Todas as razões para visitar a Escócia, que continua no Reino Unido

Parada na Mile Street durante o Edinburgh MIlitary Tattoo, em Edimburgo

Renato Alves (texto e fotos)

Ao norte da Inglaterra, a Escócia é uma das quatro partes que integram o Reino Unido. E vai continuar por um bom tempo, pela vontade dos moradores em votação no plebiscito realizado recentemente. Apesar de muitas similaridades com o restante da região, como a história turbulenta, os castelos antigos e um inverno rigoroso, o país tem atrativos ímpares, como destilarias e casas especializadas na venda do inigualável uísque, além das paisagens de tirar o fôlego das Terras Altas, onde fica o mitológico Lago Ness. Há ainda o kilt, a saia para homem. Como instrumento musical típico, a gaita de fole. E, na cozinha, o assustador haggis acompanhado por um copo de puro malte.

High Stree, em Glasgow, na Escócia

Duas distintas cidades marcam esse pitoresco país. A leste, Edimburgo, a capital, a mais charmosa, com construções medievais. A oeste, Glasgow, com arquitetura arrojada, muitas galerias de arte e pubs. Exploramos ambas, pontos de partida para os demais destinos turísticos da Escócia, ligados por estradas, linhas de ônibus e estradas férreas modernas. Ideais para passeios de um dia, no esquema bate e volta.

A cidade dos festivais

Com voos diretos das principais cidades europeias, Edimburgo é a principal porta de entrada da Escócia, país orgulhoso da sua cultura e história. Na Escócia nasceram alguns dos maiores escritores, pintores, escultores, poetas e músicos do mundo. Gente como Adam Smith e Graham Bell, de Sean Connery e Andrew Carnegie, dos exploradores James Clark Ross e David Livingstone.

Vista geral da cidade de Edinburgo, Escocia (2)

Muitos outros artistas continuam a manter a fama local. Alguns dos grandes talentos atuais podem ser vistos com frequência nos muitos festivais da Escócia, especialmente no Festival Internacional de Edimburgo. Realizado anualmente durante três semanas de agosto e setembro, auge do verão europeu, é considerado um dos maiores festivais de artes do mundo.

Artistas durante o Festival de Arte de Edimburgo

Paralelamente, acontecem muitos outros eventos ocorrem no mesmo período, como o grandioso The Fringe – centrado em artes performáticas e comédia –, a apresentações mais prosaicas, como um festival de bandas militares, com o inconfundível som da gaita de fole, em que o músicos desfilam de kilt.

Apresentação de bandas na abertura do Edinburgh MIlitary Tattoo, em Edimburgo

Esse último também é realizado em agosto e considera maior espetáculo nacional. O Edinburgh MIlitary Tattoo apresenta as bandas militares típicas escocesas, que com roupas tradicionais, armas e gaitas de fole, dramatizam os principais eventos da história do país, com reproduções de batalhas e tudo mais. É celebrado na área frente ao castelo  (foto acima), e se repete várias noites durante o festival. Se você quiser assistir das arquibancadas, procure comprar os ingressos com antecedência, porque a procura por lugares é muito grande. Mas, aos domingos, as mesmas banda participam e uma parada ao longo da histórica avenida Royal Mile (foto abaixo).

Integrante de banda folclórica britanica, em Edimburgo, Escócia

As atrações dos festivais concentram-se na Cidade Velha, melhor área para hospedagem, de onde é possível conhecer o principais pontos por meio de agradáveis caminhadas por becos com pisos e prédios medievais, além de parar para beber e comer.

Cidade Antiga, Edimburgo

Portanto, o período dos festivais é o melhor (e mais caro) para visitar a cidade. Além de espetáculos em ambientes fechados, há uma infinidade de apresentações ao ar livre nas calçadas, ruas e praças, que vão de shows musicais a performances teatrais  e de dança pela mais charmosa rua da cidade, a Royal Mile  (foto abaixo), que, durante o festival, tem o trânsito fechado aos veículos, sendo tomada pelos espetáculos gratuitos a céu aberto e pelo público.

Royal Mille Street, em Edimburgo, Escócia

Endereços da realeza

Ponto de alguns dos mas badalados restaurantes e pubs da cidade, além de hotéis, igrejas e casas históricas, a Royal Mile liga duas principais atrações turísticas, o Castelo de Edimburgo  (foto abaixo) e o Holyrood Palace. Dominando a paisagem de Edimburgo, o castelo fica no alto de um morro. Por sua posição estratégica, o alto da rocha vulcânica é habitado desde 850 a.C.. Na Idade Média se tornou um lugar fortificado e residência real.

