As melhores cidades mineiras no frio

Associação de Pousadas MV/Divulgação

Não vai dar para esquiar, montar boneco de neve ou viver algum clichê de inverno retratado em filmes norte-americanos? Então, que tal pegar o carro, o ônibus ou o avião e seguir para Minas Gerais para curtir as férias de julho em meio às montanhas? Das românticas cidades a fontes de águas termais, o estado é repleto de tradicionais destinos para quem gosta de curtir, no bom mineirês, um ‘friozim’.

Karina Fusco/Esp. CB/D.A Press

Não dá para falar em inverno em Minas Gerais sem pensar em Monte Verde, distrito de Camanducaia, no sul do estado. Localizado na Serra da Mantiqueira, o lugarejo encanta os visitantes com sua natureza exuberante, cercada de araucárias, pássaros, esquilos e, claro, da boa hospitalidade do povo mineiro. Suas casas com arquitetura alpina conferem um clima todo especial ao destino, conhecido por ser uma ótima opção de passeio romântico. Ecoturismo, esportes radicais, ótimos hotéis, pousadas e restaurantes garantem diversão para toda a família.

Para completar o pacote, o distrito abriga, de 2 a 23 deste mês, a quarta edição do Festival de Inverno de Monte Verde, promovido pela Prefeitura de Camanducaia. Shows, concertos, apresentações de rua e oficinas culturais gratuitas movimentam ainda mais a região, conhecida por se transformar durante os meses de julho e agosto pela alta procura pelos turistas, principalmente do estado de São Paulo. Um dos destaques do festival é a Casa da Gastronomia, que contará com uma vasta programação de cursos e oficinas para todas as idades e gostos.

Opções distintas
Em todos os setores do distrito, há opções para diferentes públicos. A diária para hospedagem varia de R$ 180 a R$ 1.800. Nos restaurantes, o cardápio oferece desde a mais tradicional cozinha mineira até pratos típicos da culinária europeia. Para quem não se contenta apenas em comer bem e tomar um vinho ou chocolate quente, passeios de jipe, a cavalo, tirolesa e trilhas ecológicas dão um toque de aventura ao destino. Não se esqueça: antes de voltar para casa, compre alguns dos deliciosos produtos locais, como queijos, cervejas, geleias e chocolates.

» Escolha

Confira mais alguns destinos para você curtir o inverno em Minas:

Lavras Novas
Distrito de Ouro Preto, Lavras Novas merece a atenção dos turistas, especialmente dos casais apaixonados. Com pouco mais de 1.500 habitantes, a pequena cidade é um refúgio típico de Minas, com ruas de pedras, natureza preservada e, claro, boa comida. Curtir as pousadas e restaurantes do distrito já é um ótimo passeio para muitos. Mas se você não se contenta com isso, trilhas ecológicas e esportes como rapel e trekking podem ser boas opções de diversão. Durante julho, festas juninas animam ainda mais a cidade. A cidade também é conhecida pelas belas cachoeiras e poços naturais, além de pousadas confortáveis. Resta saber se você vai encarar a água neste frio.

Ouro Preto

José Geraldo/Flickr - 15/8/10

Localizada na Região Central do estado, bem pertinho da capital, Belo Horizonte, a antiga capital de Minas é um ótimo destino em qualquer estação do ano. Mas, nesta época do ano, o frio ajuda a encarar as famosas ladeiras da cidade histórica. Com mais de 300 anos de existência, Ouro Preto é um museu a céu aberto. Guarda boa parte da história da exploração e do escoamento do ouro no século 18 em suas construções e famosas igrejas. Mais informações: http://www.ufop.br/.

