Cidade do México: dois hotéis e um motorista para chamar de seu

 

IMG_5467.JPG

Eliane Moreira

Nos sete dias que passamos na Cidade do México, nos hospedamos em dois hotéis, ambos na região central, próximos ao Zócalo. Embora a população da capital mexicana ultrapasse 20 milhões de habitantes e o país tenha um histórico de violência por causa das guerras entre os narcotraficantes, a área central, assim como toda a cidade, é bem policiada e segura. Por isso, fica a dica de dois bons hotéis:

Hotel Histórico Central

Localizado a poucas quadras do Zócalo, o Hotel Histórico Central tem ambientes requintados e quartos limpos e confortáveis, a preços inferiores aos de sua categoria. Oferece café da manhã completo, com boa variedade de pães, frutas e acompanhamentos, além de pratos típicos da culinária mexicana.

Hotel Histórico Central2.png

No saguão, garrafinhas de água mineral e maçãs são permanentemente disponibilizadas aos hóspedes, de graça. Há uma cafeteria na recepção, com poucas opções para um lanche no final do dia, o que não chega a ser um problema dado o grande número de restaurantes e lanchonetes no entorno.

IMG_5283.JPG

O Histórico Central ainda viabiliza passeios com motoristas particulares com ótimos carros a preços fixos e condizentes com os valores cobrados em média.

Hotel Histórico Central1.png

Hotel Fiesta Inn Centro Histórico

O hotel ocupa alguns andares de um prédio comercial, em frente ao Parque Alameda e muito próximo ao Palácio Bellas Artes. No térreo, funcionam algumas lojas e lanchonetes como McDonalds, Subway e Starbucks.

Apesar dessa movimentação, os quartos são silenciosos e o acesso aos andares dos apartamentos só é permitido aos hóspedes do hotel. Quartos confortáveis e grandes, o café da manhã é cobrado a parte.

De forma geral, o Fiesta Inn não é tão aconchegante quanto o Histórico Central, mas oferece um bom custo-benefício.

Continuar lendo “Cidade do México: dois hotéis e um motorista para chamar de seu”

Teotihuacan, a Cidade dos Deuses

IMG_5575.JPG

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

A 40 km da Cidade do México, encontra-se um dos sítios arqueológicos mais visitados no país. Teotihuacan, a Cidade dos Deuses, encanta os turistas pelas imponentes pirâmides do Sol e da Lua.

IMG_5529.JPG

Muitos são os mistérios sobre as origens de Teotihuacan. Patrimônio Mundial desde 1987, ao contrário do que muitos pensam, não foram os astecas que ergueram Teotihuacan, mas uma comunidade de povos de várias etnias.

IMG_5549.JPG

Fato é que uma visita a Teotihuacan descortina uma incrível volta ao passado e à uma cultura politeísta, que cultuava elementos da natureza e animais como divindades e, ao mesmo tempo, construiu uma cidade de moderno plano urbanístico.

IMG_5531.JPG

Além das gigantescas pirâmides, Teotihuacan era cortada por uma avenida de 3 km, a Avenida dos Mortos, e várias construções que revelam uma sociedade organizada e estratificada.

Continuar lendo “Teotihuacan, a Cidade dos Deuses”

Cidade do México, comece pelo Zócalo

IMG_5158.JPG

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Quem nunca voltou de uma viagem com a sensação de que muitos pontos turísticos ficaram de fora do roteiro porque não deu tempo de visitar tudo? Essa sensação pode ser muito, muito intensa quando se visita a Cidade do México.

IMG_5169.JPG

Com um país construído por civilizações maias e astecas, famosos revolucionários como Pancho Villa e Zapata, personagens que viraram ícones mundiais como a pintora Frida Khalo, além de uma culinária peculiar e apreciadíssima, atrações para todos os gostos é o que não falta à capital mexicana.

Continuar lendo “Cidade do México, comece pelo Zócalo”

San Miguel de Allende: onde ficar, comer, comprar

IMG_20160918_195756.jpg
Centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

O México dispensa visto para brasileiros. A Latam e a Aeroméxico têm voos diretos do Brasil para o país da América Central, partindo de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os preços variam muito, de acordo com as datas.

IMG_20160919_191006.jpg
Centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

San Miguel de Allende fica a 274 km da Cidade do México. Uma opção para visitar San Miguel é alugar um carro (as estradas são seguras e bem sinalizadas). Outra, ir de ônibus (os de 1a classe são bastantes confortáveis e a viagem dura de 3h e 30min a 4h e 15min). Empresas de turismo oferecem passeios bate e volta (em vans e microônibus), que podem ser comprados com um dia antecedência. Mas esta não é a melhor opção. San Miguel merece ao menos duas noites.

LEIA MAIS: San Miguel de Allende, a joia mexicana 

LEIA MAIS: Uma praça faz a alegria em San Miguel de Allende

LEIA MAIS: San Miguel de Allende respira arte

LEIA MAIS: San Miguel de Allende, a capital gourmet do México

IMG_6016.JPG
Casa Mia, San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

ONDE FICAR

Casa Mia: situado a apenas dois quarteirões da praça principal, esse casarão possui quartos amplos, equipados com sala e cozinha, e um pitoresco pátio interno.

Coqueta Hotel Boutique: localizado em um casarão, no  centro histórico, tem um belo jardim com piscina e quartos simples, mas espaçosos.

Hotel Casa Loteria: funciona em um casarão amarelo-mostarda, com um belo pátio interno. Com com 14 quartos simples, mas novos e bem decorados.

Hotel Matilda: hotelmatilda.com

Mansion San Miguel: terraços floridos com vistas para a cidade. Quartos com móveis vintage e itens mais contemporâneos.

