Tango nas águas: o lado argentino das Cataratas

 

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Puerto Iguazú – Poucos são os brasileiros que vão a Foz do Iguaçu e visitam o lado argentino das Cataratas. Se você é um desses, saiba que vacilou. Agora, se ainda não visitou essas que são umas das maiores maravilhas da natureza, aqui vai uma dica preciosa: não só cruze a fronteira como durma por lá uma ou duas noites.

Puerto Iguazú, a menor das três cidades da tríplice fronteira, não é bonitinha nem charmosa. No entanto, é uma pequena cidade do interior com uma grande concentração de ótimos bares e restaurantes, e toda a estrutura necessária para o turista aproveitar com conforto os passeios às Cataratas.

Diferentemente de Foz, Puerto Iguazú dispensa veículo para o lazer noturno. Ficando em uma acomodação na cidade, é possível ir a pé às melhores casas. Por isso, já vale uma noite na cidade. Outra é necessária caso queira conhecer todo o lado argentino das Cataratas. O parque dos hermanos é tão grande e tem tantas atrações que são necessárias duas visitas para aproveitar tudo.

Ônibus saem da rodoviária (perto da maioria dos hotéis) a cada 20 minutos, tanto para o parque brasileiro quanto para a reserva argentina. O tempo de viagem até eles é o mesmo. Se procura luxo, Puerto Iguazú conta com bem equipados hotéis e resorts em meio à selva, o que Foz do Iguaçu não oferece, assim como cassinos, duche de leite, empanadas, bife de chorizo, vinhos bons e baratos…

No meio da selva

Do que restou de mata nativa ao redor das Cataratas, a maior parte está no lado argentino. Daí o motivo de haver hotéis de selva em Puerto Iguazú e da área do parque hermano ser bem maior, com muito mais trilhas e o que se ver. Também é a razão dos passeios por lá serem mais roots. Enquanto no lado brasileiro o visitante praticamente não faz esforço, com o ar-condicionado dos ônibus e as sombras das árvores nas trilhas, na Argentina é bem diferente.

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A experiência tem os seus aspetos positivos e negativos. Os deslocamentos no lado argentino chegam a ser chatos, principalmente em dias de muito sol ou de chuva. Para se movimentar entre as áreas do parque é preciso tomar um trenzinho. Ele para em três estações. As partidas podem ter até meia hora de intervalo. E não te deixa pertinho de nenhum dos mirantes com vista para as quedas d’água. É preciso caminhar até chegar até todos eles.

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Mas é aí é que está um dos pontos altos do lado argentino. Você caminha sobre o Rio Iguaçu e em meio a uma floresta. Vê animais selvagens, plantas e insetos que valem, além da contemplação, muitas fotos. E, nas trilhas enas estações do trem, há pontos de descanso, banheiros, lanchonetes, lojas de lembrancinhas e até de joias, de pedras preciosas. Também, cafeterias e soverterias da Havanna e do Freddo, com todas aquelas delícias tipicamente argentinas, com os preços locais.

Aliás, os preços são outros pontos fortes do lado argentino das Cataratas. Primeiro: não é necessário comprar visita guiada. Segundo: com o mesmo bilhete (cerca de R$ 50) você passa o dia no parque, com o transporte do trenzinho garantido. Terceiro: todos os passeios oferecidos no lado argentino são mais em conta e mais radicais do que no oposto. Por fim, só andando na reserva argentina é possível visitar ilhas, ver determinadas quedas d’água e pisar na Garganta do Diabo.

Entrando na Garganta do Diabo

No lado argentino, os visitantes costumam começar o passeio pelo fim. Depois de cruzar os portões do parque e tomar assento no trenzinho, o melhor é descer só na última estação. Ela fica ao lado do Rio Iguaçu, em frente à trilha de acesso à Garganta do Diabo, a principal atração. É 1,1km de caminhada em uma passarela de ferro suspensa, construída sobre ilhotas e o leito da parte superior do rio.

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Com pontos de descanso, dotados de bancos de madeira sob árvores, a trilha leva o turista ao ponto mais alto, mais caudaloso e mais deslumbrante do conjunto de cataratas. Apesar da caminhada chata, ela é segura. Tanto que pela passarela caminham jovens mochileiros, idosos em excursões, casais com filhos pequenos (inclusive bebês). Não há barreiras nem para pessoas com dificuldades de locomoção. Elas são levadas em cadeiras com rodinhas.

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O passeio é recomendado mesmo para quem tem vertigem. A imensa e densa nuvem de spray esconde o que há no fundo, impedindo a visão toral da queda. Isso, porém, não torna o cenário menos impressionante. O volume de água e o barulho intermitente e ensurdecedor das quedas mantêm a beleza e a sensação de perigo.

