Cidade do México: dois hotéis e um motorista para chamar de seu

 

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Eliane Moreira

Nos sete dias que passamos na Cidade do México, nos hospedamos em dois hotéis, ambos na região central, próximos ao Zócalo. Embora a população da capital mexicana ultrapasse 20 milhões de habitantes e o país tenha um histórico de violência por causa das guerras entre os narcotraficantes, a área central, assim como toda a cidade, é bem policiada e segura. Por isso, fica a dica de dois bons hotéis:

Hotel Histórico Central

Localizado a poucas quadras do Zócalo, o Hotel Histórico Central tem ambientes requintados e quartos limpos e confortáveis, a preços inferiores aos de sua categoria. Oferece café da manhã completo, com boa variedade de pães, frutas e acompanhamentos, além de pratos típicos da culinária mexicana.

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No saguão, garrafinhas de água mineral e maçãs são permanentemente disponibilizadas aos hóspedes, de graça. Há uma cafeteria na recepção, com poucas opções para um lanche no final do dia, o que não chega a ser um problema dado o grande número de restaurantes e lanchonetes no entorno.

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O Histórico Central ainda viabiliza passeios com motoristas particulares com ótimos carros a preços fixos e condizentes com os valores cobrados em média.

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Hotel Fiesta Inn Centro Histórico

O hotel ocupa alguns andares de um prédio comercial, em frente ao Parque Alameda e muito próximo ao Palácio Bellas Artes. No térreo, funcionam algumas lojas e lanchonetes como McDonalds, Subway e Starbucks.

Apesar dessa movimentação, os quartos são silenciosos e o acesso aos andares dos apartamentos só é permitido aos hóspedes do hotel. Quartos confortáveis e grandes, o café da manhã é cobrado a parte.

De forma geral, o Fiesta Inn não é tão aconchegante quanto o Histórico Central, mas oferece um bom custo-benefício.

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Museu Frida Kahlo e Museu Leon Trotsky

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Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Quem passeia pelas ruas residenciais do pitoresco bairro de Coyoacán, na Cidade do México, não desconfia que no passado o bairro serviu de endereço para dois ilustres moradores: a pintora mexicana Frida Khalo e o revolucionário russo Leon Trótski.

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Dona de uma biografia marcante, Frida quebrou tabus por suas ideias e comportamento, e, apesar de ter vivido em um país considerado machista, despontou como ícone feminista mundo a fora. Hoje seu rosto está em todo tipo de souvenir, em bolsas, roupas e até em editoriais de moda.

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Teotihuacan, a Cidade dos Deuses

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Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

A 40 km da Cidade do México, encontra-se um dos sítios arqueológicos mais visitados no país. Teotihuacan, a Cidade dos Deuses, encanta os turistas pelas imponentes pirâmides do Sol e da Lua.

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Muitos são os mistérios sobre as origens de Teotihuacan. Patrimônio Mundial desde 1987, ao contrário do que muitos pensam, não foram os astecas que ergueram Teotihuacan, mas uma comunidade de povos de várias etnias.

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Fato é que uma visita a Teotihuacan descortina uma incrível volta ao passado e à uma cultura politeísta, que cultuava elementos da natureza e animais como divindades e, ao mesmo tempo, construiu uma cidade de moderno plano urbanístico.

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Além das gigantescas pirâmides, Teotihuacan era cortada por uma avenida de 3 km, a Avenida dos Mortos, e várias construções que revelam uma sociedade organizada e estratificada.

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Cidade do México, comece pelo Zócalo

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Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Quem nunca voltou de uma viagem com a sensação de que muitos pontos turísticos ficaram de fora do roteiro porque não deu tempo de visitar tudo? Essa sensação pode ser muito, muito intensa quando se visita a Cidade do México.

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Com um país construído por civilizações maias e astecas, famosos revolucionários como Pancho Villa e Zapata, personagens que viraram ícones mundiais como a pintora Frida Khalo, além de uma culinária peculiar e apreciadíssima, atrações para todos os gostos é o que não falta à capital mexicana.

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San Miguel de Allende: onde ficar, comer, comprar

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Centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

O México dispensa visto para brasileiros. A Latam e a Aeroméxico têm voos diretos do Brasil para o país da América Central, partindo de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os preços variam muito, de acordo com as datas.