Maria da Fé

O pequeno município registrou a mais baixa temperatura de todo o estado (-8,4°C, em 21 de julho de 1981). Também está localizado na Serra da Mantiqueira e tem fama internacional pela produção de artesanato feito com a fibra de bananeira. As oliveiras na praça central completam o cenário de tranquilidade típico das pequenas cidades de Minas Gerais. Maria da Fé tem uma grande vocação para o turismo rural e o ecoturismo devido ao ambiente acolhedor da região e das belas fazendas, aliada à ótima gastronomia, cachoeiras e matas. Outra atração é o Pico da Bandeira (não confundir com o outro Pico da Bandeira, bem mais famoso, localizado no Parque Nacional do Caparaó).

ExtremaGilson Prado/Wikimedia Commons

Localizada na Região Sul do estado, bem na divisa com São Paulo, a cidade tem um ar puro e clima agradável de montanha, cercada por cachoeiras e uma rica vegetação. Como a época não é propícia a banhos em cachoeiras, o melhor é aproveitar os ótimos hotéis e pousadas, os bares e restaurantes com comida típica de Minas e seu povo bastante hospitaleiro. Também é possível ter uma bela vista das montanhas da região na Pedra Sapo, com mais de seis metros de altura. Outra atração é o 7º Festival de Inverno de Extrema, durante os meses de julho e agosto, que levará apresentações de música, teatro e dança de grupos e artistas nacionais, garantindo diversão para toda a família.

Cambuí
Também na Serra da Mantiqueira, no extremo sul do estado, Cambuí é conhecida por acolher bem o turista que busca a típica tranquilidade do interior de Minas. É uma das cidades mais antigas do estado, e oferece atrações como serras, cascatas, picos, morros, ladeiras e montanhas à sua volta, com fauna e flora exuberantes. E se não dá para aproveitar as cachoeiras da região, o 4º Festival de Inverno da cidade, de 21 a 24 deste mês, é mais uma atração para os visitantes, oferecendo shows e espetáculos gratuitos ( a programação pode ser conferida na página do festival no Facebook). Um dos pontos turísticos mais famosos da cidade é o Morro do Cruzeiro, mirante natural com vista panorâmica e que tem rampas onde se praticam o voo livre e o rapel. Também vale visitar a Igrejinha Santa Cruz e o mercado municipal.

Poços de Caldas

Jair Amaral/EM/D.A Press - 18/5/09

Se o clima está frio, que tal aproveitar algumas fontes naturais de águas quentes e sulfurosas em Poços de Caldas, no sul de Minas? Um dos grandes motivos de orgulho da cidade, elas são conhecidas pelas características terapêuticas, atraindo turistas de todas as partes há muito tempo. São diversas minas, de onde brotam esse precioso líquido, que deu fama à cidade e a firmou no circuito de turismo medicinal. Um exemplo é o Balneário Dr. Mário Mourão, com banhos de imersão que são realizados em cabines individuais na água que sai diretamente da fonte a uma temperatura de 41°C. E o inverno é uma das temporadas mais movimentadas em Poços. Aproveite também e conheça os produtos artesanais da região, como os típicos doces artesanais e peças de decoração em vidro fundido.

CaxambuMusatie Melo/Flickr

Uma das principais cidades do Circuito das Águas de Minas Gerais, Caxambu, no sul do estado, é importante instância hidromineral. Tem a maior concentração de águas carbogasosas do planeta, com 12 fontes de diferentes composições químicas, entre elas, águas minerais com alto poder diurético e desintoxicante que atraem turistas de todas as partes durante todo o ano. As fontes estão concentradas no Parque das Águas Dr. Lisandro Carneiro Guimarães. Na Serra da Mantiqueira, a cidade também oferece, além das belezas naturais, atividades como passeios de charrete, cavalo, bicicleta e trilhas ecológicas. Durante os fins de semana de julho, ocorre também o Festival de Inverno de Caxambu, com atrações musicais e mostra de orquídeas. Também dá para aproveitar produtos locais, como doce de leite, ambrosia, geleias e queijos.