Rosewood Hotel: os 67 apartamentos construídos no estilo barroco têm uma charmosa sala-de-estar e teto com vigas de madeira. Algumas suítes contam com um terraço, do qual se pode desfrutar de um jardim privado ou da linda vista de San Miguel de Allende. 

IMG_5963.JPGONDE COMER E BEBER

Cumpanio: padaria francesa (baguetes, croissants e sobremesas típicas). Em um dos dois endereços, é conjugada a um restaurante com cardápio variado.

Café San Augustín: o melhor churros da cidade. Por isso as constantes e longas filas na porta.

De Temporada: fica em uma fazenda, a 10 minutos de centro. Pratos como salada apimentada de papaia e polvo e ovos de codorna na manteiga de mostarda com purê de rúcula indicam a sofisticação da cozinha. 

Hotel Rosewood: além do melhor guacamole da cidade, ele tem uma vista imperdível da cidade ao entardecer.

Martinez: mais de 20 tipos de martínis, preparados com ingredientes exóticos. Às vezes, tem DJ ou uma banda tocando ao vivo. Mesones 80; 52-415-152-4343.

Pujol: comandado por uma estrela da gastronomia internacional, Enrique Olvera. Pratos sofisticados. Hotel Matilda, Aldama 53

Via Orgânica: vertente gourmet saudável, com cereais e sucos detox. Calle Margarito Ledesma 2

La Azotea: é um bar em um terraço do El Jardin, ao lado da Paróquia. No pátio exterior, pode-se bebericar margarita. Umaran 6

IMG_5872.JPG

ONDE COMPRAR

Altelier: a fashionista Laura Reyesvende casacos e coletes feitos da estopa das sacas de café em sua boutique. Relox 79; aberta a partir das 11h.

Mixta: artesanato e objetos de decoração divertidos, móveis e roupas (vestidos e blusas bordados à mão por Almudena). Pila Seca 3

La Aurora: fábrica têxtil desativada, ocupada por 50 galerias. Quinquilharias a joias artesanais e obras de artistas contemporâneos consagrados como Andy Warhol.

IMG_20160915_152205.jpg

Mercado de Artesanías: em um beco ao longo de três quarteirões, tem opções baratas de artesanato, jóias, roupas e todos os souvenires típicos do país.

IMG_20160919_130345.jpg
Mercado de Artesanías, San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Mercado El Nigromante: nele, pode-se observar a produção de objetos em ferro forjado e mobiliário de estilo colonial. Ainda, tem produtos frescos e lanchonetes.

Mujeres Productoras: cooperativa rural feminina de moradoras dos municípios vizinhos. Produtos feitos à mão, que são fonte de renda para as famílias.

IMG_5705.JPG

OUTRAS ATIVIDADES

Arqueologia

Localizada entre as serras de San Miguel de Allende, encontra-se a zona arqueológica La Cañada de la Virgem. É um assentamento pré-hispânico desenhado para observar os céus e os ciclos cósmicos. O apogeu deste importante centro cerimonial teve lugar entre os anos 600 e 900 D.C.

Golfe

Algumas opções ficam em hotéis internacionais, como o Las Ventanas de San Miguel. Ele tem um campo de golfe com 18 buracos, ideal para os mais exigentes. Outras opções são os Campo de Golf de la Hacienda Santuário e o Malanquín Golf Club. Ambos são públicos, de nove buracos, com restaurante e aluguel de equipamentos.

Montanhismo

Os picos e pinturas rupestres são dois dos locais escolhidos para a atividade, independentemente da idade ou físico. Eles fazem parte de uma cadeia de montanhas que cercam a cidade. Há trilhas simpáticas e vistas espetaculares. Oferecidas por empresas como a San Miguel Adventours, as excursões partem de San Miguel para qualquer destino.

Rapel

San Miguel é cercada por montanhas e uma floresta. A agência Aventuras Cañón del Coyote oferece passeios e descida por uma parede de 37m de altura. Também se pode ir a cavalo, caminhar, andar a pé ou em um curso de parapente para o local de pouso, você pode apreciar a flora e fauna. A região tem águias, gaviões, abutres, corvos, coelhos, gambás, tatus, coelhos, cucos, entre outros.

Spa

Nos arredores da cidade, há mananciais de águas termais e alcalinas, ricas em propriedades minerais. Alguns hotéis e clubes têm suas piscinas naturais, com infraestrutura de banheiros, vestiários e restaurantes. Entre os mais populares estão o La Gruta Spa, com uma gruta e spa de massagem, e o Escondido Place, com piscinas aberta e fechada, restaurante e lavandas enfeitando o jardim.

IMG_5737.JPG
Artesã em rua de San Miguel de Allende. Foto:Renato Alves

 

San Miguel de Allende, a capital gourmet do México

IMG_5890.JPG

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

No início das manhãs de sábado, filas tomam conta das ruas e calçadas do centro histórico de San Miguel de Allende. Moradores e visitantes disputam logo cedo uma mesa nos mais badalados restaurantes e cafés. Os mexicanos, na esperança de conseguir tomar o seu tradicional e pesado café de manhã. Os turistas, ávidos por experimentar o que de melhor há na cozinha local.

IMG_20160919_143310.jpg
Estudantes compram guloseimas na praça central de San Miguel de Allende

LEIA MAIS: San Miguel de Allende, a joia mexicana 

LEIA MAIS: Uma praça faz a alegria em San Miguel de Allende

LEIA MAIS: San Miguel de Allende respira arte

San Miguel de Allende tem se consolidado como um dos principais destinos dos apreciadores da boa mesa. A cidade abriga cafés internacionais e restaurantes de comida contemporânea. Todos em casarões belíssimos, com seus pátios aprazíveis.

