Aruba, a ilha da felicidade

Shirley Pacelli, do Correio Braziliense

Não é à toa que, aonde o turista vai em Aruba, ele vê a inscrição One happy island (Uma ilha feliz). Até as placas de carros estampam o slogan. Mais do que apenas uma jogada de marketing das autoridades de turismo, a frase se mostra verdadeira depois de um dia na ilha.

A facilidade de acesso, o ótimo clima do Caribe, a beleza da paisagem paradisíaca, a areia branca e as águas límpidas são os primeiros motivos que despertam o sorriso dos visitantes. Ao longo do tempo, muitos outros atrativos são descobertos em praias como Palm Beach, ou na noite, como o festival caribenho que ocorre às quintas-feiras, no distrito de San Nicolas.

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Os arubanos se gabam de falar quatro línguas: holandês, inglês, espanhol e papiamento. Com raízes africanas, esse último originou-se do português e a similaridade sonora entre os dois é grande. Seja para o casamento, lua de mel ou férias, o visitante é sempre “bom bini” (bem-vindo, em papiamento) na ilha!

Destino badalado no Caribe

Se do avião você não teve curiosidade de dar uma espiada naqueles tons de verde e azul-turqueza que o esperavam lá embaixo, é a música que o recepciona no aeroporto que faz cair a ficha: estou no Caribe. No desembarque já é possível sentir o bafo quente de Oranjestad, capital da Ilha de Aruba, situada ao norte da Venezuela. O destino, com 110 mil habitantes, tem, graças a Deus, a obviedade dos cenários paradisíacos caribenhos, somados ao entretenimento e ao luxo. Mas o grande diferencial de Aruba é estar fora da rota dos furacões, ao lado de Curaçao, Barbados e Los Roques. O calor e o sol estão garantidos o ano todo (média de 28°C), mas a alta temporada vai até abril.

Riu Palace Aruba

Ao todo, 28 hotéis e resorts oferecem 10 mil leitos. Apesar de escassas, há opções de hospedagens mais baratas: apartamentos, com cozinha, a partir de US$ 60 a diária. A maioria esmagadora dos turistas (75%) parte dos Estados Unidos. Com a facilidade de estarem a apenas uma hora de voo de Aruba, os venezuelanos são o segundo mercado de turismo do destino que, no ano passado, recebeu cerca de 1,7 milhão de visitantes – 500 mil deles só de passageiros de cruzeiros.

O primeiro item da lista de quem pretende passar uns dias em Aruba é escolher a localização do hotel. Na costa oeste, principalmente Palm Beach, há dezenas de opções de hospedagem e garantia de relax para os banhistas, além da prática de esportes aquáticos (do lado oposto da ilha, a natureza é mais selvagem e as praias impróprias para a natação devido ao mar revolto). Além disso, há lugares ideais para a família que quer mais sossego e outros mais badalados, destinado aos solteiros. Sistemas all inclusive não fazem muito sucesso por lá. Acredite, até mesmo o café da manhã é pago à parte.

O Manchebo Beach Resort & Spa, por exemplo, é procurado por pessoas que querem um pouco mais de tranquilidade. Em funcionamento desde 1967, ele oferece apenas 72 quartos. É pequeno, aconchegante e concorrido. Melhor fazer a reserva com, pelo menos, um mês de antecedência. O resort dá para a Praia Manchebo, considerada uma das mais bonitas do mundo. Toda a decoração é inspirada e feita com material da Indonésia.

Atividades

O resort é vendido como o único estabelecimento que oferece spa na praia. Nada de tendas improvisadas na areia. Há toda uma infraestrutura de plataformas elevadas de madeira, com salas especiais de massagem com vista para o mar. “Em casa podemos conseguir profissionais para nos fazer massagens em quartos com ar-condicionado. Aqui é diferente, a brisa é natural”, ressalta Soraya Rios, responsável pelo spa.

Toda manhã há aula de ioga (US$ 50 por pessoa). Jacuzzi e sauna são atividades gratuitas. Chama a atenção o spa dos pés. O hóspede coloca o pé em uma banheira repleta de pequenos peixes. Os animais se alimentam da ração jogada na água e sente-se a vibração do movimento. Meia hora custa a “bagatela” de US$ 29. O spa é aberto a todos, mas a prioridade é dos hóspedes do resort. Os moradores da ilha têm 42% de desconto nos tratamentos de beleza.

