Cinco lugares imperdíveis no Peru

Construções na famosa Machu Picchu

Uma visita ao país não é completa sem uma peregrinação à magnífica cidadela inca de Machu Picchu, mas na verdade esse lugar admirável é só um vislumbre de 5 mil anos de história. Em Chan Chan, percorra os remanescentes empoeirados de uma grande cidade, as maiores ruínas pré-colombianas das Américas. Sobrevoe os enigmáticos geoglifos gravados na terra árida em Nazca. Ou aventure-se pela floresta montanhosa que circunda a fortaleza de Kuelap. Os grandes museus de Lima, com cerâmicas de valor inestimável, ouro e alguns dos mais requintados tecidos do mundo, revelam em detalhes a sofisticação, a técnica e a paixão de civilizações perdidas. Visite comunidades remotas e veja como as tradições milenares ainda sobrevivem. Mergulhe na essência peruana e, quando sair de lá, terá chegado mais perto do passado.

 

1. O Vale Sagrado

Vista de uma fazenda no Vale Sagrado
©Philip Lee Harvey/Lonely Planet

 

Aldeias labirínticas, ruínas de postos militares avançados incas e terraços agrícolas usados desde tempos imemoriais são ligados pelo rio Urubamba, que se curva e se alarga na travessia do Vale Sagrado. A localização estratégica, entre Cuzco e Machu Picchu, torna esse destino pitoresco a base ideal para explorar os famosos mercados e as ruínas da região. As acomodações variam de pousadas acolhedoras a resorts de luxo, e as opções de aventura incluem passeios a cavalo, rafting e caminhadas que levam a aldeias remotas de tecelões e agricultores.

 

2. Chan Chan

Chan Chan, a extraordinária capital chimu, é a maior cidade pré-colombiana das Américas e a maior cidade de adobe do mundo. Chegou a ter cerca de 60 mil habitantes. Autêntica arca de tesouros, é hoje um trabalho em andamento – o complexo de Tschudi é a única das dez cidadelas muradas no seu interior restaurada à sua antiga glória. Apesar das agruras provocadas pelo El Niño ao longo dos anos, os pátios cerimoniais, as paredes ornamentadas e as labirínticas salas de audiência de Chan Chan são sinônimo de resistência.

 

3. Machu Picchu

Quem nunca sonhou com uma aventura explorando Machu Picchu?
©Tom Robinson/Lonely Planet

 

Fantástica cidadela inca ignorada pelo mundo até ser redescoberta no início do século 20, Machu Picchu se destaca entre as ruínas. Com terraços cor de esmeralda e cercada por picos íngremes e desfiladeiros andinos que ecoam no horizonte, o lugar simplesmente ultrapassa a imaginação. É lindo. Essa maravilha da engenharia resistiu a seis séculos de terremotos, invasões estrangeiras e um clima inclemente. Explore-a à vontade, perca-se entre os templos de pedra e escale as alturas vertiginosas do Wayna Picchu.

 

4. Surfe na Costa Norte

Surfistas em busca de verão eterno vão em bando para a costa norte do Peru atrás de algumas das ondas mais longas e consistentes do mundo. O território do surfe culmina na movimentada Máncora, o único balneário praiano de verdade do Peru, testado e aprovado. Tanto surfistas como adoradores do sol acorrem o ano inteiro a esse point sul-americano e seu litoral em forma de lua crescente.

 

5. Trujillo

Interior impressionante do Huaca de la Luna (Templo da Lua)
©Matt Munro/Lonely Planet

 

Erguendo-se do deserto de areia como uma miragem caleidoscópica de cores coloniais, a velha Trujillo é uma deslumbrante mostra de esplendor conservado. Seu centro histórico é repleto de igrejas bacanas, mansões e outras construções coloniais preservadas, que dão à cidade uma atmosfera agradável. Próxima a impressionantes ruínas das culturas chimu (como Chan Chan) e mochica (como as Huacas del Sol y de la Luna), Trujillo supera facilmente suas rivais do norte em estilo e graça.

