Equador: na metade do planeta

Quito

Thalita Lins, do Correio Braziliense

Mil quilômetros separam a costa do Equador de um dos maiores laboratórios vivos de biologia do mundo. Patrimônio Natural da Humanidade, as Ilhas Galápagos guardam um mundo de riquezas naturais ao longo dos 146 mil km² de extensão territorial em meio ao Oceano Pacífico. Lá, os animais não se sentem ameaçados pela presença humana e até posam com naturalidade para as lentes dos turistas. Mas não é só a ilha que leva beleza para o país.

No continente, Quito, a capital, abriga um dos cartões-postais mais visitados, o Monumento do Mundo, no qual a linha do Equador corta o mundo. No entanto, há uma controvérsia na exatidão da posição desse marco: o monumento, na verdade, foi colocado a 300 metros da divisão real. Indo um pouco além, em Guayaquil, o charmoso bairro de Las Peñas é morada de inúmeros artistas da região e um dos pontos de encontro do jovens. Em Porto Lopez, a 635km de Guayaquil, está o cenário perfeito para observar os saltos das baleias jubartes a caminho da Ilha da Prata.


De tirar o fôlego

Respire fundo, você está em Quito. Mais precisamente a 2.850 metros acima do nível do mar. A capital do Equador é literalmente de tirar o fôlego. Os quitenhos têm muito o que se orgulhar: a cidade abriga o maior centro histórico das Américas. O Casco Colonial, construído durante a colonização espanhola, em 1534, pode ser definido em números: os 367 hectares de área, distribuídos em 308 quadras, contam com 103 edifícios-monumentos, 5 mil móveis tombados, 40 igrejas — duas a cada duas quadras —, 32 museus e 10 praças.

Não é à toa que a região foi a primeira do mundo a ser declarada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio da Humanidade. É uma pena que Quito ainda seja um destino pouco explorado pelos turistas brasileiros. Graças à herança espanhola, o Casco Colonial lembra uma cidade europeia. Bem preservada e limpa, a Plaza Mayor ou de La Independencia é cercada pelo Palácio de Carondelet — sede da Presidência do Equador, cujo prédio é em estilo neoclássico — e pela La Catedral, igreja com detalhes de ouro e em estilo mouro. Fazem parte do centro históricos as ruas entre a Basílica Del Voto Nacional e a estátua da Virgen del Pacillo — uma espécie de Cristo Redentor para os quitenhos.

Quito
A poucos metros dali, uma viela é referência cultural para o país: Calle de La Ronda. Uma das quadras mais bonitas, charmosas e bem preservadas do centro tem uma vida boêmia rica. À noite, os bares e restaurantes ficam lotados. É lá também que artistas trabalham em seus ateliês, como o “médico-cirurgião” de pianos antigos Humberto Santa Cruz, 46 anos. “Aqui é o espaço da música, onde somente anjos entram”, disse, ao mesmo tempo em que os dedos passeavam pelo teclado de um piano datado de 1902, que era “operado” há 87 dias.

Bandeira do Equador em Quito
Visitar a parte histórica de Quito é indispensável, assim como é impossível conhecer a cidade sem subir em pelo menos um dos 12 vulcões que cercam a capital do Equador. É difícil desviar os olhos do topo desses gigantes, ainda mais ao descobrir que quatro deles estão ativos — Cotapaxi, Pichincha, Cayambe, Antizana. Um dos cenários mais bonitos de Quito fica na Reserva Ecológica Cotacachi, no qual o turista pode se aventurar em uma trilha que passa pelo vulcão que leva o mesmo nome. A Lagoa Cuicocha, formada após a última erupção do Cotacachi, há 3,5 milhões de anos, é um dos grandes atrativos da unidade de conservação. Vale a pena ficar no mirante até o pôr do sol.

Sabores

A culinária quitenha revela a herança dos Incas. Ingredientes como milho, batata e banana são alguns dos itens essenciais na mesa de uma família típica da região. Ao visitar o país, não deixe de se deliciar com o locro, uma sopa produzida basicamente com batata, leite, milho e queijo. Para os amantes de frutos do mar, imperdível é o ceviche equatoriano. O prato costuma vir com camarões e peixe marinados no limão, acompanhados por pipoca e rodelas de banana frita.

le petit pigalle

O Mercado de Animais de Otavalo também vale a visita. Lá, os indígenas e moradores compram e trocam bichos. Há 200 anos, vacas, porcos, coelhos, patos, galinhas e porquinhos da índia dividem espaço com as pessoas durante os sábados. Sem dúvida, é um dos lugares mais interessantes e diferentes da viagem a Quito. A poucos quilômetros dali, tendas de uma outra feira ocupam dezenas de quadras da região. No Mercado de Otavalo, o visitante pode encontrar desde adereços, como o chapéu Panamá, até frutas da região, como o tomate de árvore e o babaco, uma tipo de mamão cultivado em altas altitudes. Prepare-se para andar bastante e aproveite para comprar lembrancinhas do Equador.

Quito

Made in Equador

Engana-se quem acha que o chapéu Panamá é produzido no país da América Central. O genuíno é feito no Equador e ganhou esse nome porque, antigamente, esse adorno era enviado para os Estados Unidos via Panamá. Os panamás são tecidos com palha fina, que é colhida e remetida para centros de tecelagem como na cidade de Cuenca, e transformada em chapéus pelos tecelões.

A jornalista viajou a convite do Ministério do Turismo do Equador

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