Na estrada pelo Chile: formas de conquistar a Carretera Austral

Carretera Austral

Do Lonely Planet

Seja a pé, em duas ou quatro rodas, a Carretera Austral é um desafio icônico e uma jornada pelas paisagens de fim de mundo mais sublimes da América do Sul.

Entre as viagens terrestres mais bonitas do mundo, a Carretera Austral – ou “Via Sul” – é uma estrada de 1240 km pelo Chile, não pavimentada na maior parte dos trechos. Enveredando por florestas milenares, ela percorre aldeias andinas empoeiradas e rios turquesa gerados por geleiras sem saída para o mar.

Descubra o caminho para a aventura na Patagônia

Foto por: hbrizard/ThinkStock

Os primeiros colonizadores passaram pela região durante o início do século 20, mas a simples ideia de construir uma estrada por lá veio depois, um legado da tentativa do General Pinochet de unificar o Chile até seus limites mais remotos. Quando finalizada em 1996, a Carretera Austral foi considerada um pouco mais que uma autoestrada para lugar nenhum de US$300 milhões. Levou por volta de 20 anos para ser construída e custou a vida de onze trabalhadores.

A Carretera Austral de hoje é um canal para o deserto em escala colossal, da água cristalina mundialmente conhecida do Rio Futaleufú às paisagens acidentadas perfeitas para caminhadas, cavalgadas ou pesca com mosca. É também uma imersão na cultura boiadeira da Patagônia, com churrasqueiras ao ar livre, rodeios de verão e estadias em fazendas. De norte a sul, parques icônicos ponteiam a estrada, do exuberante Parque Pumalín, com vulcões ativos, e o Reserva Nacional Cerro Castillo.

Há também novas atrações que vale a pena explorar. A Valle Exploradores é uma extensão acidentada de 77 km que lidera viagens guiadas em geleiras no Parque Nacional Laguna San Rafael, agora acessível para quem viaja por um dia só. Com inauguração oficial ainda pendente, o Parque Nacional da Patagônia oferece infraestrutura de primeira linha e observação de animais selvagens – flamingos, guanacos e condores – mundialmente conhecida.

Viajando em duas rodas

Foto por: kavram/ThinkStock

Para ciclistas que percorrem grandes distâncias e motociclistas, completar a Carretera Austral é um distintivo de coragem que está crescendo em popularidade. Alguns viajantes voltam para várias visitas a fim de conquistar toda a expansão. Outros a adotam como trecho final numa pedalada por toda a América do Sul.

Uma tendência mais recente é atravessar os Andes por onde as estradas não chegam, andando pela estrada até seu fim na Villa O’Higgins, onde uma trilha remota feita em balsas leva a El Chaltén, Argentina. Atenção: os que escolhem esse trajeto vão carregar a bicicleta nos ombros durante parte dele.

Ciclistas devem ter habilidades e materiais para consertar o próprio equipamento e planejar tirar um mês inteiro para a empreitada completa. De acordo com o ciclista italiano Tomas Balzk, a parte mais difícil não foi pedalar no terreno, mas ingerir calorias suficientes. Moradores podem ser extremamente generosos com quem viaja em selins, muitas vezes oferecendo um espaço para acampar ou um pão feito em casa.

Em Villa O’Higgins, a Hostería El Mosco é o núcleo para aqueles que vão a todos os cantos, com vários viajantes compartilhando dicas e um estoque de mapas topográficos detalhados.

Carona ou ônibus?

Foto por: Dmitry_Saparov/ThinkStock

Nessa região remota, a economia se move em câmera lenta e cada peso conta. Por um lado, a raridade do transporte público faz com que viajar pela Carretera Austral seja uma empreitada demorada que, por vezes, pode ser complementada por caronas – ainda que viajantes que levantam o dedo presenciem competição com moradores buscando caronas informais, e deixam de contribuir com a economia do transporte local.

A  Lonely Planet não é partidária de caronas; mas, àqueles que estão experimentando, recomendamos primeiramente paciência quase infinita, acompanhada de suprimentos em abundância em caso de não dar certo. Em muitas áreas, o trânsito é leve e a maioria dos veículos já está lotada até as tampas. É ilegal caminhonetes levarem passageiros na parte de trás, o que deixa os caroneiros com opções reduzidas. Uma aposta melhor para caroneiros é ter bagagem pequena e viajar só ou em pares – veículos raramente param para grupos. Também é educado oferecer aos motoristas remuneração pela carona.

Ônibus têm frequência extremamente reduzida fora da alta temporada de verão (Dezembro a Fevereiro). Passagens, se possível, devem ser compradas com antecedência. Em destinos intermediários sem terminais de ônibus, veículos cheios não fazem paradas. Algumas áreas não têm serviço diário; então, visitantes devem verificar horários com antecedência, mas também estar preparados para esperar.

Sente-se no banco do motorista

Autoestrada é um nome digno dela – parte da aventura da Carretera Austral é rastejar pelos atoleiros e buracos. Não poupe planejamento e uma boa dose de prudência. Ao dirigir, é prático encher o tanque em todo posto de gasolina, já que o próximo pode estar longe. Para aqueles que gostam de alimentos frescos, embalar frutas e comida natural é a solução, já que na seleção local isso pode faltar.

A seção norte da Carretera Austral requer frequentes travessias de balsa que exigem reservas antecipadas na alta temporada. O inverno proporciona seus próprios desafios, com menos saídas de balsa e deslizamentos de terra que podem fechar trechos da estrada durante dias. No sul, a estrada fica a apenas um metro acima da zona inundável de Baker, a hidrovia de maior volume do Chile. Para fechamentos, consulte o Ministerio de Obras Públicas.

Prepare-se para o inesperado

Foto por: Photon-Photos/ThinkStock

Viajar sem pressa é o mantra da Carretera Austral. Deslizamentos de terra fecham estradas. Trechos acidentados, cascalhos soltos e ladeiras íngremes aumentam a duração das viagens. Mas vamos encarar: este é um lugar bonito demais para ir com pressa.

Mesmo que alguns trechos da estrada, particularmente em volta de Coyhaique e Chaitén, sejam pavimentados ou estejam em processo de pavimentação, a maior parte dela é de cascalho. As cidades são bem distantes uma da outra, então os serviços são poucos. Em vez de hotéis, viajantes vão encontrar, sobretudo, acolhedoras pousadas familiares e acampamentos rurais. Aqui, um pouco de planejamento contribui muito. Viajantes sempre devem carregar mapas detalhados, comida e água extra, barracas e sacos de dormir.

O tempo determina o roteiro adequado

Se você tiver só uma semana, foque em um trecho da estrada, como a região em volta de Chaitén e Futaleufú, a ramificação de Coyhaique ou em volta do Lago General Carrera.

Um mês proporciona tempo suficiente para dirigir pela estrada inteira, embora ainda reste muito para ver numa outra visita. Dedique parte de seu tempo às estradas laterais leste-oeste que se ramificam da Carretera Austral. Essas áreas menos desenvolvidas proporcionam um dos lugares mais interessantes e experiências culturais mais autênticas.

Esse tempo escasso deve levar em conta o atalho de balsa ou o voo de longa distância. De Puerto Montt há balsas para Chaitén e Puerto Chacabuco e voos para Chaitén e Coyhaique. Coyhaique é o melhor lugar para alugar carros.

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