O melhor da cozinha internacional em Brasília, segundo os estrangeiros

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Leilane Menezes, da Encontro Brasília

Pode-se viajar o mundo todo, adotar um novo país e descobrir culturas, mas a saudade de casa sempre bate. Um cheiro ou gosto pode despertar lembranças e diminuir a distância.

Na capital do Brasil, não faltam refúgios para quem está longe da terra natal. A convite da Encontro Brasília, estrangeiros de seis nacionalidades indicam seus lugares preferidos na cidade, onde comidas típicas das regiões onde nasceram são servidas como manda a tradição.

Eles oferecem dicas para brasilienses que querem saborear a autêntica gastronomia japonesa, italiana, alemã, argentina, árabe ou francesa, mesmo sem viajar.

Japonês

Sushi e sashimi não estão no cardápio do Yuzu-an, no Clube Nippo, na Avenida das Nações. Mas isso não é problema, a chef de cozinha Alice Yumi Shibata Yamanishi serve mais de 50 tipos de pratos principais. O ambiente é simples, sem luxo. A qualidade e o sabor da comida surpreendem. Membros da Embaixada do Japão em Brasília e clientes conquistados com propaganda boca a boca são os principais frequentadores.

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O ministro dessa representação diplomática, Masahiro Takasugi, vive na cidade há pouco mais de dois anos. Quando sente falta da rotina no Japão, vai ao Yuzu-an. O yakissoba tradicional está entre os preferidos dele: “O molho é diferente e a massa também. A almôndega japonesa é ótima”, diz. A almôndega é um bolinho de carne empanado, com temperos genuínos do Japão.

Além do cardápio fixo, Yumi oferece o prato do dia. O wafu-steak, filé mignon no ponto perfeito, coberto por cogumelos japoneses, é uma das opções. É servido com quatro acompanhamentos, como arroz japonês, cozido sem gordura e sem sal, e o delicioso bolinho de batata e karê, como japoneses chamam o curry, com molho especial.

Todos os pratos levam um toque de yuzu, limão oriental de cheiro e gosto peculiares, que vem em raspas nos pratos e dá nome ao restaurante. “Yuzu-an quer dizer cheirinho da terra natal ou lembrança da infância. Somos fiéis a essa proposta de transportar de volta para as origens e de apresentar às pessoas uma gastronomia rica, muito além do trivial”, diz a respeitada chef Yumi.

Italiano

Quando quer sentir o gosto que os italianos experimentam quando comem uma boa pizza, Gianluigi Planezio, presidente da Associazione Dante Alighieri – Cultura Italiana, vai à La Fornacella, na 312 Norte. Os preferidos do cardápio são a pizza boscaiola (cogumelos, linguiça, muçarela de búfala e parmesão) e o calzone de bacon.

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Luigi Tavazza, também italiano, é quem faz a massa das pizzas servidas ali. São necessárias 48 horas para atingir o ponto desejado. “Nossa pizza é romana, de massa fina e crocante. O molho é importado da Itália. A receita é simples, mas precisa dos melhores ingredientes”, explica Luigi.

Gianluigi aprendeu com a mãe e com a avó a fazer massas e risotos. Portanto, agradar seu paladar não é tarefa fácil. “Já visitei alguns restaurantes que se dizem italianos, mas não são genuínos. Misturam ingredientes e referências demais. Quando tenho vontade de comer comida italiana, venho aqui. Na Itália, a pizza é comida de fim de semana”, disse o cliente, que está em Brasília há 16 anos. Ele conheceu a mulher, brasiliense, na Itália, e mudou-se com ela para a capital do Brasil, onde dá aulas de italiano.

Luigi, o dono da pizzaria, foi aluno da Associazione Dante Alighieri, onde aprendeu a falar português. A La Fornacella tem no menu itens pouco conhecidos pela maioria, como o supplì, crocante bolinha de arroz alongada, frita e preparada com molho de carne, muçarela e parmesão.

Francês

Há três anos, quando se mudou para Brasília, o diretor da Aliança Francesa, Jean Bourdim, aprendeu a amar o Brasil e sua culinária. Ainda assim, não deixou de desejar os sabores da França, de onde veio. Ele comemora o fato de ter ao alcance do paladar, na cidade onde mora, um “excelente representante” do que se vê e se come em Paris. Não raramente Jean é visto em uma das charmosas mesas do Daniel Briand, na 104 Norte. “Além da comida, o lugar é muito semelhante aos cafés de Paris, a decoração é fiel. É o ideal para lembrar a minha casa”, afirmou Jean Bourdim.

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O cardápio do Daniel Briand oferece, entre dezenas de outras opções, omeletes, croissants, brioches, cafés, chás, quiches, tortas e os famosos pain au chocolat, macarons e crème brulée. Os favoritos de Jean, entretanto, são os patês. “Nada mais francês que um bom patê”, diz.