O Manchebo também é muito procurado por noivas ávidas por realizar o casamento dos sonhos. A cerimônia custa a partir de US$ 975, valor que dá direito à decoração e à recepção dos convidados. É curioso observar as cerimonialistas, no entardecer da praia, alinhando cadeiras com laços. O vento, vez ou outra, faz com que elas tenham que fincar os assentos na areia novamente. Flores marcam o portal para a entrada dos noivos. A marcha nupcial, claro, é em ritmo caribenho.

Palm Beach concentra resorts

Outro antigo resort é o Holiday Inn, localizado em Palm Beach, praia que reúne a maioria dos empreendimentos hoteleiros. Segundo Magali Meza, diretora de mercado do Holiday Inn, toda a ilha comemorou na segunda-feira o ano-novo. “Se o ano foi bom para o morador, ele queima centenas de fogos de artifício. O espetáculo não é feito só por companhias. A ilha amanhece vermelha por causa do show pirotécnico”, conta.

A presença de algas faz com que Palm Beach não tenha a água tão límpida quanto Manchebo. Apesar disso, é onde as atividades aquáticas acontecem. Jet ski, passeio em boias gigantes puxadas por lanchas e de catamarãs saem desse ponto. Em frente ao hotel ficam dezenas de cabanas para guardar suas coisas durante o mergulho. Não se esqueça de fazer a reserva no dia anterior. Nada de ir colocando a bolsa em qualquer uma delas, pois se corre o risco de algum gringo reclamar posse com os funcionários. Com um ticket você tira a toalha e precisa devolvê-la no fim da tarde. Depois do banho salgado, a pedida é curtir uma piscina ou banheira de hidromassagem ao ar livre, como o fazem muitas famílias.

Também em Palm Beach, o Marriott Aruba Resort & Casino é uma boa opção para solteiros. O resort tem uma ala externa especial, em volta de uma piscina, para os hóspedes desacompanhados. Há várias tendas, discretamente fechadas com cortinas, para um bate-papo mais íntimo. O custo dessas cabanas é US$ 50, por dia, e inclui wi-fi e frutas. Há também um andar privativo que tem check-in exclusivo e open bar até as 18h.

Há pouco tempo, ele passou por uma reforma e foram investidos mais de US$ 50 milhões. O lobby, em formato de navio e a steak house foram renovadas. No Marriott está um dos maiores cassinos de Aruba — com 500 máquinas — aberto 24 horas. Todas as varandas mostram a praia que, apesar de pública, tem uma parte fechada só para os hóspedes. Não deixe de ir ao restaurante italiano do hotel, com serviço do tipo bufê. É possível pedir uma massa ao seu gosto, até mesmo com mexilhões.

No fundo do mar

Snorkel, cilindro ou escafandro: não importa. Em Aruba, a palavra de ordem é mergulhar. Uma excelente pedida é passar uma tarde em De Palm Island, ilha privada a 20 minutos de barco de Palm Beach. É um dos poucos lugares all inclusive da região e tem o preço bastante acessível: US$ 69, por pessoa, durante todo o dia. O pacote inclui tour, com direito a safári. Lá é possível contemplar os corais e a vida marinha dos belos peixes-papagaio azuis.

Antes de se aventurar na água, tome o café da manhã e aproveite um pouco do sol para se bronzear. Nada de se esquecer de passar o protetor (fator 50, no mínimo) e de se hidratar. Se o calor apertar, você pode se refrescar em um dos chuveiros espalhados pelo complexo ou, na cara de pau, se aventurar na divertida atração infantil, cheia de tobogãs. Com sorte, quando estiver lá, o balde gigante, que fica no topo da estrutura, transbordará e despejará centenas de litros de água em você. Não vale gritar de susto!

Com pés de pato, máscara e colete salva-vidas, aventure-se no snorkel para ver os corais. No ponto onde ficam os mergulhadores, o mar é um pouco mais agitado. Lembre-se de encher o colete, os instrutores não costumam fazer isso. Quem for fazer a atividade pela primeira vez pode sentir um ligeiro desconforto, no início, até se adaptar. O mergulho com escafandro, assim como o snuba (mergulho que não se limita só à superfície), devem ser pagos à parte. Custam US$ 47 e US$ 39, respectivamente.