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Centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

San Miguel de Allende fica a 274 km da Cidade do México. Uma opção para visitar San Miguel é alugar um carro (as estradas são seguras e bem sinalizadas). Outra, ir de ônibus (os de 1a classe são bastantes confortáveis e a viagem dura de 3h e 30min a 4h e 15min). Empresas de turismo oferecem passeios bate e volta (em vans e microônibus), que podem ser comprados com um dia antecedência. Mas esta não é a melhor opção. San Miguel merece ao menos duas noites.

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Casa Mia, San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

ONDE FICAR

Casa Mia: situado a apenas dois quarteirões da praça principal, esse casarão possui quartos amplos, equipados com sala e cozinha, e um pitoresco pátio interno.

Coqueta Hotel Boutique: localizado em um casarão, no  centro histórico, tem um belo jardim com piscina e quartos simples, mas espaçosos.

Hotel Casa Loteria: funciona em um casarão amarelo-mostarda, com um belo pátio interno. Com com 14 quartos simples, mas novos e bem decorados.

Hotel Matilda: hotelmatilda.com

Mansion San Miguel: terraços floridos com vistas para a cidade. Quartos com móveis vintage e itens mais contemporâneos.

Rosewood Hotel: os 67 apartamentos construídos no estilo barroco têm uma charmosa sala-de-estar e teto com vigas de madeira. Algumas suítes contam com um terraço, do qual se pode desfrutar de um jardim privado ou da linda vista de San Miguel de Allende. 

IMG_5963.JPGONDE COMER E BEBER

Cumpanio: padaria francesa (baguetes, croissants e sobremesas típicas). Em um dos dois endereços, é conjugada a um restaurante com cardápio variado.

Café San Augustín: o melhor churros da cidade. Por isso as constantes e longas filas na porta.

De Temporada: fica em uma fazenda, a 10 minutos de centro. Pratos como salada apimentada de papaia e polvo e ovos de codorna na manteiga de mostarda com purê de rúcula indicam a sofisticação da cozinha. 

Hotel Rosewood: além do melhor guacamole da cidade, ele tem uma vista imperdível da cidade ao entardecer.

Martinez: mais de 20 tipos de martínis, preparados com ingredientes exóticos. Às vezes, tem DJ ou uma banda tocando ao vivo. Mesones 80; 52-415-152-4343.

Pujol: comandado por uma estrela da gastronomia internacional, Enrique Olvera. Pratos sofisticados. Hotel Matilda, Aldama 53

Via Orgânica: vertente gourmet saudável, com cereais e sucos detox. Calle Margarito Ledesma 2

La Azotea: é um bar em um terraço do El Jardin, ao lado da Paróquia. No pátio exterior, pode-se bebericar margarita. Umaran 6

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ONDE COMPRAR

Altelier: a fashionista Laura Reyesvende casacos e coletes feitos da estopa das sacas de café em sua boutique. Relox 79; aberta a partir das 11h.

Mixta: artesanato e objetos de decoração divertidos, móveis e roupas (vestidos e blusas bordados à mão por Almudena). Pila Seca 3

La Aurora: fábrica têxtil desativada, ocupada por 50 galerias. Quinquilharias a joias artesanais e obras de artistas contemporâneos consagrados como Andy Warhol.

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Mercado de Artesanías: em um beco ao longo de três quarteirões, tem opções baratas de artesanato, jóias, roupas e todos os souvenires típicos do país.

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Mercado de Artesanías, San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Mercado El Nigromante: nele, pode-se observar a produção de objetos em ferro forjado e mobiliário de estilo colonial. Ainda, tem produtos frescos e lanchonetes.

Mujeres Productoras: cooperativa rural feminina de moradoras dos municípios vizinhos. Produtos feitos à mão, que são fonte de renda para as famílias.

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OUTRAS ATIVIDADES

Arqueologia

Localizada entre as serras de San Miguel de Allende, encontra-se a zona arqueológica La Cañada de la Virgem. É um assentamento pré-hispânico desenhado para observar os céus e os ciclos cósmicos. O apogeu deste importante centro cerimonial teve lugar entre os anos 600 e 900 D.C.

Golfe

Algumas opções ficam em hotéis internacionais, como o Las Ventanas de San Miguel. Ele tem um campo de golfe com 18 buracos, ideal para os mais exigentes. Outras opções são os Campo de Golf de la Hacienda Santuário e o Malanquín Golf Club. Ambos são públicos, de nove buracos, com restaurante e aluguel de equipamentos.