Parque Caparaó

Belas paisagens, adrenalina e baixas temperaturas. O Parque Nacional do Caparaó é um destino recomendado para o turista que não dispensa a aventura. Na região da Zona da Mata, o destino abriga o terceiro ponto mais alto do Brasil: o Pico da Bandeira, com 2.891 metros de altitude. A portaria do Parque, em Minas Gerais, está localizada no município de Alto Caparaó, ponto de partida para as trilhas. No local existe uma área para acampamento e um mirante, de onde é possível avistar várias cidades da região. A subida até o cume do pico dura cerca de nove horas, compensadas por várias cachoeiras e piscinas naturais que existem ao longo do percurso. Depois de tanto esforço, o presente: a vista privilegiada.

GonçalvesPaulo Cerqueira/Wikimedia Commons

Pousadas muito bem decoradas, restaurantes e cafés convidativos e caminhadas em meio à natureza. A pequena Gonçalves, no sul de Minas Gerais, conta com com boa infraestrutura, serviço atencioso e belas paisagens. A cidade é uma das mais altas da Serra da Mantiqueira e repleta de montanhas e picos. Se não dá para encarar as cachoeiras da região, passeios pela natureza, trilhas e prática de esportes, como mountain bike, rapel e cavalgadas, são opções de atividades.

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180 cachoeiras e 100 pontos turísticos da Estrada Real

Aplicativo criado por dois mineiros de São João del-Rei promete facilitar a vida das pessoas que gostam de cachoeiras e turismo ecológico. Com ele, definitivamente, a tecnologia se conectou à natureza. Pelo menos em Minas Gerais. Em um ano e meio, o projeto Cachoeiras da Estrada Real, da Ecoguias, mapeou 180 cachoeiras e mais de 100 pontos turísticos em 21 cidades ao longo do caminho real. As quedas d’água foram georreferenciadas no local, o que permite traçar todas por GPS, dispensando a conexão com internet. A ferramenta conta com produção audiovisual inédita e exclusiva com uso de drones e câmeras subaquáticas.

Além disso, oferece informações sobre onde se hospedar e comer, serviços existentes nos municípios – postos de gasolina, bancos e telefones de emergência –, além de guias e receptivos turísticos. O aplicativo é gratuito e será lançado primeiro para o sistema operacional androide e depois para o IOS. Confira dicas sobre algumas cachoeiras que fazem parte do app.

» Cachoeiras dos Garcias
Aiuruoca (MG)

Com certeza a cachoeira mais encantadora do município, considerada por muitos uma das mais belas de toda a Serra da Mantiqueira. São cerca de 30 metros de queda livre de água cristalina, que formam um imponente poço de 10 metros de diâmetro com até cinco metros de profundidade, propício para banho.

Acervo Ecoguias/Divulgação

» Cachoeira do Mangue
Tiradentes (MG)

Encravada aos pés da Serra de São José, a Cachoeira do Mangue encanta seus visitantes pelo charme de sua queda e a beleza do poço de águas cristalinas, ideal para banho.

Raul Meireles Rodrigues/Divulgação

» Cachoeira do Quatorze
São João del-Rei (MG)

Uma das mais belas cachoeiras do município, com uma linda queda d’agua e um poço com prainha para relaxar e desfrutar da natureza. Ideal para um passeio em família.

Acervo Ecoguias/Divulgação

» Janela do Céu
Conceição do Ibitipoca (MG)

O Parque Estadual do Ibitipoca está localizado na Zona da Mata mineira. Ocupa o alto da Serra do Ibitipoca, uma extensão da Serra da Mantiqueira. No parque você encontra esse cartão-postal de Minas Gerais: a Janela do Céu. Uma bela cachoeira para quem gosta de se aventurar por trilhas pelo caminho.

Acervo Ecoguias/Divulgação

» Cachoeira Serra Morena
Serra do Cipó (MG)

A cachoeira Serra Morena fica nas dependências da Pousada Serra Morena, unidade particular de uso sustentável. Dispõe de belas quedas, com poços ideais para banho, com águas frias e límpidas.

