Como NÃO viajar pela Europa

Ana Cláudia Felizola e Mariana Ceratti, do Correio Braziliense

Um continente que mistura história e modernidade: assim é a Europa. Objeto de desejo dos apaixonados por viagens, é, de fato, um destino incrível. Permite conhecer inúmeras cidades, localizadas a poucos quilômetros uma da outra — ainda que situadas em diferentes países —, com a facilidade de não ser necessário apresentar visto para circular entre boa parte delas. O encanto, porém, pode ser prejudicado pela falta de experiência ou por ingenuidade.

Tudo bem que é só viajando que se aprende a viajar — a vivência traz mais noção de como aproveitar tempo e dinheiro na sua programação —, mas há algumas dicas que podem derrubar pensamentos que tradicionalmente se tem sobre a Europa antes de visitá-la. Um deles é a velha mania de querer conhecer o máximo de lugares possíveis. Acredite, não é uma boa ideia, a não ser que o objetivo da viagem seja apenas ter uma visão panorâmica, para selecionar as cidades aonde você deseja voltar em breve.

Roteiros planejados por excursões também podem ser bastante estressantes, ainda mais quando nem a agência conhece os destinos ou quando o grupo de viagem não tem os mesmos interesses turísticos que você. Se o hotel for muito afastado do centro, pior ainda: talvez você não tenha como dar escapadinhas sem desembolsar muito com táxi.

Por isso, vale saber algumas recomendações do que evitar quando se quer ir ao continente, principalmente para não cair no canto da sereia de quem promete uma enorme viagem — em que, no fim, você não irá ver mais do que monumentos pela janela de um ônibus. Veja, nas próximas páginas, um roteiro com 20 dicas comentadas por diversos autores de guias de viagem, para você não correr o risco de voltar frustrado de um dos mais prazerosos lugares que se pode conhecer.

Para ter só surpresas boas

Além do maior poder de compra dos brasileiros, um motivo para o aumento da procura por viagens à Europa, segundo o presidente da Comissão Europeia de Turismo (ETC) na América Latina e diretor do Turismo de Portugal no Brasil, Paulo Machado, é a mudança na imagem de diversos países da região. “Quando visita pela primeira vez, a pessoa desmistifica aquela ideia de um velho continente, de países atrasados, e percebe uma oferta turística de muita qualidade. É uma boa surpresa.”

Compartilhar essa descoberta com outros que ainda irão conhecer o destino é, para Machado, importante para a consolidação da imagem da Europa como um continente moderno.

E melhor: como um lugar onde ainda se pode comer e beber muito bem, passear e se divertir com segurança e sem gastar rios de dinheiro.

Basta ter as informações certas à mão antes mesmo de embarcar.

Leia abaixo mais dicas para evitar roubadas em seu tour europeu.

1 – Se você souber falar a língua do país, ou se tiver um acompanhante que fale, dá para abrir mão dos pacotes turísticos. Livre, você pode conhecer o que de fato o interessa. Rodrigo Davidoff Enge, autor do Guia do Turista Brasileiro — Londres, abre apenas três exceções: “Pessoas desorganizadas por natureza ou que simplesmente não têm tempo para bolar um roteiro inteligente devem viajar em excursão. Grupos concebidos especialmente para a terceira idade também são ótima alternativa para idosos, mesmo os que falam a língua estrangeira”. “Além de desconhecimento da língua, a viagem em grupo é indicada em caso de países ou regiões em que haja insegurança política e cultural”, completa Stelson Ponce de Azevedo, autor do guia Como fazer turismo de qualidade a baixo custo — Itália.

2 – Se for em grupo, não vá em um que não combine com você: informe-se sobre as idades e as preferências dos colegas da excursão, para garantir que os afazeres diários e a companhia serão de seu agrado. “Quem não quer viajar sozinho pode formar seus próprios grupos em sites como O Viajante e Mochila Brasil, que oferecem fóruns e seções de parcerias de viagem”, comenta Zizo Asnis, autor do Guia criativo para o viajante independente na Europa.

3 – Não queira conhecer tudo de uma só vez: na hora de montar o roteiro, é melhor deixar de lado aquela ideia de conhecer o máximo de cidades e países em uma única e curta viagem. Passar apenas três dias, por exemplo, em Paris, não dá para nada. Calcule pelo menos cinco para a capital francesa e para cidades como Madri, Barcelona (foto), Berlim e Roma. É melhor selecionar poucos destinos, caso não tenha muito tempo livre para passear pela Europa. “Considere, em vez  de países, conhecer regiões numa área de até 1.200km de diâmetro”, sugere Ponce de Azevedo. “Alugue um imóvel de temporada em uma cidade pequena, no centro da região escolhida. Dessa forma, a hospedagem ficará aproximadamente a um décimo do custo em hotéis e o dinheiro economizado pode ser usado com sobra no aluguel de um automóvel.”

