Esqueça a ideologia e vá para Cuba

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Renato Alves (texto e fotos)

O que vai ser de Cuba após Fidel Castro? Nem os cubanos têm uma resposta pronta. Na dúvida, pegue logo um avião rumo à ilha. Antes que vire mais um reduto de ricos europeus e norte-americanos, em busca de sol, praias, bebida gelada, mulher bonita e o conforto dos modernos resorts. Nada além do que existe na costa brasileira ou em outros destinos capitalistas do Caribe.

Estive em Cuba duas vezes. A primeira, a trabalho, com o intuito de apurar um reportagem que descrevesse o modo de vida do único país comunista das Américas. A segunda, em férias, para aproveitar as maravilhas da ilha.

Conhecer a terra dos irmãos Castros a é uma experiência inesquecível, independentemente de ideologia. Eu, por exemplo, sou contra qualquer regime totalitário, mas me tornei um admirador do país. Do país dos cubanos, dos carrões, do tabaco, dos drinques, da música, da dança.

Desembarque

A chegada ao Aeroporto Internacional José Martí, em Havana, torna-se excitante assim que o passageiro deixa o avião. O terminal pequeno, as instalações simples e antigas e o rigor da fiscalização deixam claro que se trata de um país diferente do ponto de vista capitalista.

Além dos olhares desconfiados, o turista pode estranhar a morosidade do guarda fardado na cabine do controle de passaporte. O militar faz questão de olhar cada página do documento. Apesar do semblante sério dos guardas de emigração e da alfândega, a maioria dos visitantes é aceita sem transtornos.

No máximo, durante o exame do seu passaporte, o estrangeiro é convidado a tirar os óculos (se tiver) para conferência da fotografia do documento. Não há interrogatório, obrigatoriedade de tirar o calçado ou outra medida incômoda do tipo antiterrorista.

O turista é liberado após uma ou duas perguntas, como o quê pretende fazer e quanto tempo ficará no país. Um visto de entrada em Cuba, antes tratado como questão de segurança nacional, hoje custa US$ 20. Ele é vendido nas agências de turismo, com os pacotes de viagem.

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A primeira sensação fora do aeroporto pode não ser das mais agradáveis, caso se desembarque em um dia chuvoso ou de alta umidade relativa do ar, dois fenômenos corriqueiros na ilha. O forte calor úmido impede uma fotografia em frente à fachada singular do terminal — é impossível desembaçar a lente da câmera — e faz o turista procurar imediatamente um veículo com ar-condicionado.

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O desconforto é esquecido assim que a van ou táxi deixa as dependências do José Martí. No começo da viagem entre o aeroporto e a área urbana de Havana se vê outdoors de madeira com propaganda oficial. Os primeiros de milhares instalados em todo o país.

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Um dos símbolos do regime comunista, as placas trazem principalmente mensagens de apoio à revolução e provocações ao maior inimigo, os EUA. A estrada que liga o aeroporto à capital cubana cruza fazendas, vilas e os bairros mais afastados de Havana. No traslado, os primeiros contatos com o cotidiano revolucionário e os efeitos do embargo “imperialista” norte-americano.

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Homens consertando os carrões confiscados dos antigos ricos moradores de Havana — produtores de cana-de-açúcar, comerciantes, empresários e mafiosos estadunidenses — são vistos em cada esquina. Mulheres jogando conversa fora nos muros baixos. Idosos sentados em gastas cadeiras de balanço, nas varandas e calçadas. Todos em um ritmo lento, como quem não tem pressa para ganhar dinheiro.

Havana Velha

A melhor maneira de conhecer Havana é andando, vasculhando becos, bares, feiras, museus e casarões. Para não cansar mais do que deve, organize com antecedência cada passeio. Compre um guia ou um mapa — nos hotéis há bons mapas, muitos de cortesia — e trace um roteiro a partir da quantidade dos dias em que pretende ficar na cidade.

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O ideal é ao menos dois dias para cada uma das quatro mais movimentadas regiões: Habana Vieja (Havana Velha), Centro, Vedado e Plaza. Em todas há prédios históricos, museus, bons restaurantes, bares charmosos e gente atraente.