O l’assiett aux trois terrines – combinação de três sabores: campagne (com carne suína), foie de canard e de legumes, com pães – é o preferido do francês. As pastas, como tudo mais na casa, são produzidas artesanalmente por Daniel Briand, um francês que está em Brasília há 19 anos. Ele conheceu a mulher, Luiza Venturelli, na França, e mudou-se com ela para o Brasil. É ela a responsável pela concepção do café.

Entre os doces, Jean aconselha experimentar qualquer um que leve chocolate. A matéria-prima belga é usada em tortas e na bomba de chocolate, entre outros itens do menu.

Argentino

O restaurante Corrientes 348 faria sentido em qualquer bairro refinado de Buenos Aires. Para a sorte dos brasilienses, ele não está nas ruas de Puerto Madero ou na Recoleta, mas sim na 411 Sul. Estar no Corrientes é relembrar as raízes para a pioneira de Brasília Mercedes Urquiza, que é argentina. Perfeito exemplar da elegância portenha, ela frequentemente senta-se à mesa dessa casa especializada em carnes para degustar empanadas e cortes especiais, como o ojo del bife, alto e suculento, feito à moda argentina. Para acompanhar, ela escolhe um bom vinho malbec. À noite, o ambiente, escuro na medida certa, ganha a iluminação de velas e torna-se ainda mais charmoso.

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O grand finale fica por conta da panqueca de doce de leite, a mais tradicional entre as sobremesas portenhas. Os produtos, como a massa da empanada, são importados de Buenos Aires. O restaurante abriu por aqui em maio de 2006. Tiago Boita, um dos responsáveis pela unidade, conheceu a ideia em São Paulo e decidiu trazê-la para Brasília.

Alemão

Quem passar desatento pela 213 Norte corre o risco de perder uma das maiores atrações da quadra: o Pão do Alemão. A pequena padaria montada na esquina do Bloco D funciona há 16 anos. É um sucesso entre os moradores, que confirmam a boa fama dos pães, doces, salsichões e cervejas servidas por Reinhold Dern, o Alemão.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) Volker Schellnock compartilha a nacionalidade do mestre padeiro. Mora em Brasília há 13 anos. Nas aulas de alemão, entre uma lição e outra, um de seus alunos falou a respeito do Pão do Alemão.

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Para iniciar o ritual gastronômico, Volker escolhe o salsichão, grelhado em uma churrasqueira elétrica. Uma boa cerveja alemã, feita de trigo, acompanha o pedido. A bebida é servida como na Alemanha, em copo longo de vidro. “Não sinto muita falta da comida alemã, porque a brasileira é sensacional. Mas é sempre bom variar. E o melhor lugar é aqui”, aconselha Volker.

A padaria abre às 17h, às vezes às 18h. O expediente vai até as 23h, em média. Reinhold fabrica os pães em Pirenópolis. Vai à cidade distante 140 km de Brasília todos os dias buscar a produção. O apfelstrudel – massa folhada recheada de doce de maçã – é famoso em toda a Brasília. O pão alemão típico, uma mistura de centeio e farinha de trigo, é um dos mais pedidos no balcão. “No jantar, o alemão come pão fatiado, embutidos e manteiga. É bem diferente do visto no Brasil”, observa o professor.

Árabe

Há dois anos, Jumana Salama não consegue visitar a região onde nasceu, a Síria, por causa da guerra civil. Moradora de Brasília há 16 anos, ela costumava ver os pais todo ano antes do conflito. Visitar o restaurante Manara, na 706/707 Norte, traz algum conforto ao coração de Jumana. “Aqui, eu me lembro da minha casa, da comida da minha mãe”, diz. Ela mudou-se para Brasília depois de se casar com um brasileiro descendente de sírios. O casamento acabou, mas ela escolheu prosseguir na cidade.

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Aos sábados, Jumana, que é secretária consular na Embaixada do Catar, é presença garantida no Manara. Ela indica a versão mais sofisticada do restaurante, com pratos à la carte. O formato self-service existe há 10 anos, no mesmo endereço. São mais de 500 clientes por dia. Há nove meses, a proprietária Marie Claude Yammine investiu em melhorias, para criar um novo ambiente, na porta ao lado, para 200 pessoas. Apostou na decoração caprichada, com jardim interno e serviço de bufê a R$ 40 (de segunda a sexta-feira) e R$ 50 (nos fins de semana) para comer à vontade todas as delícias árabes.

Os segredos dos sabores do Manara estão nas mãos de Marie. Receitas de família somam-se aos ingredientes importados do Líbano, como o tempero sete pimentas, trigo, grão-de-bico e a pasta de gergelim. “O pão sai do forno direto para a mesa do cliente. Nada fica guardado de um dia para outro. Servimos aos clientes, como servimos à nossa família”, disse Marie.

Os traços e os sabores de Bruxelas

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Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Espremida entre dois grandes destinos turísticos, a Bélgica costuma ser apenas um pit stop para quem visita a França e a Holanda. Mas o país do chocolate, da cerveja Stela Artois, do Tintin e dos Smurfs surpreende o visitante com suas belas cidades.