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Exclusividade

De volta ao trenzinho, desça na estação seguinte escolha a próxima caminhada. Há dois circuitos de trilhas. Com 700m de extensão, o Circuito Superior permite uma visão das cataratas por cima, caminhando em uma passarela construída na beira do precipício. Já o Circuito Inferior, com 2,5km, é o mais desgastante (com escadas) e mais atraente. Ele passa por dentro da mata fechada e leva a pequenas cachoeiras, até chegar a uma área do conjunto das cataratas que não se vê direito do Brasil.

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Aldeia indígena aberta aos turistas

O que poucos sabem sobre Puerto Iguazú é que a cidade abriga comunidades indígenas em meio aos luxuosos hotéis de selva. Uma delas está aberta aos turistas desde 2012, com visitas guiadas, performances de dança e música e demonstrações do modo de vida mantido ao longo de séculos, mesmo com a urbanização da localidade.

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A aldeia que recebe turistas regularmente é ocupada pelo povo mbya guarani. A primeira empresa de turismo administrada por índios na província de Misiones é uma alternativa encontrada pelos integrantes da comunidade yyryapú – som das águas, em português – para arrecadar recursos extras e ajudar no desenvolvimento da tribo.

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A reserva fica em uma área do Parque Nacional Iguazú. Além das visitas, os turistas podem comprar peças de artesanato produzidas pelo grupo, assistir à apresentações culturais e saber mais sobre os costumes e a fauna e a flora da região em incursões por trilhas abertas na selva.

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Na aldeia moram 17 famílias, divididas em pequenos lotes, sem a separação de cercas ou outras barreiras. Elas se abrigam em casebres de madeira e de pau-a-pique, com telhado de palha. Vivem da agricultura de subsistência, com pequenas hortas. Cerca de 20 pessoas trabalham na empresa comunitária que também beneficia diretamente mais de 50 artesãos.

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Os guias foram formados por uma escola montada na própria aldeia em 2007 com recursos e organizações não governamentais e dos governos da Argentina e do Canadá. Parte do dinheiro arrecadado com os ingressos são destinados a um fundo comunitário para as necessidades da tribo.

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DICAS

Como chegar

Há voos diários (com e sem conexão) de Brasília para Foz do Iguaçu, operados pela Gol e pela TAM.

Para chegar ao lado argentino, há serviços de táxi, de traslados exclusivos de alguns hotéis e  a opção de se alugar um carro – os da Avis e da Hertz cruzam a fronteira para a Argentina sem problemas.

No lado brasileiro, agências oferecem passeio nas Cataras argentinas com transporte em ônibus (ingressos e passeios não-incluídos; o ingresso ao parque deve ser pago em moeda argentina).

Para quem está hospedado em Foz, há ainda a opção de freta um táxi brasileiro, combinando horário de voltar. Informe-se sobre preços atuais na recepção do seu hotel.

Os mochileiros acomodados em solo brasileiro preferem pegar o ônibus internacional (Crucero del Norte) em frente ao hotel Bourbon (mas do outro lado da estrada, no sentido centro-parque) que leva à rodoviária de Puerto Iguazú. De lá sai a cada meia hora o El Práctico, ônibus que faz a linha do parque argentino – cerca de R$ 25, ida e volta. Quem está em Puerto Igauzú, só precisa pegar essa condução.

Onde ficar

No centro de Puerto Iguazú, as acomodações são albergues e hotéis de, no máximo, quatro estrelas. O mais bem localizado para quem deseja ficar na muvuca é o hotel Saint George, em frente à rodoviária. A 1km e um pouco mais caro, há o hotel Panoramic, à beira-rio. Para quem quer ficar perto de um cassino, a opção é o Iguazu Grand (longe do centro). Já aos amantes da natureza e os que querem mais sossego e conforto (e estão dispostos a pagar bem mais por isso), os melhores endereços estão à margem da estrada que leva às Cataratas argentinas, os hotéis de selva, como o Loi Suites (foto abaixo) e o Iguazú Grand Resort Spa & Casino. Dentro do parque argentino, a única opção é o Sheraton Iguazú Resort & Spa.

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Onde comer

Os restaurantes mais recomendados em Puerto Iguazú são o Terra (Av. Misiones, 125), o Aqva, o El Quincho del Tío Querido e o Il Fratello.

Onde se divertir

Puerto Iguazú lota de jovens brasileiros nas noites de fim de semana. Eles vêm de Foz e se concentram na rua Brasil (entre Misiones e Félix Azara), onde há bares como o Jackie Brown (Brasil esquina Paraguay), La Tribu (Brasil 149) e Quita Penas (Brasil, 126). Na avenida Córdoba há ainda uns trÊs bares bons, como o Von Hafen (Córdoba com Bompland). Há ainda as danceteria, como a Cuba Libre (Paraguay esquina com Brasil) e a La Barranca, na avenida Costanera. O cassino abre das 18h às 5h. É proibida a entrada de quem tem menos de 18 anos.

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