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Como há muito a ver, fotografar e conversar, acorde cedo e tome um café reforçado. A moderna rede hoteleira de Havana oferece ótimas refeições, além de amplos e confortáveis quartos. A maioria, de redes europeias, que com o baixo custo da mão-de-obra e vantagens oferecidas pelo governo cubano conseguem manter serviços de padrões internacionais com tarifas relativamente baratas.

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Comece o tour por Habana Vieja. Com calçado confortável e roupas leves, entre pela Plaza de la Catedral. Fechada por prédios coloniais nos quatro lados, tem acesso por três ruelas. A praça é cercada pela Catedral de San Cristóbal, pelo Museo de Arte Colonial, Palacio del Conde e Palacio de los Marqueses de Arcos, além do restaurante El Patio.

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A rua, exclusiva dos pedestres, é feita de pequenos blocos de pedra. Nas calçadas, também de pedra, artistas locais produzem e exibem suas obras, como pinturas em telas e desenhos de nanquim ou guache. A paisagem serve de modelo.

Mojitos

Quase na esquina com a Catedral, fica o mais famoso bar cubano. O La Bodeguita del Medio ganhou o mundo por meio do seu mais ilustre freqüentador, o escritor norte-americano Ernest Hemingway. Ele sempre exaltou o mojito (bebida típica cubana, feita de rum, suco de limão hortelã, água e gelo) do La Bodeguita. Hemingway tem razão. Mesmo na ilha, é difícil encontrar igual.

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A atmosfera do Bodeguita também é única. Os balcões, cadeiras, mesas e paredes revestidas de madeira são os mesmos da época de Hemingway. As partes das paredes sem a madeira são cobertas de nomes e mensagens, escritas a caneta pelos visitantes.

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Os preguiçosos ventiladores não conseguem esfriar o clima festivo, que esquenta ainda mais com a entrada de um grupo musical. O cliente pode desfrutar até de música popular brasileira. Os cubanos conhecem a maioria dos nossos compositores e intérpretes. Eles admiram Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan, Caetano Veloso.

Caderneta, arte e sabores

Após conhecer a La Bodeguita del Medio e tomar uns drinques, se ainda tiver fôlego e pernas para caminhar, siga por qualquer uma das ruas que cortam a Plaza de la Catedral. O passeio é obrigatório para quem deseja conhecer o estilo de vida cubano e os moradores da cidade. Entre na primeira bodega que encontrar.

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Nela é distribuída a comida e outros produtos de primeira necessidade da população. Na hora de passar no caixa, os clientes não tiram cartão de crédito ou débito. Da bolsa ou do bolso saem moedas e uma caderneta, em que o funcionário anota o produto e a quantidade. Cada cubano tem uma cota mensal.

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Quando quer mais (e pode pagar), o cubano recorre ao mercado paralelo, onde tudo é muito caro, devido à escassez de produtos no país. Apesar de certa melhora na economia, comparando com anos 1990, ainda falta de tudo, do sabonete à camisa. É comum ver meninos brincando de sapatos furados ou vestidos em roupas bem mais curtas — eles usam até esfarelar.

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Não é lenda nem preconceito. Os cubanos param sim os turistas para pedir itens de higiene pessoal. Como custam caro à população, xampu, sabonetes e similares são considerados artigos de luxo. Carregue os kits de banho dos hotéis para agradá-los e ajudá-los. Os pais, sem vergonha alguma, costumam pedir caneta e borracha para os filhos estudantes.

Em Cuba, porém, ninguém fica sem escola, morre de fome ou ao relento. Nem vive debaixo de ponte ou em favela.

Ver, ler, descansar

Partindo da Plaza de la Catedral, após 10 minutos de caminhada ininterrupta, chega-se à Plaza Vieja. Prédios da tradicional arquitetura espanhola emolduram a praça, calçada de pedras centenárias. A sombra dos restaurantes, seus drinques deliciosos e a ótima música cubana, são um alívio em dias de sol quente. Ainda há oficinas de arte que valem a pena ser visitadas.

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Entre na Calle Obispo (Rua do Bispo), em direção a Plaza de Armas. Ande devagar. Aproveite a sombra e aprecie os sobrados coloniais ao longo da rua apertada e aprazível. Assim que avistar um vendedor ambulante de cartão-postal ou de artesanato, pare e puxe conversa.

