O último cine drive-in do país

Drive-in 2

Thaís Paranhos

A cena poderia se ambientar nos anos 1970 ou 1980. O cliente entra com o carro no estacionamento e para de frente a uma enorme tela branca. Sintoniza o rádio e, de dentro do automóvel, assiste o filme em cartaz. Se quiser pedir um lanche, basta acender o farolete para chamar o atendente. Mesmo com tantas opções de salas de cinema no Distrito Federal, ainda há quem prefira o Cine Drive-in. Seja pela tradição ou pela comodidade, o ambiente tipicamente americano tem um público fiel por aqui e sobrevive ao tempo e à era 3D.

Se o Cine Drive-in já foi um ponto de encontro dos jovens nas décadas passadas, hoje o espaço se perde na área central de Brasília. É o único no país a funcionar nesse modelo, segundo a dona, Marta Fagundes, mas ficou no esquecimento dos moradores da cidade. O cinema ao ar livre, localizado ao lado do Autódromo Internacional Nelson Piquet, recebe, em média, 1,5 mil carros por mês. Número bem aquém de 30 anos atrás. No estacionamento, com capacidade para 500 automóveis, esse número não passa de 80 em dia de grande movimento.

Marta comprou o cinema em 1989, mas o frequenta desde a inauguração, em 1973. O pai dela trabalhava como gerente no local e a nutricionista viu o auge do Cine Drive-in. “Cresci aqui e me tornei uma fã. Até os anos 80 funcionava muito bem, mas surgiram os shoppings e o público começou a diminuir”, lamentou. Ao lado de uma equipe de funcionários, ela trabalha incansavelmente para manter viva a tradição. “Se o cinema funciona até hoje é porque montamos uma boa estrutura, está bem localizado e tem clientes apaixonados. Precisamos valorizar o que tem na cidade, aqui é um espaço tradicional e cultural de Brasília”, disse.

E é o amor por cinema que move a operadora cinematográfica Marisa Pereira da Silva. Ela trabalha como cozinheira em uma creche durante o dia, mas encontra disposição para comandar a máquina de projeção dos filmes todas as noites. “Eu amo cinema, é muito mágico”, disse. Todos os dias, Marisa chega do trabalho por volta das 19h e inicia a terceira jornada. Ela rebobina o filme e o coloca na máquina para ser apresentado mais tarde. Sabe como ninguém operar a máquina de projeção. “Aprendi a mexer no equipamento na década de 80, quando trabalhei em um cinema de shopping. Acho muito interessante o funcionamento”, contou. Apaixonada por cinema, a operadora espera o filme chegar ao Cine Drive-in para assisti-lo.

O atendimento continua o mesmo da época em que o Cine Drive-in funcionava a todo vapor. Na entrada do estacionamento, o rapaz da bilheteria pede ao motorista que apague o farol para não atrapalhar a exibição do filme. Ao entrar, o cliente deve sintonizar a rádio para ouvir som. Se quiser pedir um lanche, basta acender o farolete. Caso haja algum problema, é só ligar o pisca-alerta que o pessoal está pronto para ajudar. O cinema conta até com uma bateria para dar a partida nos automóveis que apresentarem problema após algumas horas com o som ligado.

Onde, quando e quanto

O Cine Drive-in está localizado na área Especial do Autódromo e funciona todos os dias. A primeira sessão, normalmente com filmes infantis, começa às 19h30. A entrada custa R$ 16 (inteira).

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