Cracóvia: cores, sons, charme, tradição, religiosidade…

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Não espere a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) para conhecer a Cracóvia. Aliás, com um centro histórico medieval e compactado, o evento em 2016 não será o melhor momento para quem deseja fazer turismo nesta que é a nova queridinha na Europa Central.

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A segunda maior cidade da Polônia tem mais de mil anos. Um de seus mais ilustres moradores, Karol Wojtyla, o papa João Paulo II, tem imagens espalhadas por alguma ruas e é tema de museus. Mas com uma variedade de outras atrações, não é preciso ser cristão para pegar um avião e desembarcar por lá.

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Cracóvia também é terra de reis, rainhas, lendas medievais e cenário de uma das maiores atrocidades da humanidade, o holocausto. Tradições judaicas são preservadas em um bairro histórico, assim como lembranças das ações criminosas nazistas.

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Diferentemente da atual capital, Varsóvia, que ainda mantém uma atmosfera melancólica do pós-guerra e do comunismo, Cracóvia transborda alegria, cores e sons.

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Outra diferença entre as duas principais cidades do país está no fato que, enquanto Varsóvia foi devastada durante a Segunda Guerra Mundial, Cracóvia ficou imune às bombas.

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Por outro lado, como Varsóvia, Cracóvia viveu o extermínio de judeus pelos nazistas, a decadência econômica no período soviético e as diversas invasões que a dividiram entre Rússia, Prússia e Áustria até o início do século 20.

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No entanto, isso tudo parece superado, apesar de fazer parte do roteiro turístico obrigatório. Perto de Cracóvia ficam o maior campo de concentração nazista, Birkenau, e o mais famoso, Auschwitz (foto). Ambos ficam próximos. Os passeios a eles são feitos por meio de excursões guiadas, bate-e-volta, que podem ser contratadas com antecedência ou mesmo em hotéis e pousadas de Cracóvia.

Bom, bonito e barato

Três dias cheios são os suficientes para conhecer as atrações de Cracóvia e redondeza por causa do tamanho diminuto da cidade. Mas, se tiver tempo, dinheiro e disposição de sobra, vale ao menos mais duas noites de reserva em um hotel.

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Em Cracóvia, se faz quase tudo a pé. A segurança é quase total. Pode-se andar à noite sem se preocupar nem com batedores de carteira. Se comparados aos destinos mais badalados da Europa e às maiores cidades do Brasil, os preços são irrisórios. Se come e se bebe muito bem pagando muito pouco. E há muito artesanato legítimo para comprar.

Centro histórico conservado

Os monumentos de Cracóvia estão impecavelmente bem conservados, com toda sua elegância e charme originais. E, o melhor, se concentram em um compacto centro histórico, considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Em meio à sua riqueza arquitetônica e histórica, se destacam a Praça do Mercado e o Castelo Real Wawel (foto abaixo).

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A praça leva o nome de Rinek Glówny. É a maior praça medieval da Europa. Seu centro é ocupado pelo Sukiennice,  mercado em forma de corredor, ocupado por lojas de lembrancinhas com artigos religiosos, jóias, cristais e artesanatos (foto). No segundo piso encontra-se o Museu Nacional com acervos de arte polonesa do século 19.

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IMG_5339No Monte Wawel encontra-se a cidadela. No interior das muralhas fortificadas, ficava a sede do governo polonês. O edifício, imponente, está lá, como quando Cracóvia era a capital.

No monte também ficam o Castelo Real, a Catedral de Cracóvia e o Covil do Dragão. O acesso ao pátio da cidadela é gratuito, mas, nos demais, cobra-se entrada. No exterior das muralhas existe uma estátua de bronze do dragão cuspindo fogo, símbolo da cidade.

Reza a lenda que um dragão vivia no castelo, devorando as ovelhas e as virgens que encontrava, até que foi enganado e morto pelo fundador da cidade. Acredite ou não na história, a estátua do bicho, que cospe fogo de verdade de tempo em tempo, é uma atração e tanto para a criançada.

Já as capelas e sepulturas reais guardam os restos mortais dos mais importantes integrantes da família real polonesa, como o rei Kazimierz. O ingresso também dá direito à subida até o sino Zygmunt, do século 16, que só badala em ocasiões importantes, como a da morte do papa João Paulo II.

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Católicos, judeus e estudantes

Importante cenário do cristianismo, palco de algumas das importantes figuras do catolicismo, as suas mais de 140 igrejas têm fachadas e interiores de traços que vão do estilo gótico ao barroco. Por anos, o arcebispado de Cracóvia esteve sob o comando de Karol Wojtyla, que se tornou o papa João Paulo II. A sua imagem, claro, está em alguns cantos da cidade, que conta com museus dedicados ao pontífice.

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Como já dito, nem só de católicos vive a região. Cracóvia tem uma grande e próspera comunidade judaica, uma das que mais sofreram com o Holocausto. Portanto, o antigo Gueto criado pelos nazistas e as sinagogas do bairro judeu são visitas obrigatórias. Neles, há centenas de restaurantes, livrarias e outros estabelecimentos da cultura judaica.

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Cracóvia também é uma cidade estudantil. Tem a quinta universidade mais antiga do mundo, outras 14 escolas de ensino superior, e o ensino é gratuito até o fim da faculdade. Dos quase 900 mil habitantes, 200 mil são colegiais ou universitários. Muitos vindos de outras partes do mundo só para ter o gostinho de estudar nos mesmos bancos onde Nicolau Copérnico (1473-1543) sentou um dia.

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Como os judeus, os estudantes dos anos 1940 não escaparam dos alemãs. Em um dos episódios mais trágicos da cidades, soldados de Hitler invadiram a faculdade, arrastaram 180 professores e cientistas ao pátio e os executaram na frente de todos.

Como chegar

Cracóvia é conectada com várias cidades polonesas e com algumas metrópoles europeias através da boa malha ferroviária da PKP, como o trem noturno até Viena (oito horas) e os frequentes serviços ligando-a a Varsóvia (cerca de 3 horas e meia).

O Aeroporto Internacional João Paulo II tem voos para Paris, Roma, Madri e Londres, entre outros, tornando-a um destino de fácil acessibilidade.

Rápidos trens ligam os terminais ao centro da cidade em 18 minutos. As partidas desde o aeroporto vão das 5h34 até as 22h20, com intervalos regulares e saem por cerca de US$ 4.

Os táxis, mais convenientes para quem está em grupos ou com muita bagagem, funcionam 24 horas por dia e o trajeto até o centro costuma sair por volta de 50 zlotys, ou 16 dólares.

Onde comer

Cracóvia tem ampla variedade de restaurantes, para todos os gostos e orçamentos. Como em tantos outros lugares da Polônia, estabelecimentos especializados em pratos estrangeiros (italianos, franceses, chineses, alemães) estão um degrau acima dos de pratos típicos. Alguns destes últimos têm pratos um tanto insossos como sopa de beterraba e o famoso pierogi a preços inexplicavelmente altos, valendo-se de chamativas placas em inglês que atraem os turistas.

Experimente algumas boas receitas como panquecas de batata e pescoço de porco ou teste alguns novos restaurantes de cozinha judaica. O grande destaque, porém, vai para as bebidas. As cervejas do sul da Polônia são refrescantes e têm muita personalidade, o vinho de mel mead é excelente como aperitivo ou digestivo e as vodcas surpreendem pela variedade, sabor e perfume.

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