20160919_173115.jpg
Interior da Doce-18 Concept House, em San Miguel de Allende

Nada se compara, no entanto, com o que se esconde por trás da fachada de um antigo casarão conhecido como Doce-18 Concept House. Totalmente reformado, seu interior moderninho contrasta com as construções históricas de San Miguel e com a sua própria fachada.

20160919_173044.jpg
Interior do Doce-18 Concept Housee, em San Miguel de Allende

Trata-se de uma imensa galeria multiuso que concentra não só excelentes opções gastronômicas, como lojas que oferecem objetos de arte, moda e desenhos. Além da tradicional comida mexicana, essa casa conceito abriga um café francês, uma hamburgueria, uma pizzaria, degustação de espumantes, uma lojinha de chás e outra das mais variadas combinações de temperos artesanais.

20160919_173142.jpg
Lojas de doces na Doce-18 Concept House, em San Miguel de Allende

Doçura

Vegetarianos e apreciadores de comida têm ainda mais atrativos. Muitos dos restaurantes oferecem saladas e pratos preparados com produtos orgânicos, cultivados em hortas próprias. Os chamados telhados verdes têm se tornado cada vez mais comuns na cidade. Os moradores plantam legumes e pequenas árvores frutíferas para consumo e para trocar com os conhecidos.

Já para os fãs de chocolates e outros doces há lojas como a Nuestros Dulces. Na Rua de Hernández Macías, ela oferece os mais finos doces mexicanos elaborados de forma artesanal, como jamoncillos (à base de leite e açúcar), rompope (à base de ovos), arrayán (fruta cristalizada) e tamarindos cristalizados, entre outros.

IMG_5851.JPG
Grupo de maricahi canta para clientes de restaurante em San Miguel de Allende

O El Tumbagón vende doces de todo Guanajuato, o estado onde fica San Miguel. Entre eles, se destacam o guayabate (de goiaba), o queijo de amêndoas, os doces de leite com coco, o rolo de goiaba, o tarugos (semelhante aos pirulitos), geleias, cocadas, natillhas (creme a base de leite, ovos, açúcar e baunilha), trompadas (à base de mel e sementes de anis) e charamuscadas (à base de açúcar, leite, coco e nozes). Claro, tem ainda a estrela local, os tumbagones (à base de farinha de trigo, ovos, canela e açúcar) com rompope.

IMG_5947.JPG

 

San Miguel de Allende respira arte

IMG_5929.JPG
Galeria de arte em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

A partir do El Jardín, a praça principal de San Miguel de Allende, caminhar por qualquer rua paralela ou transversal descortina um número sem fim de atrações, além das fachadas coloniais. As distâncias da compacta cidade colonial podem ser percorridas a pé. Andando pelas ruas com calçadas de pedra e ladeiras íngremes, nem mesmos os viajantes com orçamento limitado conseguem evitar as inúmeras galerias de arte.

LEIA MAIS: San Miguel de Allende, a joia mexicana

IMG_5738.JPG

San Miguel tem atraído uma grande comunidade artística, composta em sua maioria por estrangeiros aposentados: artesãos, pintores e escultores. As obras dessa gente estão em galerias, museus e em escolas de arte. Qualquer ruazinha de San Miguel esconde tesouros.

LEIA MAIS: Uma praça faz a alegria em San Miguel de Allende

A beleza e tranquilidade do lugar servem de inspiração a todas as formas de arte. Muitos dos artistas deixam seu atelier aberto à visitação. A maioria fica no centro histórico, onde também se concentram as melhores lojas. Grande parte, instalada em algum casarão antigo. Elas exibem móveis artesanais, joias, artigos de luxo, quadros, fotografias, esculturas.

IMG_5700.JPG

No centro também há muitas lojinhas com souvenieres típicos do México, como desenhos aztecas, camisetas com o rosto da artista Frida Khalo e ricos bordados feitos à mão. Ainda, os famosos corações mexicanos e os espelhos emoldurados em azulejos.

IMG_5711.JPGMurais famosos

Rivalizando em esplendor com a catedral, ainda no centro, há o prédio de quase 250 anos onde funciona o Centro Cultural Ignacio Ramirez “El Nigromante”, também conhecido como Instituto Nacional de Bellas Artes. Primeiro um convento, depois faculdade de artes, hoje, totalmente reformado, ele funciona como centro comunitário e galeria de arte.

Os degraus de pedra são fundos no meio, resultado de séculos de uso. Embora haja cinco salas para mostras temporárias, o acervo permanente é o mais impressionante. Eles exibem afrescos de um dos maiores muralistas do México, David Alfaro Siqueiros.

Contato com os nativos

Outra parte do centro histórico que tem de ser visitada é a Praça Cívica. Além de ponto de encontro de moradores, ela é rodeada por lojas que servem basicamente aos locais (vendendo artigos de primeira necessidade a preços baratos), pelo antigo colégio de San Francisco de Sales e pelo Templo Nossa Senhora da Saúde.

IMG_5948.JPG
Templo de Nossa Senhora da Saúde, em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Construída no século XVIII, a igreja católica é uma das imagens mais representativas de San Miguel. A cúpula está coberta de azulejos amarelos e azuis. Ela conta ainda com uma fachada barroca em forma de concha, esculpida em pedra com nichos sobre as portas principais, dedicados a São Joaquim, Santa Ana, ao Sagrado Coração e a São João Evangelista.

img_20160920_172224

MEMÓRIA

Migração pós-guerra

Os estrangeiros, a arte e a importância histórica salvaram San Miguel. No início dos anos 1900, ela esteve perto de se transformar em uma cidade fantasma. Mas, em 1926, o governo mexicano a declarou monumento histórico. Desde então, as construções em seu centro estão limitadas para conservar o cenário colonial.

