Regras ditam ritmo de visitas à Antártida

Pinguins na Antártida

Um tratado internacional regula o turismo na Antártida. Ele inclui uma série de normas: antes de desembarcar, lavar as botas com desinfetante; nas ilhas, só se pode andar nas trilhas; os bichos têm prioridade e é proibido retirar qualquer coisa da Antártica, menos gelo. Enfim, um cruzeiro no continente gelado deve ser encarado como uma expedição e uma aula de bons modos em um ambiente e de populações especiais.

Embora o navio tenha uma programação dia a dia, ela pode não se concretizar por causa do clima. É ele quem manda na Antártida. Visitas ou desembarques podem ser suspensos por causa de péssimas condições, como nevascas ou ventos fortes, que impedem os botes infláveis de navegar com segurança. Mas o pessoal de bordo tem sempre uma carta na manga, com outra opção de passeio ou desembarque sem riscos.

O controle de entrada e saída do barco é eletrônico, feito com um cartão de identificação, com foto e código de barras. É proibido o uso de sapatos. Os expedicionários usam botas de borracha, desinfetadas exteriormente tanto na saída como na chegada. Fumar só é permitido em certos lugares do barco. Nem pense em jogar a bituca no mar. Não leve suvenires da natureza, como pedras, areia e conchas.

Por que tal restrição? O material usado pelos pinguins para fazer seu ninhos é justamente a pedra, por exemplo. Além da memória, as melhores lembranças da viagem são fotografias e vídeos de paisagens e seres exuberantes. Suvenires são vendidos nas bases dos países ou na loja do navio, além de centenas de lojas e bancas de feiras em Ushuaia e Punta Arenas, as cidades argentina e chilena, respectivamente, de onde parte a maioria dos cruzeiros.

Não toque

Já em terra, recomenda-se não fazer barulho que perturbe a paz dos animais nem dar de comer a eles. Tocá-los, manejá-los, nem pensar. Pode até matá-los de estresse. Também não é aconselhável ficar perto demais deles ou fazer algo que modifique seu comportamento. Tenha ainda cuidado ao pisar nas rochas. Sempre veja se não há algum tipo de vegetação nela, como líquen ou musgo — indícios de que a vida está lutando para crescer ali, e isso leva tempo, anos.

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Os ambientalistas não escondem a preocupação com o impacto do turismo na Antártida. “Se respeitadas todas as normas, o turismo na Antártida é um instrumento importante para divulgar a pesquisa e a conservação do local”, comenta o glaciólogo gaúcho Jefferson Simões, 54 anos. Desde 1990, já esteve no continente 21 vezes. Entre 1º de dezembro de 2008 e 13 de janeiro de 2009, liderou a expedição Deserto de Cristal, a primeira incursão brasileira ao interior do continente antártico.

Sujeira

Cientista com doutorado no Instituto de Pesquisa Polar Scott da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, Simões é o primeiro brasileiro a especializar-se em glaciologia, a ciência do gelo em todas as suas formas e seu papel no sistema ambiental. Portanto, entende como poucos as peculiaridades da Antártida. “Barcos naquela região com mais de 150 pessoas, além de isolar o turista do ambiente antártico, podem trazer impactos indesejáveis à região”, alerta. Um dos impactos é lixo, que demora muito mais tempo para se decompor no clima seco e frio do continente.

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De acordo com as normas internacionais, todos os resíduos produzidos na Antártida devem retornar, dentro dos navios, ao país de origem para serem, enfim, descartados. Portanto, além de não jogar nada na terra gelada, quem se aventura por lá é orientado a recolher qualquer sujeirinha que encontrar pela frente.

Educação 

O turismo na Antártida começou no fim dos anos 1950, quando o Chile e a Argentina levaram mais de 500 turistas às Ilhas Shetlands do Sul, mas a atividade somente se estabeleceu em 1966, quando o tema educação ambiental foi incorporado ao slogan “você não pode proteger o que você não conhece”. Acreditava-se que vivenciar a Antártida levaria as pessoas a uma consciência ecológica, uma vez que passariam a compreender o papel importante que o continente tem no ambiente global.

Heróis mundiais

Neste mundo gélido, desbravadores como o inglês R. F. Scott e sua equipe perderam a vida no início do século passado. E outros, como o norueguês Roald Amundsen — primeiro homem a chegar ao Pólo Sul, em 14 de dezembro de 1911 – e o inglês Ernest Shackleton, encontraram a glória.

Shackleton é conhecido por qualquer velejador. Após seu navio, o Endurance, ser esmagado pelo gelo antártico e naufragar, sua tripulação sobreviveria por mais de um ano em situações precárias, com combustível, alimento e abrigos precaríssimos. Shackleton então protagonizou um dos maiores feitos da história da navegação, cruzando 1,3 mil km do violento mar da região em um pequeno bote-salva vidas adaptado em busca de socorro até as Ilhas Geórgias do Sul.

Chegando lá e após uma épica travessia pelas montanhas da ilha, conseguiu alcançar a uma estação baleeira e organizar o resgate de seus companheiros. Todos os homens de sua tripulação sobreviveram.

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