Bath, as termas britânicas dos romanos bon vivants

Bath, Inglaterra

Paloma Oliveto, do Correio Braziliense

Os romanos eram bon vivants. Quando não estavam em campanha militar para abocanhar mais um pedaço do mundo e incorporá-lo a seu império, faziam questão de relaxar nos banhos públicos. Nesses locais, podiam não só desestressar em águas quentes ou despertar o corpo nas piscinas geladas, mas fazer o social, fechar negócios, falar de política ou apenas fofocar sobre a vida alheia. Os banhos, para eles, não eram apenas um passatempo. Eram quase uma instituição.

Bath, Inglaterra 1

Poucas termas romanas são tão bem preservadas quanto à de Bath, no condado de Somerset. Quando invadiram as Ilhas Britânicas, em 49 d.C., os romanos encontraram um paraíso natural. Banhada pelo rio Avon (que significa rio, em celta), a cidade tem três nascentes da água quente, sendo a maior delas aquecida constantemente a 46,5°c. Ao redor dela, ergueram-se o banho público e o templo de Minerva. Logo se espalhou que a chamada Nascente Sagrada tinha propriedades mágicas, curativas. Assim, Bath se transformou numa espécie de centro de peregrinação, atraindo visitantes não só das ilhas, mas de toda a Europa.

Bath, Inglaterra 3

Interessante é que os romanos não foram os primeiros a descobrir o potencial aquífero de Bath. Uma lenda muito anterior à chegada das legiões imperiais dizia que o príncipe Bladud, rei dos bretões, havia se curado de lepra depois de se banhar nas águas lamacentas do lugar. Em gratidão, fundou a cidade em 863 a.C. A história pode não ser verdadeira, mas arqueólogos encontraram evidências de atividade humana ao redor das nascentes quentes, datando de pelo menos 10 mil anos, um indicativo de que, muito antes dos romanos, as pessoas já tomavam banhos por lá.

Bath, Inglaterra 4
Mas Bath só adquiriu o status de balneário com a invasão das lhas Britânicas. Um suntuoso complexo — hoje praticamente intacto — foi erguido seguindo os princípios da mais refinada arquitetura clássica. O passeio pelas termas é um retorno ao glorioso passado do império romano e revela curiosidades inexistentes em outros lugares do mundo. Durante os trabalhos de escavação do local, arqueólogos encontraram peças que, até agora, só foram descobertas em Bath. Trata-se de tabuletas onde os frequentadores do templo de Minerva escreviam reclamações e pedidos para que a deusa punisse os malfeitores. “Docimedis perdeu duas luvas e pede que o ladrão responsável perca a consciência e os olhos no templo da deusa”, suplica uma pessoa. Outra, que teve um anel roubado, solicita que a divindade faça com que o larápio tenha “todos seus intestinos devorados”.

Engenharia

O visitante também poderá ver as muito bem preservadas piscinas que, por obra da engenharia romana, ora levavam água quente, ora água gelada para os banhistas. No centro do complexo, está o Banho Grande, um tanque com 1,60m de profundidade do qual, ainda hoje, borbulha água mineral — é proibido, porém, entrar lá ou mesmo colocar a mão. Os curiosos têm a oportunidade de, na saída das termas, provar a água de um filtro seguro.

Visitar Bath sem experimentar as maravilhas das piscinas termais pode ser frustrante. Por isso, é praticamente obrigatório incluir no passeio uma visita Thermae Bath Spa (foto abaixo), um spa que oferece diversos tratamentos terapêuticos, como massagens relaxantes, além de quatro piscinas de água mineral quentinhas (temperatura média de 33,5°C), boas para frequentar mesmo no frio. A mais concorrida delas fica no terraço descoberto do prédio e oferece uma vista espetacular para a cidade. O preço é compensador: a partir de 72 libras, o turista passa três horas no spa, com acesso às piscinas e a um tipo de massagem. As reservas podem ser feitas on-line, no site http://www.thermaebathspa.com.

Bath, Thermas Bath Spa

Para ser completo, o passeio em Bath deve incluir uma visita à bela abadia, construída em 1499. Com 67m de comprimento e 22m de altura, o templo tem uma torre de 49m, com 212 degraus, que fornece uma privilegiada vista da cidade a quem se dispõe subir. Outro ponto que vale conhecer é o Royal Crescent (foto abaixo), um conjunto de 30 casas germinadas projetado pelo arquiteto John Wood, considerado um dos melhores exemplos do estilo georgiano da Inglaterra.