 

Esta matéria faz parte do guia Peru, da Lonely Planet, também disponível em e-book.

Anúncios

Valle Nevado dá descontos para a temporada 2016

imagem_release_537348

A maior e mais charmosa estação de esqui da América do Sul já se prepara para a temporada 2016. O Valle Nevado oferece descontos exclusivos para os turistas que efetuarem suas reservas de hospedagem nos hotéis e apartamentos do complexo até 30 de dezembro de 2015.

São três promoções válidas para qualquer um dos hotéis da estação: Valle Nevado (exceto suítes), Puerta del Sol e Tres Puntas. A primeira oferece 35% de desconto para reservas de no mínimo três noites entre 24 de junho e 8 de julho. A segunda garante 25% de desconto nas reservas de no mínimo sete noites entre 8 de julho e 23 de setembro. A última oferece 20% de desconto para reservas de no mínimo três noites entre 8 de julho e 23 de setembro. Os descontos são aplicados sobre o total da reserva de hospedagem em apartamentos duplos.

Para os apartamentos no condomínio Valle de Cóndores é oferecido desconto de 20% na diária, com tarifa a partir de USD 239 para habitações de três pessoas por noite. Estão inclusas a hospedagem e limpeza diária do apartamento.

Produtos adicionais do Valle Nevado como transporte, aluguel de roupas, aulas de esqui e snowboard, entre outros, não estão inseridos nos descontos. Também não são acumuláveis com outras promoções. A validade da promoção é até 30 de dezembro de 2015 para reservas 100% pagas. Sujeito à disponibilidade.

Mais informações e fotos: http://www.vallenevado.com/pt/

Sobre o Valle Nevado – Localizado a cerca de 60 km de Santiago a partir do aeroporto, a estação possui três hotéis – Três Puntas, Puerta del Sol e Valle Nevado -, respectivamente divididos em três, quatro e cinco estrelas, além de seis restaurantes, quatro bares e pubs, 45 pistas para esqui ou snowboard, teleféricos, lojas e apartamentos residenciais. Até 2022, serão construídos dois novos edifícios residenciais por ano para que mais pessoas desfrutem da melhor neve do mundo. Ao todo, mais de US$ 150 milhões serão investidos em infraestrutura para tornar o complexo o maior da América do Sul.

 

O melhor da Patagônia chilena no verão

As trilhas em Huilo Huilo revelam lindas paisagens, além de belíssimas cachoeiras, como a Salto Huilo Huilo e Salto O Puma Divulgação/Huilo Huilo
As trilhas revelam paisagens e cachoeiras, como Salto Huilo Huilo e a Salto O Puma

O Chile acaba de vencer a 22ª edição do World Travel Awards, que premia os melhores do mundo todos os anos, como melhor destino de aventura. Famoso pela lista de opções para os aventureiros, o país é uma ótima escolha para os que querem praticar atividades diferentes e curtir bons momentos de adrenalina.

Mountain Bike também é opção para os aventureiros que querem conhecer Huilo Huilo - Divulgação/Huilo Huilo
Mountain bike também é outra opção para os aventureiros

Quem planeja conhecer o Chile deste perfil único tem destino certo: a Reserva Biológica Huilo Huilo. Distribuída em uma área de mais de 100 mil hectares, a reserva abrange diversos ecossistemas, com uma riqueza de espécies nativas animais e vegetais: no local existem cerca de 95 espécies de aves, 12 tipos de mamíferos e 328 espécies de flores. Além, é claro, da variedade de esportes de aventura oferecida.

O verão em Huilo Huilo tem atividades como trekking, mountain bike, rafting e tirolesa, além de cavalgada, pesca e passeio de caiaque. Saiba mais detalhes sobre as atividades desse pedaço do mundo que todo mundo merece conhecer.