Depois de nadar, a fome chega ligeira. Peça lanches, pouco saudáveis, mas deliciosos, como hambúrgueres e batatas fritas. O almoço deixa a desejar: comida fria e insossa. Em último caso, apele para o bom senso e coma somente frutas. Lembrando que o ingresso dá direito a open bar, descubra os drinques típicos de Aruba. Antes de ir embora, que tal uma salsa? Atente para o apito do anfitrião que anuncia os workshops gratuitos. É engraçado ver como um simples rebolado pode se mostrar um verdadeiro desafio para os americanos, enquanto os brasileiros esbanjam sensualidade nos passos.

Atlantis

Se não quiser gastar todo o dia nesse passeio, há a opção do catamarã. O Pelican Adventures cobra US$ 47 (adulto), no passeio de duas horas e meia, com duas paradas no mar para a prática do snorkel. O custo-benefício não é muito tentador, mas é uma oportunidade para você conhecer o Antilla, famoso navio alemão afundado em 1945 pelos holandeses, além do recife da Praia de Arashi.

O Antilla é o maior naufrágio do Caribe holandês. Ele foi afundado durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha invadiu a Holanda. As grandes aberturas e o bom estado de conservação levam os mergulhadores a procurarem bastante o lugar. O navio, de 120m de comprimento, é todo coberto por esponjas e habitado por pequenos peixes.

Para quem não sabe nadar, boa ideia é se aventurar no fundo do mar a bordo de um submarino, o Atlantis. O programa tem o preço bem mais salgado: US$ 115 (adulto) e US$ 59 (criança), mas vale a pena. Do Centro de Aruba parte um barco que leva os tripulantes até o submarino. No caminho, é possível ver Punto Fijo, na Venezuela. Há um comandante que guia o Atlantis e outro que dá informações sobre fauna e flora sem parar.

O medo começa quando o assistente fecha a escotilha e você percebe que o visor dos pés náuticos dispara, o que significa que o submarino está afundando. A embarcação chega a 30m de profundidade e o roteiro é todo feito ao som de música instrumental.

Além dos belos peixes e outras criatura marinhas, é possível ver dois naufrágios: Mi Dushi e Morgenster. Se der sorte, uma tartaruga gigante pode passar em frente à sua janela. Pena é que as câmeras não conseguem capturar as cores que os olhos veem, especialmente se os vidros estiverem sujos. Há cartões de referência das espécies marinhas que habitam a região dos recifes de Barcadera.

Quando o Atlantis chega ao fundo do mar, o comandante brinca: “Todo mundo fora”. Os 40 minutos da atividade passam rápido, acredite. Para retornar à superfície, o submarino se inclina e sobe em um minuto. Ao som de Yellow Submarine, dos Beatles, o guia se prepara para abrir a escotilha. Nada pode causar mais agonia. Apesar de ninguém ousar falar, o pensamento de todos os tripulantes é o mesmo: “Vai entrar água”. Medo desfeito, é hora de mudar de embarcação. Do outro barco, as pessoas esperam para ver o submarino afundando com nova tripulação.

carrubAnimação na pista

Em San Nicolas, ao sul da capital de Aruba, o Carubbian Festival, mistura de carnaval e festa gastronômica, é uma das maiores atrações noturnas, e ocorre durante o ano todo, sempre às quintas-feiras, na rua principal. Promovido pelo Ministério do Turismo, o festival é aberto a toda a comunidade. Para os turistas, há opção de ficar em lugares privativos em frente ao palco, mediante compra de ingresso, que custa US$ 64 e inclui transporte hotel-San Nicolas, duas fichas de comidas, três de bebidas, show exclusivo de uma hora e máscara.

Ao longo da Main Street, barracas vendem de cocada a iguarias locais como um bolinho recheado que lembra acarajé. Fique esperto: cada ficha de comida vale por duas. Com jeitinho, é possível convencer os vendedores a trocar cupons de comida por drinques. Uma banda local se apresenta na calçada e é um vai e vem louco de pessoas passando, dançando e comprando artesanato e suvenires.

