Uma viagem pela estrada mais perigosa do mundo

Kishtwar-PangiAlém de íngreme, a estrada é estreita, muitas vezes com passagem só para um carro

Em um carro apertado para cinco pessoas, iniciamos a travessia da uma das estradas mais perigosas da Índia, mas que tem vistas de tirar o fôlego. A Kishtwar-Pangi conecta ao mundo o mítico vale de Pangi, escondido em meio a duas cadeias de montanhas, quando a estrada mais usual, a Saach Pass, está bloqueada pela neve.

Em novembro, o clima é o que se pode chamar de volátil. Nevascas podem deixar o Vale de Pangi isolado completamente por meses. Ainda assim, estávamos dispostos a fazer a travessia.

Partimos de uma moderna pista de seis vias, cortando a moderna cidade de Chandigarh, mas as estradas foram estreitando até que começássemos uma subida de dois dias ao longo do que começou como uma trilha para mulas e hoje é uma via da terra de mão única, aberta há apenas alguns anos – à base de dinamite, para roubar espaço das encostas.

Lendas e curvas

O folclore local estabelece que o povo de Chamba, fugindo de inimigos da etnia Mughal, usou o vale escondido como refúgio. Famílias nobres da Índia costumavam enviar mulheres e crianças para viver em segredo – e paz – em Pangi.

No século 16, diplomatas enviados ao vale recebiam adiantado seu auxílio funerário, já que não se esperava que voltassem para casa.

Outra lenda é que o rei de Chamba enviava criminosos para o vale como forma de exílio perpétuo.

A estrada Kishtwar-Pangi corta as beiradas das montanhas e, por sua maior parte, é larga o suficiente para a passagem de apenas um carro de cada vez.

Ainda assim, corajosos motoristas de ônibus e caminhões negociam a rota. Se dois veículos se encontram em direções opostas, um dos motoristas poderá ter que dar ré por até centenas de metros, cuidadosamente, para dar passagem.

A estrada é tão íngreme e de piso tão irregular que demoramos quatro horas para percorrer um trecho de 30 km.

Ao longo do caminho, encontramos habitantes da região mais do que acostumados ao terreno acidentado que os cerca.

Os Pangwal, descendentes diretos dos primeiros habitantes do vale, mantêm pequenas plantações às margens da Kishtwar-Pangi.

Em maiores altitudes estão os Bhot, que se dedicam majoritariamente à atividade pastoril e falam línguas de origem tibetana.

São conhecidos por produzir uma bebida forte a partir de malte como parte dos esforços para domar as condições inóspitas da região – a bebida é conhecida como patru ou rakh.

Estrada corta vilarejos em que o pastoreio é principal atividade econômica - e potencial obstáculo para os carrosEstrada corta vilarejos em que o pastoreio é principal atividade econômica – e potencial obstáculo para os carros

No inverno, o Vale de Pangi é engolido pela neve, o que torna a vida difícil para os locais. Para chegar até Chamba são precisos dois dias e o governo disponibiliza helicópteros para emergências médicas.

Experimentamos essas condições de perto durante a descida: nuvens baixas criaram intenso nevoeiro no vale e um chuva leve transformou a estrada em um lamaçal. À medida que baixamos de altitude, a chuva virou neve, o que dificultou ainda mais a tarefa de dirigir, já que a estrada ficou mais escorregadia.

Demoramos oito horas para cobrir um trecho de 52 km até o vilarejo de Gulabgarh. Poderíamos ter demorado ainda mais se não tivéssemos sido precavidos.

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