Tirolesas

Huilo Huilo oferece diversos tipos de tirolesa para seus hóspedes que, durante o verão, permitem a visão das lindas paisagens da região. Há a tirolesa infantil (com 40m de comprimento e 2m de altura), a tirolesa Huilo Huilo (com 35m de altura e 180m de comprimento) e a tirolesa XL, considerada uma das mais radicais da América do Sul: 90 metros de altura e 500m de comprimento.

São três opções de tirolesa na reserva, passando pela infantil até a mais radical, de 90m de altura -Divulgação/Huilo Huilo
São três opções de tirolesa na reserva. A mais radical tem 90m de altura

Cavalgadas

Uma das atividades mais populares de Huilo Huilo são as cavalgadas, nas quais o hóspede pode passear entre montanhas, bosques primários e conhecer diversas espécies de pássaros e rios da Patagônia.

As cavalgadas são uma das atividades mais famosas em Huilo Huilo - Divulgação/Huilo Huilo
As cavalgadas são uma das atividades mais famosas

Rotas educativas         

Esses tours levam os turistas para o meio do bosque da Patagônia chilena e ensinam sobre as pequenas formas de vida que existem na área. Com a ajuda de lupas, os viajantes podem observar os minúsculos cogumelos (existem mais de 160 tipos deles na região) e a linda flora e fauna do bosque.

Termas do Lago

Visita fotográfica às termas, que de acordo com as crenças locais têm poderes curativos. Uma vez cruzado o lago, há cais e plataformas de madeira elevadas sobre o bosque. As piscinas são troncos ocos separados uns dos outros em quase 10 metros, onde a água se mantém entre 35º e 40ºC.

Salto Huilo Huilo e Salto O Puma

O Salto Huilo Huilo é um trekking onde é possível visitar diferentes mirantes, que oferecem vistas espetaculares para cachoeiras e observação da rica flora existente dentro da reserva. A trilha acompanha o curso do Rio Fuy e passa pelo Salto Huilo Huilo, uma formosa cachoeira com 40 metros de altura. Mais à frente, chega-se ao Salto O Puma, com aproximadamente 30 metros de altura.

Rafting em Huilo Huilo - Divulgação/Huilo Huilo
Rafting em Huilo Huilo 

Além disso, Huilo Huilo tem um Bosque Nevado, aberto apenas no inverno, entre os meses de julho e setembro. No entanto, por ter neve quase o ano todo, há atividades típicas do frio, mas que também podem ser feitas no verão, como trekking no vulcão Mocho-Choshuenco, ski randonee e caminhadas em raquetes de neve.

Huilo Huilo conta, ainda, com diversos tipos de alojamentos, desde campings e chalés, até hotéis de luxo. Porém, o grande destaque fica por conta de três hotéis com design diferenciado e formato surrealista: o Montaña Mágica, que imita o formato de um vulcão, o Nothofagus, construído em volta de uma árvore, e o Reino Fungi, semelhante à forma de um cogumelo.

Para os amantes de uma boa cerveja, dentro da reserva funciona a Cervejaria Petermann, onde é possível conhecer o processo cervejeiro e provar os quatro sabores produzidos no local. As bebidas são encorpadas, sem aditivos e elaboradas com 100% malte.

Mais sobre a Huilo Huilo – Localizada no coração da selva da Patagônia do Chile, próximo ao vilarejo de Neltume (860 km de Santiago), a Reserva Biológica Huilo Huilo é um lugar mágico. Com mais de 100 mil hectares, abrange diversos ecossistemas, com uma riqueza de espécies nativas animais e vegetais. As opções de hospedagens vão de hotéis de luxo até campings, todos com um diferencial arquitetônico que busca integrar a natureza local ao conforto. Além de atividades de esportes radicais, como tirolesa e rafting, a reserva ainda conta com o Bosque Nevado, um centro de neve ideal para iniciantes nos esportes de inverno. Mais informações pelo site huilohuilo.com, ou no perfil da reserva no Facebook ( www.facebook.com/HuiloHuiloBrasil )

Turismo na Antártida e na Patagônia chilena

Renato Alves (texto e fotos)

Localizada no extremo sul do planeta, a Antártida tem 13,6 milhões de quilômetros quadrados de neve e água congelada, cobrindo 99,5% do continente. Trocar sol e praia por um verão ali parece uma escolha improvável. Mas, cada vez mais gente lá desembarca atrás de uma sensação única. Alguns a comparam a pisar na Lua. Lembram algumas semelhanças, como o solo escuro e pedregoso — no verão — e uma grande área inabitada.

