Os segredos do coração de Brasília

Zuleika de Souza (texto e fotos), da Revista do Correio

O setor projetado por Lucio Costa é onde Brasília mais se parece com o centro de outras cidades. Milhares de pessoas transitam e trabalham no maior aglomerado de salas comercias do Distrito Federal. Com o tempo, foram criados outros centros e ele foi ficando meio que esquecido pelo poder público. O lugar guarda joias da arquitetura e abriga muita gente bacana, como Celso Kaufman, o embaixador do SCS — a sede da representação diplomática é o restaurante Stella, que funciona na antiga sede do banco Denasa, projeto de Niemeyer adornado por pouco conhecido painel de Athos Bulcão.


Localizado literalmente no “suvaco da Asa”, no cruzamento entre a W3 Sul e o Eixo Rodoviário, o SCS é antigo como Brasília. O plano inicial era que os prédios fossem todos de seis andares nas quadras 2,4 e 6, e de dois pavimentos na quadra 3. Os da quadra 5 teriam só a sobreloja. A ideia era que as construções se ligassem, formando uma espécie de avenida para pedestres. Prédios altos, só na quadra um. Os desejos de Lucio Costa quanto à arquitetura foram atendidos, mas a ocupação foi desordenada.

A área enfrenta agora as consequências: trânsito caótico, point de prostituição, consumo de drogas à luz do dia. Mas para olhos menos apressados, há muito mais a ser visto. Queremos nessa matéria mostrar histórias e personagens que fazem do setor um lugar a ser explorado, um verdadeiro tesouro.

O relojoeiro

Seu Miranda tem banca desde 1975. Mudou algumas vezes de prédio, agora está no Márcia e os fiéis clientes sempre o acompanham.

O embaixador

Quem hoje ocupa o escritório do ex-presidente Juscelino é o advogado Celso Kaufman, dono do restaurante Stella Grill. O restaurante fica no térreo do Denasa, foi inaugurado em 1991 e é conhecido por abrigar almoços de ministros, embaixadores, políticos e muita gente importante. Reformada, a sala de Juscelino que fica na sobreloja do Stella se tornou um espaço privê, onde Celso recebe seus clientes mais ilustres. O advogado está há 40 anos no Setor Comercial Sul, e não esconde a admiração pelo lugar. “É uma parte muito especial porque mantém a imagem de uma cidade, coisa que Brasília não tem. Quem anda por aqui tem certeza que está em um grande centro”, afirma Celso.

O engraxate

“Hoje é muito difícil encontrar um bom engraxate, na minha época, em qualquer lugar achávamos alguém para deixar os sapatos brilhando”, reclama o cliente sentado na cadeira alta. Cláudio Hugo dos Santos é um dos que honram a profissão. Há 23 anos no Setor Comercial Sul, ele cobra apenas R$ 5 àqueles que precisam dar um brilho nos calçados. E tem toda uma técnica — escovinha para passar a cera, luva para lustrar o couro e muita paciência para um trabalho perfeito.

A socialite

A mais recente empreitada da socialite Wilma Magalhães é o espaço Novo Museu. Com o objetivo de levar cultura às classes C e D e resgatar o centro urbano como área para manifestações culturais, o amplo espaço do Novo Museu compreende um espaço de exposições para artistas locais e um café. “Trabalhei aqui por muitos anos, o Setor Comercial tem aquele calor humano por ser no centro da cidade. É meio romântico à noite, tem aquela cara de lugar antiguinho”, afirma Wilma. Aberto desde outubro do ano passado, é fácil achar o Novo Museu. Sua fachada é quadriculada em preto e branco, em uma referência à pop art. As portas ficam abertas — é só entrar.

Reportagem completa na edição n° 373 da Revista do Correio

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