4 – Não contrate quem não conheça o roteiro: do mesmo jeito que ficar dois ou três dias em Paris ou Roma (foto abaixo) não é suficiente, passar três em Veneza ou cidades francesas muito pequenas é desperdício. O ideal é procurar agentes de viagem experientes, que saibam planejar um melhor itinerário. Ou, como defende Asnis: “Fale com profissionais da área, mas valorize a sua capacidade de planejamento e seja você também autodidata e independente! Para isso, existem os guias de viagem, com dicas que realmente ajudam o turista a aproveitar melhor o seu tempo e evitar roubadas”.

5 – Não se iluda: se não resistir à tentação de poder circular livremente entre diversos países, tenha consciência de que não irá conhecer tudo o que quer de cada cidade, para não voltar frustrado.

6 – Não aceite um roteiro de viagem que inclua longos trajetos entre uma cidade e outra, sobretudo se eles forem feitos de ônibus: ainda que o caminho possa ser paradisíaco, a viagem torna-se cansativa. Melhor mesmo é optar por trechos curtos, alugar um carro ou procurar um trem-bala — que é mais rápido e confortável (embora mais caro).

7 – Idosos devem ter atenção às distâncias que terão de percorrer a pé em cada tour, pois há cidades históricas em que veículos não têm acesso ao centro, tornando-se necessário andar bastante.

8 – Não acredite em passagens aéreas de menos de 10 euros oferecidas pelas companhias low cost: elas nunca saem apenas por esse preço, embora ainda fiquem bem em conta. Viajar por companhias aéreas dentro da Europa com essas empresas pode ser um bom negócio, mas é preciso ter em mente quais são os outros gastos que você terá até chegar, de fato, ao seu destino. Vários trechos contratados terminam, por exemplo, em aeroportos muito distantes do centro da cidade.

9 – Não vá sem reservar a hospedagem e sem saber exatamente os serviços e a localização do hotel (se você não tiver alugado um imóvel): nem sempre os quartos são equipados com frigobar, por exemplo. Além disso, quando o hotel é muito afastado do centro da cidade, fica mais difícil para transitar sem a ajuda de um táxi.

10 – Não vá no inverno para cidades pequenas: várias delas ficam totalmente sem vida, e você ainda corre o risco de pegar chuva ou neve na estrada. Evite também viajar no alto verão, pois o clima fica muito quente, e as ruas, lotadas. “Os melhores períodos para viajar ao Hemisfério Norte são de 15 de abril a 15 de junho e de 20 de setembro a 20 de novembro”, comenta Ponce de Azevedo.

11 – Não coma nos lugares mais próximos dos pontos turísticos: os restaurantes que ficam ao lado dos cartões-postais também são mais caros do que aqueles um pouco mais escondidos. Há muita comida boa em lugares inesperados. Vale a pena arriscar (ou pesquisar bastante antes).

12 – Não aceite um roteiro com várias idas a museus e igrejas por dia ou sem ingressos garantidos: além das enormes filas que você terá de enfrentar, ver centenas de obras de arte todos os dias pode ser bem cansativo. Tente equilibrar a viagem com opções mais descontraídas e, quando for visitar esses lugares, compre antes os ingressos pela internet.

13 – Não use táxi indiscriminadamente: o trânsito de cidades como Paris (foto) e Roma pode atrasar toda a programação de passeios, além de pesar no bolso — e ainda há o risco de cair no carro de motoristas mal-educados ou que não saibam como chegar a alguns pontos. Por isso, sempre que possível, ande a pé, de ônibus ou de metrô. Quando usar, então? Rodrigo Davidoff dá uma dica: “Quando se viaja em um grupo de três ou quatro amigos, andar de táxi pode ser uma alternativa mais interessante do que o transporte público”. “O táxi é adequado quando se precisa ganhar tempo em movimentos entre pontos turísticos distantes para o deslocamento a pé. Normalmente, nas grandes cidades europeias, o táxi é barato em pequenos percursos e torna-se mais compensador quando rachamos o custo”, concorda Ponce de Azevedo. Cuidado também com os horários e os lugares onde você vai tomar o carro. “Na Europa, principalmente na Inglaterra, há muitas pessoas que trabalham na informalidade como taxistas, oferecendo corridas de madrugada nas portas de pubs e clubs, quando o transporte público é escasso. É altamente desaconselhável utilizar este serviço. Mulheres não devem nem considerar a hipótese”, avisa Davidoff.