Para chegar até esse lugar, onde cientistas registraram a menor temperatura da história, somente por meio de voos militares ou em cruzeiros para turistas. Há quem pague mais de R$ 20 mil para passar algumas horas na parte mais inexplorada da Terra. Mas há opções mais baratas e menos aventureiras para conhecer maravilhas parecidas com as encontradas na Antártida. Na Patagônia, última região habitada antes do continente gelado, há milhares de pinguins e glaciais de encher os olhos.

Prazer para poucos

Um século após os primeiros navegadores identificarem a Antártida, o continente continua sendo o lugar mais selvagem da Terra. Pisar nele é para poucos. Mesmo com os avanços tecnológicos, são necessárias logística e infraestrutura adequados, além de disposição, paciência e um estômago forte. Os voos limitam-se praticamente às forças aéreas. Aos turistas, o único caminho passa pelo Drake, o trecho de mar mais temido do mundo. As longas e cansativas horas em navio e bote são recompensadas pelo cenário e a façanha e de passear por um dos mais hostis e menos explorados destinos do planeta.

Como repórter do Correio Braziliense, cheguei à Antártida em uma expedição da Marinha, com jornalistas, militares e cientistas brasileiros. Os repórteres, fotógrafos e cinegrafistas foram os primeiros a desembarcar na Estação Comandante Ferraz após o incêndio que destruiu 70% das suas instalações, em 25 de fevereiro de 2012. A nossa jornada teve início em Punta Arenas, no extremo sul do Chile. Lá, embarcamos em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Os aviões C-130 (Hércules) da FAB pousam na base chilena Eduardo Frei (fotos acima e abaixo), levando também suprimentos, entre outubro e fevereiro. Mas esse trajeto de 1,2 mil km, em um voo de três horas, só é realizado quando o clima permite.

Quase não há teto para a aeronave pousar no aeródromo chileno. Quando aparece o que os pilotos chamam de janela, ela tem que ser aproveitada. Nessas condições, as mínimas em uma semana, após duas tentativas de pouso frustradas, o repórter do Correio chegou à Antártida em 7 de fevereiro, com mais de 40 cientistas e militares. Na noite daquele dia, ele fez a travessia de 500m na Baía do Almirantado, entre o navio Ary Rongel e a Ferraz. Por causa da ausência de portos no continente, as embarcações ficam estacionadas no meio do mar. Só pequenos botes chegam às praias das ilhas. Os jornalistas visitaram a base mais uma vez e passaram quatro dias na embarcação da Marinha brasileira.

Cruzeiros

A outra forma de chegar à Antártida é em um dos 45 navios de Cruzeiro que fazem cerca de 250 viagens à região, com passageiros do mundo inteiro, a cada alta estação. Ela vai de novembro a março, o verão antártico, quando as temperaturas são suportáveis a um ser humano e as águas dos canais e baías não estão congeladas, permitindo a passagem de navios que não sejam quebra-gelos. Identificada por navegadores pela primeira vez em 1820, a Antártida atrai cada vez mais turistas interessados em ver de perto os pinguins, focas, geleiras, icebergs e montanhas cobertas por neve. Até o começo da década de 1980, havia menos de mil visitantes por ano. Hoje, passam de 35 mil. Antes da crise mundial, eram mais.