IMG_5968.JPG

A partir de 1950, San Miguel tornou-se destino de milhares de norte-americanos, onde começaram a estabelecer-se após a Segunda Guerra Mundial. No final de 1950, começou a virar um ponto turístico conhecido por sua bela arquitetura colonial e as suas fontes termais.

img_5970
Jornais mexicanos e estrangeiros à venda na praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Uma praça faz a alegria em San Miguel de Allende

IMG_6011.JPG
Conhecida como El Jardín, a praça principal do centro histórico de San Miguel de Allende reúne moradores e turistas.Foto: Renato Alves

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Como na maior parte das cidades interioranas, a vida em San Miguel pulsa ao redor de sua principal praça, conhecida como El Jardín. É o ponto de encontro dos moradores e turistas. O coreto faz a festa das crianças. Jovens e adultos preferem os bancos de ferro forjado sob as sombras de loureiros. Neles, descansam, conversam, namoram ou aproveitam a internet grátis fornecida por meio de pontos de wi-fi.

IMG_5858.JPG
Nos fins de semana, bandas se apresentam ao redor da El Jardín, comandando bailes ao ar livre no centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Nos fins de semana e feriados, grupos de mariachis fazem apresentações públicas e gratuitas. Nas tardes e noites de sábado, a presença dos músicos transforma as ruas ao redor da praça em uma casa de shows a céu aberto, com muita cantoria, dança e bebedeira. Mas tudo sem bagunça. Crianças, jovens e idosos se misturam de forma respeitosa. E ainda há espaço para quem não quer entrar na dança. Sempre há um canto de paz na praça.

IMG_5884.JPG
Gente de todas as idades se reúne ao redor da El Jardín para conversar, paquerar, dança, cantar, beber. Foto: Renato Alves

 

IMG_5864.JPG
Paróquia de San Miguel Arcanjo, em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Paróquia

A principal construção da cidade fica em frente a El Jardín. A Paróquia de São Miguel Arcanjo começou a ser construída nos primeiros anos da cidade. Em 1564, estava concluído, com fachada em estilo barroco, mas, entre 1880 e 1890, após uma reforma, passou a apresentar um estilo neogótico, toda em pedras extraídas da região.


LEIA MAIS: San Miguel de Allende, a joia mexicana

Palco de tradicionais feirinhas de comidas e artesanato, com barraquinhas montadas na sua entrada, a igreja também proporciona cenas bucólicas. Em meio a vendedores ambulantes, famílias locais em um passeio de fim de semana, turistas e fiéis, noivas desembarcam em carros de época para suas cerimônias de casamento.

A igreja também sedia a mais importante festa local, que celebra o padroeiro da cidade: São Miguel Arcanjo. O evento acontece na última semana de setembro. Começa com o nascer do sol e termina com a tradicional procissão com a estátua de São Miguel Arcanjo nas ruas do centro da cidade. Paralelamente, são realizados eventos sociais, artísticos, esportivos, culturais, bem como suas famosas touradas.

IMG_5766.JPG
Coreto na El Jardín, a praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Herói nacional

Ainda vizinho a El Jardín, está a casa de Ignacio Allende, o herói insurgente da Independência que dá nome à cidade (leia Para saber mais). Ela abriga um museu dedicado a este personagem e ao seu papel na história do México. Erguido no século XVIII, o edifício tem um estilo barroco e mostra uma coleção de peças originais da época, assim como documentos e objetos históricos desde a fundação da cidade, passando pelo movimento de independência, até a morte de Allende.

PARA SABER MAIS

Histórico de luta

O monge franciscano Juan de San Miguel fundou o assentamento San Miguel el Grande, em 1542. A localidade era um importante ponto de passagem do Antigo Caminho Real, parte da rota da prata que conduzia a Zacatecas. Já um distrito, San Miguel ganhou destaque na Guerra da Independência do México (1810-1821).

Nascido no povoado, o general Ignacio Allende foi um dos líderes do movimento que pretendia tornar a colônia livre da Espanha. Mas soldados o capturaram quando marchava rumo aos Estados Unidos, em busca de armas.

Julgado em Chihuahua, Allende acabou condenado e executado. Exibiram a sua cabeça em Alhóndiga Granaditas, no estado de Guanajuato, com as cabeças de outras três lideranças: Miguel Hidalgo, Juan Aldama e Mariano Jiménez.

Em 8 de março de 1826, o governo mexicano elevou o povoado de San Miguel el Grande à categoria de cidade, sendo o nome mudado para San Miguel de Allende, em honra ao general Allende, herói nacional.

San Miguel de Allende, a joia mexicana

IMG_5847.JPG
Centro histórico de San Miguel de Allende,tombado pela Unesco. Foto: Renato Alves


Eliane Moreira
(texto) e Renato Alves (fotos)

Esqueça Acapulco, Cancún, Playa del Carmen. O destino da moda no México é a pequena San Miguel de Allende. Nada de praias, resorts, tequilas e hordas de jovens norte-americanos. Lá, as atrações são os prédios coloniais que ladeiam as ruas estreitas de pedra, os charmosos hotéis, uma infinidade de galerias de arte, renomados restaurantes e as festas públicas.

IMG_5927.JPG

Localizada entre as montanhas no estado de Guanajuato, a quase 2 mil metros de altitude, San Miguel é considerada por muitos a cidade mais bonita do México. Beleza advinda da combinação casario colorido em tons de vermelho, marrom, rosa e amarelo, canteiros de bouganvilles, igrejas do período colonial espanhol e pátios internos com jardins exuberantes. Tudo muito bem preservado.