Bath, Royal Crescent
Os fãs da escritora Jane Austin gostarão de saber que ela morou em Bath durante alguns meses e, inclusive, cita a cidade em algumas de suas obras. Para homenageá-la, há um centro de exibições perto do Royal Crescent, onde o visitante é recebido por personagens dos livros. Mais informações em http://www.janeausten.co.uk/the-jane- austen-centre/exhibition.

Lei e ordem em Salisbury

A apenas 50km de Bath, fica Salisbury, que está em festa este ano, pelas comemorações dos oito séculos da Magna Carta, documento considerado precursor das constituições. O destino, eleito um dos 10 melhores da Inglaterra pelo guia Lonely Planet, também é um ótimo lugar para hospedar os turistas que pretendem conhecer Stonehenge, distante 15km dali, e pequenos vilarejos da região.

Salisbury, England

No centro da cidade, a grande atração turística é a catedral (foto abaixo), legítima representante do primeiro estágio do gótico britânico. Tão impressionante quanto o templo é o tempo em que foi construído: apenas 38 anos — para se ter uma ideia, a catedral de Notre Dame, em Paris, levou 182 anos para ser erguida. Pessoas comuns da região ajudaram a levantar a igreja, usando 70 mil toneladas de pedra, 28 mil toneladas de carvalho e 420 toneladas de chumbo, explicam os simpáticos guias voluntários que conduzem os tours pelo prédio.

Salisbury, Catderal

Além dos vitrais, das estátuas, dos túmulos e de toda a história encravada em cada centímetro da igreja medieval, a catedral de Salisbury guarda um dos maiores tesouros da Inglaterra: um dos únicos quatro manuscritos ainda existentes da Magna Carta, que, em 1215, era uma verdadeira novidade para o mundo. Escrita em latim e selado pelo rei João (não se costumava assinar documentos na Idade Média), o conjunto de 60 cláusulas inspirou as constituições modernas, incluindo a americana. Ela foi elaborada para tentar frear uma crise política que poderia acabar em guerra civil.

Salisbury, Cathedral

Para agradar os barões, o rei João concordou em restringir alguns poderes monárquicos e a instituir conceitos como justiça, igualdade e direitos humanos. Uma 13 das cópias do documento, acordado em Runnymede, ficou na catedral de Old Sarum onde, mais tarde, foi construída a catedral de Salisbury.

Para quem visita Salisbury ou Bath — ou, melhor ainda, as duas —, um passeio imperdível é o vilarejo de Lacock (foto abaixo). Geralmente, agências de turismo oferecem tour de um dia nas três atrações, partindo de Londres. Mas, se estiver com tempo, o visitante não vai se arrepender de dedicar ao menos meio dia para conhecer esse destino medieval administrado pela National Trust, o órgão de conservação do patrimônio histórico inglês.

Lacock, Inglaterra

As casinhas de pedra, madeira e tijolos não sofreram intervenções modernas, fazendo de Lacock um cenário perfeito para produções de época, incluindo tomadas dos filmes Harry Potter e Orgulho e preconceito. Vale conhecer a Abadia de Lacock, um antigo convento convertido em moradia no estilo Tudor (http://www.nationaltrust.org.uk/lacock) e o museu Fox Talbot, dedicado ao inventor inglês da fotografia (http://www.nationaltrust.org.uk).

Lacock, Inglaterra 1

Mais dicas

Como chegar
» Bath fica em Somerset, a 186km de Londres. Há trens diários desde a capital, saindo da Estação de Paddington em diversos horários, com duração de uma hora e meia. Horários e rotas em http://www.thetrainline.com. Da Estação de Vitória saem os ônibus, com viagens que duram, em média, duas horas e meia. Horários e rotas em http://www.nationalexpress.com/home.aspx. Da capital inglesa saem diversas excursões de um dia para a cidade.

» Salisbury fica em Wiltshire, a 50km de Bath e a 125km de Londres. Há trens diários desde a capital, saindo da Estação de Paddington em diversos horários, com duração de 1h20min. Horários e rotas em http://www.thetrainline.com. Da Estação de Vitória saem os ônibus, com viagens com duração a partir de 2 horas e 45 minutos. Horários e rotas em http://www.nationalexpress.com

Circule
» Tanto Bath quanto Salisbury podem ser exploradas a pé. Para conhecer Lacock, se não estiver de carro, o ideal é pegar uma excursão de um dia.