No palco, um divertido mestre de cerimônias arubano anuncia as atrações. Mulheres e homens dançam com trajes típicos coloridos e a plateia sempre é convidada a interagir. O anfitrião, de quase dois metros de altura, escolheu uma pernambucana de baixa estatura para demonstrar como os visitantes deveriam dançar. Depois de perguntar se ela falava inglês, pediu para a moça enlaçar os braços na cintura dele e brincou dizendo que era um pouco mais para cima. Os risos do público sempre são garantidos.

Toque do Brasil

O auge é o desfile das mulheres com roupas carnavalescas, plumas e paetês. Os biquínis, mais comportados do que de brasileiras, têm sua pitada de ousadia e fazem sucesso com estrangeiros. Depois, uma bateria inicia suas batidas na rua e os artistas fazem uma ala para os turistas passarem. O cortejo sai alegre, pulando e dançando para terminar a noite.

Segundo Leon Bérénos, secretário da Fundação Carubbian, a tradição do carnaval começou com os imigrantes de Trinidade e Tobago, em meados da década de 1940. Com o passar do tempo, os arubanos agregaram elementos da festa brasileira. Há até mesmo uma escola conhecida como TOB (Touch of Brazil ou Toque do Brasil), um desfile e competição entre as escolas, além da eleição de reis e rainhas.

Quinquilharia faz fama no bar

Fotos, cartões, placas, sinos, ursinhos de pelúcia, selas, instrumentos musicais e outras tranqueiras ficam dependuradas no teto e nas paredes do Charlie’s Bar (charliesbararuba.com), na Main Street, fundado em 1941 por um casal de holandeses, Charles e Brouns Marie. O local foi escolhido por ficar próximo à Refinaria Lago Grande, que fornecia fluxo constante de clientes, entre marinheiros e empreiteiros. Acabou virando ponto para rever os amigos do passado.

Charlie Jr. nasceu seis meses antes de o bar ser aberto e continuou a tradição da família. Adornou o interior com diversos itens, antigos e novos, como pinturas a óleo. Curiosamente, os clientes foram adicionando suas recordações. Hoje, o bar é reconhecido como um dos 10 melhores do Caribe e se tornou parada obrigatória em Aruba. A especialidade da casa é o camarão jumbo e outros frutos do mar frescos.

Já na terceira geração, Charles Brouns III, o Charlito, de 46, conta que, com as novas conexões aéreas, mais brasileiros têm ido ao estabelecimento, principalmente originados do Rio de Janeiro e São Paulo. Deixam notas de R$ 2 de lembrança. Ele confessa que só consegue limpar tudo uma vez ao ano, mas garante que ainda há espaço para mais adereços.

Assim como os outros destinos no Caribe, Aruba oferece um complexo de bares e boates para não deixar ninguém parado (ou sóbrio). Entre eles, estão o conhecido Señor Frog’s e o Hard Rock Cafe. As casas se concentram próximo ao complexo hoteleiro e no Centro de Oranjestad. Outra opção muito procurada pelos turistas são os cassinos. São 13 ao todo, entre eles Excelsior, Casablanca e Stellaris. A maioria fica aberta 24 horas. Alguns hotéis oferecem o seu próprio espaço para os jogos de aposta.

Quem leva

» Voos
período: 30 de janeiro a 6 de fevereiro

Copa
0800 771 2672
Brasília – Aruba a partir de R$ 1.714

American Airlines
0300 789 7778
Brasília – Aruba a partir de R$ 2.466

Gol
0300 115 2121
Brasília – Aruba a partir de R$ 2.223

Quem leva

De Palm Island
depalmtours.com/de-palm-island
1-800-609-7374
Ingresso a US$ 69 por pessoa (dia inteiro) ou US$ 49 (meio dia). Crianças pagam US$ 49. All inclusive

Pelican Adventures
pelican-aruba.com
Ingresso a US$ 47 (adulto) e US$ 27 (crianças). Com open bar e petiscos. Saída às 14h30

Atlantis Submarine
atlantissubmarines.com
Ingresso a US$ 115 (adulto) e US$ 59 (criança)

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