Acervo Ecoguias/Divulgação

» Cachoeira da Proa
Carrancas (MG)

Pertence ao complexo da Zilda. A chegada se dá por cima da cachoeira e logo abaixo está o poço. É um local de pouca visitação. Uma ótima pedida para quem gosta de tranquilidade.

Acervo Ecoguias/Divulgação

» Cachoeira do Saco Bravo
Paraty (RJ)

Uma das mais belas cachoeiras da Estrada Real. Pouco antes de desaguar no mar, forma uma piscina natural de águas cristalinas. O prazer de estar em um poço de água doce olhando para o mar quebrando nas pedras é indescritível.

Acervo Ecoguias/Divulgação

Como é viajar no trem Vitória a Minas

Trem 2

Do bog do Chico Maia

Iniciei este texto na Estação Intendente Câmara, em Ipatinga, exatamente cinco horas depois de iniciar a viagem na Estação de Belo Horizonte. O trem Vitória a Minas saiu pontualmente às 7h30 da capital mineira. Uma viagem das mais agradáveis, carregada de emoção, devido ao ineditismo para mim no Brasil e raridade, já que há poucos trens de passageiros em nosso país. Um absurdo!

É tanta coisa para ver e conhecer, dentro e fora do trem, que o tempo voa. Seguramente que vale mais a pena ir de Beagá a Ipatinga, de trem. Só de lembrar da BR-381, que o governo chama de “rodovia”, a morte também vem à cabeça. Passar entre prédios e casas na saída de Belo Horizonte é uma visão completamente diferente. Em determinados trechos o Metrô segue paralelo e às vezes dá até a sensação de estarmos na Europa, com seu sistema viário calcado nas ferrovias.  Quem sabe um dia chegaremos a esse nível! A esperança não pode morrer.

A velocidade é bem baixa até sair da zona urbana, depois chega a 65 Km/hora. As paisagens são fantásticas e constatei que Minas Gerais é mais bonita do que eu imaginava. Eu que conheço bem o nosso estado e já achava que era o mais bonito do Brasil.

O conjunto arquitetônico da Estação é belíssimo, apesar da derrubada de muitos prédios e da construção de monstrengos no seu entorno.

Estação BH

O guichê de compra de passagens tem quatro bilheterias e o nível de informação aos usuários é muito bom.

Passagens são vendidas até 30 minutos antes da partida do trem, mas é bom comprar com antecedência, pois há risco de não ter mais. Pela internet ou telefone há informações confiáveis e rápidas. O site é http://www.vale.com/tremdepassageiros. Telefone: 0800 285 7000. A passagem na classe executiva custa R$ 82, e a econômica, metade.

Trem 1

Executiva

O ar condicionado da “executiva” funciona bem; na econômica, não tem, e o calor é terrível. A ferrovia, que já foi federal, hoje pertence à Vale. Os funcionários de terra e de bordo são muito gentis. Este é o atleticano Rodrigo, da Prossegur, empresa que faz a segurança.

Há um vagão-restaurante, que não vende bebida alcóolica. E também serviço de bordo que oferece os mesmos serviços nas poltronas. Os preços são normais. Um cafezinho e um pão de queijo custam R$ 5. Excelente pão de queijo, diga-se!

Vagão de leitura

Uma surpresa da melhor qualidade é que há um vagão para leitura e utilização de internet, com tomada para notebook, inclusive. Ao lado, espaço para pessoas com deficiência. Não há wi-fi, mas celular e modem funcionam na maioria das estações.

A primeira parada é na Estação 2 Irmãos, que atende às cidades de Santa Bárbara e Barão de Cocais, 1h30 depois da saída de Beagá. Às 10h10, para em Rio Piracicaba; às 10h20, em João Monlevade e por aí vai.

