O melhor da cozinha internacional em Brasília, segundo os estrangeiros

Comida7

Leilane Menezes, da Encontro Brasília

Pode-se viajar o mundo todo, adotar um novo país e descobrir culturas, mas a saudade de casa sempre bate. Um cheiro ou gosto pode despertar lembranças e diminuir a distância.

Na capital do Brasil, não faltam refúgios para quem está longe da terra natal. A convite da Encontro Brasília, estrangeiros de seis nacionalidades indicam seus lugares preferidos na cidade, onde comidas típicas das regiões onde nasceram são servidas como manda a tradição.

Eles oferecem dicas para brasilienses que querem saborear a autêntica gastronomia japonesa, italiana, alemã, argentina, árabe ou francesa, mesmo sem viajar.

Japonês

Sushi e sashimi não estão no cardápio do Yuzu-an, no Clube Nippo, na Avenida das Nações. Mas isso não é problema, a chef de cozinha Alice Yumi Shibata Yamanishi serve mais de 50 tipos de pratos principais. O ambiente é simples, sem luxo. A qualidade e o sabor da comida surpreendem. Membros da Embaixada do Japão em Brasília e clientes conquistados com propaganda boca a boca são os principais frequentadores.

Comida1
O ministro dessa representação diplomática, Masahiro Takasugi, vive na cidade há pouco mais de dois anos. Quando sente falta da rotina no Japão, vai ao Yuzu-an. O yakissoba tradicional está entre os preferidos dele: “O molho é diferente e a massa também. A almôndega japonesa é ótima”, diz. A almôndega é um bolinho de carne empanado, com temperos genuínos do Japão.

Além do cardápio fixo, Yumi oferece o prato do dia. O wafu-steak, filé mignon no ponto perfeito, coberto por cogumelos japoneses, é uma das opções. É servido com quatro acompanhamentos, como arroz japonês, cozido sem gordura e sem sal, e o delicioso bolinho de batata e karê, como japoneses chamam o curry, com molho especial.

Todos os pratos levam um toque de yuzu, limão oriental de cheiro e gosto peculiares, que vem em raspas nos pratos e dá nome ao restaurante. “Yuzu-an quer dizer cheirinho da terra natal ou lembrança da infância. Somos fiéis a essa proposta de transportar de volta para as origens e de apresentar às pessoas uma gastronomia rica, muito além do trivial”, diz a respeitada chef Yumi.

Italiano

Quando quer sentir o gosto que os italianos experimentam quando comem uma boa pizza, Gianluigi Planezio, presidente da Associazione Dante Alighieri – Cultura Italiana, vai à La Fornacella, na 312 Norte. Os preferidos do cardápio são a pizza boscaiola (cogumelos, linguiça, muçarela de búfala e parmesão) e o calzone de bacon.

Comida2
Luigi Tavazza, também italiano, é quem faz a massa das pizzas servidas ali. São necessárias 48 horas para atingir o ponto desejado. “Nossa pizza é romana, de massa fina e crocante. O molho é importado da Itália. A receita é simples, mas precisa dos melhores ingredientes”, explica Luigi.

Gianluigi aprendeu com a mãe e com a avó a fazer massas e risotos. Portanto, agradar seu paladar não é tarefa fácil. “Já visitei alguns restaurantes que se dizem italianos, mas não são genuínos. Misturam ingredientes e referências demais. Quando tenho vontade de comer comida italiana, venho aqui. Na Itália, a pizza é comida de fim de semana”, disse o cliente, que está em Brasília há 16 anos. Ele conheceu a mulher, brasiliense, na Itália, e mudou-se com ela para a capital do Brasil, onde dá aulas de italiano.

Luigi, o dono da pizzaria, foi aluno da Associazione Dante Alighieri, onde aprendeu a falar português. A La Fornacella tem no menu itens pouco conhecidos pela maioria, como o supplì, crocante bolinha de arroz alongada, frita e preparada com molho de carne, muçarela e parmesão.

Francês

Há três anos, quando se mudou para Brasília, o diretor da Aliança Francesa, Jean Bourdim, aprendeu a amar o Brasil e sua culinária. Ainda assim, não deixou de desejar os sabores da França, de onde veio. Ele comemora o fato de ter ao alcance do paladar, na cidade onde mora, um “excelente representante” do que se vê e se come em Paris. Não raramente Jean é visto em uma das charmosas mesas do Daniel Briand, na 104 Norte. “Além da comida, o lugar é muito semelhante aos cafés de Paris, a decoração é fiel. É o ideal para lembrar a minha casa”, afirmou Jean Bourdim.

Comida3
O cardápio do Daniel Briand oferece, entre dezenas de outras opções, omeletes, croissants, brioches, cafés, chás, quiches, tortas e os famosos pain au chocolat, macarons e crème brulée. Os favoritos de Jean, entretanto, são os patês. “Nada mais francês que um bom patê”, diz.

