Cartagena, a verdadeira joia do Caribe

Eliane Moreira e Renato Alves (fotos)

Esqueça as baixas temperaturas de Bogotá. Se seu destino na Colômbia é Cartagena de Índias, prepare-se para dias de sol, praia e história, muita história.

Fundada por espanhóis em 1533, Cartagena foi um dos principais portos das Américas, com um intenso comércio de pedras preciosas e escravos. Não à toa, despertou o interesse de piratas. Para protegê-la foi erguida uma muralha de pedra nos limites da cidade, a mais extensa fortificação da América do Sul.

Desse período, restaram aos dias atuais a muralha, a arquitetura colonial, as pedras preciosas e uma cultura resultado da influência negra, índia e espanhola. Além dos invasores, é claro. Se no passado Cartagena recebia com frequência a indesejável visita de corsários, hoje quem aporta à cidade aos milhares são os bem-vindos turistas.

Para conhecer o centro histórico da cidade, considerado patrimônio mundial pela Unesco, caminhe sem compromisso por suas ruas estreitas.

Cocheiros oferecem o mesmo passeio em carruagens, mas garanto que não há nada comparado ao encantamento de se perder por suas esquinas e descobrir a cada passo uma praça, um monumento histórico, igrejas e museus. Até uma escultura do artista plástico Fernando Botero, a obra La Reclinada, exposta permanentemente na Plaza Santo Domingo. Tudo isso cercado por casarões coloniais e seus belíssimos balcões de madeira.

Ao entardecer, aproveite para caminhar sobre a muralha (foto abaixo). Se de um lado a beleza do centro histórico vai aos poucos se iluminando pela luz amarela dos lampiões, do outro é o próprio sol que garante o espetáculo sobre o mar caribenho.

Já quando a noite cai, a cidade se transforma. Com as lojas fechadas, artesãos invadem as calçadas. As praças são tomadas por apresentações de danças regionais, fortemente influenciadas pelos ritmos africanos.

Para competir com essas atrações a céu aberto, os restaurantes precisam caprichar. Por isso a oferta gastronômica em Cartagena agrada a todos os paladares, com boa comida, ambientes agradáveis e uma enorme variedade de pratos.

Se tudo isso não for suficiente para lhe convencer de que vale a pena conhecer Cartagena, lembre-se que a cidade está estrategicamente localizada no Caribe.

As praias urbanas da cidade não são lá grande coisa, mas basta pegar o barco para o paradisíaco arquipélago formado pelas Ilhas Rosário. O passeio pode ser reservado nas recepções dos próprios hotéis, nas agências de turismo e nas escolas de mergulho.

Seja pela história, seja pela praia, Cartagena de Índias continua tão sedutora quanto à época dos piratas.

Onde ficar

A melhor forma de aproveitar o centro histórico é se hospedando nele. Ficar dentro da muralha permite andar pela cidade a qualquer hora do dia ou da noite, sem ter que se preocupar com táxi. Para preservar a arquitetura colonial, os hotéis na região não têm a mesma infraestrutura das grandes redes hoteleiras, com algumas poucas (e caras!) exceções.

Mas se você não abre mão de conforto e modernidade, prefira o bairro de Bocagrande, parte moderna da cidade.

Onde comer

Os paladares mais requintados não se decepcionam com os bem conceituados restaurantes El Santísimo, Donjuan e La Vitrola, esse último considerado por muitos o melhor da cidade. Seja para almoço ou jantar, recomendo fazer reserva.

Para um lanche rápido, experimente os hambúrgueres da El Corral  ou os crepes da Crepes & Waffles, duas redes gastronômicas com estabelecimentos espalhados por todo o país. Opção mais light, o carro-chefe do pequeno Jugosa são os sucos naturais.

A sobremesa fica por conta das sorveterias espalhadas pela cidade, como a romântica Gelateria Paradiso. O sorvete de passas ao rum faz jus à boa qualidade da bebida caribenha.

E se, apesar do calor, quiser provar o café colombiano, a rede Juan Valdéz tem uma loja em Cartagena.

O que comprar

As famosas esmeraldas colombianas também chamam a atenção dos visitantes. Em todos os tamanhos, qualidades e preços, em brincos, anéis, pingentes, elas são uma tentação até para quem lhes é indiferente.

Mas atenção: antes de se render a essas pedrinhas, procure uma loja reconhecida e que ofereça certificado de garantia. Tarefa fácil, já que no centro histórico há inúmeras lojas assim.

Se seu interesse for o artesanato colombiano, o antigo forte militar Las Bovedas concentra várias lojinhas que vendem toda espécie de souvenirs.

Bogotá: histórica, cultural e divertida

Eliane Moreira

Localizada a 2.640m acima do nível do mar, a temperatura em Bogotá dificilmente passa dos 18ºC. Mas com 7 milhões de habitantes e uma vida cultural intensa, a cidade ferve.