Onde comer
» Chapter House: o restaurante está construído em um prédio de 800 anos, no centro histórico de Salisbury, e também é hotel. No cardápio, há pratos à la carte, a partir de 12 libras e menus fixos de dois pratos a 10 libras. Há opções vegetarianas. Site http://thechapterhouseuk.com

Onde ficar
» The Halcyon Apartments: que tal ter seu próprio apartamento em Bath? Perto das principais atrações da cidade, o prédio do Halcyon aluga sete apartamentos charmosos e espaçosos, com sala, cozinha, banheiro e quarto. Os maiores ficam no primeiro andar. As diárias começam em 115 libras e incluem serviço de limpeza. Quem tem mobilidade reduzida deve optar pelos apartamentos 1 e 2, no térreo, pois o prédio não tem escadas. Site: http://www. thehalcyon.com/apartments

» Legacy Rose and Crown: esse hotel em Salisbury era um estábulo no século 13. Nos fundos, há um jardim com vista para o rio. Diárias a partir de 90 libras.

Uma viagem literária pela Grã-Bretanha

Paloma Oliveto, do Correio Braziliense

Era uma vez um lugar muito remoto, tão longe do que se conhecia como mundo que os romanos acreditavam ser ali o recanto onde “a terra e a natureza acabavam”. Quando as legiões de Júlio César descortinaram aquela ilha em formato triangular, o futuro imperador se horrorizou com o que viu. Em seus relatos de viagem, escreveu que as noites eram curtas; o clima, miserável, com chuva e névoa constantes.

“É um lugar selvagem”, habitado por pessoas “inóspitas e ferozes”, na conta dos historiadores antigos Horácio e Tácito. Homens e mulheres andavam “praticamente nus” e adornavam a cintura e o pescoço com objetos de ferro, um símbolo de riqueza, além de tatuar o corpo com figuras de animais. “Por causa da espessa neblina que sobe dos pântanos, o clima nesta região é sempre sombrio”, resumiu o senador romano Herodiano.

Stonehenge

E pensar que esse cenário dantesco é, na verdade, a belíssima Grã-Bretanha. Uma ilha que atrai, anualmente, 28,6 milhões de estrangeiros em busca de experiências culturais e sensoriais tão diversas quanto museus, sítios arqueológicos, paisagens bucólicas, vilarejos medievais, shows e festivais de rock, compras, negócios…

Os brasileiros não ficam de fora das estatísticas. Embora ainda não figurem entre os maiores visitantes do Reino Unido — aí incluindo-se também a Irlanda do Norte —, eles estão cada vez mais interessados em conhecer o país. Entre 2013 e 2014, a despeito da crise econômica, o número de turistas do Brasil aumentou 12%, ao mesmo tempo em que o de norte-americanos cresceu 7%, o de franceses, 2%, e o de australianos, ao contrário, caiu 3%.

Mas, para 60% dos brasileiros, uma viagem ao país ainda se resume a Londres e suas atrações icônicas, como os ônibus vermelhos de dois andares, o Big Ben, o metrô e, claro, a rainha. Nada mais justificável, lembrando que a capital ainda tem o Museu Britânico, o Palácio de Westminister, a London Eye e, não menos importante, a Abbey Road. Sem falar em todo o resto — que não é pouco.

Se conhecer Londres é quase uma obrigação para quem desembarca no Aeroporto de Heathrow, ignorar as outras atrações que a Grã-Bretanha tem a oferecer, porém, é quase pecado mortal. Enquanto a capital tem “apenas” cerca de 2 mil anos, o mais antigo resquício de ocupação humana da ilha data de 13 mil anos atrás.

Inglaterra - Cambrige

Da pré-história aos tempos modernos, os britânicos ergueram cidades de pedra, foram subjugados por romanos e povos bárbaros, coroaram quase 70 reis e rainhas, construíram castelos e palácios, elegeram heróis reais e míticos, instituíram uma nova religião, deram ao mundo alguns dos mais célebres artistas e escritores — de William Shakespeare a Agatha Christie —, reinventaram o chá e a cerveja e, mais recentemente, produziram coisas como Harry Potter e Downton Abbey.