IMG_20160920_172224.jpg
As cores fortes são uma marca das construções históricas de San Miguel de Allende


Fundada em 1542, San Miguel também é um dos municípios mais importantes do país. Ele teve papel fundamental na independência mexicana. História contada em museus e em obras de arte espalhadas pelo compacto e seguro centro. Tais importância e beleza lhe renderam, em 2008, o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedido pela Unesco.

LEIA MAIS: Uma praça faz a alegria em San Miguel de Allende

IMG_5804.JPG
Grupo de mariachi no centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves 

As virtudes de San Miguel têm atraído, desde a metade do século passado, aposentados canadenses, norte-americanos e europeus. Eles são cerca de 12 mil dos 70 mil habitantes. A presença dos expatriados e dos turistas a transformam numa cidade cosmopolita. Mas ela está longe de ser só um refúgio para idosos. Jovens não deixam os bares e as casas noturnas fecharem as portas cedo.

IMG_5888.JPG
Jovens em uma tarde festiva na praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

A partir deste, publicamos uma série de textos mostrando o que de melhor há nesse cada vez mais disputado destino, onde ficamos por cinco noites, em uma viagem de férias em família, com todos os custos pagos por nossa conta. Para quem quiser conhecer  todas as atrações em volta e praticar as mais diferentes e prazerosas atividades, deve permanecer mais tempo. A satisfação é garantida.

Todo o charme de Punta Arenas

Praça de Armas Muñoz Gamero, em Punta Arenas

As argentinas Ushuaia e El Calafate e as chilenas Puerto Natales e Punta Arenas servem de base para quem pretende conhecer a Antártida e a Patagônia. A última tem o principal aeroporto da região, por isso tornou-se um dos destinos mais escolhidos pelos turistas.

Centro de Punta Arenas

Banhada pelo Estreito de Magalhães, a região foi descoberta em 1520 pelo navegador português Fernão de Magalhães, o que o fez ganhar um monumento na praça central de Punta Arenas e emprestar seu sobrenome ao principal estreito da Patagônia.

Punta Arenas vista do mar

Próxima à Antártida, Punta Arenas é porto seguro para exploradores há seculos.

Punta Arenas 001

Líder da primeira equipe a invernar no continente gelado (1897-1899), o belga Adrien de Gerlache parou na cidade chilena.

O mesmo fez o britânico Ernest Schackleton quando foi resgatado da expedição que tentou cruzar o continente austral entre 1914 e 1916.

Tradição

Para conhecer a Patagônia, não é preciso enfrentar os perrengues da Antártida.

Muitos animais e outras atrações do continente gelado, como glaciares, podem ser visitados em passeios de ônibus ou pequenos cruzeiros por canais calmos, que saem de Punta Arenas ou passam por lá. Passeios que podem ser adquiridos em pacotes comprados previamente ou em pequenas agências instaladas no centro da cidade chilena.

Praça de Armas Muñoz Gamero, em Punta Arenas

Praça de Armas Muñoz Gamero, em Punta ArenasA maioria das hospedarias de Punta Arenas, que vão de hotéis de luxo a baratos albergues, estão no centro da cidade de 150 mil habitantes.

A principal referência é a Praça de Armas Muñoz Gamero. No meio dela, há um enorme monumento a Fernão de Magalhães, com a imagem de um do índio aónikenk. Dizem que se você beija o pé dele voltará a visitar a Patagônia.

Todos os dias, a praça é ocupada por uma legítima feira de artesanato. Muitas das peças a venda são produzidas ali mesmo pelos artistas locais.

DSC05321

Eles oferecem de gorros de lá a miniaturas em pedra e pinguins de pelúcia, de todos os tamanhos e preços. Vale pechinchar.

História

Perto dali, fica o Museu Regional de Magalhães, onde, no subsolo, há uma cafeteria onde antes era o lugar dos serviçais do antigo palácio em art nouveau. Visite as exposições artísticas e a coleção de objetos e móveis de época da casa, que o empresário Mauricio Braun mandou construir em 1903, apenas com madeira vinda da Europa.

DSC05332

Outra atração parecida é o Museu Naval e Marítimo, na rua Pedro Montt. Entre suas 1,6 mil peças históricas, há restos de navios como a corveta inglesa Doterel, afundada a 15m de profundidade e a 300m do cais do porto local.

Centro de Punta Arenas

Agora, se quer conhecer uma beleza de características mais melancólicas, você pode percorrer os silenciosos caminhos do Cemitério Municipal, considerado um dos mais belos da América do Sul. Seus túmulos cuidadosamente enfeitados, seus mausoléus, jardins e as extravagantes tumbas se misturam aos restos de imigrantes e marinheiros que fizeram de Magalhães o destino final de suas vidas.

Casario

O período áureo de Punta Arenas e seu porto está marcado na arquitetura. A cidade tem prédios de traços clássicos, muitos palacetes. Também há muitas casas mais simples, mas igualmente belas, feitas de madeiras e cobertas por metais — para aquecer o interior — com as fachadas coloridas. Tudo em ruas extremamente limpas e seguras.

Punta Arenas 032

Em muitos dos edifícios clássicos, funcionam charmosas cafeterias. Em uma cidade em que a temperatura não passa dos 16ºC e permanece negativa durante todo o inverno, nada melhor que um café ou outra bebida quente, como chocolate. Esses estabelecimentos também oferecem delícias como tortas doces e salgados, além de tostados.

Cafeteria em Punta Arenas

São ao menos 20 cafeterias no centro de Punta Arenas, que, reza a lenda, tem ainda 100 casas noturnas voltadas ao público masculino. Além delas, há alguns pubs e um cassino, à beira-mar.