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Chegando à capital Bruxelas, você verá que tudo pulsa ao redor de sua principal atração, a histórica Grand Place. Construída no século 11 e reconstruída em outras ocasiões, cercada por um belo conjunto arquitetônico que abriga a prefeitura e museus, não é exagero passar horas apreciando as fachadas de seus prédios, alguns ornamentados com detalhes em tons de dourado e flores nas janelas e sacadas. Ao redor da praça, há bares e restaurantes com mesas ao ar livre, mas a maioria dos turistas prefere apreciar a beleza do cenário de 360° sentados nos paralelepípedos que cobrem o chão da praça.

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Quando estiver pronto para deixar a praça e seguir para outras atrações, perambulando pelas ruas ao redor da Grand Place, uma leva de turistas, indo na mesma direção, lhe levará até o Mannekin Pis, estátua de um menino fazendo xixi e um dos principais símbolos da cidade. Não espere muito dessa atração, que pode até ser bem decepcionante. Medindo apenas 30cm, é comum ouvir dos turistas frases do tipo “vim até aqui para isso?”.

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Mas com um pouco de bom humor, é possível achar graça do menino e principalmente das diferentes versões sobre seu surgimento. As mais conhecidas dizem respeito a um menino que tentava apagar um incêndio com sua urina. Outras são de uma criança, filho de um nobre, perdido e encontrado pelo pai na conhecida posição.

Independentemente das versões, todas as lojas de souvenires de Bruxelas vendem réplicas do menino pelado. Outros dois modelos, um do que seria sua irmã e outro do seu cachorro, estão expostas pela feiras e lojas da cidade.

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Continuando a caminhada, só que dessa vez morro a cima, vale a pena conhecer a Place Du Grand Sablon, uma agradável praça que praticamente divide Bruxelas em cidade alta e cidade baixa e que termina em frente à bonita catedral Notre-Dame Du Sablon. Depois de visitar a igreja, atravesse a rua e descanse no pitoresco Jardim Egmont, com suas várias estátuas. Na parte alta da cidade, no entanto, o destaque vai para o quarteirão real, de onde se tem uma bonita vista da cidade baixa, e onde estão localizados o Palácio Real e o parque de Bruxelas.

Mais além, o moderno edifício do Parlamento Europeu lembra a todos que Bruxelas é ao mesmo tempo capital belga e sede da União Europeia. Moderno também, outro símbolo da cidade, situado nos subúrbios, no Bruparck, o Atomium, monumento que representa um átomo de ferro ampliado milhões de vezes, oferece uma plataforma panorâmica.

Tantas atrações são suficientes para garantir pelo menos um dia inteiro em Bruxelas.  Dois seria o ideal. Até porque, além dos edifícios e monumentos, talvez o melhor de Bruxelas seja caminhar despretensiosamente por suas ruas.

Mexilhões e batatas

A cidade cheira a chocolate. E não a qualquer chocolate, mas a um dos melhores do mundo: o legítimo chocolate belga. Brasileiros acostumados a comprar as guloseimas da famosa (e cara) Guylian apenas em freeshops nos voos internacionais podem se esbaldar em lojas exclusivas da marca com produtos industrializados e artesanais, por preços bem mais em conta. Ou experimentar outras marcas, com sabores igualmente divinos.

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Também atraem o paladar dos turistas os waffles belgas, acompanhados por calda de chocolate, sorvete, frutas, doce de leite ou o que mais a imaginação puder inventar. Disputando lugar com as chocolatarias, quiosques, lojinhas e cafés estão sempre abarrotados de turistas. Os da sorveteria Haagen Dazs fazem um enorme sucesso.

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Se a intenção é uma bela refeição, o prato típico da Bélgica, mexilhões com batata frita, parecem compor o cardápio de todos os restaurantes da cidade. Melhor ainda se acompanhados da famosa cerveja belga Stela Artois, cada vez mais apreciada pelo público brasileiro.

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É perdendo-se pelas ruas de Bruxelas que o turista encontra outras curiosidades, como lojas exclusivas de produtos do personagem Tintin, protagonista de uma série de histórias em quadrinho que recentemente ganhou sua versão para o cinema, e dos simpáticos Smurfs, desenho animado muito conhecido dos brasileiros.

Agora, se você tiver mais tempo, estique sua estadia em Bruxelas e aproveite para ir de trem até a cidade vizinha de Bruges. Cortada por canais e construções medievais, não é a toa que a cidade é considerada um dos mais atraentes destinos turísticos da Bélgica.

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Como chegar

A maior parte dos turistas que chegam a Bruxelas vem de trem a partir de Paris ou de Amsterdã (Bruxelas tem três estações). Geralmente, fazem de Bruxelas apenas uma conexão entre as duas capitais. Se essa for sua opção, você pode deixar suas bagagens nos maleiros pagos das estações, conhecer a cidade e voltar mais tarde para completar o trajeto até a próxima capital.