Montanhismo

Os picos e pinturas rupestres são dois dos locais escolhidos para a atividade, independentemente da idade ou físico. Eles fazem parte de uma cadeia de montanhas que cercam a cidade. Há trilhas simpáticas e vistas espetaculares. Oferecidas por empresas como a San Miguel Adventours, as excursões partem de San Miguel para qualquer destino.

Rapel

San Miguel é cercada por montanhas e uma floresta. A agência Aventuras Cañón del Coyote oferece passeios e descida por uma parede de 37m de altura. Também se pode ir a cavalo, caminhar, andar a pé ou em um curso de parapente para o local de pouso, você pode apreciar a flora e fauna. A região tem águias, gaviões, abutres, corvos, coelhos, gambás, tatus, coelhos, cucos, entre outros.

Spa

Nos arredores da cidade, há mananciais de águas termais e alcalinas, ricas em propriedades minerais. Alguns hotéis e clubes têm suas piscinas naturais, com infraestrutura de banheiros, vestiários e restaurantes. Entre os mais populares estão o La Gruta Spa, com uma gruta e spa de massagem, e o Escondido Place, com piscinas aberta e fechada, restaurante e lavandas enfeitando o jardim.

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Artesã em rua de San Miguel de Allende. Foto:Renato Alves

 

San Miguel de Allende, a capital gourmet do México

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Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

No início das manhãs de sábado, filas tomam conta das ruas e calçadas do centro histórico de San Miguel de Allende. Moradores e visitantes disputam logo cedo uma mesa nos mais badalados restaurantes e cafés. Os mexicanos, na esperança de conseguir tomar o seu tradicional e pesado café de manhã. Os turistas, ávidos por experimentar o que de melhor há na cozinha local.

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Estudantes compram guloseimas na praça central de San Miguel de Allende

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San Miguel de Allende tem se consolidado como um dos principais destinos dos apreciadores da boa mesa. A cidade abriga cafés internacionais e restaurantes de comida contemporânea. Todos em casarões belíssimos, com seus pátios aprazíveis.

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Interior da Doce-18 Concept House, em San Miguel de Allende

Nada se compara, no entanto, com o que se esconde por trás da fachada de um antigo casarão conhecido como Doce-18 Concept House. Totalmente reformado, seu interior moderninho contrasta com as construções históricas de San Miguel e com a sua própria fachada.

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Interior do Doce-18 Concept Housee, em San Miguel de Allende

Trata-se de uma imensa galeria multiuso que concentra não só excelentes opções gastronômicas, como lojas que oferecem objetos de arte, moda e desenhos. Além da tradicional comida mexicana, essa casa conceito abriga um café francês, uma hamburgueria, uma pizzaria, degustação de espumantes, uma lojinha de chás e outra das mais variadas combinações de temperos artesanais.

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Lojas de doces na Doce-18 Concept House, em San Miguel de Allende

Doçura

Vegetarianos e apreciadores de comida têm ainda mais atrativos. Muitos dos restaurantes oferecem saladas e pratos preparados com produtos orgânicos, cultivados em hortas próprias. Os chamados telhados verdes têm se tornado cada vez mais comuns na cidade. Os moradores plantam legumes e pequenas árvores frutíferas para consumo e para trocar com os conhecidos.

Já para os fãs de chocolates e outros doces há lojas como a Nuestros Dulces. Na Rua de Hernández Macías, ela oferece os mais finos doces mexicanos elaborados de forma artesanal, como jamoncillos (à base de leite e açúcar), rompope (à base de ovos), arrayán (fruta cristalizada) e tamarindos cristalizados, entre outros.

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Grupo de maricahi canta para clientes de restaurante em San Miguel de Allende

O El Tumbagón vende doces de todo Guanajuato, o estado onde fica San Miguel. Entre eles, se destacam o guayabate (de goiaba), o queijo de amêndoas, os doces de leite com coco, o rolo de goiaba, o tarugos (semelhante aos pirulitos), geleias, cocadas, natillhas (creme a base de leite, ovos, açúcar e baunilha), trompadas (à base de mel e sementes de anis) e charamuscadas (à base de açúcar, leite, coco e nozes). Claro, tem ainda a estrela local, os tumbagones (à base de farinha de trigo, ovos, canela e açúcar) com rompope.

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San Miguel de Allende respira arte

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Galeria de arte em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

A partir do El Jardín, a praça principal de San Miguel de Allende, caminhar por qualquer rua paralela ou transversal descortina um número sem fim de atrações, além das fachadas coloniais. As distâncias da compacta cidade colonial podem ser percorridas a pé. Andando pelas ruas com calçadas de pedra e ladeiras íngremes, nem mesmos os viajantes com orçamento limitado conseguem evitar as inúmeras galerias de arte.

