Os vitrais de Brasília

Renato Alves e Gustavo Moreno (fotos)

Quase todos conhecem a Catedral Metropolitana de Brasília, nem que seja por fotos. Ela está na área central da capital, é um dos seus cartões postais. Mas a cidade tem outros prédios abertos ao público com vitrais tão ou mais belos que os da sua mais famosa igreja. E eles não estão apenas em templos religiosos. Enfeitam também museus, palácios e tribunais. Valem a visita e muitas fotos.

Alguns dos mais belos vitrais de Brasília, mas quase desconhecidos dos turistas, estão no Santuário Dom Bosco, à margem da W3 Sul. O templo erguido em homenagem ao padroeiro da capital é todo cercado por vidros com 12 tonalidades de azul e pontilhados brancos. Eles ficam entre as 80 colunas de concreto com mais de 15m de altura, unidas no alto em arcos góticos.

Os 2,2 mil metros quadrados de vitrais azuis com pontos branco dão uma impressão do visitante estar em meio a um céu estrelado. Obra de Claudio Naves e do belga Hubert van Doorne, que colocou na prática a ideia do brasileiro.

Acesso limitado

Alguns dos mais famosos e elaborados vitrais da capital são obra da mesma artista, Marianne Peretti, 85 anos. Coube a ela levar luz e cores a prédios do arquiteto Oscar Niemeyer, como a Catedral, o Palácio do Jaburu, o Panteão da República, o Memorial JK e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). No entanto, nem todos esses prédios são acessíveis ao público em geral.

O Panteão está fechado por causa de uma interminável obra. O Palácio do Jaburu é a residência oficial do vice-presidente da República. No STJ, a obra fica no Tribunal Pleno, onde há uma série de regras para adentrar. Tanto o Jaburu quanto o tribunal superior não têm programa de visitas turísticas expontâneas, diferentemente do Palácio da Alvorada e do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Alvorada, aliás, preserva um dos raros vitrais assinados por Athos Bulcão, o artista dos azulejos e painéis em alto relevo de Brasília. Ele também experimentou a técnica com vidro em casas particulares, especialmente no Lago Sul.

ROTEIRO

Caixa Econômica Federal
O conjunto localizado no piso térreo do edifício-sede da Caixa Econômica Federal (foto principal), no Setor Bancário Sul, representa os estados brasileiros. Cada vitral conta a história da vida, do povo, da cultura, do folclore e da economia das regiões, por meio de símbolos e cores diferentes. Obra do alemão naturalizado brasileiro Lorenz Heilmar.

Capelinha do Alvorada
Obra rara de Athos Bulcão, mais conhecido por seus azulejos, os vitrais da capela do Palácio do Alvorada se destacam pelas cores fortes: laranja, azul, lilás, rosa e violeta. Como o palácio, o templo leva a assinatura de Oscar Niemeyer.

Catedral de Brasília
Os 2 mil m² de vitrais instalados no teto da Catedral são a maior obra realizada por Marianne Peretti em mais de cinco décadas de trajetória artística. Escolheu as cores azul e verde simplesmente porque gosta e as formas abstratas, ela garante, não representam nada. Mas criam várias interpretações.

Igreja Dom Bosco
Montado na década de 1960, o vitral tem pequenos detalhes em que a luz fica mais clara, um recurso para reforçar a sensação de céu estrelado. No meio do teto, há um lustre com 7,4 mil pequenas peças de vidro Murano, totalizando 3 toneladas, 3,5m de altura e 5m de diâmetro. Tanta luz ajuda a destacar detalhes como o altar, um bloco maciço de mármore rosa de 10ton.


Igreja Perpétuo Socorro
Obra do paulista radicado em Goiânia Duda Badan, o vitral com a imagem de Nossa Senhora é bastante colorido. Mas, para conhecê-lo, é preciso descer as escadas ao lado do altar do templo localizado no Lago Sul. A obra fica atrás do altar da capela.

Igreja Rainha da Paz
Outra obra de Duda Badan. Com duas figuras sacras em um vidro jateado e incolor, é a mais simples delas. O templo fica no meio do Eixo Monumental, entre o Setor Militar Urbano e o Sudoeste Econômico.

Mercado Municipal
Os vitrais compõem o cenário do mercado instalado na 509 Sul, à margem da avenida W3, que tem grades, portões, arcos, muitos com mais de 100 anos e vindos da Inglaterra, São Paulo, Rio de Janeiro, Santos. O espaço exibe ainda azulejos de Athos Bulcão.

Panteão da Pátria
O vitral de Marianne Peretti fica no terceiro pavimento do prédio localizado na Praça dos Três Poderes. Obra de Oscar Niemeyer, o edifício conta ainda com o Mural da Liberdade, de Athos Bulcão; o Painel da Inconfidência Mineira, de João Câmara; e o Livro de Aço dos Heróis Nacionais.

Paróquia Imaculado Coração de Maria
O templo erguido na Quadra 5 do Park Way, de frente para Águas Claras, exibe vitrais multicoloridos em todas as paredes. Sobre o altar, eles retratam os sete dons do Espírito Santo. O conjunto é assinado pelo Atelier São Francisco, de Paranã (TO).

Paróquia Nossa Senhora do Rosário
Em tons de azul, os vitrais retratam Nossa Senhora carregando o menino Jesus no colo. Em formato vertical, eles ficam nas laterais do altar e dos fundos do templo localizado na Área Especial da QI 26 do Lago Sul.

Superior Tribunal de Justiça
Outra obra da franco-brasileira Marianne Peretti, o vitral do plenário do edifício-sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tem 32 metros quadrados. Intitulado Mão de Deus, ele simboliza o olho aberto testemunhando os trabalhos desenvolvidos no STJ.

Câmara dos Deputados
Também criado por Marianne Peretti, o vitral fica no Salão Nobre ou Salão de Recepções, ao lado do Salão Negro, que tem ainda um painel do artista plástico Athos Bulcão e móveis de Ana Maria Niemeyer. O espaço serve como cenário para lançamentos de livros e solenidades variadas.

Memorial JK
O teto da cripta de Juscelino Kubitschek no Memorial JK é mais uma criação de Marianne Peretti. O prédio fica no centro do Eixo Monumental, perto da Câmara Legislativa e do Palácio do Buriti. O ingresso custa R$ 10 e R$ 5 (meia entrada).

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