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Eles sempre têm tempo para contar boas histórias. O cubano adora fazer amizades. Principalmente com brasileiro. Não deixe de fazer uma foto ao lado de um dessas figuras caricatas. Elas também gostam de serem fotografados.

A Plaza de Armas é toda arborizada. Também com trânsito restrito aos pedestres, é um convite ao descanso. Os bancos de concreto são disputados por cubanos — abertos a uma prosa — e turistas.

A praça abriga uma feira permanente de livros novos e usados (a maioria). Algumas obras dos melhores autores cubanos podem ser compradas por uma pechincha. Entre os lançamentos, os melhores são os livros de fotografia, que retratam a revolução e o cotidiano.

Em torno dessa praça, também há excelentes restaurantes e prédios históricos. O mais atraente é o Palacio de los Capitanes Generales, belo exemplo do barroco cubano. Construído entre 1776 e 1792, abrigou a Assembléia Legislativa, serviu de residência do governador da província de Havana e cadeia. Em 1967, tornou-se o Museo de la Cidade, mas a estrutura da suntuosa casa oficial permanece intacta.

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Paladares

Além de restaurantes tradicionais e requintados, em Havana Velha também há ótimos paladares. São restaurantes de comida caseira, administrados por cubanos comuns, que ganharam autorização do governo para ter o próprio negócio.

Mas eles precisam seguir algumas regras, como atender no máximo a 12 pessoas ao mesmo tempo. O restaurante só pode funcionar na casa do dono da licença. O microempresário não pode contratar ninguém. O cozinheiro e garçons têm que ser da família.

Com isso, almoçar em um paladar é uma das melhores oportunidades de se conhecer uma casa cubana e seus moradores. Além de tudo, é a maneira mais econômica de se comer em Havana.

Os paladares têm poucas opções no cardápio — por causa da falta de capital do dono e da escassez de produtos —, mas todas são muito bem preparadas e saudáveis. A mais comum é a carne de porco, acompanhada de salada e de arroz e feijão preto (misturados, tipo baião de dois, sem queijo). O prato sai, em média, por R$ 15.

O nome paladar é fruto do sucesso da novela Vale Tudo (Rede Globo, 1988 a 1989). Também em Cuba, a trama bateu recordes de audiência. A protagonista Raquel (Regina Duarte), que, após perder tudo ao ser roubada pela filha Maria de Fátima (Glória Pires), se reergueu ao abrir um restaurante, o Paladar.

Revolução, ballet e charutos

Após Havana Velha, o melhor destino na capital cubana é o Centro. Inicie o passeio pelo Capitólio. Isso mesmo, Cuba tem seu Capitólio. É uma imitação do prédio homônimo de Washington (EUA), mas ainda mais alto.

Inaugurado em 1929 pelo ditador Geraldo Machado, aliado dos norte-americanos, foi sede do governo cubano até 1959. Hoje, abriga alguns ministérios e exposições de artes. Por quase R$ 16, pode-se visitar quase todo o prédio, como a antiga Câmara dos Deputados, o extinto Senado Federal e a deslumbrante biblioteca.

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Imponente por fora, o Capitólio é um símbolo de Havana. O seu domo, com 92m de altura, era o ponto mais alto da cidade até 1950. Ainda hoje, ele pode ser visto de quase toda capital cubana. Por dentro, o mais impressionante é o hall.

A cópia de um diamante de 25 quilates está embutida no piso embaixo do domo. O original pertenceu ao último czar da Rússia e foi vendido a Cuba por um joalheiro turco. Acabou roubado e mais tarde misteriosamente devolvido ao então presidente Machado.

De frente à obra está outra preciosidade, a Estátua da República. Fundida em Roma (Itália) e coberta com folhas de ouro de 22 quilates, a obra tem 17m de altura e pesa 49 toneladas.

Do lado de fora, na escadaria, há outra raridade cubana, bem menos valiosa mas tão deslumbrante quanto o diamante e a estátua. São os fotógrafos lambe-lambe. Em plena era digital, eles ainda fazem retratos em preto e branco, em equipamentos manuais, com revelação manual.