Para ver e sentir um pouco de tudo isso, faça as malas, pouse em Londres e caia na estrada. Seja encarando a mão inglesa ao volante, seja embarcando em um ônibus, desbrave a Grã-Bretanha e descubra por que os romanos estavam redondamente enganados.

Glastonbury e Stonehenge

Glastonbury, na antiga ilha de Avalon

Uma terra de magos, druidas, elfos, dragões, fadas, sacerdotisas e cruzados. Repleta de pântanos e envolta em brumas, a Inglaterra é um destino cheio de mistério, povoado por personagens verdadeiros e legendários, que, há centenas de anos, atraem visitantes. Tem sido assim em Glastonbury, o destino mais místico do Reino Unido, desde o século 12. Se, hoje, além de palco de um dos mais famosos festivais musicais do mundo, a cidade é reduto alternativo, com hippies circulando em suas roupas vintage pelas charmosas ruas de pedra, há quase mil anos, os peregrinos viajavam quilômetros a perder de vista por outra razão. Eles estavam ali pelo rei Arthur.

Há muito tempo, ouvia-se na Grã-Bretanha a história de um rei que defendeu seu povo contra os saxões em 5 d.C. A associação de Glastonbury com o legendário monarca, porém, só se popularizou em 1191, quando monges da cidade afirmaram ter encontrado o túmulo de Arthur e de Guinevere, sua mulher, na abadia. Provavelmente, não passava de uma estratégia dos religiosos para recuperar o apoio financeiro real, perdido após a morte de Henrique II. Mas a informação não foi contestada. Glastonbury era Avalon.

Antes disso, a cidade, um antigo assentamento da Idade do Bronze, já tinha fama mística. Para lá teria ido José de Arimateia após a morte de Cristo. Algumas lendas da região vão além e garantem que o próprio Jesus pisou em Glastonbury, onde ergueu, ele mesmo, uma igreja chamada Vetusta Ecclesia, o primeiro templo cristão da Inglaterra. Se há alguma verdade no que se diz sobre o passado religioso da cidade, não há nada que possa comprová-la. Mas é inegável que esse centro de peregrinação tem uma atmosfera diferente, que se evidencia em uma de suas principais atrações: a Glanstonbury Tor (foto abaixo).

Glastonbury -Tor

A montanha (tor, em celta) de 158m oferece uma vista privilegiada do condado de Somerset e, como tudo na cidade, guarda um segredo. Ninguém se sabe ao certo a razão para seu formato, deliberadamente dividido em sete níveis. No topo, como se vigiando eternamente Glastonbury, fica a torre da igreja de São Miguel, única parte do templo do século 15 que restou. Certeza absoluta de fotos incríveis, a atração exige fôlego — embora com paciência qualquer um consiga chegar ao alto — e roupas quentinhas para aguentar o sopro gelado do vento.

Lá embaixo, a principal atração da cidade são as ruínas da Abadia de Glastonbury (foto abaixo). Até o século 16, quando Henrique VIII — o rei que gostava de degolar as mulheres — comprou briga com a Igreja Católica, esse era o maior e mais importante monastério da Inglaterra. A primeira abadia era mais simples e teria sido erguida pelo rei Ine de Wessex (688-726 d.C.) no terreno onde estava a chamada Vetusta Ecclesia. A época de ouro, porém, veio por volta de 1086 d.C., quando registros escritos davam conta da beleza e da riqueza. Ainda se pode ver resquícios das cores e do ouro que cobriam as paredes do templo do complexo. No centro de visitantes, uma maquete mostra a grandiosidade da abadia, onde foram enterrados três reis saxões e, de acordo com a lenda, o rei Arthur.

24/03/2015. Crédito: Alex Graeme / Divulgação. Abadia de Glastonbury.

Circulando pelas ruínas estão personagens de época — arqueólogos que, vestidos a caráter, oferecem tours guiados (incluídos no ingresso) pela abadia. Em meio aos resquícios da antiga construção, demolida a mando de Henrique VIII, eles mostram a cozinha do monastério, um prédio raríssimo na Europa, onde há poucos exemplares parecidos. Construído entre os séculos 13 e 14, o prédio em formato octogonal era onde se preparavam as delícias que serviam os nobres e ricos convidados dos monges, que, por sua vez, tinham de se contentar com a modesta cozinha do claustro.