Apesar do turismo na Antártida ser ainda muito caro, 35 operadoras de 10 países atuam com navios no continente. Elas levam visitantes a curtas incursões nas regiões costeiras. Cerca de 150 sítios, incluindo 20 estações científicas estão nos roteiros das visitas. Alguns sítios recebem até 7 mil visitantes. Os turistas que ano a ano vêm popularizando a Antártida como destino turístico não sofrem tanto quanto os militares, cientistas e jornalistas. Os cruzeiros que chegam à região têm uma boa infra-estrutura de acomodação e alimentação. Eles levam a estações científicas, monumentos históricos e colônias de animais. Entre as atividades estão também alpinismo, acampamento e mergulho.

Na época das visitas, o clima costuma ficar nublado. A temperatura, em 1ºC, em média. Mas, os ventos, que ultrapassam corriqueiramente os 100km/h, podem levar a sensação térmica a -12ºC. Nessas condições, só mesmo com trajes especiais: botas pesadas, macacão corta vento, casaco, gorro, óculos escuros,. Tudo grande, pesado e a prova d’água. Misturados à paisagem e às instalações das estações científicas, contribuem para um cenário de outro mundo.

Cuidados
As atividades são supervisionadas pela tripulação do navio, que inclui ornitologistas, biólogos marinhos, geólogos, glaciologistas, historiadores e naturalistas. Todos os cuidados com o ambiente são devidamente tomados.

Variações
Com tanto gelo, as temperaturas antárticas são baixíssimas. Na região central, os termômetros oscilam entre -30ºC e -65ºC e, em 21 de julho de 1983, a base russa de Vostok, localizada a aproximadamente 3,4 mil metros de altitude, registrou aquela que até hoje é a menor temperatura registrada no planeta: -89,2ºC.

Qual o nome certo?
Antártica ou Antártida? Tanto faz. O nome vem do grego antarktikos, que significa oposto ao ártico, ou seja, na extremidade sul do planeta. Os portugueses adotaram a forma Antártida, também admitida no Brasil, mas menos popular no resto do mundo. O continente é o único no planeta que jamais foi manchado por uma guerra ou qualquer tipo de conflito armado. Embora militares de vários países tenham equipes trabalhando em diversos pontos da Antártida e haja reivindicações sobre a propriedade das terras, não ocorrem demonstrações de animosidade. Por enquanto, toda a massa de 14 milhões de km², o equivalente à soma das áreas do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Peru e Bolívia — mas que pode chegar a 32 milhões de km² no inverno, com o congelamento dos mares —, pertence simplesmente à humanidade, com base em um acordo firmado em 1961 e conhecido por Tratado da Antártida.

Reportagem completa na edição de 27 de fevereiro de 2012 do caderno de Turismo do Correio Braziliense e nos próximos post deste blog

Equador: na metade do planeta

Quito

Thalita Lins, do Correio Braziliense

Mil quilômetros separam a costa do Equador de um dos maiores laboratórios vivos de biologia do mundo. Patrimônio Natural da Humanidade, as Ilhas Galápagos guardam um mundo de riquezas naturais ao longo dos 146 mil km² de extensão territorial em meio ao Oceano Pacífico. Lá, os animais não se sentem ameaçados pela presença humana e até posam com naturalidade para as lentes dos turistas. Mas não é só a ilha que leva beleza para o país.

No continente, Quito, a capital, abriga um dos cartões-postais mais visitados, o Monumento do Mundo, no qual a linha do Equador corta o mundo. No entanto, há uma controvérsia na exatidão da posição desse marco: o monumento, na verdade, foi colocado a 300 metros da divisão real. Indo um pouco além, em Guayaquil, o charmoso bairro de Las Peñas é morada de inúmeros artistas da região e um dos pontos de encontro do jovens. Em Porto Lopez, a 635km de Guayaquil, está o cenário perfeito para observar os saltos das baleias jubartes a caminho da Ilha da Prata.


