Uma expedição para fotografar a vida noturna no cerrado

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Luiz Calcagno
(texto) e Ed Alves (foto)
Do Correio Braziliense

A vontade de ensinar fotografia em meio à natureza nasceu de expedições divertidas com amigos e da sensação de pertencimento ao mundo “como ele é”. É assim que o fotógrafo Henrique Ferrera descreve o início de um antigo projeto. Ele leva profissionais e amadores para clicar a natureza e a via láctea em passeios que duram, pelo menos, dois dias. Viagens de carro, longas caminhadas, trilhas sinuosas, aclives, declives, risco de quedas, barracas, rios, cachoeiras e madrugadas estreladas estão nos roteiros. Um dos lugares preferidos para a excursão é a fazenda Indaiá, na GO-118, a caminho de São Gabriel (GO), a pouco mais de 70km do Distrito Federal, onde a nossa equipe participou da expedição.

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Nascido em Brasília, Ferrera conta que passou boa parte da infância no cerrado, à beira de rios da região, e conhece todas as cachoeiras da capital e dos municípios goianos mais próximos. A expedição fotográfica, ele admite, era um risco, já que, no início, apenas três ou quatro amigos se reuniam para peregrinar por cenários distantes no Planalto Central. “Quem sabia sobre as minhas saídas sempre pedia para ir junto, para fazermos algo maior. Eu comecei a convidar grupos, fazer algo mais organizado e a coisa tomou forma espontaneamente. Agora, de dois em dois meses, fazemos uma saída”, explica.

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Nas viagens mais longas, Henrique conta que já contratou cozinheiros e auxiliares para carregar bagagem ou material fotográfico de parte dos integrantes do grupo. “Já fizemos a Chapada dos Veadeiros; a Cidade de Pedra, em Pirenópolis; e outras cachoeiras do Entorno. Estamos com uma viagem ao Peru marcada para abril, com Cusco, o Vale Sagrado e Machu Picchu no roteiro. Rodaremos por sete dias”, conta. “Agora, estou no estágio de ser mais seletivo. Organizamos as saídas de acordo com o nível de dificuldade, a fim de que as pessoas se adaptem melhor e tenham mais energia para aproveitar as caminhadas e ficarem mais tempo fazendo foto”, completa.

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Mais do que aprender sobre fotografia, Henrique destaca que os participantes aprendem a se sintonizar com a natureza, o que vai desde os cuidados com a preservação e a limpeza dos locais que visitam, a atenção com a segurança e com animais silvestres, até os momentos de contemplação. “Por gostar de mato, eu me perco na imensidão, em lugares maravilhosos. Depois, compartilho isso com as outras pessoas. Você vê o planeta como uma coisa maravilhosa. É impossível não repensar nossas vidas, não repensar valores. Naquele momento, não há medo: você faz parte da natureza” garante.

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Outro céu

Fotógrafo amador, o funcionário público Anderson Duarte, 33 anos, concorda com Henrique. Ele participou pela primeira vez da expedição fotográfica. E conta que, longe das cidades, se espantou com a quantidade de estrelas no céu. “Descobri a expedição por colegas fotógrafos. Eu clico como hobby e gosto de fotos de paisagem. Faço muitas imagens de Brasília. O legal foi ter contato com pessoas de diferentes níveis de experiência se ajudando. No dia a dia da cidade, não vemos o céu tão estrelado, não escutamos o barulho da cachoeira. Nunca tinha ficado tanto tempo percebendo isso”, destaca.

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A servidora pública Helena Oliveira, 42, destaca os desafios da empreitada. Ela lembra que não é a mesma coisa “enfiar o pé na água da cachoeira no meio da madrugada”. Além da escuridão, há o frio e a umidade. Longe de ser um problema, os percalços se tornaram um incentivo e parte da diversão. “Eu amo natureza e fotografia. Unir as duas coisas é a combinação perfeita. Como fotógrafa amadora, já fiz vários cursos relacionados ao tema, mas foi a primeira vez que fotografei de madrugada e com muito tempo dedicado a isso. Eu nunca tinha ido para um ambiente desses de madrugada também. É mais frio que tudo”, recorda.
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