Cafeteria em Punta Arenas

Artesã na praça principal de Punta ArenasPara saber mais

Ligação importante

Fernão de Magalhães foi quem navegou pela primeira vez nas águas abrigadas do estreito, ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Colonizada no século 19, a localização fez de Punta Arenas a principal rota de comércio entre os dois oceanos até a construção do Canal do Panamá, em 1914.

Zona Franca

Punta Arenas é uma zona franca, onde há lojas com produtos livre de impostos. Mas, se você quer levar presentes ou comprar bebidas e eletrônicos para o seu uso, precisa andar uns 10km de carro na direção do aeroporto, onde ficam os galpões com essas lojas. Só lá estará livre das taxas do governo.

Punta Arenas 017

Histórias, cores e sabores da Guatemala

Jaqueline Saraiva, do Correio Braziliense

Herdeira de um dos reinos mais antigos e poderosos , o maia, mas com uma terra arrasada por grandes terremotos, em 1917 e em 1976, a Guatemala ressurge das cinzas. A recuperação dos monumentos históricos tem ocorrido a passos curtos, mas suficientes para que se perceba o potencial turístico do país. Tradições, religião, cores fortes, boa gastronomia e contato intenso com a natureza atraem aventureiros ao lugar no qual o passado, o presente e o futuro caminham lado a lado.

A exploração do mundo maia tem como ponto de partida a Ciudad de Guatemala. A 1.500m acima do nível do mar, o território é dividido em 25 zonas, com avenidas, que a atravessam de norte a sul, e ruas de leste a oeste, todas numeradas. Como qualquer grande urbe, Guate (apelido carinhosamente dado pelos moradores) é populosa, barulhenta, mas fascinante.

À primeira vista, você se espanta com dezenas de carros trafegando incessantemente pelas ruas, buzinando e competindo por espaço com motos, bicicletas e pedestres. Mas não é nada tão diferente do Brasil. Ônibus velhos, comprados dos Estados Unidos — o país não tem montadora nacional e nem multinacionais —, são os meios de transporte públicos mais usados, pelo preço baixo da passagem. Todos são personalizados com estampas chamativas, luzes coloridas e ganham nomes, se tornando um símbolo criativo do país.

A Ciudad de Guatemala é um grande local de serviços e de comércio, com centros de convenções, shoppings, restaurantes, museus, além de um amplo mercado de artesanato. No Centro Cívico, há os edifícios governamentais e institucionais, como o Banco da Guatemala e o Teatro Nacional.

A Praça Central é um lugar histórico, onde está a Catedral Metropolitana, também conhecida como Catedral de Santiago de Guatemala, edifício construído entre 1782 e 1815. Ela agrega elementos neoclássicos na fachada, mas, por dentro, existem vestígios de arquitetura barroca, com pinturas e esculturas provenientes da catedral da cidade de Antigua. As grades que protegem a igreja têm pilares com os nomes de pessoas mortas ou desaparecidas durante a violenta guerra civil que ocorreu no país entre 1960 e 1996.

Chichicastenango

Após conhecer o agito da capital, chegou a hora de adentrar o mundo maia. De carro ou de ônibus se alcança 2.000m de altitude até encontrar as terras altas (ou o altiplano guatemalteco), distante 140km (três horas de viagem) da Ciudad de Guatemala. O contato com a natureza é intenso ao passar por estradas que cortam os vales e as montanhas, além da abundante vegetação. É lá onde está Quiché, o departamento (como são chamados os estados do país) que abriga um importante grupo étnico maia homônimo.

Chichicastenango, ou Chichi, é uma das cidades mais visitadas. O povoado é conhecido por ter o mais colorido e encantador mercado de artesanato, aberto às quintas-feiras e aos domingos. Dezenas de mercadores anunciam produtos em uma explosão de gritos, com dialetos diferentes. Como precisam vender a fim de garantir o sustento da família, os masheños (habitantes de Chichi) são persuasivos. Caso não queira comprar, evite olhá-los nos olhos e responder. Dizer um simples “no, gracias” (não, obrigado) é a certeza de que se acabe levando o produto, tamanha a insistência.

A crença dos maias é da existência de um só Deus, da prática da confissão, do jejum e da penitência. Com a colonização espanhola, em 1523, o catolicismo foi imposto aos indígenas, mas não trouxe novidades. Como eram oprimidos, por seguir a tradição antiga, eles apenas assimilaram alguns aspectos, o que abriu caminho ao sincretismo religioso na Guatemala. Em Chichi essa realidade é marcante. Ao lado do mercado, a Igreja de Santo Tomás, erguida em 1540, exemplifica: por um lado, uma fachada colonial do tempo barroco-católico e, por outro, a escadaria que lembra as pirâmides maias.

Os maias desenvolveram uma das mais avançadas culturas do novo mundo. Além da Guatemala, eles habitaram as florestas tropicais de Honduras e a região Sul do México, especialmente a Península de Yucatán, entre os séculos 5 a.C. e 9 a.C. Como não formavam um império unificado — a civilização era organizada em cidades-estados isoladas e em permanente guerra umas contra as outras —, acabaram sendo dominados, primeiramente, pelos toltecas, entre os séculos 9 e 10, e depois por outros povos.

A história deles era pouco conhecida até o início do século 20. Foi depois desse período que muitas ruínas foram localizadas e alguns hieróglifos decifrados. Registros de acontecimentos, contagem de impostos, guerras e outras datas importantes eram talhadas nas pedras. A descoberta mostrou também um povo que conhecia bem a matemática, com a invenção das casas decimais e a utilização do zero. Pirâmides usadas como templos astronômicos mostram a profunda relação deles com a ciência, não deixando de lado a religião.