De tirar o fôlego

Respire fundo, você está em Quito. Mais precisamente a 2.850 metros acima do nível do mar. A capital do Equador é literalmente de tirar o fôlego. Os quitenhos têm muito o que se orgulhar: a cidade abriga o maior centro histórico das Américas. O Casco Colonial, construído durante a colonização espanhola, em 1534, pode ser definido em números: os 367 hectares de área, distribuídos em 308 quadras, contam com 103 edifícios-monumentos, 5 mil móveis tombados, 40 igrejas — duas a cada duas quadras —, 32 museus e 10 praças.

Não é à toa que a região foi a primeira do mundo a ser declarada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Patrimônio da Humanidade. É uma pena que Quito ainda seja um destino pouco explorado pelos turistas brasileiros. Graças à herança espanhola, o Casco Colonial lembra uma cidade europeia. Bem preservada e limpa, a Plaza Mayor ou de La Independencia é cercada pelo Palácio de Carondelet — sede da Presidência do Equador, cujo prédio é em estilo neoclássico — e pela La Catedral, igreja com detalhes de ouro e em estilo mouro. Fazem parte do centro históricos as ruas entre a Basílica Del Voto Nacional e a estátua da Virgen del Pacillo — uma espécie de Cristo Redentor para os quitenhos.

Quito
A poucos metros dali, uma viela é referência cultural para o país: Calle de La Ronda. Uma das quadras mais bonitas, charmosas e bem preservadas do centro tem uma vida boêmia rica. À noite, os bares e restaurantes ficam lotados. É lá também que artistas trabalham em seus ateliês, como o “médico-cirurgião” de pianos antigos Humberto Santa Cruz, 46 anos. “Aqui é o espaço da música, onde somente anjos entram”, disse, ao mesmo tempo em que os dedos passeavam pelo teclado de um piano datado de 1902, que era “operado” há 87 dias.

Bandeira do Equador em Quito
Visitar a parte histórica de Quito é indispensável, assim como é impossível conhecer a cidade sem subir em pelo menos um dos 12 vulcões que cercam a capital do Equador. É difícil desviar os olhos do topo desses gigantes, ainda mais ao descobrir que quatro deles estão ativos — Cotapaxi, Pichincha, Cayambe, Antizana. Um dos cenários mais bonitos de Quito fica na Reserva Ecológica Cotacachi, no qual o turista pode se aventurar em uma trilha que passa pelo vulcão que leva o mesmo nome. A Lagoa Cuicocha, formada após a última erupção do Cotacachi, há 3,5 milhões de anos, é um dos grandes atrativos da unidade de conservação. Vale a pena ficar no mirante até o pôr do sol.

Sabores

A culinária quitenha revela a herança dos Incas. Ingredientes como milho, batata e banana são alguns dos itens essenciais na mesa de uma família típica da região. Ao visitar o país, não deixe de se deliciar com o locro, uma sopa produzida basicamente com batata, leite, milho e queijo. Para os amantes de frutos do mar, imperdível é o ceviche equatoriano. O prato costuma vir com camarões e peixe marinados no limão, acompanhados por pipoca e rodelas de banana frita.

le petit pigalle

O Mercado de Animais de Otavalo também vale a visita. Lá, os indígenas e moradores compram e trocam bichos. Há 200 anos, vacas, porcos, coelhos, patos, galinhas e porquinhos da índia dividem espaço com as pessoas durante os sábados. Sem dúvida, é um dos lugares mais interessantes e diferentes da viagem a Quito. A poucos quilômetros dali, tendas de uma outra feira ocupam dezenas de quadras da região. No Mercado de Otavalo, o visitante pode encontrar desde adereços, como o chapéu Panamá, até frutas da região, como o tomate de árvore e o babaco, uma tipo de mamão cultivado em altas altitudes. Prepare-se para andar bastante e aproveite para comprar lembrancinhas do Equador.