Tanto a companhia ferroviária Thalys quanto a Intercity cobrem o percurso. A vantagem da primeira é que as viagens são mais rápidas e os trens mais bens conservados. Passagens podem ser compradas pelos sites das companhias ou nas estações, já que há várias opções diárias de horários.

Onde ficar

Se, no entanto, quiser passar um pouquinho mais de tempo na Bélgica, que tal se hospedar em um hotel sem recepção, em que check in, check out e outros serviços são feitos pelo próprio hóspede em guichês de auto-atendimento? É esse o conceito do Max Hotel, localizado convenientemente próximo a Grand Place e a estações de trem (a do norte) e de metrô. Por abrir mão do atendimento por recepcionistas, o Max Hotel consegue reunir comodidade e bom preço em um único lugar.

As joias dos palácios do Planalto e do Itamaraty

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Eunice Pinheiro, da Encontro Brasília

A Esplanada dos Ministérios é um verdadeiro museu de arte. Não só um museu dos símbolos nacionais, que costuma atrair milhares de pessoas para o turismo cívico na capital, mas um conjunto de museus – composto por Ministérios e Palácios – que guardam obras de artistas nacionais e internacionais. São telas, esculturas, vitrais e peças de mobiliário que, muitas vezes, passam despercebidos numa visita onde a arte não é o foco principal. E o melhor: a maior parte desse acervo está aberta à visitação pública, gratuitamente.

O Palácio do Planalto e o Palácio do Itamaraty são os dois locais que concentram as obras mais famosas de toda a Esplanada. Trabalhos que chegam a valer mais de R$ 4 milhões no mercado, como o painel As Mulatas, de Di Cavalcanti, e outros, que pelo valor histórico nem podem ser avaliados, como a tela gigante de Roberto Burle Marx (14 m x 4,8 m), de 1972, criada especialmente para ocupar o Salão Oeste do Palácio do Planalto.

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Ao todo, ainda não se sabe o número exato de obras de arte que povoam a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, já que o levantamento, que está sendo feito pelo governo federal, ainda não foi concluído. Mas são dezenas de trabalhos de artistas renomados, como Djanira da Motta e Silva, Joan Miró, Frans Krajcberg, Sérgio Rodrigues e Alberto Nicola. Até 2009, a maior parte dessas obras estava perdida nos subsolos dos Palácios.

A ideia de catalogar as obras de arte dos palácios surgiu em 2009, durante a reforma do Palácio do Planalto. O projeto foi apresentado à ex-primeira dama Marisa Letícia, que aceitou o desafio e mandou abrir as portas. A partir daí, palmo a palmo dos palácios do Planalto e da Alvorada passou a ser vasculhado. “Na verdade, havia uma ideia da existência de um bom acervo de arte nos Palácios. Mas não havia um catálogo dessas obras. Tampouco se sabia com exatidão onde elas se encontravam”, conta Claudio Soares Rocha, secretário executivo da Comissão de Curadoria dos Palácios do Planalto e da Alvorada.

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A caça às obras revelou muitas surpresas. Uma delas foi um quadro do artista catalão Joan Miró, avaliado em R$ 1 milhão, pendurado na sala de suprimentos do Planalto. Durante anos, o quadro azul ficou ali, quietinho, sem ninguém imaginar a relíquia sustentada por um pequeno preguinho. Com a tapeçaria de Alberto Nicola não foi diferente. Depois de enfeitar a recepção do Palácio do Planalto, na década de 1990, foi parar no restaurante da guarda.

Mas o destino dado ao relógio Luiz XIV, confeccionado pelo relojoeiro do rei francês, Balthazar Martinot, foi demais. A peça foi parar no depósito de barcos do Palácio da Alvorada. Ninguém sabe dizer quanto tempo esse relógio ficou por lá, mas foi encontrado sob um monte de colchões velhos e precisando de recuperação. Meses depois de resgatado, ainda se buscava a cúpula dele – uma imagem do deus grego Netuno –, encontrada, posteriormente, numa caixa de ferramentas da oficina do palácio.

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Tirando esses casos mais escabrosos, a verdade é que, durante muito tempo, funcionários conviveram com obras importantes nacionais e internacionais em suas salinhas pensando que fossem obras vendidas em uma feirinha qualquer. Agora, que elas foram resgatadas, estão expostas ao grande público, devidamente recuperadas, identificadas e catalogadas. “Quando terminamos o levantamento das obras, chegamos à conclusão de que elas deveriam ser expostas ao público.

O que adianta ter boas obras se elas ficarem fechadas em salas?”, questionava Claudio Rocha. Com isso, as obras dos artistas mais renomados foram expostas nos corredores dos Palácios, no gabinete da presidente Dilma Rousseff e nos salões de reuniões, com destaque maior para os artistas nacionais.

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Assim, durante a visita guiada ao terceiro andar do Palácio do Planalto, por exemplo, podem ser vistas as obras de Di Cavalcanti, Geraldo de Barros, Frans Krajcberg, Frank Schaeffer, Alfredo Volpi, Antônio Maluf e a bela escultura de Bruno Giorgi, com o nome de O Flautista. Nos gabinetes fechados, ficaram apenas os trabalhos de artistas pouco conhecidos.

