Seguindo os passos de JK em Brasília

Renato Alves

Juscelino Kubitschek volta a ser notícia em todo o país 35 anos após a sua morte. A seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) quer uma nova investigação sobre o fim do ex-presidente. O caso está com a recém-criada Comissão da Verdade. Oficialmente, o criador de Brasília perdeu a vida aos 73 anos, em agosto de 1976, em um acidente automobilístico na Via Dutra, em Resende (RJ). Enquanto o mistério não se desfaz, que tal conhecer alguns dos principais pontos frequentados por JK na capital construída por ele? Na cidade e em municípios vizinhos ainda há prédios e objetos pessoais daquele que muitos consideram o maior estadista brasileiro.

Algumas dessas relíquias fazem parte das poucas obras erguidas pelos operários, antes da inauguração de Brasília, em 1960, restauradas e abertas à visitação pública. Elas atraem turistas ávidos por informação sobre a história da capital e do Brasil. É o caso do Catetinho, a primeira residência oficial do presidente Juscelino Kubitschek, erguida a toque de caixa, em 10 dias, de 22 a 31 de outubro de 1956, e que fica no Gama. Após uma reforma completa, o prédio foi reaberto há pouco mais de um mês. Ente outras coisas, conserva o quarto ocupado por JK durante a construção da nova capital.

Além do Catetinho, há outras raridades de pé, como o Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO). Desde 1990, ele abriga o Museu Vivo da Memória Candanga, que guarda lembranças dos peões que construíram da capital e do presidente, como fotos e uma réplica da sua barbearia favorita. Inaugurado em 1958, o primeiro hotel da capital, o Brasília Palace Hotel, voltou a funcionar há seis anos. O prédio havia sido parcialmente destruído por um incêndio, em 1978. Vinte e cinco anos depois, começou a ser restaurado, conforme o projeto original. Nos anos de JK, ficou famoso por receber chefes de Estado, celebridades mundiais e festas muito concorridas, que o presidente adorava.

Churrascaria
Mas se você quer visitar um ponto que parece ter parado no tempo e se sentir como Juscelino nos seus tempos à frente do país, vá até à barragem do Lago Paranoá. Ao lado do reservatório de água fica a Churrascaria Paranoá, a mais antiga da capital, “A preferida de JK”, como destaca a placa na fachada. A estrutura e o forro de madeira, como as cadeiras e mesas, são os mesmos da inauguração, em 1956, quando era uma lanchonete e só servia salgados e bebidas aos operários e engenheiros que construíam Brasília. Obra do paulista Gomes Calixto dos Santos, que trabalhou na obra da barragem.

O negócio prosperou e, em 1960, passou a se chamar Churrascaria Mossoró. Época em que JK virou frequentador assíduo. Em 1970, ela enfim adotou o nome de Churrascaria do Paranoá. O seu criador morreu há quatro meses, aos 85 anos. Mas o filho, Fábio Martins dos Santos, 38 anos, que já comandava o restaurante havia sete anos, por causa da doença do pai, assumiu de vez o negócio, com o compromisso de manter a tradição.

A conservação do prédio e móveis está comprometida pela falta de dinheiro, mas a qualidade da comida continua a mesma. Tanto que a churrascaria vive lotada nos fins de semana. “Muita gente vem aqui saborear principalmente as carnes exóticas, como rã e jacaré”, destaca Fábio dos Santos. Muitos também vão até lá por causa da história, contada por meio de recortes de jornais e fotografia em preto e branco fixadas nas paredes que mantêm as cores originais: lilás, verde a azul.

Fazendinha
Ameaçada também está a última casa de Juscelino no Planalto Central. Tanto que, há três semanas, a Justiça de Goiás decidiu intervir para evitar a depredação do imóvel, móveis e outros bens do ex-presidente. A propriedade fica em Luziânia (GO), distante 70 km do DF. A Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, mais conhecida como Fazendinha JK, abriga centenas de relíquias da história da capital e do país. A residência é a única obra de Oscar Niemeyer na zona rural. Mas sua conservação esbarra em uma disputa judicial entre herdeiros.