O l’assiett aux trois terrines – combinação de três sabores: campagne (com carne suína), foie de canard e de legumes, com pães – é o preferido do francês. As pastas, como tudo mais na casa, são produzidas artesanalmente por Daniel Briand, um francês que está em Brasília há 19 anos. Ele conheceu a mulher, Luiza Venturelli, na França, e mudou-se com ela para o Brasil. É ela a responsável pela concepção do café.

Entre os doces, Jean aconselha experimentar qualquer um que leve chocolate. A matéria-prima belga é usada em tortas e na bomba de chocolate, entre outros itens do menu.

Argentino

O restaurante Corrientes 348 faria sentido em qualquer bairro refinado de Buenos Aires. Para a sorte dos brasilienses, ele não está nas ruas de Puerto Madero ou na Recoleta, mas sim na 411 Sul. Estar no Corrientes é relembrar as raízes para a pioneira de Brasília Mercedes Urquiza, que é argentina. Perfeito exemplar da elegância portenha, ela frequentemente senta-se à mesa dessa casa especializada em carnes para degustar empanadas e cortes especiais, como o ojo del bife, alto e suculento, feito à moda argentina. Para acompanhar, ela escolhe um bom vinho malbec. À noite, o ambiente, escuro na medida certa, ganha a iluminação de velas e torna-se ainda mais charmoso.

Comida4
O grand finale fica por conta da panqueca de doce de leite, a mais tradicional entre as sobremesas portenhas. Os produtos, como a massa da empanada, são importados de Buenos Aires. O restaurante abriu por aqui em maio de 2006. Tiago Boita, um dos responsáveis pela unidade, conheceu a ideia em São Paulo e decidiu trazê-la para Brasília.

Alemão

Quem passar desatento pela 213 Norte corre o risco de perder uma das maiores atrações da quadra: o Pão do Alemão. A pequena padaria montada na esquina do Bloco D funciona há 16 anos. É um sucesso entre os moradores, que confirmam a boa fama dos pães, doces, salsichões e cervejas servidas por Reinhold Dern, o Alemão.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) Volker Schellnock compartilha a nacionalidade do mestre padeiro. Mora em Brasília há 13 anos. Nas aulas de alemão, entre uma lição e outra, um de seus alunos falou a respeito do Pão do Alemão.

Comida5
Para iniciar o ritual gastronômico, Volker escolhe o salsichão, grelhado em uma churrasqueira elétrica. Uma boa cerveja alemã, feita de trigo, acompanha o pedido. A bebida é servida como na Alemanha, em copo longo de vidro. “Não sinto muita falta da comida alemã, porque a brasileira é sensacional. Mas é sempre bom variar. E o melhor lugar é aqui”, aconselha Volker.

A padaria abre às 17h, às vezes às 18h. O expediente vai até as 23h, em média. Reinhold fabrica os pães em Pirenópolis. Vai à cidade distante 140 km de Brasília todos os dias buscar a produção. O apfelstrudel – massa folhada recheada de doce de maçã – é famoso em toda a Brasília. O pão alemão típico, uma mistura de centeio e farinha de trigo, é um dos mais pedidos no balcão. “No jantar, o alemão come pão fatiado, embutidos e manteiga. É bem diferente do visto no Brasil”, observa o professor.

Árabe

Há dois anos, Jumana Salama não consegue visitar a região onde nasceu, a Síria, por causa da guerra civil. Moradora de Brasília há 16 anos, ela costumava ver os pais todo ano antes do conflito. Visitar o restaurante Manara, na 706/707 Norte, traz algum conforto ao coração de Jumana. “Aqui, eu me lembro da minha casa, da comida da minha mãe”, diz. Ela mudou-se para Brasília depois de se casar com um brasileiro descendente de sírios. O casamento acabou, mas ela escolheu prosseguir na cidade.

Comida6

Aos sábados, Jumana, que é secretária consular na Embaixada do Catar, é presença garantida no Manara. Ela indica a versão mais sofisticada do restaurante, com pratos à la carte. O formato self-service existe há 10 anos, no mesmo endereço. São mais de 500 clientes por dia. Há nove meses, a proprietária Marie Claude Yammine investiu em melhorias, para criar um novo ambiente, na porta ao lado, para 200 pessoas. Apostou na decoração caprichada, com jardim interno e serviço de bufê a R$ 40 (de segunda a sexta-feira) e R$ 50 (nos fins de semana) para comer à vontade todas as delícias árabes.

Os segredos dos sabores do Manara estão nas mãos de Marie. Receitas de família somam-se aos ingredientes importados do Líbano, como o tempero sete pimentas, trigo, grão-de-bico e a pasta de gergelim. “O pão sai do forno direto para a mesa do cliente. Nada fica guardado de um dia para outro. Servimos aos clientes, como servimos à nossa família”, disse Marie.

Anúncios

Um comentário em “O melhor da cozinha internacional em Brasília, segundo os estrangeiros

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s