No mezanino, podem ser vistos também conjuntos de mobiliários desenhados por talentos como Sérgio Rodrigues e Jorge Zalzuspin. Aliás, o mobiliário do Palácio do Planalto é um espetáculo à parte. Peças dos designers mais importantes das décadas de 1960 e 1970 estão presentes ali. Incluindo a mesa de trabalho do então presidente Juscelino Kubitschek, desenhada por Niemeyer.

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“A restauração dos móveis e a indicação da existência de algumas obras de arte importantes seguiram os relatos de Anna Maria Niemeyer, arquiteta e filha de Oscar Niemeyer, que trabalhou na decoração dos Palácios durante a construção deles. Era ela quem, sob as ordens do presidente Juscelino Kubitschek, comprava obras de arte para decorar os palácios e, assim, começou a montar nosso acervo”, explica Claudio Ramos.

Além dos trabalhos que chegavam pelas mãos da filha de Niemeyer, o acervo dos palácios foi formado por doações de obras, presentes presidenciais e espólios, como os três quadros de Djanira, que faziam parte da massa falida do antigo Lloyd Brasileiro.

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Hoje, o governo não compra obras de arte. Por isso a carência de artistas contemporâneos nas paredes dos palácios. “Para renovarmos o acervo, precisamos que os artistas doem suas obras. Porém, isso raramente acontece”, diz Ramos.

No Palácio do Itamaraty, as obras contemporâneas já são vistas em abundância. Como cada órgão administra seu acervo artístico individualmente, o Ministério das Relações Exteriores é um dos poucos órgãos do governo que têm realizado concursos de arte contemporânea. Os trabalhos premiados são adquiridos pela instituição. Foram duas edições até o momento: em 2011 e 2012.

Com isso, qualquer visitante interessado em apreciar os trabalhos de artistas como Tomie Ohtake, Francisco Brennand, Athos Bulcão, Volpi e Emmanuel Araújo tem a chance de ver também os trabalhos de novos artistas. Aliás, um acervo impressionante, de tão bonito.

Por exemplo, logo na entrada do Palácio do Itamaraty, uma exposição apresenta as últimas 20 aquisições do ministério, fruto do concurso de 2012. São óleos sobre tela, fotografias e esculturas, como a escultura Iceberg, de Flávio dos Santos Cerqueira, que transporta o expectador para o olhar infinito de um menino.

Aerolineas já vende passagem de voo direto BH-Buenos Aires

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Belo Horizonte vai ganhar voo direto e diário para Buenos Aires. A Aerolineas Argentinas vai realizar as operações a partir de primeiro de junho. As passagens começam a ser vendidos a partir desta quarta-feira (20/3), no site da empresa. Diariamente, um voo com aeronave Embraer, como capacidade para 96 passageiros, partirá do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, com destino à capital da Argentina.

O anúncio foi feito nesta terça-feira, pelo governador Antonio Anastasia, durante coletiva à imprensa na Cidade Administrativa. Ele foi comunicado oficialmente pela diretoria da empresa, que ainda acerta os detalhes para a nova operação.

Segundo Antonio Anastasia, a conexão direta e diária para Buenos Aires é uma boa notícia para Belo Horizonte e Minas Gerais. A partir de 2008, o Estado intensificou os esforços para atrair voos internacionais, sem conexões, para Belo Horizonte. “A atração de voos internacionais, partindo e chegando a Belo Horizonte, é mais uma estratégia do Governo de Minas para o processo de internacionalização do Estado. Já temos voos diretos para os Estados Unidos e para Portugal, nossa porta de entrada para a Europa. A ligação direta com Buenos Aires, certamente, vai contribuir para que Minas Gerais seja cada vez mais inserida no mercado turístico da América Latina”, disse o governador.

Desde 2008, foram implantados em Minas voos internacionais sem conexões, com destino a Miami – diário pela American Airlines e três vezes por semana, pela TAM -, Panamá – seis vezes por semana – e Lisboa – quatro vezes. O resultado da revitalização do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, foi o crescimento expressivo de passageiros rumos às rotas internacionais. No acumulado de 2008 a 2012, a movimentação no terminal de passageiros somou mais de 1,5 milhão de usuários.

De acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), no período, o número de embarques e desembarques internacionais cresceu 178,4%, passando de 160 mil passageiros, em 2008, para 445,6 mil usuários, no ano passado. Em 2006, por exemplo, a movimentação não chegava a 10 mil pessoas.

A Assis de São Francisco está em festa

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Diego Amorim (texto e fotos)

A cidade de Assis está em festa por Francisco. A terra do santo que inspirou o nome do novo papa tornou-se ainda mais mística para os católicos quando o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio decidiu como passaria a ser chamado. Moradores torcem para que a cidade seja uma das primeiras a serem visitadas pelo pontífice.