São homens acima de 60 anos, de muita paciência, experiência e habilidade. Vale a pena sentar na escadaria do Capitólio e pagar poucos mais de R$ 6 por uma cópia de 5cm X 7cm. Depois da pose, acompanhe de perto a magia da fotografia.

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Veja a confecção da cópia, em menos de 20 minutos, no meio da calçada, feita em uma máquina velhaencoberta por madeirite, pano e escorada em um tripé fino.

Charutos

Em volta do Capitólio, não faltam prédios, ruas e praças interessantes. Atrás do edifício fica a Real Fábrica de Tabacos Partagás. O prédio é sede da maior fábrica de charutos cubanos e um modelo da arquitetura industrial do século 19. Os operários trabalham ouvindo trechos de leituras com músicas e notícias saídas de um alto-falante. A rotina pode ser acompanhada pelos turistas por pouco mais de R$ 20.

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Anexa à fábrica está La Casa del Habano , uma confortável loja de charutos, com uma sala nos fundos para provar os tabacos mais famosos de Cuba, como Romeo y Julieta, Montecristo e Cohiba.

Perto da Partagás fica o Bairro Chinês. Do seu apogeu, no início do século 20, restaram o portal e poucas lojas e restaurantes com especialidades asiáticas, concentradas na área chamada Chuchillo de Zanja. O bairro também abriga a Igreja da Caridade, dedicada à santa padroeira de Cuba, a Virgem do Cobre.

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Grande Teatro

Ainda no entorno do Capitólio, de grande valor arquitetônico, histórico e cultural, estão o Grande Teatro de Havana e os hotéis Inglaterra e Plaza. Os dois últimos são do século 19.

O Grande Teatro é uma das maiores casas de ópera do mundo. Foi inaugurado em 1915 com a apresentação de Aída, de Verdi. A impressionante fachada tem quatro grupos de esculturas do artista italiano Giuseppe Moretti, que representam a caridade, a educação, a música e o teatro.

Além de óperas e peças de teatro, o Grande Teatro tornou-se o palco principal da bailarina cubana Alicia Alonso. Ela fundou o Ballet Nacional de Cuba, companhia de dança e escola conhecida por organizar um famoso festival anual de balé.

Algumas das discípulas de Alonso servem de guias turísticas em visitas guiadas pelos salões do Grande Teatro, por menos de R$ 6.

Do segundo pavimento do prédio, se vê dois parques que valem a pena ser visitados: o Fraternidade e o Central. Ambos com árvores frondosas e muita sombra. Próximo ao segundo está o Passeio do Prado, construído em 1772.

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A avenida preferida pelo povo de Havana para passear, é ladeada por belos edifícios. O canteiro central, exclusivo para pedestres, tem oito leões de bronze e bancos de mármore, além de elegantes luminárias de ferro.

Revolução

A três quadras do Passeio do Prado está o Museu da Revolução, instalado no antigo palácio presidencial do ditador direitista Fulgencio Batista, tirado do poder pelos guerrilheiros.

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O prédio, inaugurado em 1920, serviu de residência a outros 21 presidentes. Ele foi decorado pela Tiffany de Nova York. Algumas obras de arte e móveis foram mantidos. Mas o mais importante são os documentos, fotografias e objetos que representam a luta do povo cubano pela independência. Ideologias a parte, a visita é obrigatória para quem se interessa pela história do país.

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Nos fundos do museu fica o Memorial Granma, com destaque para o iate que dá nome ao pavilhão de vidro. O barco trouxe Fidel Castro e alguns de seus companheiros do México para Cuba, em 1956, para iniciar a luta armada contra Batista.

Há ainda veículos e aviões relacionados ao episódio da Baía dos Porcos (1961) — invasão fracassada de mercenários financiada pelos Estados Unidos — e mísseis soviéticos do período da Guerra Fria, além de relíquias da atividade cubana na Etiópia e em Angola. O ingresso para visita ao museu e ao memorial custa pouco mais de R$ 10. Justifica-se cada centavo.

Malecón

Após o Centro e Havana Velha, Vedado e Plaza são outras duas regiões imperdíveis para quem deseja conhecer a história de Havana e de Cuba. Diferente das duas anteriores, Vedado e Plaza são áreas mais novas — para os padrões cubanos —, mas não menos charmosas e instigantes. O ponto de partida ideal é o Malecón, a avenida beira-mar da capital.