Neste momento, 14h40, chegamos a Governador Valadares, com o Rio Doce e o Pico do Ibituruna à direita, belíssimos. O tempo de parada aqui é o maior de todos: 10 minutos, contra os cinco de Ipatinga, três, dois e um minuto das estações de menor movimento.

Os tesouros das cavernas de Unaí

Renato Alves e Ronaldo de Oliveira (fotos), do Correio Braziliense

Muito antes dos integrantes da Missão Cruls, dos fazendeiros e dos candangos, homens, mulheres e crianças já exploravam o Planalto Central. Essa gente começou a chegar à região há mais de 10 mil anos. Vivia da caça de pequenos animais e da coleta de frutos, como o ainda abundante pequi. Buscava abrigo em grutas, onde também expressava sua arte e deixava seus mortos. As cavernas ocupadas por nossos ancestrais ainda são pouco conhecidas dos homens modernos. Muitas delas, com seus desenhos e até ossadas, ficam em meio a propriedades rurais de Unaí (MG), distante 160km de Brasília.

Em terras do município mineiro de 80 mil habitantes, pesquisadores identificaram ao menos 10 cavernas com formações geológicas milenares, lagos transparentes e pinturas feitas por alguns dos primeiros habitantes do centro do país. Os homens das cavernas também deixaram gravuras em paredões e pedras encravadas no cerrado. Museus pré-históricos explorados por poucos cientistas, minguados adeptos de esportes radicais e quase nenhum turista, por falta de informação e infraestrutura para a visitação. O Correio percorreu a região em busca desse tesouro esquecido.

As pinturas das cavernas de Unaí estão bem nítidas, levando-se em conta o desgaste sofrido ao longo de tanto tempo de exposição. As mais expressivas ficam na Gruta do Gentio II, a 30km do centro da cidade. Ela começou a ser ocupada há cerca de 10.250 anos, de acordo com pesquisas realizadas nas décadas de 1970 e 1980. Os arqueólogos levantaram a data a partir dos pingos de tinta no solo original. Vestígios de um ponto cerimonial, com pinturas em vermelho no teto e nas paredes, onde depositaram corpos parcialmente cremados.

Nesses estudos do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), encontraram os restos mortais de uma criança que ali viveu há 9 mil anos. Ela tinha entre 9 e 10 anos e estava envolta em uma rede de algodão. A conservação do corpo indicou que o sepultamento teve características de ritual funerário e possível embalsamamento. A criança integrava uma comunidade de coletores, que, naquela região, se alimentava de coquinhos de guariroba e pequi. Por meio de objetos e das pinturas, os pesquisadores concluíram ainda que pequenos grupos habitaram a gruta entre 7.350 e 8.250 anos atrás.

A caverna voltou a ser habitada por um grupo que ali desenvolveu pequenas hortas. Esse povo viveu na região entre 3,5 mil e 1 mil anos atrás. A Gruta do Gentio II é naturalmente bem iluminada e seca, o que permitiu a preservação de exemplares arqueológicos em bom estado apesar da sua antiguidade. Nas três últimas décadas, os pesquisadores encontraram e recolheram na caverna uma grande variedade de objetos milenares, como artefatos de pedra, de cerâmica, de osso, restos de fios de algodão e cestaria, além de alguma poucas peças de madeira. Neste sítio arqueológico também localizaram a mais antiga cerâmica em território brasileiro, fora da Amazônia, com cerca de 3,5 mil anos.

Água milagrosa

Enquanto a Gentio II era usada para funerais dos homens das cavernas, a Lapa do Sapezal, distante 25km do centro da cidade, hoje serve de cenário para manifestações religiosas. Nos dias 1º, 2 e 3 de maio, peregrinos vão à lapa, em meio a uma mata, exaltar a Santa Cruz e São José Operário. A festa mobiliza parte da população residente nas comunidades próximas e de municípios mineiros vizinhos, como Paracatu, Vazantes e Buritis. Todos acreditam haver poderes divinos na caverna.