Quito

Made in Equador

Engana-se quem acha que o chapéu Panamá é produzido no país da América Central. O genuíno é feito no Equador e ganhou esse nome porque, antigamente, esse adorno era enviado para os Estados Unidos via Panamá. Os panamás são tecidos com palha fina, que é colhida e remetida para centros de tecelagem como na cidade de Cuenca, e transformada em chapéus pelos tecelões.

A jornalista viajou a convite do Ministério do Turismo do Equador

Cartagena, a verdadeira joia do Caribe

Eliane Moreira e Renato Alves (fotos)

Esqueça as baixas temperaturas de Bogotá. Se seu destino na Colômbia é Cartagena de Índias, prepare-se para dias de sol, praia e história, muita história.

Fundada por espanhóis em 1533, Cartagena foi um dos principais portos das Américas, com um intenso comércio de pedras preciosas e escravos. Não à toa, despertou o interesse de piratas. Para protegê-la foi erguida uma muralha de pedra nos limites da cidade, a mais extensa fortificação da América do Sul.

Desse período, restaram aos dias atuais a muralha, a arquitetura colonial, as pedras preciosas e uma cultura resultado da influência negra, índia e espanhola. Além dos invasores, é claro. Se no passado Cartagena recebia com frequência a indesejável visita de corsários, hoje quem aporta à cidade aos milhares são os bem-vindos turistas.

Para conhecer o centro histórico da cidade, considerado patrimônio mundial pela Unesco, caminhe sem compromisso por suas ruas estreitas.

Cocheiros oferecem o mesmo passeio em carruagens, mas garanto que não há nada comparado ao encantamento de se perder por suas esquinas e descobrir a cada passo uma praça, um monumento histórico, igrejas e museus. Até uma escultura do artista plástico Fernando Botero, a obra La Reclinada, exposta permanentemente na Plaza Santo Domingo. Tudo isso cercado por casarões coloniais e seus belíssimos balcões de madeira.

Ao entardecer, aproveite para caminhar sobre a muralha (foto abaixo). Se de um lado a beleza do centro histórico vai aos poucos se iluminando pela luz amarela dos lampiões, do outro é o próprio sol que garante o espetáculo sobre o mar caribenho.

Já quando a noite cai, a cidade se transforma. Com as lojas fechadas, artesãos invadem as calçadas. As praças são tomadas por apresentações de danças regionais, fortemente influenciadas pelos ritmos africanos.

Para competir com essas atrações a céu aberto, os restaurantes precisam caprichar. Por isso a oferta gastronômica em Cartagena agrada a todos os paladares, com boa comida, ambientes agradáveis e uma enorme variedade de pratos.

Se tudo isso não for suficiente para lhe convencer de que vale a pena conhecer Cartagena, lembre-se que a cidade está estrategicamente localizada no Caribe.

As praias urbanas da cidade não são lá grande coisa, mas basta pegar o barco para o paradisíaco arquipélago formado pelas Ilhas Rosário. O passeio pode ser reservado nas recepções dos próprios hotéis, nas agências de turismo e nas escolas de mergulho.

Seja pela história, seja pela praia, Cartagena de Índias continua tão sedutora quanto à época dos piratas.

Onde ficar

A melhor forma de aproveitar o centro histórico é se hospedando nele. Ficar dentro da muralha permite andar pela cidade a qualquer hora do dia ou da noite, sem ter que se preocupar com táxi. Para preservar a arquitetura colonial, os hotéis na região não têm a mesma infraestrutura das grandes redes hoteleiras, com algumas poucas (e caras!) exceções.

Mas se você não abre mão de conforto e modernidade, prefira o bairro de Bocagrande, parte moderna da cidade.

Onde comer

Os paladares mais requintados não se decepcionam com os bem conceituados restaurantes El Santísimo, Donjuan e La Vitrola, esse último considerado por muitos o melhor da cidade. Seja para almoço ou jantar, recomendo fazer reserva.

Para um lanche rápido, experimente os hambúrgueres da El Corral  ou os crepes da Crepes & Waffles, duas redes gastronômicas com estabelecimentos espalhados por todo o país. Opção mais light, o carro-chefe do pequeno Jugosa são os sucos naturais.