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San Miguel tem atraído uma grande comunidade artística, composta em sua maioria por estrangeiros aposentados: artesãos, pintores e escultores. As obras dessa gente estão em galerias, museus e em escolas de arte. Qualquer ruazinha de San Miguel esconde tesouros.

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A beleza e tranquilidade do lugar servem de inspiração a todas as formas de arte. Muitos dos artistas deixam seu atelier aberto à visitação. A maioria fica no centro histórico, onde também se concentram as melhores lojas. Grande parte, instalada em algum casarão antigo. Elas exibem móveis artesanais, joias, artigos de luxo, quadros, fotografias, esculturas.

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No centro também há muitas lojinhas com souvenieres típicos do México, como desenhos aztecas, camisetas com o rosto da artista Frida Khalo e ricos bordados feitos à mão. Ainda, os famosos corações mexicanos e os espelhos emoldurados em azulejos.

IMG_5711.JPGMurais famosos

Rivalizando em esplendor com a catedral, ainda no centro, há o prédio de quase 250 anos onde funciona o Centro Cultural Ignacio Ramirez “El Nigromante”, também conhecido como Instituto Nacional de Bellas Artes. Primeiro um convento, depois faculdade de artes, hoje, totalmente reformado, ele funciona como centro comunitário e galeria de arte.

Os degraus de pedra são fundos no meio, resultado de séculos de uso. Embora haja cinco salas para mostras temporárias, o acervo permanente é o mais impressionante. Eles exibem afrescos de um dos maiores muralistas do México, David Alfaro Siqueiros.

Contato com os nativos

Outra parte do centro histórico que tem de ser visitada é a Praça Cívica. Além de ponto de encontro de moradores, ela é rodeada por lojas que servem basicamente aos locais (vendendo artigos de primeira necessidade a preços baratos), pelo antigo colégio de San Francisco de Sales e pelo Templo Nossa Senhora da Saúde.

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Templo de Nossa Senhora da Saúde, em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Construída no século XVIII, a igreja católica é uma das imagens mais representativas de San Miguel. A cúpula está coberta de azulejos amarelos e azuis. Ela conta ainda com uma fachada barroca em forma de concha, esculpida em pedra com nichos sobre as portas principais, dedicados a São Joaquim, Santa Ana, ao Sagrado Coração e a São João Evangelista.

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MEMÓRIA

Migração pós-guerra

Os estrangeiros, a arte e a importância histórica salvaram San Miguel. No início dos anos 1900, ela esteve perto de se transformar em uma cidade fantasma. Mas, em 1926, o governo mexicano a declarou monumento histórico. Desde então, as construções em seu centro estão limitadas para conservar o cenário colonial.

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A partir de 1950, San Miguel tornou-se destino de milhares de norte-americanos, onde começaram a estabelecer-se após a Segunda Guerra Mundial. No final de 1950, começou a virar um ponto turístico conhecido por sua bela arquitetura colonial e as suas fontes termais.

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Jornais mexicanos e estrangeiros à venda na praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Uma praça faz a alegria em San Miguel de Allende

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Conhecida como El Jardín, a praça principal do centro histórico de San Miguel de Allende reúne moradores e turistas.Foto: Renato Alves

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Como na maior parte das cidades interioranas, a vida em San Miguel pulsa ao redor de sua principal praça, conhecida como El Jardín. É o ponto de encontro dos moradores e turistas. O coreto faz a festa das crianças. Jovens e adultos preferem os bancos de ferro forjado sob as sombras de loureiros. Neles, descansam, conversam, namoram ou aproveitam a internet grátis fornecida por meio de pontos de wi-fi.

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Nos fins de semana, bandas se apresentam ao redor da El Jardín, comandando bailes ao ar livre no centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Nos fins de semana e feriados, grupos de mariachis fazem apresentações públicas e gratuitas. Nas tardes e noites de sábado, a presença dos músicos transforma as ruas ao redor da praça em uma casa de shows a céu aberto, com muita cantoria, dança e bebedeira. Mas tudo sem bagunça. Crianças, jovens e idosos se misturam de forma respeitosa. E ainda há espaço para quem não quer entrar na dança. Sempre há um canto de paz na praça.

