Roteiro para ficar por dentro traços de Niemeyer no Brasil e na Europa

Ataíde de Almeida Jr., do Correio Braziliense

“Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito.” A frase de Oscar Niemeyer ficou marcada nas diversas obras arquitetônicas que deixou como herança em vários lugares do mundo. Mas não são apenas as fachadas dos prédios que chamam a atenção. Esses locais oferecem atrações imperdíveis no interior, seja em Belo Horizonte, Niterói oto), Espanha, Itália etc. O Turismo preparou um roteiro para que você fique, literalmente, por dentro da genialidade do arquiteto:

BH, Diamantina, Ouro Preto e Cataguases

“E tudo começou quando iniciei os estudos de Pampulha (foto abaixo) — minha primeira fase —, desprezando deliberadamente o ângulo reto tão louvado e a arquitetura racionalista feita de régua e esquadro, para penetrar corajosamente nesse mundo de curvas e formas novas que o concreto armado oferece”, reconheceu Oscar Niemeyer em sua autobiografia As curvas do tempo. O início da nova etapa era nada mais que um protesto à arquitetura marcada pelas linhas retas, monótonas e repetidas, como ele mesmo definiu. Depois do conjunto arquitetônico em Belo Horizonte, seu traçado se tornou predominantemente curvilínio e nunca mais foi o mesmo.

Niemeyer - Pampulha
Antes de descobrir sua verdadeira vocação, o arquiteto percebeu que poderia dar um toque modernista às cidades históricas de Minas Gerais. Quem visita as antigas igrejas de Ouro Preto poderá conferir e se hospedar no Grande Hotel de Ouro Preto, construído em 1940. Apesar de ter passado por algumas modificações — que não agradaram Niemeyer —, o prédio mantém suas características construtivas que, de longe, se diferenciam dos casarios coloniais do século 18.

Rio de Janeiro e São Paulo

Com quase 80 anos de trabalho, o arquiteto mais conhecido do Brasil deixou marca em várias cidades. Uma delas é a capital carioca, com diversos edifícios projetados por Niemeyer, principalmente no começo da carreira, entre elas a Passarela do Samba, um dos principais cartões-postais, e a casa onde morou, na beira da Floresta da Tijuca. São Paulo não fica de fora. A metrópole também abriga os característicos prédios modernistas, com destaque para os do Parque Ibirapuera. Outras construções estão espalhadas pelo Norte, Nordeste e Sul do país. Que tal incluir algumas dessas obras no seu próximo roteiro de viagem?

#Obras de Oscar Niemeyer no Rio de Janeiro
Entre todos os lugares que abrigam as obras do arquiteto mais famoso do Brasil, não poderia faltar sua cidade natal. Foi no Rio, também, que Niemeyer concluiu sua graduação pela Escola Nacional de Belas Artes, em 1934. Três anos depois, projetou a Obra do Berço (uma instituição de caridade sem fins lucrativos), no bairro da Lagoa, que foi seu primeiro trabalho de impacto, oferecido gratuitamente, e é um dos bens tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro (INEPAC-RJ).

Região Sul e Nordeste

Para quem viaja de ônibus (e principalmente para quem vê de cima do avião), é difícil não prestar atenção no suntuoso Terminal Rodoviário de Londrina, no Paraná. Apesar das modificações que sofreu, razão pela qual Niemeyer não assinou o projeto, ainda tem “a cara” do arquiteto. A construção é feita toda de zinco (sendo que originalmente deveria ser de concreto) e em formato circular. No centro possui uma abertura e um jardim.

Crédito: Kadu Niemeyer/Divulgação. Museu Oscar Niemeyer em Curitiba.
Descendo até Curitiba, no Paraná, fica o Museu Oscar Niemeyer (MON), que completou 10 anos de atividade. São 12 salas que recebem diversas mostras nacionais e internacionais, além do acervo permanente, que conta com o pátio de esculturas, exibindo artistas como Erbo Stenzel, Amélia Toledo, Ângelo Venosa, Bruno Giorgi, Emanoel Araújo, Marcos Coelho Benjamin, Sérvulo Esmeraldo, Tomie Ohtake e, claro, Niemeyer. O MON tem o formato parecido com um olho.

Espanha e França

“Quando fui à Europa pela primeira vez, fui de navio. Eu ia daqui para a França, então no meio da viagem estourou o golpe. A polícia, como tinha que ser, invadiu meu escritório, o meu apartamento, se divertiram. Quando cheguei à Europa, o André Malraux (ministro da Cultura da França) compreendeu essa mudança. Ele arranjou com De Gaulle um decreto para eu poder ficar na França como arquiteto francês”, lembra Oscar Niemeyer em entrevista dada ao Correio no ano passado.

Niemeyer - Espanha
E foi durante esse tempo, longe da ditadura militar, que o gênio dos traços que ganharam o mundo deu vida a várias obras na Europa. Uma das mais conhecidas, e que pode ser vista em Paris, é a sede do Partido Comunista Francês. O conjunto arquitetônico, um prédio de aço e vidro e a sala de congressos de forma abobadada, foi concluído no início da década de 1970.

A reportagem completa está publicada na edição de 12 de dezembro de 2012 do caderno de Turismo do Correio Braziliense

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