Cusco: O planeta em uma praça

Flávia Maia, do Correio Braziliense / Fotos de Renato Alves

O nome da antiga capital do Império Inca nunca fez tanto sentido como nos dias atuais. Cusco, do quéchua Qosqo, cada dia mais se transforma no “umbigo do mundo”. Na praça central — a Plaza de Armas —, é possível ver gente de todas as nacionalidades conhecendo a pitoresca cidade construída pelos espanhóis em cima dos vestígios incas. Os colonizadores tiveram que utilizar as fundações incas para que suas casas parassem em pé, pois suas construções não aguentavam os tremores de terra.

A movimentação turística em Cusco se dá especialmente por ela ser a principal cidade de acesso ao sítio arqueológico de Machu Picchu. De lá saem os ônibus para Ollantaytambo ou o trem direto para Águas Calientes. Cusco seduz também pelo belíssimo vale e por toda a arquitetura, que impressiona até os olhares mais desatentos. Por isso, a maioria dos turistas faz dela mais que uma rota de passagem rumo à Machu Picchu, o que explica o ar cosmopolita existente na cidade.

Em Cusco não faltam opções: é possível comer os melhores pratos dos chefs locais, mas também os sanduíches norte-americanos. Os hotéis também são variados: desde aqueles em estilo butique — com quartos planejados por designers e móveis que podem ser comprados pelo turista — até as acomodações mais simples.

Ao andar pelas ruas pequenas e muitas vezes congestionadas de Cusco, o conflito entre espanhóis e incas fica evidente em cada casa e no rosto miscigenado de seus moradores. Ambos lutaram bravamente para que a própria cultura predominasse na identidade local. Porém, por mais que os espanhóis tenham vencido a batalha das armas e dominado o Império Inca, a cultura indígena sobreviveu e ficou arraigada de tal forma que constitui a alma cusquenha.

Um exemplo claro da tentativa espanhola de apagar a cultura Inca está na Igreja de Triunfo, localizada no complexo de igrejas da Catedral de Cusco, na praça principal.

O templo foi construído em 1538, em cima da edificação Suntur Wasi, símbolo de respeito inca, onde se guardavam os emblemas e as bandeiras do Império. Inclusive, o nome Triunfo serve para glorificar a vitória espanhola contra os indígenas.

Porém, apesar da vitória católica, dentro da própria igreja encontram-se quadros da arte cusquenha, movimento artístico do século 16 que trabalhava com tinta a óleo e mesclava a iconografia indígena com a espanhola.

Uma das peças que mais chamam a atenção é a Santa ceia, em que se serve o cuy, animal semelhante ao nosso porquinho-da-índia, muito apreciado pelos indígenas.

Para visitar a catedral e as igrejas anexas, paga-se apenas um ingresso, porque elas estão conectadas. São construções coloniais maravilhosas, com altares de ouro e imagens adornadas com pedras preciosas. Nessas igrejas é proibido tirar fotografias.

Outro lugar impressionante para visitar é o centro cerimonial da Sacsayhuamán, o antigo templo do Deus Sol. Atualmente, há ruínas que, dizem, têm a forma da serpente, o animal que representa o subterrâneo na cultura inca.

O mal da altitude
Cusco está localizada em um vale a 3500m de altitude. Por lá, é comum os turistas sofrerem de soroche, o mal das alturas. Os sintomas recorrentes são náuseas, dor de cabeça e tontura. Para evitar esse mal-estar, é aconselhável tomar o chá de coca (mas nunca antes de dormir). Além disso, descansar por umas duas horas depois que se chega na cidade ajuda o organismo a se acostumar com a altitude.

Prata e lã
Para quem gosta de trazer o artesanato local de presente para a família e os amigos, Cusco tem ótimas opções de compras. No Centro Artesanal Cusco encontra-se de tudo, como objetos de prata ou tapetes de lã de lhama. Por ser um centro popular, os feirantes costumam aceitar as pechinchas.

Uma dica: falar que é brasileiro ajuda no descuentazo porque os comerciantes já conhecem a tradição brasileira de pechinchar. Outro lugar bacana para se fazer compras é a Vicuñita, uma fábrica de roupas feitas com lã de alpaca. Lá encontram-se bonitas roupas de frio a bons preços. A Fábrica de Plata também traz a oportunidade para comprar peças em prata bem trabalhadas e por valores acessíveis.

Aonde ir
Centro Artesanal Cusco: Avenida Pachacute com Avenida Tullunayo, perto do Ferrocarril Arequipa-Puno.
Joyería Paty, Fábrica de Prata: Rua Teatro, 348.
La Vicuñita: Avenida Julio Ochoa, 228.

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