101 lugares para NÃO se visitar antes de morrer

Giovana Sanchez, Do G1

A americana Catherine Price estava cansada de se frustrar por não conseguir assistir aos mil filmes, ouvir os mil discos, ver as 101 novelas ou comer os 900 doces ‘imperdíveis’ antes de morrer. “É o que as vitrines de livrarias nos dizem a todo momento. Como eu posso concluir os 1.001 filmes se, ao mesmo tempo, tenho que ler os 1.001 livros e viajar para os 1.001 sítios históricos – sem mencionar os 500 lugares que preciso ver antes que desapareçam?”

Então, ela resolveu escrever um guia que não deixasse ninguém frustrado: são os ‘101 lugares para não se visitar antes de morrer’ (Ed. Harper Paperbacks, inédito no Brasil).  Em entrevista ao G1, Price contou que, quando teve a ideia, espalhou um e-mail para amigos e desconhecidos pedindo dicas de piores lugares. Junto com o que conseguiu, ela colocou alguns lugares impossíveis de visitar – como a península de Yucatan há 65 milhões de anos ou a “pior lua de Júpiter”.

Leia a entrevista completa com a jornalista de 31 anos:

G1 – Por que você decidiu escrever sobre os piores lugares para se visitar?
Catherine – Eu amo viajar, mas também amo fazer listas. Quando ganhei um livro de listas que envolvia viagem – um dos muitos que existem hoje no mercado –, eu comecei a ficar compulsiva por tentar fazer tudo na lista. Isso é, obviamente, impossível. Então eu quis escrever um livro sobre lugares que as pessoas não precisariam ficar mal por não conseguir visitar.
Eu também sempre achei que os livros de lista de lugares tendem a homogeneizar a viagem – se você visitar os mesmos lugares que todo mundo, não há aventura. Eu também esperava encorajar pessoas a não seguirem o lugar comum e não terem medo de potenciais más experiências, como acontece com muitos lugares do livro, que trazem as melhores histórias no fim.

G1 – O Brasil está no livro? E a América Latina?
Catherine – Nenhum lugar no Brasil ainda – nunca fui, embora adoraria conhecer. Mas há lugares na América Latina – meu preferido é o parque temático Tierra Santa, em Buenos Aires. Se você é um católico devoto ou um ateu, existe algo naturalmente bizarro em um Jesus de seis andares saindo de uma montanha com música tocada entre palmeiras.

G1 – Você visitou todos os lugares do livro?
Catherine – Não. Os lugares são uma combinação de lugares que eu visitei e sugestões de amigos e estranhos. Há também uma lista de lugares incluídos que são impossíveis de se visitar (como a pior lua de Júpiter), lugares históricos (a península de Yucatán quando um asteróide gigante se chocou com a Terra) ou teóricos (o quarto do seu chefe). Esses são os verdadeiros impossíveis – você não conseguiria visitar se tentasse. (Ok, você poderia visitar o quarto do seu chefe, mas você realmente não deveria)

G1 – Você recebeu alguma reclamação?
Catherine – Sim. Tive uma doce troca com o departamento de relações públicas do Blarney Stone, que gostaria que todos os avessos a germes (incluindo eu) soubessem que é possível que as pedras sejam lavadas antes que você as beije. Estranhamente, eu também recebi uma carta de elogio de pessoas que organizam uma convenção pornográfica anual em Las Vegas. Eles estavam honrados em serem incluídos.

G1 – O que é mais difícil em classificar um lugar como ‘ruim’?
Catherine – Duas coisas. Primeira: eu tendo a ser uma pessoa positive, e eu realmente não gosto de insultar pessoas ou lugares. É por isso que eu tento deixar claro que o guia é muito brincalhão, e meu objetivo não é dizer que você nunca deveria visitar os lugares do livro – eu só quero que as pessoas decidam por elas mesmas o que querem ver, Segunda: como uma viajante, eu acredito de verdade que quanto mais desconfortável a situação é no momento, melhor será a história depois.
Alguns dias atrás, por exemplo, me serviram estômago de vaca recheado com sangue fervido. Como americana, essa era uma escolha incomum para o jantar, e eu tive um momento difícil comendo isso. Mas estou feliz que o fiz.

G1 – Quantas pessoas você consultou para juntar os 101 lugares?
Catherine – Não sei ao certo. Mandei um email em massa para amigos, comecei uma página no Facebook  e fiz um site para coletar sugestões. Também há um aplicativo chamado 101 piores lugares.

G1 – Quais são seus planos futuros?
Catherine – No momento, eu estou numa viagem de uma-vez-na-vida com meu marido – estamos mudando da costa oeste para a leste e decidimos tirar alguns meses para viajar juntos antes de nos mudarmos. Vai ser difícil voltar à vida normal, mas quando isso acontecer eu planejo escrever um conjunto de artigos baseados nessa viagem, e tenho também algumas ideias na cabeça para um novo livro com a temática de não-viagem. Também continuarei com meu trabalho de educar pessoas sobre como viver e viajar com diabetes tipo 1, que eu tenho desde os 22 anos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s