Duas regiões concentram as principais atrações da cidade. De um lado o histórico bairro da Candelária, com prédios centenários de arquitetura colonial, e de outro a Zona Rosa, área nobre e moderna.

Começando pela Candelária, longe de atrapalhar, o friozinho da capital colombiana torna ainda mais prazeroso caminhar por suas ruas históricas.

Nesse bairro foi fundada a cidade, na curiosa Plaza Del Chorro Del Quevedo. Se durante o dia os turistas invadem a praça, à noite a boemia dos jovens, regada a cerveja e violão, torna o cenário bastante alternativo.

Bons restaurantes em antigas casas espalhados pelos arredores da praça. Uma dica é o excelente El Gato Gris, frequentado por turistas e pelos moradores da cidade.

Já a Plaza Bolívar tem em volta a sede do legislativo e da suprema corte do país, além da prefeitura de Bogotá e da imponente Catedral Primada. O Palácio Nariño, sede da presidência da Colômbia, fica bem próximo, o que torna a região muito vigiada.

Para transitar pelas ruas que dão acesso ao Palácio, policiais revistam bolsas, mochilas e sacolas, em um procedimento tão rotineiro que parece não incomodar quem passa por lá.

O número de museus espalhados pela Candelária também surpreende. Destaque para o Museo del Oro, com obras que datam do período pré-colombiano, e para o Museo Botero, onde estão expostos quadros e esculturas do artista plástico colombiano Fernando Botero, famoso por seus personagens gordinhos.

Fica a dica: o Museo Botero é gratuito todos os dias (fecha às terças-feiras) e o Museo del Oro não cobra entrada aos domingos (aberto de terça-feira a domingo).

Ainda na Candelária, o Centro Cultural Gabriel García Márquez, além de salas para eventos e exposições, atrai turistas pela imensa livraria, com títulos de autores nacionais e estrangeiros. Lá se encontram todas as obras de García Márquez, Nobel de literatura e orgulho do país por obras mundialmente conhecidas, como O amor nos tempos do cólera e Cem anos de solidão.

Depois do turismo histórico e cultural proporcionado pelo bairro da Candelária, não deixe de conhecer a Zona Rosa, o lado mais cool da cidade. A região concentra pubs, shoppings e ótimos restaurantes, como o excêntrico Andrés Carne de Res (foto abaixo), onde se come de sanduíches, pratos típicos a saladas. Ideal para noitadas.

Um conselho: prefira se hospedar na Zona Rosa. Por ser um bairro mais moderno, os hotéis têm infraestrutura melhor que os localizados na Candelária. Como a corrida de táxi em Bogotá é muito barata, dá para ir e voltar à Candelária gastando muito pouco.

Colômbia, o risco é você querer ficar

Eliane Moreira

Durante décadas a Colômbia teve sua imagem associada ao narcotráfico e às ações terroristas das Farc. Com a campanha Colômbia, o risco é você querer ficar, o governo colombiano tenta acabar de vez com essa imagem e aumentar o número de turistas no país.

Para garantir o slogan, governo e empresários investem em segurança, e é quase impossível caminhar pelas zonas turísticas sem avistar policiais ou seguranças particulares. Bom para os brasileiros. Com voos diários partindo de Guarulhos, para entrar no país vizinho basta apresentar a carteira de identidade. A página do consulado colombiano na internet também recomenda o certificado internacional de vacinação contra febre amarela, conseguido nos postos da Anvisa.

Destinos da maioria dos turistas, os modestos aeroportos Eldorado, em Bogotá, e Rafael Nunez, em Cartagena, não se comparam em tamanho e infraestrutura aos grandes aeroportos internacionais. Ambos possuem, no entanto, casas de câmbio (1 real equivale a 1.000 pesos colombianos, a moeda oficial do país) e um seguro serviço oficial de táxi.

Aliás, embora em algumas cidades o transporte público seja bastante eficiente, como o exemplar sistema de ônibus TransMilênio implantado em Bogotá, táxis são uma opção boa e barata para circular pelas cidades colombianas. Mas atenção: evite pegar os táxis na rua. Por segurança, prefira pedi-los nas recepções de hotéis e restaurantes.

Outra dica: embora a maior parte das casas de câmbio aceite reais, leve dólares. Na hora da troca, o real é bastante desvalorizado por lá.

Com uma geografia diversificada, as atrações da Colômbia vão da fria e cultural Bogotá (fotos acima), com altitude de 2.640m, à caribenha Cartagena (abaixo), ao nível do mar; da exploração de esmeraldas à produção do mundialmente renomado café; da literatura de Gabriel García Marquez às gorditas obras de arte de Fernando Botero; da excelente gastronomia às deliciosas frutas tropicais.

Com tudo isso cada vez mais acessível ao turista, vale a pena correr o risco de não querer voltar.