Todos os cantos dos dois lados de Budapeste

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IMG_5864Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

“A única língua que o diabo respeita.” Assim o cantor, compositor e escritor brasileiro Chico Buarque definiu o idioma húngaro, em seu livro Budapeste, adaptado para o cinema. Suspeito, no entanto, que não seja só a língua oficial da Hungria que causa tremores ao demo.

Duvido que o inferno seja tão quente quanto Budapeste no verão. Não à toa, nessa época, a prefeitura coloca umidificadores nas ruas, distribui gratuitamente copos de água mineral nos principais pontos da cidade e crianças, quase nuas, disputam cada palmo dos chafarizes. As praças e bares também ficam lotados de jovens com roupas curtas, tomando litros de cerveja.

Se a sua intenção é conhecer a belíssima capital húngara, não tem mais o pique nem os gostos dos jovens e detesta os incômodos do calor infernal, que podem te deixar de cama ou render grandes bolhas nos pés, prefira ir em meses de temperatura mais amenas.

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Se o calor não for problema, bastante visitada por turistas o ano todo, Budapeste casa direitinho com outras capitais do leste europeu. Cortada pelo Rio Danúbio, de um lado fica Buda, mais histórica e onde se concentram a maioria das atrações da cidade, e de outro, Peste, mais moderna e nem por isso menos interessante.

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Buda

Três dias são suficientes para conhecer o que Budapeste tem de melhor. Para chegar a Buda é preciso atravessar a belíssima Ponte das Correntes. No alto de uma colina, a cidade medieval de Buda ergueu-se em torno do Palácio Real, ou Castelo de Buda. Boa parte do palácio é ocupada pela Galeria Nacional Húngara e pelo Museu de História de Budapeste.

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Ainda em Buda, a Igreja de Mathias, outro importante cartão postal da cidade, exibe imponentes vitrais e obras de arte, e um colorido telhado. Ganhou esse nome em homenagem ao rei Mathias. Em frente à igreja, o monumento Bastião dos Pescadores, conjunto de sete torres, representa as sete tribos magiares que deram origem à Hungria e oferece, assim como a praça em frente à Galeria Nacional, as melhores vistas do Danúbio e de Peste.

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Mas nem só de monumentos vive Buda. Caminhando pelas ruelas do bairro, descobrem-se casas de origem medieval, onde viveram aristocratas e mercadores, restaurantes tradicionais e cafés como o excêntrico Café Miró Var, todo decorado em homenagem ao pintor catalão.

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Peste

Do outro lado do Danúbio, Peste mescla lojas modernas e chiques e um mercado central de 1897, movimentadas avenidas, e um extenso e arborizado parque municipal, tornando esse lado da capital húngara uma região cosmopolita.

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Boa parte dos prédios em Peste foi erguida durante o império Austro-húngaro. Quem passeia pelos 2,5km da Avenida Andrássy, apelidada de A Champs-Elysée de Budapeste, testemunha os efeitos desse período de prosperidade sobre a arquitetura da cidade, com construções como a luxuosa Ópera Nacional, hoje principal centro cultural da cidade, e a imponente Catedral de Santo Estevão, lá no inicinho da avenida, com capacidade para 8 mil pessoas.

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IMG_5846Fechada em quase toda sua extensão ao tráfego de veículos, a Rua Váci parece ser frequentada exclusivamente pelos turistas, seja por seus restaurantes, seja pela diversidade de produtos de suas lojas de artesanato e souvenires.

Na Váci compra-se desde a páprica, bastante utilizada nos pratos típicos da Hungria, como o goulash, até o Tokaj, vinho mais famoso do país e que, por seu sabor doce, os húngaros bebem como sobremesa.

Parlamento

A poucas quadras da Catedral e às margens do Danúbio o Parlamento Húngaro é de tirar o fôlego, construído em arquitetura neogótica inspirada no Parlamento Britânico. No complexo de 18 mil metros quadrados, as 691 salas ostentam beleza e riqueza, como as joias da coroa — a coroa de São Estevão, primeiro rei da Hungria, e o cetro real são mantidos lá.

IMG_5973Aberto à visitação pública, chegue cedo para garantir o ingresso, limitado. A bilheteria abres às 8h, quando uma longa fila já está formada. Os tours são organizados por horário e idiomas (informações no site http://www.parlament.hu).

Terror

Prédios degradados, marcas de tiros nas construções caracterizam o bairro judeu, onde, durante a ocupação nazista, existiu um gueto. Incrustada nesse cenário, a Grande Sinagoga é um dos pontos mais concorridos, pelo tamanho (a maior da Europa) e pela arquitetura. No local, uma escultura em forma de salgueiro, com 75 mil nomes de judeus mortos.

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A cerca de 300 metros do Parlamento, ainda às margens do rio Danúbio, esculturas de sapatos em ferro compõem um memorial em homenagem aos judeus assassinados em Budapeste, durante a Segunda Guerra Mundial. Antes de serem executados, eles teriam sido obrigados a retirarem os sapatos e seus corpos caíam sobre o Danúbio, levados pela correnteza.

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Outra homenagem às vítimas do nazismo, o Museu do Terror Háza, ou Casa do Terror, revela parte das atrocidades cometidas não só pelo regime totalitário de Hitler, mas também pelo comunismo soviético. Recursos visuais e sonoros aproximam o visitante da violência experimentada por húngaros perseguidos, presos e torturados.

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IMG_5816Cidade termal

Parte da cultura húngara, Budapeste conta com mais de 30 piscinas públicas e banhos termais.

Os mais procurados são os banhos SZéchenyi, no Parque da Cidade, cujas termas foram construídas sobre a mais quente fonte da cidade, e o hotel Gellért, com um complexo com 13 piscinas para os mais variados gostos e spa.

Danúbio

O Danúbio não é azul, como imortalizou a valsa do compositor vienense Johann Strauss. Mas garanto que ninguém repara nesse detalhe, ao passear à noite por suas margens em Budapeste. Monumentos se iluminam.

De um lado do rio, na plana Peste, o Parlamento se acende, torna-se ainda mais bonito (foto abaixo). Do outro, no alto da colina de Buda, é o castelo que ganha luzes, majestoso. Imperdível.

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2 comentários em “Todos os cantos dos dois lados de Budapeste

  1. Estou amando acompanhar os posts do blog! E gostei muito este aqui. É maravilhoso ler sobre viagens quando você ainda não tem nada programado para visitar o lugar. Esse é o meu caso com Budapeste – mas certamente irei um dia. Dedos cruzados!
    Ps.: a foto da ponte com a escultura é aonde exatamente? Curiosidade😉
    abs
    Rapha

    Curtido por 1 pessoa

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