Glastonbury - Abadia

No centro de Glastonbury, a atração é a própria atmosfera mística e esotérica da cidade. As muitas lojinhas que dividem espaço com pubs e hospedarias medievais vendem artigos religiosos bem diversificados, como crucifixos, incensos, imagens de ciganos e divindades pagãs, além de uma infinidade de ervas e óleos para a confecção de poções mágicas, no melhor estilo de Avalon.

Glastonbury - Centro da cidade

A incrível obra de 5,5 mil anos

A Inglaterra mística não se esgota em Glastonbury. Ainda no sudeste britânico, no meio de uma rodovia, ergue-se, majestosamente, o círculo de pedras de Stonehenge. Imponente, misterioso, testemunho de um período em que as forças da natureza eram divinas para o homem, o monumento, de 5,5 mil anos, atrai visitantes que, mesmo sem compreender exatamente seu significado — nem os estudiosos chegaram a um consenso — sentem-se magnetizados pela edificação.

Inglaterra - Stonehenge

Para começar, Stonehenge impressiona por ser uma obra-prima da engenharia do neolítico. O monumento foi construído com dois tipos de pedra: um grande e pesado arenito típico das planícies do condado de Wiltshire, conhecido como sarsen, e as bluestones, estruturas menores que compõem a parte interna do círculo. Em média, as sarsen pesam 25 toneladas e, segundo arqueólogos, foram transportadas desde Marlborough Downs, a 32km de distância. Já as bluestones pesam de 2t a 5t e também foram carregadas até o lugar onde se ergueu o círculo. O trabalho de polir, levantar e encaixar as pedras certamente exigiu não só força, mas um sofisticado conhecimento técnico.

Stonehenge - Turistas

A maior parte das pessoas que vai até esse Patrimônio Mundial da Humanidade, porém, é mais atraída pelo significado do círculo que pela arquitetura. Poucos monumentos antigos foram alvo de tantas especulações e teorias. Há quem defenda que o propósito inicial era coroar reis, outros dizem que seria um templo druida ou um instrumento astronômico, para prever eclipses e outros eventos. Também poderia ser um centro de cura, um cemitério ou um memorial dos ancestrais. Atualmente, a interpretação mais aceita é a de um templo pré-histórico alinhado com os movimentos do Sol — no solstício (dezembro e junho), uma multidão vai até lá observar o astro e celebrar rituais pagãos, bem à moda neolítica.

Para conhecer melhor a história de Stonehenge, resista à tentação de correr até o monumento e faça primeiramente um tour pelo museu, localizado no centro de visitantes. Há cerca de 300 objetos arqueológicos escavados no círculo e nas proximidades, que explicam as principais teorias e inserem a edificação no contexto da época.

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Dicas básicas

Como chegar
» Glastonbury fica em Somerset, a 50km de Bristol. Para quem sai de Londres, há linhas diárias saindo da estação de Victoria, com duração média de três horas e meia. Horários e rotas em coach.nationalexpress.com. As linhas de trem desde a capital inglesa vão até Bristol, a partir da estação de Paddington. Depois, é preciso pegar um ônibus até Glastonbury. Informações: http://www.thetrainline.com

» Para quem vai a Stonehenge, o ideal é alugar um carro ou partir de Salisbury, de onde sai o transporte público até o monumento. De trem, são 19km e os horários podem ser consultados em http://www.nationalrail.co.uk. De ônibus, a viagem dura 30 minutos e tem saídas a cada 15 minutos. Horários em http://www.salisburyreds.co.uk. Desde Londres, diversas agências de viagem oferecem tours de meio dia com transporte, ingresso e guia.

Circule
» O centro de Glastonbury, onde estão as lojas e a abadia, pode ser circulado a pé. Para ir ao Tor, é preciso pegar um táxi.

