Rota sul-africana dos jardins e vinhedos

Stellenbosch – Da Cidade do Cabo se vai para todos os outros destinos de Western Cape, a província (estado) do qual ela é a capital. Para chegar aos pontos mais interessantes, o melhor é alugar um carro. Apesar da mão inglesa, é muito fácil dirigir na África do Sul. As estradas são bem conservadas, sinalizadas, seguras e têm uma paisagem deslumbrante, com várias paradas para descanso e fotografias.

Qualquer localidade, por menor que seja, possui um centro de informação ao turista, com folhetos, dicas de visitas e hospedagem. Tudo muito barato. Pousadas e hotéis padrão quatro estrelas cobram, em média, 600 randes pelo quarto duplo. Algo como R$ 150. Com outros 120 randes (R$ 30) come-se muito bem em qualquer lugar.

Deixando a Cidade do Cabo no sentido leste, pela estrada N1 e depois pela R304, após 70km e menos de uma hora, você já está na Região dos Vinhedos. Se quer conhecer boa parte das fazendas e degustar seus ótimos vinhos, reserve dois dias, dormindo uma noite em uma das propriedades ou numa pousada ou hotel de uma das cidades.

A maior zona produtora de vinhos do continente africano tem mais de 100 fazendas dedicadas à produção da bebida, 66 cooperativas e mais de 100 adegas particulares. Há muitas rotas passando pelas propriedades rurais. Todas bem sinalizadas. A mais tradicional e charmosa circunda a bela cidade histórica de Stellenbosch.

Repleta de mansões vitorianas, Stellebonsch tornou-se o centro da cultura africânder no país — os brancos descendentes de holandeses que chegaram à África do Sul no começo do século 17 e logo tomaram as terras dos nativos negros.

A cidade por si só vale uma visita. Além dos casarões, tem uma universidade de referência e prédios históricos, como o paiol de pólvora da Companhia Holandesa das Índias (foto abaixo), de 1777, e a Rhenish Church, igreja erguida em 1823 como escola para filhos de escravos. Tudo dá para ser explorado a pé. Mapas são distribuídos no centro de informação turística, na Market Street.

Fazendas centenárias ficam nos pequenos vilarejos da vizinhança e recebem o visitante para degustação. O mais procurado é o complexo Spier, onde fica o restaurante Moyo, acessível pela N2 e pela R310. É possível, inclusive, hospedar-se no hotel do Spier. Mas caro, para o padrão sul-africano.

Herança francesa

De Stellenbosch, pegue a estrada N45 a caminho de Franschhoek. Antes, pare em Boschendal (foto abaixo), propriedade de 1865 que, em 1715 foi entregue por holandeses a uma das famílias francesas que chegaram à região fugidas do país de origem. A partir de 1796, a Boschendal começou sua história de sucesso na produção de vinhos.

A mansão da fazenda, a Manor House, hoje é um museu, que guarda o luxo do período colonial, com móveis e até frisos originais. Além do casarão, onde a visita custa 15 randes (cerca de R$ 4), a propriedade tem loja com seus vinhos, café com lanche e almoço, além de degustação.

Após a visita a Boschendal, volte a R45 e depois pegue a R47 até Franschhoek (foto abaixo). A cidade de 8 mil habitantes tem forte personalidade francesa. Além da fachada das casas, ela está evidente em nomes como La Provence, Haute Cabrière e L’Ormarins, expostos na entrada de restaurantes, cafés e fazendas.

Aliás, os mais de 30 restaurantes da cidadezinha construída ao pé da montanha oferecem ótimos pratos sul-africanos, malaios e provençais. No entorno do município, mais de 30 adegas estão abertas à visitação. Algumas com restaurantes e cafés. Se tiver tempo, passe uma noite nesse local. Acordar sob a montanha, em meio a um vinhedo e tomar um café na fazenda ou na cidade, valem cada centavo.

Baleias e tubarões

De manhã, siga pela N2, até Mossel Bay. São 400km por entre fazendas de carneiro e campos de trigo. Outra cidade que vale uma hospedagem, Mossel Bay marca o início da Garden Route, ou Rota do Jardim. Para muitos, a mais bela estrada do país.

Mossel Bay tem 24 km de praia (com natação segura em áreas designadas), áreas de observação de baleias, mergulho em jaula com tubarões, reservas particulares de mini-safári sem perigo de malária e campos de golfe profissionais. Mas a maior atração de Mossel Bay é o Bartolomeu Dias Museum Complex.

Ele guarda, entre outras coisas, uma réplica perfeita da nau do século 16 usada pelo navegador português na viagem épica em que ele e sua tripulação desembarcaram em diversos pontos da costa oeste africana erguendo padrões (cruzes de pedra). O maior feito deles foi o contorno do Cabo da Boa Esperança, abrindo o caminho marítimo para o comércio de especiarias com as Índias.

Trem sobre o mar

Após Mossel Bay, vem Wilderness. A estrada passa entre lagos de água doce ou salgada e montanhas cobertas de verde. Dois parques podem ser visitados: no Wilderness National Park, a atração são as aves e os peixes; no Goukamma Nature Reserve, também nos arredores da cidade, prepare-se para ver antílopes. Mas não pare para dormir nessa cidade. Siga na direção de Knysna, ficando em George.

O caminho de 50km entre Wilderness e Knysna tem paisagens inesquecíveis, como a ponte do Rio Kaaimans, por onde passa o trem Choo-Tjoe Choo-Tjoe. Deixe o carro por algumas horas para curtir uma aventura de outros tempos: o passeio de maria-fumaça entre George e Knysna.

O trem sai de George às 9h30 (segunda a sábado), chega a Kysna às 12h, de onde sai às 14h15 e chega a George às 17h.

No caminho, a máquina sopra seu vapor em meio a pinheirais, agarra-se à beirada de rochedos e curvas fechadas, atravessa pontes que passam por lagos e florestas até, finalmente, chegar à ponte de 2km que cruza Knysna Lagoon.

Deixando o trem, volte ao carro e à N2 em direção à Knysna, onde vale ao menos um dia inteiro e uma noite. O município de 80 mil habitantes criou fama com cenários deslumbrantes, montanhas, lagos e o Oceano Índico.

Knysna é um balneário dos ricos sul-africanos. Paredões de pedras abrigam mansões e diversas modalidades de acomodação para turistas.

A cidade protegida por lago de 17 km de extensão e fechada por montanhas em forma de mesa é ainda um centro de pesca e turismo de natureza com fama de oferecer algumas das ostras mais saborosas do mundo.

Distante 20km do centro da cidade, o Knysna Elephant Park tem 12 gigantes muito bem tratados. Na reserva, onde é possível até passear sobre os animais, o quarto mais barato sai por 639 rands (cerca de R$ 160). Preço salgado, se comparado às tarifas das pousadas locais.

LEIA MAIS SOBRE TURISMO NA ÁFRICA DO SUL

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s