Em ruelas e templos cheios de significado no alto de uma colina na região da Umbria, 200km ao norte de Roma, a vida do morador mais famoso de Assis ainda emociona. O jovem rico que abdicou da nobreza para viver com os pobres revolucionou a Igreja no início do século 13. Hoje, serve de exemplo para o chefe da instituição em tempos de dificuldade.

“Francisco: era disso que a Igreja estava precisando”, vibra o frei Evilásio de Andrade, recém-chegado ao Sacro Convento de Assis, após quase 10 anos de trabalho pastoral em Brasília. Ele é o único brasileiro entre os quase 70 franciscanos que vivem no local e comemoraram a escolha do nome do papa na noite da última quarta-feira.

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Quando Francisco foi apresentado ao mundo, os sinos da basílica que leva o nome do “pobrezinho de Assis” badalaram com força, e champagnes foram estouradas. “Desde então, a cidade encheu, parece até que o inverno virou verão”, diz Andrade, enquanto caminha em uma área reservada do convento, sob arcos góticos construídos no século 17.

Como tantas outras ordens religiosas, a franciscana viu definhar o número de vocações nos últimos anos. O ineditismo de um papa com o nome do fundador traz de volta a esperança em novos chamados. “Estamos nos sentindo honrados com a escolha e, ao mesmo tempo, corresponsáveis com a missão do papa”, comenta o frei brasileiro.

Santa rebeldia

Na entrada da cidade, dentro da Basílica de Nossa Senhora dos Anjos, está a Porciúncula, uma igrejinha de pedras que Francisco de Assis teria ajudado a erguer depois de ouvir dos céus a ordem de “reconstruir a Igreja”. Não se tratava, porém, da estrutura física. Ao entender isso, o jovem esnobou a riqueza do pai, desafiou o bispo e provocou mudanças profundas nas bases católicas da época.

Conta a história que Francisco, certa vez, convidou os amigos para “pregar o Evangelho”. Deram uma volta na praça e, sem dar uma palavra, voltaram para o convento, onde o santo ensinou que o jeito simples de ser basta para passar uma mensagem. Francisco, o papa, abraçou desafio semelhante.

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Com sinais claros de que terá a simplicidade como marco do pontificado, o novo líder dos católicos já conquistou a irmã gaúcha Natalina Stringari. “Será que ele vai usar o papamóvel?”, questionava ela, ao conhecer o exato lugar onde o jovem de Assis teria morrido, aos 45 anos, em 3 de outubro de 1226. A morte era chamada por ele de “irmã”.

A tumba de Francisco, no subsolo da basílica, recebeu a visita de vários cardeais antes do conclave, entre eles os brasileiros dom Geraldo Majella e dom Odilo Scherer. Não são poucos os fiéis de todas as partes do mundo que se entregam às orações no local onde está o corpo do santo.

Grávida de quatro meses, a advogada mineira Grace Kely Lima, 33 anos, chorou ao receber a bênção de um frade, na saída do templo. “A Igreja tem de retornar à sua essência, às coisas simples”, desejava ela, católica praticante. “Este papa vai trazer de volta um caminho de humildade”, dizia o médico peruano Roger Palma, 32 anos, que também viajou à cidade para conhecer os caminhos de Francisco.

Nascido e criado em Assis, o dono de restaurante Antonio Cianetti, 53 anos, espera o mesmo que os turistas. “É um belo momento para resgatar os valores mais importantes da Igreja”, comentou, na expectativa de receber mais clientes após a confirmação de que o papa, de fato, se inspirou no santo conterrâneo para decidir o nome.

Nos últimos dias, o taxista Mario Terenze, 46, transportou mais passageiros que o normal. “Depois do papa Francisco, muita gente que estava em Roma aproveitou para conhecer logo Assis”, conta. Terenze é outro que crê no turismo mais aquecido nas próximas semanas, mesmo em baixa temporada e com os termômetros marcando temperaturas negativas.

Assis 4Um restaurador

Filho de Pedro e Pica Bernardone, Francisco de Assis nasceu entre 1181 e 1182, na cidade italiana de Assis. Seu pai era um rico e próspero comerciante. Quando jovem, Francisco sonhou com as glórias militares, procurando alcançar o status que sua condição exigia. Aos 20 anos, foi preso após lutar na guerra contra a cidade de Perusa. Nessa época, começou a ter contato com o Evangelho. Quatro anos depois, pediu em prece que Jesus iluminasse seu caminho e teria ouvido uma voz dizer: “Francisco, restaura a minha casa decadente”. Esse teria sido seu despertar para a vida religiosa.

Após renegar a riqueza do pai, Francisco de Assis se entregou a um estilo de vida fundado na pobreza, na simplicidade de vida e no amor total a todas as criaturas. Três anos depois, autorizado pelo papa Inocêncio III, Francisco e onze companheiros fundaram a Ordem dos Frades Menores, mais conhecidos como franciscanos. Eles foram responsáveis pela renovação do catolicismo de seu tempo.