Durante a festa, no entorno da lapa são construídas barraquinhas de comidas. A capela sedia orações, batizados, missa e dela parte uma procissão. No interior da Sapezal há um lago de origem freática onde são jogadas moedas, acompanhadas de pedidos. Muitos acreditam em um poder curativo dessas águas. Há ainda no interior da lapa uma abstrata figura de uma Nossa Senhora a se formar em escorrimentos de calcita sem que haja, contudo, referências a milagres seus ou culto a uma Nossa Senhora da Lapa.

Um lago cristalino também é uma das grandes atrações da Gruta do Tamboril. No entanto, não é fácil chegar até as águas e o acesso à caverna é controlado pelos órgãos de saúde, por causa da suspeita de um foco de histoplasmose no local, nunca comprovado nem estudado. Assim como na maioria das grutas, por causa da ausência de sinalização, iluminação e os riscos do solo acidentado, a visita ao Tamboril só deve ser feita na companhia de guias especializados e equipamento adequado.

Com cerca de 4km de extensão, a caverna tem sete salões ornamentados por estalactites e estalagmites, sendo o último coberto pelo lago totalmente limpo e transparente. Até lá, porém, gasta-se pelo menos uma hora e meia de caminhada, com descidas e subidas em pedras pontiagudas e escorregadias. Mas se não quer tanta aventura nem correr o risco de adquirir uma doença, a entrada no primeiro dos sete salões é o suficiente para uma prova das maravilhas da gruta.

Ajuda de moradores

Como Unaí não dispõe de política para exploração do turismo nem sequer placas que indiquem a localização das suas grutas e cachoeiras, os visitantes precisam da ajuda de moradores para chegar aos atrativos. Gente simples e prestativa como o vaqueiro Ademir da Silva Leite, 32 anos (foto abaixo). Desde que começou a trabalhar na Fazenda do Gentio, há 10 anos, ele serve de guia aos cientistas vindos de todo o país para estudar a caverna com o mesmo da propriedade rural, onde se cria gado nelore.

Mas Ademir começou a entender por que aquela gente vinha de tão longe para embrenhar-se na mata e passar o dia numa caverna somente há seis anos, quando teve a atenção chamada por uma professora da Universidade de São Paulo (USP). “Mostrei pra ela o meu nome escrito na caverna e ela disse para eu nunca mais fazer aquilo. Hoje, não deixo ninguém escrever lá”, conta. Apesar da consciência do vaqueiro, ainda há vândalos escrevendo sobre pinturas milenares.

Outro que faz as vezes de guardião das cavernas é o estudante de biologia Emmanuel Nicodemos, 25 anos. Ele e colegas da unidade da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) em Unaí montaram um grupo de espeleologia para explorar as grutas e divulgar a beleza e importância delas. “Além de passeios para esportes de aventura, como rappel, estamos catalogando cavernas ainda não estudadas. Mas temos algumas barreiras, como fazendeiros, que impedem o acesso às grutas”, conta.


SAIBA MAIS
http://www.limiteverticalunai.blogspot.com
Guias para visitação: Emmanuel Nicodemos, 38-9847-4017

Tesouros escondidos em grutas de Unaí

Muito antes dos integrantes da Missão Cruls, dos fazendeiros e dos candangos, homens, mulheres e crianças exploravam o Planalto Central. Essa gente começou a chegar à região há mais de 10 mil anos. Vivia da caça de pequenos animais e da coleta de frutos, como o ainda abundante pequi. Buscava abrigo em grutas, onde também expressava a sua arte e deixava os seus mortos. As cavernas ocupadas por nossos ancestrais ainda são pouco conhecidas dos homens modernos. Muitas delas, com desenhos, ficam em meio a propriedades rurais de Unaí (MG), a 160km de Brasília.