As ruínas de Tikal dão a dimensão dessa riqueza cultural composta por templos, pirâmides, palácios, entre outros. O parque nacional, reconhecido em 1979 como Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade pela Unesco, fica em Petén, no meio de uma selva tropical rica em fauna e flora. Tem uma extensão total de 576km², com mais de 3 mil estruturas maias preservadas. Para chegar lá é necessário um voo saindo da Ciudad de Guatemala, de aproximadamente 50 minutos. A diferença de ares é sentida na chegada: enquanto nas outras cidades o clima é frio ou fresco, em Petén o calor é intenso e muito úmido. Entre dezembro e fevereiro, as manhãs e as noites são mais amenas, sendo o melhor período para visitar a região.

As belezas do Lago de Atitlán

Rodeado pelos imponentes vulcões Tolimán, Atitlán e San Pedro, o Lago de Atitlán, no departamento de Sololá, tem uma beleza incomparável. Ele surgiu após uma grande explosão e inundação de um vulcão há 85 mil anos. Estima-se que a profundidade seja de 340 metros, embora o nível de água mude, curiosamente, a cada ano, em uma área total de 126km². A transformação, comandada pela natureza, deu ao lugar um aspecto misterioso e paradisíaco, atraindo inclusive estrangeiros, que largam tudo para construir casas ali. Somam-se a eles os chamados povos do lago, que vivem do que a rica terra vulcânica oferece.

Aos hospedar-se em um dos vários hotéis ao redor do local, não perca tempo. Levante cedo e alugue uma das embarcações disponíveis para conhecer o povoado. Em 30 minutos de passeio se chega a San Juan La Laguna, um dos mais tradicionais. A população é muito amistosa e o clima, mesmo quente, é agradável. Circulando a pé ou por meio dos tuk-tuks, o visitante conhece as principais atividades desenvolvidas pelas cooperativas.

As tecelãs resistem ao tempo e tentam manter viva a cultura antiga para tecer roupas maias tradicionais, como os ponchos, as saias e as blusas, que grande parte da população guatemalteca usa. Além disso, produzem centros de mesa, toalhas e colchas de cama, que são comercializados a preços um pouco altos, mas que é compensado ao ser ver todo o trabalho feito sem utilização de máquinas. Do quintal, elas retiram o algodão que será transformado em vários novelos de fios milimetricamente moldados a mão. O processo de tingimento é feito com a utilização de sementes, de folhas e de flores. Uma erva pode produzir até 10 tonalidades diferentes.

Arquitetura espanhola de Antigua

“La muy noble y muy leal Ciudad de Santiago de los Caballeros de Goathemala.” Parece uma frase, mas esse foi o nome dado, em 1543, à cidade hoje conhecida como Antigua Guatemala. Localizada no departamento de Sacatepéquez, lugar de incomum beleza e peso cultural histórico, cercada, assim como o Lago Altitlán, por três vulcões: Água, Fogo e Acatenango. Como ex-capital do país — a sede do governo foi passada para a Ciudad de Guatemala após um devastador terremoto em 1773 — Antigua é conhecida como joia da arte colonial, declarada Patrimônio Mundial da Unesco, em 1979.

Conservando quase 500 anos de história, muitas estruturas têm sido reformadas e transformadas em centros de cultura. Outras conservam o encanto bucólico das ruínas, esculpido com a força dos sismos, das erupções vulcânicas e das inundações que assolaram a cidade. As casas, que só podem ser pintadas de branco, de vermelho, de amarelo, de verde ou de azul por decreto, foram construídas seguindo o estilo espanhol de arquitetura e abrigavam numerosas famílias ricas e uma multidão de ordens religiosas em igrejas e conventos.

Reportagem completa, com galeria de fotos e vídeo, na edição de 15/8/2012 do caderno de Turismo do Correio Braziliense

Exposição — Uma luz sobre Cuba

Nahima Maciel, do Correio Braziliense

A primeira viagem a Cuba tinha propósito muito específico. A fotógrafa Lisette Guerra não estava em busca de imagens e sim da salsa. “Eu queria aprender mais sobre esse tipo de dança e de música”, explica. Em menos de uma semana, Lisette mudou o foco da viagem, sacou a câmera e transformou a estada numa sequência de imagens nas quais tentava captar a alma cubana. Luz de Cuba, em cartaz no Museu Nacional de Brasília, se tornou a razão das viagens de Lisette. Foram cinco retornos entre 2009 e 2011 e a certeza da urgência de mostrar um país mergulhado em rápidas e contundentes mudanças.

O conjunto de imagens deve render um livro — Lisette ainda está em busca de patrocínio —, mas por enquanto a exposição supre a angústia da fotógrafa. “Resolvi fazer logo porque está acontecendo muita mudança em Cuba”, explica. A abertura da nação comunista de Fidel Castro engendra novos hábitos e estilos de vida. Aos poucos, os cubanos adentram o universo capitalista. A venda e compra de bens como carros e casas começa a ser permitida e os pequenos produtores já não estão tão submissos ao Estado quanto há uma década.

Com isso, Lisette acredita que a paisagem das cidades pode mudar muito nas próximas décadas. A frota de carros dos anos 1950 — uma das marcas das ruas de Havana — tende a ser substituída por viaturas novas num futuro nem tão distante e as fachadas coloniais, hoje desgastadas por anos de falta de manutenção, podem tomar rumos inesperados e correm risco de desaparecer caso um mercado imobiliário predador se instale na ilha.