Diferentemente dos religiosos da época, que costumavam se enclausurar nos mosteiros, os franciscanos tinham o hábito da pregação itinerante e acreditavam que o evangelho deveria ser seguido à risca. Francisco de Assis morreu no anoitecer do dia 3 de outubro de 1226, em uma choupana.

Contato com araras-azuis no Pantanal

 (Helder Brandão/Divulgação)

Jaqueline Saraiva, do Correio Braziliense

Assim que surgem os primeiros raios de sol, já é possível ouvir os sons e contemplar o voo elegante e ensaiado delas. São várias araras-azuis, em duplas ou em bandos, que colorem a natureza em constante transformação do pantanal sul-matogrossense. No entanto, nem sempre a vida dessa ave foi respeitada pelo homem. Ameaçada principalmente pelo tráfico de animais, a espécie quase desapareceu no fim dos anos de 1980. Só sobreviveu na região, além de outros fatores, graças ao empenho da bióloga Neiva Guedes que, há 23 anos, estuda e dedica quase todo o tempo disponível à preservação delas. O projeto pioneiro é desenvolvido pelo Instituto Arara Azul e patrocinado pela Fundação Toyota do Brasil.

Neiva conta que a paixão começou em 1989, quando viu um bando de araras no pantanal durante uma prática de campo do curso de biologia. Quando foi informada de que a ave estava ameaçada de extinção, descobriu sua vocação: salvá-las. “É uma ave linda. Não tinha como eu não me apaixonar e nem deixar que elas chegassem ao ponto de não existirem mais.” E assim, deu início ao projeto que, além de um conjunto de ações de sustentabilidade na região, é boa opção para os turistas, que podem observar, fotografar e acompanhar o monitoramento de ninhos feito todos os dias na região.

A programação geral deve ser realizada em, no mínimo, quatro dias, dentro da Reserva Caiman, na pequena cidade de Miranda. Reconhecida pelo governo do estado como uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, a Caiman é o principal refúgio das araras e de várias outras espécies. Do aeroporto de Campo Grande até lá, o turista fará o percurso de 236km — sendo 200km em via asfaltada e 36km off-road —, em aproximadamente cinco horas.

Local seguro

Chegando ao destino, o turista se depara com uma área de 53 mil hectares cercada de natureza. Durante o dia, o roteiro inclui safáris ecológicos, nos quais se observam de perto os pequenos detalhes da vida selvagem. O pantanal é regido por ciclos anuais de secas e chuvas. O período de estiagem, que vai de julho a setembro, é a melhor época para avistar os animais pantaneiros. Já as cheias (janeiro a março), que melhor caracterizam o pantanal, é ideal para quem está em busca de mais aventura e esporte, como passeios de canoa.

Na atividade principal, os biológos e os estudantes é que fazem o trabalho, observados atentamente pelos visitantes. São percorridos vários ninhos, que estão cadastrados pelo instituto, onde verificam se foram ocupados pelas araras-azuis ou outras espécies. Para isso, é necessário escalar as árvores, utilizando equipamentos e técnicas de alpinismo e rapel. Quando encontram um ovo ou um filhote, a comemoração é geral: todas as informações sobre o animal são anotadas, e os turistas têm a oportunidade de vê-lo e fotografá-lo, enquanto os biólogos explicam as características e o comportamento da espécie. Depois disso, ele é levado de volta.

São cerca de 3 mil aves monitoradas, pelo menos, uma vez por mês, em 364 ninhos espalhados por 47 fazendas pantaneiras. Além dos naturais, há nichos artificiais, projetados e produzidos pelo instituto, que têm ajudado muito a busca das araras por um local seguro para se reproduzir.

Depois de um dia de aventura, o turista desfruta do conforto da estrutura hoteleira da reserva. São duas sedes totalmente independentes, separadas por 22km, que oferecem um ambiente elegante e, ao mesmo tempo, rústico, acolhedor e confortável, totalmente integrado à natureza. Todos os quartos têm vista privilegiada, banheiros com água aquecida, ar-condicionado, ventilador de teto e ponto de acesso à internet. Há também áreas sociais com televisão e aparelho de DVD. Nas duas pousadas, as diárias incluem pensão completa (café da manhã, almoço e jantar), passeios e atividades previstas na programação, acompanhadas pela equipe do Projeto Arara Azul.

Mais encantos

Ao longo do pantanal, o convite será apenas à contemplação de uma infinidade de animais selvagens sem grades e sem jaulas. Além das araras-azuis, que aparecem durante toda a viagem, há capivaras, antas, tamanduás-bandeira, cervos, macacos-pregos, entre outros. Os mais presentes são os jacarés, que lotam as margens das lagoas em busca de água e de comida. No fim do dia, quando chega o pôr do sol, ouvindo uma profusão de grasnados e piados de bichos, o visitante já terá se apaixonado pela maior planície alagável do mundo, onde a vida obedece à vontade das águas.

