Os encantos de Corumbá de Goiás

Corumbá - Cavalhadas

Flávia Maia, do Correio Braziliense

Quem passa pela BR-414 partindo de Brasília geralmente tem destino certo: a cidade histórica goiana de Pirenópolis (GO). No caminho, o Salto de Corumbá chama a atenção pela grandiosidade e pela beleza, levando muitos turistas a parar no mirante à beira da estrada antes de seguir viagem. Mas a região de Corumbá de Goiás tem outros atrativos além da cachoeira. Vale a pena dar um esticadinha e fazer o passeio completo.

Para começar, na mesma fazenda em que está o salto, existem outras seis cachoeiras, como a do Ouro, a do Rasgão e a da Gruta. Já Monjolinho e Sonho meu são exemplos de quedas d’água nas redondezas, mas fora da propriedade. Os fãs dos esportes radicais podem aproveitar as curvas do Rio Corumbá para praticar rafting — e os paredões das cachoeiras para escaladas e rapel. O terreno acidentado vira atração de quem gosta de ciclismo.

Além das opções relacionadas ao ecoturismo, Corumbá é um atrativo para quem gosta de história. A cidade faz parte do ciclo do ouro goiano, como a Cidade de Goiás, Pirenópolis, Cocalzinho, Jaraguá e Abadiânia. O conjunto arquitetônico é do século 18 e está bem conservado, principalmente a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França e o Cine Teatro Esmeralda, reinaugurado no início do mês, após restauração.

A matriz foi a primeira construção de alvenaria da cidade e exibe, no teto, um afresco retratando uma aparição de Nossa Senhora dos Pirineus franceses. Isso porque a descoberta de ouro na região se deu em um dia consagrado à santa. Os bandeirantes paulistas responsáveis pela empreitada tomaram o acontecimento como uma bênção e elegeram, assim, a padroeira do incipiente povoado. Ao redor do templo, os pioneiros levantaram diversos ranchos. É esse conjunto de construções que foi tombado como patrimônio histórico e artístico nacional em 1988. Nesta época do ano, enfeites natalinos deixam o casario ainda mais bonito.

Corumbá de Goiás

O clima interiorano acaba sendo outro atrativo. A cidade é silenciosa e perfeita para quem quer descansar. O turista, porém, não encontrará uma boa estrutura de informações e de atendimento especializado. O Centro de Atendimento ao Turista ainda é recente e pouco equipado. Outra amostra da não profissionalização do turismo é o Memorial dos Imortais, na sede da Secretaria de Educação. Não existe um horário exato de funcionamento. Se quiser visitá-lo, o forasteiro terá de bater à porta da dona Maria do Carmo — é ela quem cuida do acervo de corumbaenses ilustres, como os escritores Bernardo Élis e José J. Veiga, escritores goianos nascidos em Corumbá.

Veiga nasceu em 1915 e estreou na literatura um pouco tarde, aos 44 anos. Foi reconhecido na literatura brasileira pelo livro Os cavalinhos de Platiplanto. A obra ganhou o prêmio Fábio Prado em 1959. O autor faleceu em 1999, no Rio de Janeiro. Bernardo Élis, também nascido em 1915, foi o primeiro goiano a entrar para a Academia Brasileira de Letras. Morreu em 1997. Entre as suas principais obras estão O tronco e apenas um violão.

As celebrações religiosas são um capítulo à parte. Entre 11 e 21 de janeiro, ocorre o festejo em homenagem a São Sebastião. Além das orações, há barraquinhas e cavalgada. Em setembro, é a vez das cavalhadas, tradicional encenação da luta entre cristãos e mouros.

Preciosidades naturais

Com 65m de altura e 40m de largura, o Salto do Corumbá é a principal atração turística da região. São cerca de 800m de trilha até alcançar as águas. Nos trechos de maior dificuldade, o viajante encontrará escadas de madeira e corrimão. A história do Salto também está ligada à mineração. No fim do século 19, o minerador Alferd Arene construiu um canal por onde o rio era desviado até o Córrego Rasgão. A ideia era garantir a garimpagem, secando a cachoeira. O poço de onde os minérios eram extraídos é conhecido hoje como Poço Rico.

A Cachoeira da Gruta é outro ponto interessante porque a água cai do paredão em uma gruta. A trilha é de menos de um quilômetro e é mais fácil do que a do salto.

salto-corumba-hotel-camping

O parque ecológico está localizado em uma fazenda, cuja estrutura é de uma pousada. Pagando R$ 160 a diária para casal, os hóspedes têm acesso às seis cachoeiras da propriedade, ao toboágua e às piscinas de água natural. Quem preferir acampar, o mesmo pacote sai por R$ 20 por dia, nos fins de semana. O quilo da comida é R$ 18,90 e o cardápio é bem simples, com arroz, feijão, carne, frango, macarrão e salada.

O preço acessível faz com que o parque fique muito cheio aos sábados e domingos. O som automotivo é liberado e isso prejudica os turistas que preferem sossego. Outro defeito é não existir uma área específica para camping. As barracas por todo lado diminuem a beleza do clube.

Existem outras opções de pousadas na região. De um modo geral, elas oferecem bons exemplos da cozinha goiana, como frango caipira, feijão tropeiro e quitutes variados. É possível aproveitar os restaurantes sem, necessariamente, se hospedar. A Pousada Serra da Irara, por exemplo, trabalha nesse esquema. Já na cidade, as opções gastronômicas são escassas.

Serviço

» Estrada: BR-070 e BR-414. A 070 é duplicada e a 414 tem pista única. Pista bem sinalizada. Cuidado apenas com o excesso de velocidade dos outros motoristas e com os pedestres de cidades como Águas Lindas de Goiás.
» Distância de Brasília: 118km
» Tempo de duração da viagem: média de 1h20.
» Voltagem: 220V
» Sinal de celular e internet: Pouco sinal. Tim e Vivo são as operadoras com melhor sinal.
» Leitos: 349
» Média de preços dos camping: R$ 15 por pessoa
» Diária média das pousadas: R$ 90, o aposento de casal.

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7 comentários em “Os encantos de Corumbá de Goiás

  1. Tudo errado nessa reportagem, nem a foto acertaram. Procurem outro site para informações sobre corumba

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  2. A cachoeira da foto é o “salto do sucuriú”, que fica na cidade de Costa Rica (MS), e nada tem a ver com o local citado na reportagem, que aliás está muito confusa e estranha…

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  3. O culto da Nª Sª da Penha de França, nada tem a ver nem com Pirinéus nem com franceses… Esse culto nasceu devido a um acontecimento no “Monte (Peña) de Francia” na “Sierra de Francia y Quilamas” perto de Salamanca em Espanha, bem perto da actual fronteira de Portugal… Basta consultar um mapa para perceber o “erro” (ou invenção)…
    O culto foi levado para o Brasil pelos bandeirantes portugueses, muitos deles originários dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Em Portugal existem vários locais celebrando o culto a Nª Srª da Penha de França, várias ilhas dos Açores, na ilha da Madeira e no continente português. Inclusive existe em Lisboa um Bairro da Penha de França (os bairros coincidem com as paróquias) cuja igreja é dedicada obviamente a Nª Srª da Penha de França, desde o século XVI (16).

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  4. Olá gostaria de saber o valor de 50 pessoa para ficar um dia

    obrigado .

    Pr. Renato Mendes

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