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Gente de todas as idades se reúne ao redor da El Jardín para conversar, paquerar, dança, cantar, beber. Foto: Renato Alves

 

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Paróquia de San Miguel Arcanjo, em San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Paróquia

A principal construção da cidade fica em frente a El Jardín. A Paróquia de São Miguel Arcanjo começou a ser construída nos primeiros anos da cidade. Em 1564, estava concluído, com fachada em estilo barroco, mas, entre 1880 e 1890, após uma reforma, passou a apresentar um estilo neogótico, toda em pedras extraídas da região.


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Palco de tradicionais feirinhas de comidas e artesanato, com barraquinhas montadas na sua entrada, a igreja também proporciona cenas bucólicas. Em meio a vendedores ambulantes, famílias locais em um passeio de fim de semana, turistas e fiéis, noivas desembarcam em carros de época para suas cerimônias de casamento.

A igreja também sedia a mais importante festa local, que celebra o padroeiro da cidade: São Miguel Arcanjo. O evento acontece na última semana de setembro. Começa com o nascer do sol e termina com a tradicional procissão com a estátua de São Miguel Arcanjo nas ruas do centro da cidade. Paralelamente, são realizados eventos sociais, artísticos, esportivos, culturais, bem como suas famosas touradas.

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Coreto na El Jardín, a praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

Herói nacional

Ainda vizinho a El Jardín, está a casa de Ignacio Allende, o herói insurgente da Independência que dá nome à cidade (leia Para saber mais). Ela abriga um museu dedicado a este personagem e ao seu papel na história do México. Erguido no século XVIII, o edifício tem um estilo barroco e mostra uma coleção de peças originais da época, assim como documentos e objetos históricos desde a fundação da cidade, passando pelo movimento de independência, até a morte de Allende.

PARA SABER MAIS

Histórico de luta

O monge franciscano Juan de San Miguel fundou o assentamento San Miguel el Grande, em 1542. A localidade era um importante ponto de passagem do Antigo Caminho Real, parte da rota da prata que conduzia a Zacatecas. Já um distrito, San Miguel ganhou destaque na Guerra da Independência do México (1810-1821).

Nascido no povoado, o general Ignacio Allende foi um dos líderes do movimento que pretendia tornar a colônia livre da Espanha. Mas soldados o capturaram quando marchava rumo aos Estados Unidos, em busca de armas.

Julgado em Chihuahua, Allende acabou condenado e executado. Exibiram a sua cabeça em Alhóndiga Granaditas, no estado de Guanajuato, com as cabeças de outras três lideranças: Miguel Hidalgo, Juan Aldama e Mariano Jiménez.

Em 8 de março de 1826, o governo mexicano elevou o povoado de San Miguel el Grande à categoria de cidade, sendo o nome mudado para San Miguel de Allende, em honra ao general Allende, herói nacional.

San Miguel de Allende, a joia mexicana

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Centro histórico de San Miguel de Allende,tombado pela Unesco. Foto: Renato Alves


Eliane Moreira
(texto) e Renato Alves (fotos)

Esqueça Acapulco, Cancún, Playa del Carmen. O destino da moda no México é a pequena San Miguel de Allende. Nada de praias, resorts, tequilas e hordas de jovens norte-americanos. Lá, as atrações são os prédios coloniais que ladeiam as ruas estreitas de pedra, os charmosos hotéis, uma infinidade de galerias de arte, renomados restaurantes e as festas públicas.

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Localizada entre as montanhas no estado de Guanajuato, a quase 2 mil metros de altitude, San Miguel é considerada por muitos a cidade mais bonita do México. Beleza advinda da combinação casario colorido em tons de vermelho, marrom, rosa e amarelo, canteiros de bouganvilles, igrejas do período colonial espanhol e pátios internos com jardins exuberantes. Tudo muito bem preservado.

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As cores fortes são uma marca das construções históricas de San Miguel de Allende


Fundada em 1542, San Miguel também é um dos municípios mais importantes do país. Ele teve papel fundamental na independência mexicana. História contada em museus e em obras de arte espalhadas pelo compacto e seguro centro. Tais importância e beleza lhe renderam, em 2008, o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, concedido pela Unesco.

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Grupo de mariachi no centro histórico de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves 

As virtudes de San Miguel têm atraído, desde a metade do século passado, aposentados canadenses, norte-americanos e europeus. Eles são cerca de 12 mil dos 70 mil habitantes. A presença dos expatriados e dos turistas a transformam numa cidade cosmopolita. Mas ela está longe de ser só um refúgio para idosos. Jovens não deixam os bares e as casas noturnas fecharem as portas cedo.