Comece o passeio pela quadra do Hotel Nacional, joia da arquitetura Art Decó, inaugurada em 1930 e principal abrigo de estrelas hollywoodianas, presidentes ocidentais e mafiosos, no período pré-revolução. Mesmo sem o cassino — a jogatina é proibida desde a ascensão de Fidel Castro ao poder — , o Hotel Nacional não perdeu o charme. Ainda é o mais badalado de Cuba.

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Siga pela Rua 23 (Calle 23), no trecho conhecido como La Rampa. Durante a semana, é uma via bem agitada, devido aos inúmeros escritórios, restaurantes e bares com gastos letreiros de néon — a maioria, apagada. Na La Rampa fica a sede do Ministério do Açúcar com sua fachada revolucionária, o Pabellón Cuba — espaço para exposições de artes — e uma pequena feira de artesanato.

Após menos de 10 minutos de caminhada, chega-se ao cruzamento com a Rua L e a uma agradável e disputada praça. Em dia de calor forte, sempre há uma fila enorme de pessoas sob as árvores. São cubanos à espera da entrada na concorrida sorveteria Coppelia, instalada em um prédio de vidro e metal, no meio da praça.

Inaugurada em 1966, a Coppelia ficou famosa no mundo inteiro devido ao filme Morango e Chocolate (1993), de Tomás Gutiérrez Alea. Na verdade, há duas Coppelias. A outra também fica na praça, é bem menor e só atende turistas, que não precisam enfrentar filas. Mas os sabores de ambas são os mesmos: deliciosos. Duas bolas com um biscoito waffle saem por menos de R$ 5.

Quartel-general

Do outro lado da Rua 23 está o também charmoso hotel Habana Libre, com sua impressionante fachada, uma obra de arte feita de ladrilhos da renomada cubana Amelia Peláez. Aberto em 1958, acabou confiscado um ano depois para servir de quartel-general de Fidel durante a tomada de Havana. Várias fotos exibidas nas paredes do hall do prédio ilustram esse momento histórico.

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Do Habana Libre, vá em direção à Praça da Revolução, que fica a umas 10 quadras. Faça o trajeto pela Avenida dos Presidentes e a Calle Paseo. O caminho pelas largas e arborizadas vias é cercado de luxuosos edifícios dos séculos 19 e 20 em estilo francês. Em alguns dos prédios funcionam museus, escritórios do governo e ministérios.

O ponto alto é a Praça da Revolução. Não há qualquer sombra ou verde no meio ou entorno dela. Nem bancos ou chafarizes. Sem uma arquitetura ou projeto de destaque, a importância dela é histórica e política. Desde a vitória de Fidel, a praça se tornou palco das maiores e decisivas manifestações populares. Ali costumam se encontrar mais de 1 milhão de cubanos a cada discurso dos seus líderes.

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Entre os monumentos da Praça da Revolução, o mais imponente é o Memorial José Martí, que começou a ser construído em 1953, no centésimo aniversário de nascimento do herói nacional de Cuba. Concluído em 1959, é uma torre de 109m de altura representando uma estrela de cinco pontas, feita com mármore cinza da Isla de la Juventud (ilha da região oeste de Cuba).

Embaixo há uma estátua de José Martí, de mármore branco. Chega-se ao ponto mais alto da torre por um elevador. É o ponto mais alto de Havana. De lá se vê toda a cidade. Menor, mas tão atraente quanto o memorial, o Ministério da do Interior se destaca por causa da fachada. Na verdade, em função do que há sobre ela: uma imensa escultura de bronze de Che Guevara.

A escultura é uma cópia da célebre imagem eternizada pelo fotojornalista Alberto Korda. Sob o busto está a frase Hasta la Victoria siempre (Sempre em busca da vitória). Che tinha um escritório no Ministério do Interior, que comandou por um curto período, após o triunfo da revolução cubana.

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Se ainda tiver ânimo, termine o dia com uma caminhada pelo Malecón, curtindo o pôr-do-sol e ritmos cubanos, tocados por músicos sempre dispostos a agradar o turista em troca de alguns dólares. Eles fazem por merecer o agrado.

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