Exposição — Uma luz sobre Cuba

Nahima Maciel, do Correio Braziliense

A primeira viagem a Cuba tinha propósito muito específico. A fotógrafa Lisette Guerra não estava em busca de imagens e sim da salsa. “Eu queria aprender mais sobre esse tipo de dança e de música”, explica. Em menos de uma semana, Lisette mudou o foco da viagem, sacou a câmera e transformou a estada numa sequência de imagens nas quais tentava captar a alma cubana. Luz de Cuba, em cartaz no Museu Nacional de Brasília, se tornou a razão das viagens de Lisette. Foram cinco retornos entre 2009 e 2011 e a certeza da urgência de mostrar um país mergulhado em rápidas e contundentes mudanças.

O conjunto de imagens deve render um livro — Lisette ainda está em busca de patrocínio —, mas por enquanto a exposição supre a angústia da fotógrafa. “Resolvi fazer logo porque está acontecendo muita mudança em Cuba”, explica. A abertura da nação comunista de Fidel Castro engendra novos hábitos e estilos de vida. Aos poucos, os cubanos adentram o universo capitalista. A venda e compra de bens como carros e casas começa a ser permitida e os pequenos produtores já não estão tão submissos ao Estado quanto há uma década.

Com isso, Lisette acredita que a paisagem das cidades pode mudar muito nas próximas décadas. A frota de carros dos anos 1950 — uma das marcas das ruas de Havana — tende a ser substituída por viaturas novas num futuro nem tão distante e as fachadas coloniais, hoje desgastadas por anos de falta de manutenção, podem tomar rumos inesperados e correm risco de desaparecer caso um mercado imobiliário predador se instale na ilha.

As paisagens são, portanto, um dos alvos de Lisette, mas é nos rostos que ela encontra o material bruto de Luz de Cuba. “Sou fotógrafa de pessoas e acho que o diferente das minhas imagens é a comunicação que estabeleço, a maneira de captar a sensação delas comigo”, garante a gaúcha, cujo portfólio traz principalmente fotografias de moda e publicidade. Alguma coisa dessa estética publicitária está também nas imagens trazidas de Cuba. O rapaz negro com o menino loiro no colo, a criança diante de um velho Dodge, a fachada em ruínas de um conjunto de prédios à beira mar e o velho de boné munido de charuto não diferem muito das imagens da ilha caribenha que hoje circulam pelo mundo. O colorido também ganha destaque no trabalho de Lisette.

A veia publicitária aparece em fotografias limpas, cores que saltam aos olhos e uma organização difícil de conceber, mas Lisette transforma as paisagens em cenários idílicos, quase românticos e bastante atraentes. É uma Cuba captada por um olhar apaixonado e deslumbrado.

Luz de Cuba
Exposição de fotos de Lisette Guerra. Visitação até 31 de janeiro, de terça a domingo, das 9h às 18h30, no Museu Nacional.

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