Por meio de uma decisão liminar, a juíza Soraya Fagury Brito, da 2ª Vara Cível de Luziânia mandou a prefeitura fiscalizar e impedir “toda e qualquer alienação de peças, objetos e demais bens de relevante valor histórico-cultural integrantes do acervo da Fazendinha JK”. Ela também determinou a prefeitura fiscalizar e proibir a realização de obras e outras atividades no local, “salvo as necessárias e imprescindíveis à sua conservação e manutenção”. Em meio a essa briga, quem perde é o turista interessado em conhecer o local, fechado à visitação desde fevereiro.

ROTEIRO

Brasília Palace
Inaugurado em 30 de junho de 1958, o Brasília Palace Hotel é o primeiro hotel de Brasília. Projetado por Oscar Niemeyer para receber as comitivas de outros países que vinham conhecer a construção da nova capital do Brasil, era o centro de lazer de políticos, funcionários do governo e pioneiros. Em 1978, o terceiro andar foi destruído pelo fogo. Com o passar dos anos, o hotel caiu no abandono e virou uma carcaça às margens do lago Paranoá. Acabou restaurado e reinaugurado em setembro de 2006.

Catetinho
Após quase 10 meses fechado para reforma, o Catetinho reabriu à visitação no última 21 de abril, quando Brasília completou 52 anos. Erguido em 10 dias, a edificação de madeira foi, a partir de 1956, a residência provisória do ex-presidente Juscelino Kubitschek na capital em construção. O prédio principal inclui a suíte presidencial, o quarto do médico Ernesto Silva, a sala de despachos, quartos de hóspedes, um bar e um cômodo para o engenheiro Israel Pinheiro. A entrada é gratuita.

Churrascaria Paranoá
O restaurante fica acima da barragem de mesmo nome, cerca de 30 km do centro de Brasília. Surgiu em 1956, como cantina para operários e engenheiros que trabalharam na construção da nova capital. Era visitada toda semana pelo então presidente Juscelino Kubitschek. O forro ainda é de madeira ipê. A cozinha conserva uma pedra de mármore, usada para o corte de carnes. A churrascaria é considerada a primeira do Distrito Federal.

Fazenda do Gama
A 500m do Catetinho, dentro do Country Club, a casa que recebeu o presidente Juscelino Kubitschek em sua primeira visita ao Planalto Central, em 2 de outubro de 1956, foi restaurada recentemente e está aberta à visitação. Nos limites da propriedade, JK imortalizou as palavras que representariam o nascimento de Brasília: “Desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã de meu país e antevejo esta alvorada”.

Fazendinha JK
A mansão inaugurada em 12 de setembro de 1974 ganhou o nome de dona Sarah, mulher de Juscelino. No quintal, ele costumava reunir os amigos para almoçar ao redor de uma mesa de pedra. Na sala de jogos e na discoteca, JK organizava festas regadas a pinga e embaladas por violeiros. Após a morte de JK, grupos de arquitetos, historiadores e admiradores de JK do país inteiro descobriram a fazenda e estiveram nela ao longo dos anos de maneira esporádica e informal. Fechado ao público.

Memorial JK
Construído para homenagear o responsável pela construção de Brasília, nele estão os restos mortais de Juscelino Kubitschek, depositados em um mausoléu de mármore negro. Faz parte do acervo uma biblioteca com mais de 3 mil volumes, pertencentes ao ex-presidente, além de objetos pessoais e fotografias deles. Há ainda medalhas, moedas, condecorações e trechos de discursos de JK expostos nos dois andares do prédio projetado por Oscar Niemeyer. O ingresso custa R$ 10.

Museu da Memória Viva Candanga
O museu ocupa parte do primeiro centro médico do DF, o Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO), construído em 1956, ao lado da então Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante. A unidade de saúde foi desativada em 1974. O local conta com vários acervos históricos, como aqueles remanescentes do HJKO, que incluem utensílios usados no próprio hospital. Há também a coleção de fotos de Mário Moreira Fontenelle, que registra em várias imagens a construção de Brasília. Entrada gratuita.

 

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