14 – Não perca muito tempo fazendo compras: por mais glamoroso que possa parecer adquirir roupas e perfumes na Europa, por lá os preços costumam ser bem elevados, sobretudo nas avenidas principais das capitais. Dê uma circulada por ruas menos badaladas, que têm produtos mais em conta, ou simplesmente dedique seu tempo e seus recursos para conhecer os pontos — turísticos ou não — do destino. Se precisar de um supermercado, é bom levar sacolas de pano, pois alguns cobram pelas de plástico, como medida de sustentabilidade. Há também lanchonetes que cobram dois tipos de preço: um para quem vai apenas comprar e sair, e outro para quem vai sentar-se e comer.

15 – Não compre com quem vende produtos falsificados. Os vendedores olham o quanto você tem na carteira e podem segui-lo(a), especialmente quando você demonstra ser turista. Os ótimos preços podem sair caros. “Muitos brasileiros, quando viajam para países do chamado primeiro mundo, relaxam no quesito segurança. Na verdade, os criminosos desses lugares são muito mais discretos e habilidosos do que os nossos”, alerta Davidoff. “Fique sempre atento aos seus pertences pessoais, principalmente em locais de grande aglomeração.”

16 – Não leve muita bagagem: o ideal é carregar apenas uma mala e uma bolsa de mão com uma muda de roupas para o caso da sua bagagem se extraviar na ida. “Isso vem se tornando cada vez mais frequente, especialmente em voos com conexões e escalas”, explica Davidoff. Nem sempre os hotéis dispõem de serviço de maleiro, e o troca-troca entre as hospedagens, nesse caso, fica bem difícil na hora de carregar tudo. Mesmo que você esteja viajando de carro alugado, é importante manter a economia no tamanho e na quantidade de bagagens. “O limite do número de malas é de suma importância na escolha do modelo do automóvel e no preço de seu aluguel”, justifica Ponce de Azevedo. Além disso, se você fizer muitas compras, é muito fácil encontrar malas baratas à venda. Compensa adquirir outra por lá mesmo (há modelos de tamanho médio que saem por cerca de 20 euros).

17 – Se for viajar de trem, não deixe para comprar os passes na Europa. Adquira-os pela internet antes de sair do Brasil. Companhias como a Eurail cobram 20% a mais na venda presencial — e nem todas as opções de pacote estão disponíveis nessa modalidade. 18 Ao passar pela imigração, certifique-se de estar portando o comprovante de reserva do hotel onde você se hospedará e a passagem de volta, além de aproximadamente 600 euros em dinheiro vivo. “Esta providência pode ser a diferença entre aproveitar as tão sonhadas férias ou voltar para casa antes mesmo de elas começarem, principalmente se o desembarque ocorrer em Portugal, na Espanha ou no Reino Unido”, comenta Rodrigo Davidoff.

19 – Viajar de carro pelo interior de países como França, Alemanha e Itália é uma experiência sensacional. “Por outro lado, ter que lidar com um automóvel em metrópoles do porte de Paris e Roma, por exemplo, é um estorvo e tanto, por conta do trânsito intenso, do alto custo dos estacionamentos, etc.”, enumera Davidoff. Portanto, se você pretende viajar de carro pelo interior da Europa, planeje cair na estrada imediatamente após retirar o veículo da locadora.

20 – Muitos turistas, para aproveitar a milhagem oferecida pelas companhias aéreas, acabam fazendo escalas inconvenientes. Pense bem antes de comprar o bilhete, pois essa decisão pode significar passar horas intermináveis no saguão de aeroportos lotados. “Considero desvantajoso, por exemplo, ter como destino final Paris e fazer uma escala em Milão para usar milhagens da Alitalia. Além do trajeto ser mais longo, também se perde tempo em terra. Fora o risco do primeiro voo atrasar, perdermos a escala e ficarmos horas esperando um encaixe no próximo voo para chegar ao destino”, explica Davidoff.

Na internet

Para mais informações sobre os locais que irá visitar, acesse o site da Comissão Europeia de Turismo. Ali, há dados sobre os 39 países integrantes da associação, como temperatura, hospedagem, pontos turísticos e opções de lazer.

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5 comentários em “Como NÃO viajar pela Europa

  1. Oi William, vc pode me dá seu msn ou gtalk…queria tirar umas dúvidas com vc!
    Pode ser?
    Obrigada

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  2. ja viajei seis vezes pela europa. as dicas são fundamentais para quem viaja pela europa.

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