» Os ônibus param em frente ao Centro de Visitantes de Stonehenge, onde há um amplo estacionamento. De lá, há transporte próprio da atração até o círculo de pedra

Onde ficar
» Glastonbury pode ser visitada em um dia, mas, para quem deseja se hospedar lá, o centro de turismo da cidade tem recomendações de campings, alojamentos, pousadas e hotéis com preços variados: http://www.glastonburytic.co.uk

Onde comer
» O Hundred Monkeys, em Glastonbury, é frequentado pelo pessoal alternativo, que se preocupa com a origem dos alimentos e a sustentabilidade local. Os pratos servidos no café são à base de ingredientes orgânicos de produtores da região. Há opções de vinhos e cervejas orgânicas, assim como pratos vegetarianos e veganos, a partir de 7,5 libras. Informações em: http://www.hundredmonkeyscafe.com

» Há uma praça de alimentação no Centro de Visitantes de Stonehenge

Navio repetirá saga do Titanic, 100 anos depois

Foto original do Titanic

Fernando Braga, do Correio Braziliense

Quase 100 anos depois do naufrágio do Titanic, o luxuoso navio inglês continua a exercer um enorme fascínio sobre as pessoas. No rastro desse interesse, a agência de turismo inglesa Miles Morgan Travel resolveu fretar um navio e refazer a viagem feita em 1912 pelo famoso transatlântico.

Capa de jornal inglês sobre o naufrágioA viagem comemorativa a bordo do navio MS Balmoral, da Fred Olsen, vai partir de Southampton no dia 8 de abril de 2012, para um cruzeiro de 12 noites, seguindo o trajeto original do navio inglês.

Conforme planejado há um século, ele atravessará o Canal da Mancha e passar por Cherbourg, na costa francesa, antes de rumar para o porto irlandês de Cobh (antes chmado de Queenstown), onde o Titanic fez a sua última escala em 11 de abril de 1912.

Missa pelas vítimas

O navio seguirá, então, pelo Atlântico, com chegada prevista ao local do acidente na virada do dia 14 para o dia 15, exatamente 100 anos após a trágica viagem. Às 2h20m, uma missa será realizada para homenagear os passageiros e a tripulação vitimadas pelo naufrágio. O itinerário prossegue para Halifax, capital da província canadense de Nova Escócia, para os passageiros visitarem diversos cemitérios onde estão enterradas mais de uma centena de vítimas do naufrágio, antes de seguir para seu destino final: Nova York.

“Escutei várias pessoas comentarem que gostariam de poder fazer uma viagem como essa, mas ninguém nunca havia realizado algo parecido. Então eu pensei, por que não? A história do Titanic é fascinante e conhecida em todo o mundo”, comenta Miles Morgan, responsável pela organização da viagem.

O luxuoso navio tem 738 cabines e espaço para receber até 1.400 pessoas. O menu do restaurante será composto pelos mesmos pratos servidos na ocasião e a parte de entretenimento vai incluir músicas e danças da época.

Além disso, historiadores darão palestras referentes ao tema que ganhou status mítico. A escolha da Fred Olsen também não foi por acaso, já que eles são acionistas da Harland and Wolff, empresa que construiu o malogrado navio.

Partida do TitanicVariação de preços

O preço do cruzeiro Titanic Memorial Cruise varia de acordo com as cabines escolhidas e vai de 2,6 mil libras (R$ 6,5 mil) até 8 mil libras (R$ 26 mil). Nos primeiros cinco dias de vendas, a agência de viagem recebeu inúmeros pedidos de reservas e fechou contrato de 100 cabines. “Recebemos contato de pessoas de 45 países”, calcula Morgan. “É uma oportunidade de uma vida. Trata-se de um cruzeiro único, embalado pelo interesse daqueles que têm fascínio pela história do navio”, diz.

Para aqueles que acham mórbida a ideia de refazer o fatídico trajeto do Titanic, o organizador argumenta. “É um cruzeiro memorial, nada mais. Nossa intenção é prestar honras e respeito às vidas que se foram há 100 anos.”

O MS Balmoral é um gigante dos mares de 218 metros de comprimento por 28 metros de largura. “O navio tem todas as facilidades e conforto de um cruzeiro moderno”, conta Morgan. Entre as regalias oferecidas aos passageiros estão espaço para spa, academia de ginástica, sauna, jacuzzi, piscina, lavanderia, centro médico, cassino, bares, loudges, restaurantes, sala de jogos, internet e biblioteca.

SERVIÇO

TITANIC MEMORIAL CRUISE
Data: 8 de abril de 2012
Preços: R$ 6,5 mil a R$ 26 mil
Site: www.titanicmemorialcruise.co.uk

MS Balmoral