Em terras do município mineiro de 80 mil habitantes, pesquisadores identificaram ao menos 10 cavernas com formações geológicas milenares, lagos transparentes e pinturas feitas por alguns dos primeiros habitantes do centro do país. Os homens antigos também deixaram gravuras em paredões e em pedras encravadas no cerrado. Esses locais se apresentam hoje como museus pré-históricos explorados por poucos cientistas, minguados adeptos de esportes radicais e quase nenhum turista, por falta de informação e de infraestrutura para a visitação.

As pinturas das cavernas de Unaí continuam nítidas, levando-se em conta o desgaste sofrido ao longo de tanto tempo em exposição. As mais expressivas ficam na Gruta do Gentio 2, a 30km do centro da cidade. Ela começou a ser ocupada há cerca de 10.250 anos, de acordo com pesquisas realizadas nas décadas de 1970 e 1980. Existem ainda vestígios de um ponto cerimonial, com pinturas em vermelho no teto e nas paredes, onde foram depositados corpos parcialmente cremados.

Nos estudos do Instituto de Arqueologia Brasileira, foram encontrados os restos mortais de uma criança que ali viveu há 9 mil anos. Ela tinha entre 9 e 10 anos e estava envolta em uma rede de algodão. A conservação do corpo indicou que o sepultamento teve características de possível embalsamamento. A criança integrava uma comunidade de coletores, que se alimentava de coquinhos de guariroba e pequi.

A Gruta do Gentio 2 é naturalmente bem iluminada e seca, o que permitiu a preservação de exemplares arqueológicos em bom estado, apesar da sua antiguidade. Nas três últimas décadas, os pesquisadores encontraram e recolheram na caverna uma grande variedade de objetos milenares, como artefatos de pedra, de cerâmica, de osso, restos de fios de algodão e cestaria, além de poucas peças de madeira. No sítio arqueológico, também localizaram a mais antiga cerâmica em território brasileiro, fora da Amazônia, com 3,5 mil anos.

Água milagrosa

Enquanto a Gentio 2 era usada para funerais dos homens das cavernas, a Lapa do Sapezal, a 25km do centro da cidade, hoje serve de cenário para manifestações religiosas. Nos dias 1º, 2 e 3 de maio, peregrinos vão à lapa, em meio a uma mata, exaltar a Santa Cruz e o São José Operário. A festa mobiliza parte da população residente nas comunidades próximas e de municípios mineiros vizinhos, como Paracatu, Vazantes e Buritis. Eles acreditam haver poderes divinos na caverna.

Durante a festa, no entorno do local são construídas barraquinhas de comidas. No interior da Sapezal, há um lago de origem freática, onde são jogadas moedas, acompanhadas de pedidos. Muitos acreditam no poder curativo dessas águas. Há ainda no interior da lapa uma abstrata figura de uma Nossa Senhora a se formar em escorrimentos de calcita sem que haja, contudo, referências a milagres ou a culto a uma Nossa Senhora da Lapa.

Um lago cristalino também é uma das grandes atrações da Gruta do Tamboril. No entanto, não é fácil chegar até as águas e o acesso à caverna é controlado pelos órgãos de saúde, por causa da suspeita de um foco de histoplasmose no local, nunca comprovado ou estudado. Como na maioria das grutas, por causa da ausência de sinalização e iluminação e dos riscos do solo acidentado, a visita só deve ser feita na companhia de guias especializados e com equipamento adequado.

Com cerca de 4km de extensão, a caverna tem sete salões ornamentados por estalactites e estalagmites, sendo os últimos cobertos pelo lago, totalmente limpo e transparente. Até lá, porém, gasta-se pelo menos uma hora e meia de caminhada, com descidas e subidas em pedras pontiagudas e escorregadias. Mas se o visitante não quer correr tanto risco, a entrada no primeiro salão é o suficiente para uma prova das maravilhas da gruta.

Cura espontânea
Causada por um fungo disperso no solo rico em fezes de morcegos e de aves, a doença é contraída quando a pessoa inala esse material suspenso no ar. Ela causa febre, que pode durar alguns dias, e tende à cura espontânea. Desde 1967, há relatos da ocorrência de casos suspeitos de histoplasmose associada à visitação a cavernas no DF e no Entorno, sendo os mais recentes ocorridos em 2004, numa visita de estudantes de Taguatinga à Gruta do Tamboril.

Inhotim é o mais novo jardim botânico nacional

A exuberância da vegetação nativa de Mata Atlântica e das plantas ornamentais do Instituto Inhotim, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ganhou reconhecimento nacional. O espaço, cuja característica mais marcante é a interação do verde com intervenções artísticas, é o mais novo jardim botânico do país.

O registro foi concedido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), na categoria C provisório. De acordo com as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), todos os candidatos são inicialmente enquadrados nessa classificação.

O título permanente será atribuído após visita de integrantes da Rede Brasileira de Jardins Botânicos, marcada para 7 de maio. O grupo é responsável por verificar se há pontos deficientes e sugerir melhorias.

Para a concessão do registro, foram observadas várias características: o espaço protegido, se há um acervo de plantas documentado e identificado, um ambiente de entretenimento, educação ambiental e de conservação. No quesito entretenimento, o MMA considera, entre outros pontos, a estrutura de visitação, a presença de monitores e projetos em andamento.

Curador botânico do Inhotim, Eduardo Gonçalves ressalta que o Inhotim tem mais de 4 mil espécies em cultivo, além das presentes na área nativa. São 145 hectares de reserva e outros 97 ha no espaço de visitação. “Temos uma característica única, pois o recorte paisagístico é um labirinto. Trabalhamos com pequenos ou grandes compartimentos, nos quais as passagens são jardins e as paredes, florestas de Mata Atlântica”, destacou.

A vegetação exposta ao público representa apenas 30% de todo o acervo do instituto. Os números das palmeiras dão a dimensão do que ainda está por vir: são 1,3 mil espécies e há estimativa de mais de 15 mil exemplares. “O acervo botânico é diferenciado porque é disposto paisagisticamente. Até mesmo a pessoa que não gosta de planta, dificilmente não se sensibilizará com uma paisagem bem construída, com um jardim bem feito. Temos uma frase em nosso meio, segundo a qual não há planta feia, mas mal colocada.”

 

Aquário mostra riqueza do São Francisco

Junia Oliveira, do Estado de Minas

Zoologia e botânica integram-se em harmonia nas águas que o Rio São Francisco percorrem. A beleza encontrada no longo caminho – 2,7 mil km da Serra da Canastra, em Minas Gerais, até as terras nordestinas, na divisa entre Sergipe e Alagoas – está retratada num cenário que abriga 1,2 mil peixes de 40 espécies, distribuídos em 22 tanques. A partir de hoje (6/2), a população pode conferir o maior aquário temático do Brasil e conhecer um pouco da cultura, das histórias e das riquezas do Velho Chico.

O aquário da Bacia do São Francisco ocupa uma área de aproximadamente 3 mil metros quadrados, em dois pavimentos. Os recintos dos peixes – entre eles pirá, surubim, dourado e cascudo-preto –, em vários tamanhos e formatos, têm mais de 1 milhão de litros de água. Uma das principais atrações do complexo é o Aquário São Francisco.

Com capacidade para 450 mil litros de água, ele representa uma parte do rio, onde o visitante poderá conhecer uma cenografia que apresenta a margem e o fundo do curso d’água. A diversidade da fauna e da flora também estão presentes.

Para visitar o aquário é preciso pagar um ingresso no valor de R$ 5, além da entrada do Jardim Zoológico de Belo Horizonte. Crianças até sete anos e idosos com mais de 60 anos não pagam. Escolas públicas, entidades de assistência social e de filantropia podem marcar visitas gratuitas com a Fundação Zoo-Botânica. O funcionamento é de terça-feira a domingo, incluindo feriados.