A sobremesa fica por conta das sorveterias espalhadas pela cidade, como a romântica Gelateria Paradiso. O sorvete de passas ao rum faz jus à boa qualidade da bebida caribenha.

E se, apesar do calor, quiser provar o café colombiano, a rede Juan Valdéz tem uma loja em Cartagena.

O que comprar

As famosas esmeraldas colombianas também chamam a atenção dos visitantes. Em todos os tamanhos, qualidades e preços, em brincos, anéis, pingentes, elas são uma tentação até para quem lhes é indiferente.

Mas atenção: antes de se render a essas pedrinhas, procure uma loja reconhecida e que ofereça certificado de garantia. Tarefa fácil, já que no centro histórico há inúmeras lojas assim.

Se seu interesse for o artesanato colombiano, o antigo forte militar Las Bovedas concentra várias lojinhas que vendem toda espécie de souvenirs.

Bogotá: histórica, cultural e divertida

Eliane Moreira

Localizada a 2.640m acima do nível do mar, a temperatura em Bogotá dificilmente passa dos 18ºC. Mas com 7 milhões de habitantes e uma vida cultural intensa, a cidade ferve.

Duas regiões concentram as principais atrações da cidade. De um lado o histórico bairro da Candelária, com prédios centenários de arquitetura colonial, e de outro a Zona Rosa, área nobre e moderna.

Começando pela Candelária, longe de atrapalhar, o friozinho da capital colombiana torna ainda mais prazeroso caminhar por suas ruas históricas.

Nesse bairro foi fundada a cidade, na curiosa Plaza Del Chorro Del Quevedo. Se durante o dia os turistas invadem a praça, à noite a boemia dos jovens, regada a cerveja e violão, torna o cenário bastante alternativo.

Bons restaurantes em antigas casas espalhados pelos arredores da praça. Uma dica é o excelente El Gato Gris, frequentado por turistas e pelos moradores da cidade.

Já a Plaza Bolívar tem em volta a sede do legislativo e da suprema corte do país, além da prefeitura de Bogotá e da imponente Catedral Primada. O Palácio Nariño, sede da presidência da Colômbia, fica bem próximo, o que torna a região muito vigiada.

Para transitar pelas ruas que dão acesso ao Palácio, policiais revistam bolsas, mochilas e sacolas, em um procedimento tão rotineiro que parece não incomodar quem passa por lá.

O número de museus espalhados pela Candelária também surpreende. Destaque para o Museo del Oro, com obras que datam do período pré-colombiano, e para o Museo Botero, onde estão expostos quadros e esculturas do artista plástico colombiano Fernando Botero, famoso por seus personagens gordinhos.

Fica a dica: o Museo Botero é gratuito todos os dias (fecha às terças-feiras) e o Museo del Oro não cobra entrada aos domingos (aberto de terça-feira a domingo).

Ainda na Candelária, o Centro Cultural Gabriel García Márquez, além de salas para eventos e exposições, atrai turistas pela imensa livraria, com títulos de autores nacionais e estrangeiros. Lá se encontram todas as obras de García Márquez, Nobel de literatura e orgulho do país por obras mundialmente conhecidas, como O amor nos tempos do cólera e Cem anos de solidão.

Depois do turismo histórico e cultural proporcionado pelo bairro da Candelária, não deixe de conhecer a Zona Rosa, o lado mais cool da cidade. A região concentra pubs, shoppings e ótimos restaurantes, como o excêntrico Andrés Carne de Res (foto abaixo), onde se come de sanduíches, pratos típicos a saladas. Ideal para noitadas.

Um conselho: prefira se hospedar na Zona Rosa. Por ser um bairro mais moderno, os hotéis têm infraestrutura melhor que os localizados na Candelária. Como a corrida de táxi em Bogotá é muito barata, dá para ir e voltar à Candelária gastando muito pouco.