mulçumano da Cidade do Cabo, as casas são todas pintadas em tonalidades vibrantes, formando, com a Table Mountain, a imagem mais vendida em cartões postais da cidade. Charmoso, Bo-Kaap teve sua ocupação iniciada no século 18, por artesãos, comerciantes e ex-escravos trazidos de Java e da Malásia, antigas colônias holandesas.

Hoje, seus habitantes descendem desses escravos, e 90% da comunidade é muçulmana. Por essa razão, é comum caminhar por Bo-Kaap ouvindo o melodioso chamado para as orações, nas inúmeras e bonitas mesquitas espalhadas pelo bairro. Cenário perfeito para fotografias.

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