Castelo de Edimburgo

As sucessivas fortificações foram palco de diversas tentativas de invasão ou cerco, como nas guerras de Independência da Escócia (século 14), no Longo Cerco (século 16) e no Levante Jacobita (século 18). Uma importante exceção a tantas reconstruções é a capela St. Margareth (1130), construída por David I, o edifício mais antigo de Edimburgo.

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Com visitas guiadas, realizadas diariamente, com direito às melhores vistas da cidade, o muito bem cuidado castelo apresenta ainda o museu dos guardas Royal Scots, as joias da Coroa escocesa, a famosa Stone of Destiny (Pedra do destino) – onde os monarcas eram coroados – e o palácio real, onde nasceu James Stuart, o rei que unificou as coroas da Escócia, Inglaterra e Irlanda.

Salão do Castelo de Edimburgo

Placa da Princes Street, em Edimburgo, EscóciaResidência oficial

Considerado frio e desconfortável pelos reis e pelas rainhas, escoceses e ingleses, o castelo perdeu a preferência de suas majestades para o Palácio de Holyroodhouse, na outra ponta da Royal Mile, a parte mais baixa da cumprida rua. Como os antecessores, a atual monarca, Elizabeth II, usa a edificação do século 15 como residência oficial nas visitas à Escócia.

As visitas guiadas ao palácios passam por um número limitado de salas e não são oferecidas quando a família real está presente. Um dos atrativos públicos é a galeria de retratos de reis da Escócia (lendários e reais) de Jacob de Wet e os quartos de Mary, a rainha da Escócia. Há ainda inúmeras outras obras de arte.

Mundo do uísque

Se você tem curiosidade em saber mais sobre o uísque escocês, visite o Scotch Whisky Heritage Center, no centro de Edimburgo. Além de aprender  respeito dos detalhes da bebida, o visitante pode comprar alguns dos melhores exemplares dela até chocolates recheados com uísque. Também há um passeio e um trenzinho contando os 300 anos de história da bebida. Outra opção é visitar uma das dezenas de destilarias da região.

Um rio, duas cidades

O Rio Water of Leith divide Edimburgo. De um lado, a Cidade Velha, com suas dezenas de ruelas e prédios medievais. Do outro, a Cidade Nova, com largas avenidas, muitos parques e restaurantes modernos. Lá também estão alguns dos melhores museus da capital escocesa.

Vista geral de Edinburgo, Escocia (2)

Três deles, os mais importantes, ficam sob o cuidado de uma mesma instituição. Na Galeria Nacional da Escócia, há mais de 20 mil pinturas, esculturas e desenhos, incluindo obras clássicas de mestres como Botticelli, Rubens, Rafael e Monet.

Já a Galeria Nacional de Arte Moderna, como o próprio nome diz, traz obras mais recentes, notadamente as de Miró, Klee e Hepworth. Há ainda exemplares de Pablo Picasso, Georges Braque e Henri Matisse.

Na National Portrait Gallery, estão expostas imagens de alguns dos escoceses mais notáveis, de artistas a criminosos. O acervo tem preciosidades como o quadro com as princesas Anne e Elizabeth, de van Dyck, e trabalhos mais contemporâneos como a colagem de David Mach retratando o treinador de futebol Sir Alex Ferguson.

IMG_0244 (2)Compras

O principal endereço para compras, com lojas para todo os gostos e bolsos, é a Princes Street, a maior avenida de Edimburgo, na Cidade Nova. Nela, além das lojas, está o monumento em homenagem à Sir Walter Scott, um dos maiores escritores escoceses. A avenida é a principal passarela da cidade, e costuma estar lotada de gente e veículos, durante todo o dia.

É de lá que partem tours de uma ou duas horas de duração pelos principais pontos turísticos da cidade, excelente opção para quem tem pouco tempo e quer ter uma visão geral da cidade. Um dos pontos indicado para compras na Princes é o shopping St. James, o maior da cidade, na esquina com a Leith Street.

Ainda na região da Princes Street, vale um passeio, sem pressa, pelo Princes Street Gardens. Nessa área também é imperdível uma subida até o Calton Hill, uma colina de onde podemos ter uma visão geral de toda a cidade e do Firth of Forth.

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Um comentário em “Todas as razões para visitar a Escócia, que continua no Reino Unido

  1. Gente mas só falaram de edimburgo hehehe … cadê Glasgow? Stirling? St. Andrews? as Highlands? Tanta coisa mais na Escócia =P

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