As paisagens são, portanto, um dos alvos de Lisette, mas é nos rostos que ela encontra o material bruto de Luz de Cuba. “Sou fotógrafa de pessoas e acho que o diferente das minhas imagens é a comunicação que estabeleço, a maneira de captar a sensação delas comigo”, garante a gaúcha, cujo portfólio traz principalmente fotografias de moda e publicidade. Alguma coisa dessa estética publicitária está também nas imagens trazidas de Cuba. O rapaz negro com o menino loiro no colo, a criança diante de um velho Dodge, a fachada em ruínas de um conjunto de prédios à beira mar e o velho de boné munido de charuto não diferem muito das imagens da ilha caribenha que hoje circulam pelo mundo. O colorido também ganha destaque no trabalho de Lisette.

A veia publicitária aparece em fotografias limpas, cores que saltam aos olhos e uma organização difícil de conceber, mas Lisette transforma as paisagens em cenários idílicos, quase românticos e bastante atraentes. É uma Cuba captada por um olhar apaixonado e deslumbrado.

Luz de Cuba
Exposição de fotos de Lisette Guerra. Visitação até 31 de janeiro, de terça a domingo, das 9h às 18h30, no Museu Nacional.

Leia também

O barato de Havana

Sem perder a ternura

Explorando Havana Velha

Caderneta, arte e sabores

Revolução, ballet e charutos

Do Malecon à Praça da Revolução

Copa lança voo Brasília-Panamá

Mariana Ceratti, Correio Braziliense

A companhia aérea panamenha Copa Airlines anunciou oficialmente a criação da rota Brasília/Cidade do Panamá, cujo voo inaugural está marcado para 19 de junho. O trajeto será feito quatro vezes por semana em um Boeing 737-800 dividido entre as classes econômica (112 poltronas) e executiva (12 lugares). As passagens, já à venda no site http://www.copaair.com, têm preço mínimo de US$ 700.

A partir da Cidade do Panamá, o brasiliense terá acesso a todas as conexões feitas pela Copa: 56 cidades em 27 países em todo o continente americano. Entre elas, Nassau (capital das Bahamas, no Caribe) e Toronto (Canadá), dois destinos para onde a empresa passa a voar a partir de 15 de junho. Com a nova rota, não se torna mais necessário fazer imigração nos Estados Unidos — por onde os brasileiros normalmente passam antes de seguir para ambos os países –nem ter visto norte-americano.

O voo entre as capitais brasileira e panamenha dura seis horas e parte aos domingos, às terças, às quartas e às sextas-feiras, às 5h41, com chegada à Cidade do Panamá às 9h48. O retorno se dá aos sábados e às segundas, às terças e às quintas-feiras, às 18h31, com chegada em Brasília às 2h40.

Voos

Panamá/Brasília — CM 205
Saída: 18h32 – Chegada: 2h40
Frequencia: segundas, terças, quintas e sábados

Brasília/Panamá — CM 204
Saída: 5h41 – Chegada: 9h48
Frequencia: domingos, terças, quartas e sextas

Haiti preparava retomada do turismo

Da Associated Press

O grupo Choice Hotels havia anunciado que abriria os primeiros hotéis no Haiti em quase uma década. Um porta-voz da empresa com base em Maryland (EUA) afirmou que um hotel Comfort Inn seria inaugurado na costa caribenha da cidade de Jacmel em maio.

O empreendimento de 32 quartos seria mantido por um grupo de investidores haitianos e americanos em Nova York. A parceria previa ainda um hotel de nível superior com 120 quartos. A bandeira Holiday Inn deixou o país anos atrás e o projeto de um hotel Hilton foi suspenso devido à instabilidade política e à infraestrutura em colapso.

O projeto do retorno da Hilliday Inn ao Haiti foi comunicado um dia antes do maior terremoto dos último 200 anos da ilha. Acredite, o Haiti já foi um dos destinos mais desejados do Caribe.

México oferece assistência médica gratuita

Da Ansa, na Cidade do México

O governo da Cidade do México anunciou que oferecerá um seguro médico a turistas estrangeiros que visitarem a capital.

A ideia tem como objetivo reaquecer o turismo local, severamente afetado pela epidemia da gripe A (H1N1), que já infectou ao menos 4.500 pessoas no país e matou 89.

O secretário do Turismo do Distrito Federal, Alejandro Rojas, disse que a intenção é atender a todos os estrangeiros.

A estratégia entrará em vigor a partir de junho e consistirá em oferecer assistência médica gratuita a turistas que apresentarem sintomas de qualquer doença durante sua permanência na Cidade do México.

Em contrapartida, será pedido ao paciente que tire uma foto, grave um vídeo ou deixe seu testemunho por escrito sobre a segurança proporcionada a ele na capital. Assim, a cidade buscará mudar sua imagem.

Na última segunda-feira (25), o presidente Felipe Calderón lançou um programa de reaquecimento do setor turístico chamado México Vive.

A iniciativa, que será desenvolvida nos âmbitos nacional e internacional, custará 1,2 bilhão de pesos (cerca de US$ 90 milhões) aos cofres públicos.

O turismo no México gera cerca de US$ 13 bilhões ao ano. Trata-se da terceira maior fonte de receitas do país, depois do petróleo e do investimento estrangeiro.

O Ministério do Turismo calcula que as perdas causadas pela epidemia da nova gripe cheguem a US$ 5 bilhões.

Acompanhante grátis em voos da Copa

Quem comprar um bilhete aéreo da Copa Airlines com Mastercard, para Aruba, Santo Domingo, Cidade do Panamá, San José, Cidade da Guatemala, Cartagena, San Andres e Barranquilla pode levar um acompanhante grátis nas mesmas datas e voos do titular.

A promoção vale para compras até 14 de maio e viagens até 30 de junho, com saídas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Manaus. Mais informações no site www.copaair.com ou pelo telefone 0800-771-2672.