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Jovens em uma tarde festiva na praça principal de San Miguel de Allende. Foto: Renato Alves

A partir deste, publicamos uma série de textos mostrando o que de melhor há nesse cada vez mais disputado destino, onde ficamos por cinco noites, em uma viagem de férias em família, com todos os custos pagos por nossa conta. Para quem quiser conhecer  todas as atrações em volta e praticar as mais diferentes e prazerosas atividades, deve permanecer mais tempo. A satisfação é garantida.

Gripe suína — Turista tem direito a cancelar viagem ao México e outros países sem multa

da Folha Online

O surto de gripe suína tem feito os brasileiros reavaliarem suas viagens ao México, especialmente para Cancún.

É o caso do bancário João Paulo Balbino de Moraes, 28. Ele, a mulher e um casal de amigos compraram em abril um pacote para Cancún. A viagem está marcada para o fim de maio.

“Estamos planejando a viagem desde o ano passado”, diz Moraes. Agora, os dois casais estão avaliando uma alteração nos planos –ainda mais após saber que o voo fará escala na Cidade do México, que concentra a maior parte dos casos da doença.

“A empresa nos falou da possibilidade de alterar a data, mas haverá transtornos, pois todos nós marcamos nossas férias para esse período. Nos preocupamos também porque, a partir de agosto, começa a época de furacões”, relata o bancário.

Segundo ele, a agência de viagens avisou que cobrará multa em caso de cancelamento –10% do valor do pacote para rescisão com mais de 30 dias de antecedência e 20% após esse período.

Mas Evandro Zuliani, diretor de atendimento da Fundação Procon-SP, ressalta que os turistas estão protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor e, nesse caso, podem cancelar o contrato sem multa e receber o valor pago integralmente.

O artigo 6º, inciso 5 do Código informa que é direito básico do consumidor “a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas”.

“Sobrevindo um fato imprevisível [como o surto de gripe suína], é possível fazer alteração na base do contrato”, explica Zuliani. Segundo ele, o risco por acontecimentos inesperados deve ser assumido pela empresa. “Cobrar multa ou taxa significa que o risco foi atribuído ao consumidor.”

Zuliani destaca ainda o inciso 1 do mesmo artigo do Código, que dá ao consumidor o direito à “proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos”.

“O consumidor contratou uma viagem para um lugar seguro em termos sanitários”, ressalta Zuliani. “[Neste caso] não é necessário que haja declaração de autoridade pública. O mero risco à saúde já confere direito ao cancelamento. Há o princípio da precaução: na dúvida, o melhor é prevenir.”

Assim, multas por cancelamento não devem ser cobradas do consumidor. Isso vale para qualquer destino cuja permanência implique risco à saúde por situação não prevista.

O único custo que pode recair sobre o turista é, no caso das empresas envolvidas já terem tido despesas administrativas, estas serem repassadas ao consumidor (por exemplo, quando o bilhete aéreo já foi emitido).

Caso o cliente queira remarcar a viagem, também não pode haver taxa. Isso se aplica também às companhias aéreas. Lan e AeroMexico informaram que vão atender às solicitações para alteração de data e destino nas passagens aéreas sem multa.

Na Justiça

O Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo) afirma que a gripe suína caracteriza “motivo de força maior”. O Superior Tribunal de Justiça já julgou casos com base nessa alegação, considerando que, havendo fatos imprevisíveis que gerem consequências inevitáveis, o contrato pode ser rescindido ou alterado sem penalidade para as partes.

Fique atento

– Quem deseja cancelar o pacote de viagem ou voo por medo de contrair o vírus ou entrar em contato com pessoas infectadas ou locais confirmados de contaminação deve comunicar previamente a empresa, via e-mail ou carta registrada, com comprovante de envio e recebimento.

– O consumidor deve, no ato do pedido de rescisão do contrato, fazer o pedido de devolução dos eventuais valores pagos ou pedir a suspensão do débito dos valores ainda devidos.

– Caso o consumidor opte por adiar a viagem, deve receber da empresa informações claras sobre o prazo máximo para realizar a viagem, bem como outros detalhes como impossibilidade de remarcar datas ou de cancelar o pacote.

– Quem sofrer qualquer tipo de problema nas viagens tem direitos assegurados pelo Código de Defesa do Consumidor. Ações de até 40 salários mínimos têm solução rápida nos Juizados Especiais Cíveis ou do Consumidor.

Fonte: Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo)