Circuito dos diamantes: história, fé, causos…

 Estrada Real - Imagem geral do Serro

Roberto de Oliveira, da Revista da Folha

Sobe uma serra ali, desce uma ladeira acolá, e a jornada segue por uma teia de estradas que compõe o circuito dos diamantes, um dos trechos mais pictóricos da Estrada Real. Em direção ao norte de Minas, é bom logo avisar, boa parte do caminho é de terra, mas pouco importa se a poeira levantar.

Estrada Real - Porta de casarão no SerroNesse “pedacim” mineiro, o trajeto se desenrola mais ou menos assim: uma igrejinha desponta no alto da colina. Na entrada do povoado, uma cena bucólica: cigarro de palha no canto da boca e chapéu, um lavrador aprecia, entre uma prosa e outra, a “marvada” cachaça.

Dá para ouvir os estalos da língua batendo no céu da boca. Parece ser das boas. Ele está sentado num banquinho feito de pedaço de tronco, bem na frente de um boteco de portas altas e escancaradas. Ao redor dele, outros senhores. Mais cigarrinhos, muitas caninhas. Em Minas, é assim, fala-se muito no diminutivo.

Na praça de jardim zeloso, duas senhoras carregam potes de compotas. Dentro deles, tem goiaba e jabuticaba. Na janela lateral, uma criança sapeca acena para o visitante. Logo franze a testa. Faz carão. O olhar não nega. Desconfiado, o moleque se recolhe mais que depressa para o interior do quarto de dormir. Nem acena um tchau.

Cenas como essas vagam por um cenário de casarões históricos, montanhas e exuberância verde. Se bater canseira, estacione o carro diante de uma venda e, quando se der conta, você terá embarcado noutra viagem, esta pautada por causos costurados por inúmeros “uai” e “sô”. Lá, todo mundo tem ao menos um para contar.

Estrada Real - DiamantinaHá um vilarejo ali. Antes de cruzar a ponte, o barulhinho da água denuncia. Tem mais cachoeira. E das bitelas, como se anuncia “grande” por esse Brasil caipira. Boa pedida para sacolejar a poeira e recarregar corpo e alma de energia das boas.

No povoado, capelas seculares e obras de arte convidam para um banho na alma — acredita-se que 90% das cidades mineiras tenham surgido ao redor de uma igrejinha. É fácil acreditar.

Difícil é controlar a larica diante de uma fornada quentinha de pão de queijo e tantas outras guloseimas nos botecos e restaurantes que pipocam pelo trajeto.

Entre uma parada e outra, mirantes para aproveitar (ainda mais) a paisagem. Bom saber que, até mesmo da janela do carro, ela nos acompanha por todo lado. Na Estrada Real, gostoso é se perder e se surpreender, sem pressa de chegar.

Estrada Real - Pão de queijoDiamantes se foram, mas o circuito que leva seu nome continua a preservar um legado que começou no século 17, com a chegada dos bandeirantes paulistas que ali garimpavam.

Nos caminhos das tropas de burros que levavam o ouro e diamantes das gerais aos portos, história e natureza convivem numa boa, em sintonia.

Pelo fato de ainda não ser totalmente pavimentado (ainda bem), o circuito dos diamantes manteve seu jeitinho mineiro de ser. No meio do caminho entre Belo Horizonte e Diamantina, longe das “irmãs” históricas, como Ouro Preto e Mariana, você terá a chance de se aventurar por estradinhas poeirentas, repletas de história com cheiro, cor e sabor de memória preservada.

O itinerário começa em Serro e termina em Diamantina. Esqueça o tempo e vague.

PARA QUEM
Busca um encontro com a natureza, a cultura e a tradição, numa viagem por igrejas, museus, festas regionais, artesanato típico e fartura à mesa, sem dispensar um bom “dedim” de prosa. Um belo casario colonial, cachoeiras, rios e montanhas emolduram o cenário

QUANDO IR
O ano inteiro, mas, no verão, de dezembro a março, chove -o que pode piorar o tráfego nas estradas, a maioria de terra.

DICA
Alugue um carro para percorrer o circuito dos diamantes sem pressa. Em Serro, São Gonçalo do Rio das Pedras e Diamantina, há guias locais. Contrate o serviço deles. Além de contribuir com a economia, a viagem se torna mais completa, afinal, eles conhecem tudo e todos.

SAIBA MAIS
www.estradareal.org.br
www.turismo.mg.gov.br
www.circuitodosdiamantes.tur.br

Anúncios

Fósseis voltam para Lagoa Santa, após 200 anos

Fóssil de tigre-dente-de-sabre

Fóssil de megatério, a preguiça-giganteO governo da Dinamarca cederá a Minas Gerais, por ao menos 10 anos, cerca de 300 fósseis do Museu Zoológico da capital Copenhague.

As peças, de um total de 12.622, foram enviadas àquele país, a partir de 1845, pelo naturalista dinamarquês Peter Lund (1801-1880).

Ele viveu mais de quatro décadas em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e é considerado o “pai da paleontologia brasileira”.

A expectativa é de que a coleção seja mostrada no ano que vem, no centro cultural e receptivo turístico a ser construído ao lado da Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa.

Crânio e mandíbula do 'homem de Lagoa Santa'Entre as preciosidades está parte do material encontrado por Lund na Lapa Vermelha, gruta destruída na década de 70 para transformar o patrimônio natural em sacos de cimento.

No museu de Copenhague estão o crânio do primeiro homem que viveu na América, há 11 mil anos, além de ossos de raposa, de onça, de tigre-dente-de-sabre e até de um urso, da mesma época.

No acervo do museu dinamarquês há ainda um registro de Lund em plena atividade dentro da gruta, com os estalactites parecendo flocos de neve. Trata-se de um desenho a nanquim colorido, datado de 1839 e feito pelo norueguês Brandt, então secretário do paleontólogo. A exemplo dos ossos da raposa e da onça, que aparecem nesta página, a gravura também é inédita para a maioria dos brasileiros. No entanto, o original vai continuar no museu de Copenhague.

Desenho em nanquim mostrando Lund trabalhando na Lapa Vermelha

A expectativa é de que a Dinamarca envie outras peças, as quais pertenceram à Gruta de Maquiné, em Cordisburgo, na Região Central de Minas, e integram o lote levado por Lund. Assim, uma parte ficaria exposta em Lagoa Santa e outra em Cordisburgo. O material repatriado atinjirá 4% do que está guardado na Dinamarca.

O governo investirá R$ 2 milhões na construção do centro turístico. Em Copenhague, a coleção é tratada como material científico, sem exposição permanente. 

Lagoa Santa - Gruta da LapinhaImpulso no turismo

É grande a expectativa em Lagoa Santa e arredores para a construção do centro cultural Peter W. Lund. Com obras que começarão em setembro, deverá aumentar o turismo na região.

Quando estiver pronto, em junho de 2010, ele será uma atração maior para a Lapinha, que recebe anualmente 25 mil pessoas.

Com o projeto, quem visitá-la será recebido no centro turístico para receber todas as orientações, ver painéis para, só então, atravessar uma passarela entre árvores e chegar à gruta.

O centro receptivo terá 1,2 mil metros quadrados de área construída e mais 400m² no entorno, abrigando a exposição dos fósseis, museu, auditório, loja, café e outros atrativos.

O objetivo do governo é construir receptivos também nas grutas de Maquiné (40 mil vistantes/ano), em Cordisburgo, na Região Central, a 114km da capital, e Rei do Mato (20 mil visitantes/ano), em Sete Lagoas, a 70km de BH.

Todas as construções fazem parte da Linha Lund, que integra as grutas ao Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, no Bairro Coração Eucarístico, noroeste de BH.

Parque do Sumidouro

A campanha para retorno dos fósseis começou há dois anos, tendo à frente a Prefeitura de Lagoa Santa, sendo depois encampada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), que inaugura, até julho, o Parque do Sumidouro, de 2 mil hectares, que fica entre Lagoa Santa e Pedro Leopoldo.

Nessa unidade de conservação, onde fica a Lapinha, será construído o Museu dos Primeiros Americanos, a 4km do receptivo turístico. Ele será usado para exposições sobre os habitantes pioneiros do continente.

Sete Lagoas - Gruta Rei do Mato

 

Roteiro gastronômico de Minas Gerais

Mais de 20 cidades histórias de Minas Gerais fazem parte do Cardápio de Atividades, projeto que extrai o melhor do turismo de cada local.

O turista acessa o endereço www.cidadeshistoricasdeminas.com.br, em que explora e traça o roteiro que gostaria de percorrer no interior mineiro.

Na página, o visitante encontra uma lista de 30 roteiros culturais e 260 atividades turísticas de imersão na história e nos costumes dos locais visitados.

No processo de formatação dos roteiros foram valorizados a culinária, o artesanato e a identidade das cidades históricas mineiras contempladas pelo projeto.

(Dica do Correio Braziliense)

Estrada Real – O mapa do conforto

Ouro PretoRanking revela os municípios com melhor infraestrutura para os viajantes interessados em conhecer um dos mais visitados roteiros turísticos do país

Paulo Henrique Lobato, do Estado de Minas / Jorge Cardoso (fotos)

O título não é de Diamantina, terra de personalidades ilustres, como a escrava Chica da Silva e o presidente Juscelino Kubitschek, e de onde saíram toneladas da pedra preciosa, que abarrotou os cofres da Coroa Portuguesa na época do Brasil Colônia. Tampouco é de Ouro Preto, a cidade-berço da Inconfidência Mineira, que também financiou, com suas inúmeras minas, boa parte das regalias da família real no outro lado do Atlântico.

Para surpresa de muitos, a campeã é Juiz de Fora. O município da Zona da Mata, a 300 quilômetros de Belo Horizonte, figura no topo do estudo A oferta turística da Estrada Real: uma proposta de hierarquização, assinado pelo turismólogo e geólogo Éder Romagna Rodrigues, de 27 anos. A pesquisa, resultado da dissertação de mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas, sob a orientação do professor Alexandre Diniz, elaborou o ranking de infra-estrutura oferecida aos turistas pelos 176 municípios mineiros, paulistas e fluminenses que fazem parte da Estrada Real (ER).

Ouro PretoIndicadores 

A tabela elaborada por Éder levou em conta 29 indicadores, como hotéis, pousadas, postos de saúde, hospitais, agências bancárias, dos Correios e de viagem, além de centros de convenção e outros serviços ou espaços físicos importantes para o conforto e uso dos visitantes. Os dados foram colhidos junto às três esferas de governo – União, estados e municípios – e em várias instituições, como o Instituto Estrada Real, o Sistema Único de Saúde (SUS), diversos sindicatos etc. De posse dos números, ele elaborou um índice que oscila de zero a um: quanto mais alto, melhor é a nota da cidade. A pesquisa, por outro lado, não leva em conta os atrativos naturais e históricos, indicadores que só serão levantados pelo turismólogo este ano.

A decisão de deixar para a segunda etapa do estudo os cartões-postais moldados pela natureza e os que tiveram importância para o passado histórico dos 176 municípios ajuda a entender o motivo de Juiz de Fora liderar o ranking com 0,570784 pontos. Diamantina ficou na quarta posição (0,271003) e Ouro Preto, na oitava (0,241093). No fim da lista está Olímpio Noronha, no Sul de Minas, a 360 quillômetros da capital (0,011057).

“A ideia é desvendar de que forma a antiga rede de núcleos coloniais da ER está estruturada para desempenhar funções de prestação de serviços turísticos, com base em informações referentes a 2000, 2003 e 2006. Em meio à extensa malha da rede urbana da ER, foi possível identificar que ela se diferencia internamente em níveis distintos de hierarquização turística. Cada nível representa municípios que têm níveis de excelência em comum. Dessa forma, os resultados permitem dizer que há quatro níveis hierárquicos: centros de ordem superior, centros de ordem intermediária, centros de ordem inferior e centros complementares”, explica Éder.
 
Ouro PretoBelas paisagens

O morador ou visitante que chega à Região Metropolitana de Belo Horizonte pode se deliciar com belas paisagens e a rica arquitetura de municípios vizinhos à capital que integram a Estrada Real, um dos principais circuitos turísticos de Minas Gerais. Em Santa Luzia, localidade que homenageia a protetora dos olhos, quem vem de fora encontra várias opções de hotéis, bandeiras de bancos e casarões que ficam bem em qualquer máquina fotográfica ou filmadora. Mas, por outro lado, também há margem para muitas melhorias em alguns setores da Grande BH: entre Jaboticatubas e Taquaraçu de Minas, onde a natureza é um convite às trilhas, o problema é a parte de uma estrada de chão que liga os dois municípios.

Mas, na balança, moradores e visitantes vão se encantar com a parte da região metropolitana que integra a Estrada Real, como Santa Luzia, a 15ª cidade no ranking batizado de A oferta turística da Estrada Real: uma proposta de hierarquização, elaborado pelo turismólogo e geólogo Éder Romagna Rodrigues, de 27 anos, sob a orientação de Alexandre Diniz, professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial, da PUC Minas. Santa Luzia está no grupo dos centros de ordem intermediária.

Ouro PretoCores e arquitetura

A cidade, com pontuação 0,200928, atrai muita gente que se delicia com as cores e arquitetura do Centro Histórico, onde está o Solar Teixeira da Costa, na tradicional Rua Direita, que, atualmente, abriga o museu Casa de Cultura. Uma placa no imenso casarão, onde estão expostos centenas de objetos e quadros que ajudam a contar páginas importantes da história do país, informa que o imóvel foi quartel-general, entre 15 e 20 de agosto de 1842, do Exército Revolucionário até ser conquistado e ocupado pelo Exército Imperial Pacificador.

E é difícil encontrar um turista que passa pela Rua Direita e não vá ao Mosteiro de Macaúbas, a 15 quilômetros do centro histórico, fundado, em 1712, pelo ermitão Félix da Costa. Em 1847, de acordo com informações afixadas no próprio local, “(o prédio) passa a ser recolhimento e colégio. Já em 1933 é incorporado à Ordem da Imaculada Conceição, fundada por Santa Beatriza da Silva e Menezes, em Toledo, na Espanha, em 1484”.

Sabará, Tiradentes, Congonhas

A vizinha Sabará, com nota 0,049624, está na 58ª posição e também atrai muitos turistas, como os noivos Jean Kotowski, de 26 anos, e Melissa Camargo, de 27, de Curitiba (PR). Depois de conhecerem São João del-Rei, Tiradentes e Congonhas, o engenheiro eletricista e a pedagoga foram passear no Centro Histórico do importante povoado desde a época do Brasil Colônia, quando era chamada de Sabarabucu.

Puro PretoA bandeira de Fernão Dias Paes chegou à região em 1674 para o processo de organização urbana dos núcleos mineradores, mas, segundo a prefeitura, importante publicação do historiador Zoroastro Viana Passos cita que os baianos chegaram aos sertões de Sabará em 1555, muito antes dos bandeirantes paulistas. O certo é que Sabará continua encantando os visitantes, como os noivos paranaenses, que guardaram, na máquina fotográfica, uma lembrança da Igreja de Nossa Senhora do Ó, fundada pelo paulista Bartolomeu Bueno da Silva.

Ouro Preto“É muito bonita”, diz o economista José Orlando Silva, de 54, que, juntamente com a filha, Marina, de 23, e a neta Melissa, de 2, apresentou os paranaenses a Sabará. Segundo a prefeitura, “a fachada apresenta alguns detalhes orientais, com interior exuberante, numa profusão de vermelho dourado e azul em talha representativa da primeira fase do barroco mineiro, muito bem representada na talha do altar-mor, em policromia, com colunas torsas (ou salomônicas) com cachos de uvas e folhas de videira simbolizando a eucaristia, e a ave fênix representando a Ressurreição de Cristo. Nas faces frontais do arco-cruzeiro, painéis com motivos chineses, pintados a ouro, dão um toque bem oriental ao interior desta belíssima construção religiosa”.
 
Ouro PretoBelezas de difícil acesso
 
As belas paisagens entre Jaboticatubas e Taquaraçu de Minas atraem, todos os anos, muita gente que se encanta com as trilhas, montanhas e cursos d’água, mas também se decepciona com a parte da estrada que é de chão e vira um caos na época de chuva. É possível sair de Jaboticatubas e chegar a Taquaraçu por outro caminho, mas a distância aumenta muito. Para moradores, como o lavrador Carlos Santos Ferreira, de 43 anos, o caminho mais curto oferece uma vista mais atrativa.

O problema incomoda não só turistas, mas os habitantes da região. Outro dia, conta o lavrador, um caminhão não conseguiu atravessar o barro e correu o risco de o suado leite retirado pelos pequenos produtores se perder. “Teve que fazer um desvio. O caminho foi aumentado, acredito, em seis quilômetros”, alertou o homem, que, durante o período chuvoso, só usa a estrada montado na égua Sirigaita.

“Passou da hora de asfaltar isso aqui. É ela que me ajuda”, acrescenta Carlos, mostrando a égua. Quase todos os dias, ele sai de casa na companhia de outros dois animais: a cadela Campina e o cão Campeiro. Os vira-latas, companheiros, não temem a lama, a poeira e outras dificuldades. São exemplos que reforçam o velho ditado: o cão é o melhor amigo do homem.
 
Já o asfalto da estrada que liga Santa Luzia a Jaboticatubas é excelente. Por outro lado, a pista carece de acostamento. É um alerta aos motoristas, principalmente porque seu traçado, em muitas partes, esconde curvas que podem se transformar em armadilha.

ONDE FICAR, COMER E SE DIVERTIR NA ESTRADA REAL

 

Tudo sobre o carnaval em Ouro Preto (MG)

Estado de Minas/Jorge Cardoso (fotos)

O carnaval de Ouro Preto é um dos mais famosos do Brasil, conhecido, inclusive, internacionalmente. A antiga capital de Minas Gerias hoje se destaca pela animação dos mais de 25 blocos criados pelas repúblicas estudantis da cidade.

Mas nem só de blocos de repúblicas vive o carnaval de Ouro Preto. A cidade mantém características tradicionais de folias antigas. Uma delas é a ala Zé Pereira dos Lacaios. O bloco existe desde 1867 e atualmente tem cerca de 50 membros.

Outro bloco tradicional é a Bandalheira. Todo ano eles se vestem de calça preta, camisa branca, um penico na cabeça e um rolo de papel higiênico pendurado na cintura. Com humor, marcham pelas ruas do centro histórico em ritmo acelerado.
 
Durante os quatro dias de festa, as ladeiras da cidade ficam completamente tomadas pelos foliões. Para se ter uma idéia, a cidade, que tem 60 mil habitantes em sua área urbana, recebe cerca de 50 mil turistas no carnaval.

Confira aqui a programação

Veja também: Programação e abadas dos blocos das repúblicas de estudantes
Bloco de Maurício Tizumba agita Ouro Preto pela segunda vez e faz Pré-Carnaval

Distâncias:
Belo Horizonte – 90 km
Rio de Janeiro –417 km
São Paulo – 745 km
Vitória – 624 km

Carnaval também é época de ecoturismo em Minas

Do Estado de Minas  

Minas Gerais possui atrativos para atender aos mais variados foliões neste carnaval 2009. Entre os 43 circuitos turísticos oficiais do estado, o turista poderá escolher a melhor alternativa, com a certeza de que terá à disposição muita hospitalidade, belas paisagens, opções de agito e descanso, com gastronomia farta e encantadora.

Em Minas, a festa de Momo também é época para curtir a natureza. Para os mais aventureiros, são inúmeros os destinos que possuem grutas, cachoeiras, rios e montanhas, formando o cenário ideal para a prática do turismo de aventura, especialmente na Estrada Real.

Quem procura emoção e adrenalina não pode deixar de conhecer o Parque Nacional da Serra do Cipó, a pouco mais de 100km de Belo Horizonte, um dos mais importantes do país. Há ainda os parques nacionais da Canastra e do Caparaó. Há também sete parques estaduais abertos à visitação, que oferecem estrutura de camping, estacionamento, centro de apoio e trilhas sinalizadas – Rio Doce, Ibitipoca, Serra do Rola-Moça, Itacolomi, Rio Preto, Serra do Brigadeiro e Nova Baden.

Fazendas e escaladas

No turismo rural, algumas regiões se destacam pelas belas paisagens e o ritmo tranquilo. É possível encontrar diversas fazendas turísticas em cidades como Carandaí, Santana dos Montes e Itaverava. A Associação do Circuito Turístico Pico da Bandeira está no entorno da famosa Serra do Caparaó, que abriga o terceiro maior pico do país – o da Bandeira –, atraindo grande número de turistas devido à imensa beleza natural que propicia e à tranquilidade que proporciona aos visitantes. Roteiros de ecoturismo e turismo de aventura são o foco do circuito. 

Congonhas (MG) – Os Profetas de Aleijadinho

Profetas/Joaquim Prado

Profeta/Joaquim Prado

Renato Alves (texto) e Joaquim Prado (fotos)

Do alto da colina, os 12 Profetas de Aleijadinho derramam bençãos à Congonhas (MG), mas há quem diga que eles conspiram.

Após a conclusão das obras dos Passos da Paixão, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e sua equipe começaram a construção dos Profetas no adro da Igreja do Senhor Bom Jesus. De 1800 a 1805, Aleijadinho deixou aqui, nas imagens esculpidas em pedra-sabão, a marca de seu gênio.

A série de Profetas de Congonhas é considerada uma das mais completas da iconografia cristã ocidental. As estátuas, espalhadas no adro do Santuário, em admirável simetria, ao longo das esplanadas de níveis diferentes, formam um conjunto grandioso e impressionante. Apoiando-se sobre um pedestal de 20cm de altura, cada um sustenta uma cartela com inscrição em latim extraída do Antigo Testamento.

Pesquisadores de História da Arte da PUC de Campinas suscitam a tese de que Aleijadinho quis figurar em cada Profeta um participante da Inconfidência Mineira, fundada nas diferenças nas indumentárias, nos gestos e sinais das esculturas.

Profeta/Joaquim PradoHá outra curiosidade com referência à escolha dos profetas: Aleijadinho não teria representado um dos 12 profetas menores, um dos mais importantes, Zacarias, mas teria representado junto a outros profetas menores, cinco profetas maiores, mesclando Novo e Velho Testamento. Eis os Profetas de Aleijadinho: Daniel, Oséias, Isaias, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Jonas, Joel, Amós, Nahum, Abdias e Habacuc.

Deterioração

Infelizmente, os Profetas sofrem com o descaso e o abandono. Projeto do espaço em Congonhas que abrigaria as estátuas se arrasta há 10 anos e ainda não saiu do papel. Obras-primas exibem marcas de deterioração e correm graves riscos. As marcas da destruição são visíveis. Saiba mais na reportagem do Estado de Minas.

(Renato Alves e Joaquim Prado são jornalistas e moradores de Brasília-DF. Renato é mineiro e Joaquim, pernambucano. Ambos admiram as obras de Aleijadinho)