 (Helder Brandão/Divulgação)

Quanto custa
Três noites/quatro dias R$ 5.787 (duas pessoas)
Quatro noites/cinco dias R$ 7.716 (duas pessoas)

Quem leva
Refúgio Ecológico Caiman
Telefone: (11) 3706-1800
E-mail: caiman@caiman.com.br

Instituto Arara Azul
Telefone: (67) 3341-3331
E-mail: projetoararaazul@gmail.com

Quando ir

Cheia
Chuvas torrenciais fazem transbordar as águas, alagando os campos. Vai de janeiro a março

Vazante
As chuvas começam a estiar e as águas descem, deixando pequenas poças dispersas. Vai de abril a junho

Seca
As chuvas cessam e a paisagem adquire tons amarelados, com pequenas florações. Vai de julho a setembro

Chuvas
As primeiras chuvas, rapidamente absorvidas pela terra, devolvem o verde à paisagem. Vai de outubro a dezembro

A jornalista viajou a convite da Fundação Toyota do Brasil

A marcha dos pinguins na Patagônia chilena

IPinguineira em Punta Arenas

Os pinguins são os animais mais cobiçados pelos turistas na Patagônia e na Antártida. E nem é preciso se aventurar no mar para vê-los. Há colônia dessas aves perto das cidades, em terra. De Punta Arenas, a mais próxima fica a pouco mais de uma hora.

A pinguineira chilena em Seno Otway fica a 65km de Punta Arenas e atrai mais de 800 turistas por dia, que encaram o vento frio e a travessia em estrada de chão para aprender com o comportamento desengonçado e simpático dos habitantes ilustres desta colônia no extremo sul da América.

O passeio é oferecido por inúmeras agência e pode ser comprado um dia antes. Elas geralmente levam os turistas em van ou microônibus. Mas também se pode contratar um táxi, combinado o preço antes da partida.

Na parte de terra da estrada, já dentro da reserva, destaca-se a paisagem plana com vegetação rasteira e clima oscilante. Em meio è ela, outros animais, como lebres, gaviões e muitas ovelhas. Vale uma breve parada para fotografias.

Passarela

A colônia de pinguins fica à margem das águas represadas do Oceano Pacífico, com vista para uma cadeia de montanhas, com nuvens no topo. Nesse cenário, moram cerca de 11 mil pinguins-de-magalhães. Depois do trajeto de carro, van ou ônibus, é preciso percorrer uma trilha até eles.

O caminho dentro da reserva ecológica é feito em uma passarela de madeira, com placas indicativas sobre espécies de vegetais existentes na área. Há mirantes para facilitar a visualização da orla. Muitos levam binóculos.

Mas todos querem mesmo é ver os pinguins. Após cerca de 15 minutos de caminhada, chega-se à praia, o melhor lugar para apreciá-los. No caminho, alguns espécimes conservam seus ninhos. Eles caminham tranquilamente em meio à vegetação baixa, para delírio dos visitantes.

Na praia, há um mirante suspenso, para facilitar as imagens dos pinguins reunidos após um dia no mar e os fiscais melhorar controlar os turistas. Cercas indicam a proibição do contato direto com os animais. Mas é possível vê-los por até 1m de distância.

Volta para casa

O horário mais indicado para a visitação é o fim da tarde, pois, por volta das 18h, pinguins começam a brotar das águas. Em fila indiana, eles seguem trilhas em meio à vegetação em busca dos ninhos. Levam, no bico, a comida para os filhotes.

A procura do alimento começa cedo. Ao amanhecer, os habitantes do santuário partem para o mar. Avançam quilômetros oceano adentro em busca de peixes e crustáceos, capturados em mergulhos que podem alcançar os 70m de profundidade. Enquanto pescam, a colônia fica vazia.

Os ninhos ficam sob a terra. Na volta a eles, quando um companheiro fica pelo caminho, o líder do grupo estanca a caminhada, aguarda a recuperação do amigo e segue a jornada. Para os pinguins, o matrimônio é uma instituição sagrada. Quando um macho e uma fêmea se casam, só a morte os separa.

Quanto custa
Em média, o traslado Punta Arenas e a pinguineira custa 8 mil pesos chilenos, algo como R$ 32. Além do transporte, é preciso pagar 1,5 mil pesos (R$ 12) para entrar na área protegida que abriga a colônia, mais 5,5 mil pesos (R$ 22) para visitar a pinguineira

Passeio pelo Brasil
O pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) é uma ave sul-americana que vive em regiões frias, muitas vezes com temperatura abaixo de zero. Essa espécie pode ser encontrada na costa chilena e na argentina, mas também é vista com frequência nas praias brasileiras, no processo migratório pelo Oceano Atlântico. Eles vêm ao Brasil em busca de correntes de águas mais quentes e maior oferta de alimentos, podendo ser avistados normalmente na costa da Bahia, Alagoas e Pernambuco. No entanto, derramamentos de óleo e redes de pesca irregulares ameaçam a vida da espécie em território nacional.

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