Cinco lugares imperdíveis no Peru

Construções na famosa Machu Picchu

Uma visita ao país não é completa sem uma peregrinação à magnífica cidadela inca de Machu Picchu, mas na verdade esse lugar admirável é só um vislumbre de 5 mil anos de história. Em Chan Chan, percorra os remanescentes empoeirados de uma grande cidade, as maiores ruínas pré-colombianas das Américas. Sobrevoe os enigmáticos geoglifos gravados na terra árida em Nazca. Ou aventure-se pela floresta montanhosa que circunda a fortaleza de Kuelap. Os grandes museus de Lima, com cerâmicas de valor inestimável, ouro e alguns dos mais requintados tecidos do mundo, revelam em detalhes a sofisticação, a técnica e a paixão de civilizações perdidas. Visite comunidades remotas e veja como as tradições milenares ainda sobrevivem. Mergulhe na essência peruana e, quando sair de lá, terá chegado mais perto do passado.

 

1. O Vale Sagrado

Vista de uma fazenda no Vale Sagrado
©Philip Lee Harvey/Lonely Planet

 

Aldeias labirínticas, ruínas de postos militares avançados incas e terraços agrícolas usados desde tempos imemoriais são ligados pelo rio Urubamba, que se curva e se alarga na travessia do Vale Sagrado. A localização estratégica, entre Cuzco e Machu Picchu, torna esse destino pitoresco a base ideal para explorar os famosos mercados e as ruínas da região. As acomodações variam de pousadas acolhedoras a resorts de luxo, e as opções de aventura incluem passeios a cavalo, rafting e caminhadas que levam a aldeias remotas de tecelões e agricultores.

 

2. Chan Chan

Chan Chan, a extraordinária capital chimu, é a maior cidade pré-colombiana das Américas e a maior cidade de adobe do mundo. Chegou a ter cerca de 60 mil habitantes. Autêntica arca de tesouros, é hoje um trabalho em andamento – o complexo de Tschudi é a única das dez cidadelas muradas no seu interior restaurada à sua antiga glória. Apesar das agruras provocadas pelo El Niño ao longo dos anos, os pátios cerimoniais, as paredes ornamentadas e as labirínticas salas de audiência de Chan Chan são sinônimo de resistência.

 

3. Machu Picchu

Quem nunca sonhou com uma aventura explorando Machu Picchu?
©Tom Robinson/Lonely Planet

 

Fantástica cidadela inca ignorada pelo mundo até ser redescoberta no início do século 20, Machu Picchu se destaca entre as ruínas. Com terraços cor de esmeralda e cercada por picos íngremes e desfiladeiros andinos que ecoam no horizonte, o lugar simplesmente ultrapassa a imaginação. É lindo. Essa maravilha da engenharia resistiu a seis séculos de terremotos, invasões estrangeiras e um clima inclemente. Explore-a à vontade, perca-se entre os templos de pedra e escale as alturas vertiginosas do Wayna Picchu.

 

4. Surfe na Costa Norte

Surfistas em busca de verão eterno vão em bando para a costa norte do Peru atrás de algumas das ondas mais longas e consistentes do mundo. O território do surfe culmina na movimentada Máncora, o único balneário praiano de verdade do Peru, testado e aprovado. Tanto surfistas como adoradores do sol acorrem o ano inteiro a esse point sul-americano e seu litoral em forma de lua crescente.

 

5. Trujillo

Interior impressionante do Huaca de la Luna (Templo da Lua)
©Matt Munro/Lonely Planet

 

Erguendo-se do deserto de areia como uma miragem caleidoscópica de cores coloniais, a velha Trujillo é uma deslumbrante mostra de esplendor conservado. Seu centro histórico é repleto de igrejas bacanas, mansões e outras construções coloniais preservadas, que dão à cidade uma atmosfera agradável. Próxima a impressionantes ruínas das culturas chimu (como Chan Chan) e mochica (como as Huacas del Sol y de la Luna), Trujillo supera facilmente suas rivais do norte em estilo e graça.

 

Esta matéria faz parte do guia Peru, da Lonely Planet, também disponível em e-book.

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Cusco: O planeta em uma praça

Flávia Maia, do Correio Braziliense / Fotos de Renato Alves

O nome da antiga capital do Império Inca nunca fez tanto sentido como nos dias atuais. Cusco, do quéchua Qosqo, cada dia mais se transforma no “umbigo do mundo”. Na praça central — a Plaza de Armas —, é possível ver gente de todas as nacionalidades conhecendo a pitoresca cidade construída pelos espanhóis em cima dos vestígios incas. Os colonizadores tiveram que utilizar as fundações incas para que suas casas parassem em pé, pois suas construções não aguentavam os tremores de terra.

A movimentação turística em Cusco se dá especialmente por ela ser a principal cidade de acesso ao sítio arqueológico de Machu Picchu. De lá saem os ônibus para Ollantaytambo ou o trem direto para Águas Calientes. Cusco seduz também pelo belíssimo vale e por toda a arquitetura, que impressiona até os olhares mais desatentos. Por isso, a maioria dos turistas faz dela mais que uma rota de passagem rumo à Machu Picchu, o que explica o ar cosmopolita existente na cidade.

Em Cusco não faltam opções: é possível comer os melhores pratos dos chefs locais, mas também os sanduíches norte-americanos. Os hotéis também são variados: desde aqueles em estilo butique — com quartos planejados por designers e móveis que podem ser comprados pelo turista — até as acomodações mais simples.

Ao andar pelas ruas pequenas e muitas vezes congestionadas de Cusco, o conflito entre espanhóis e incas fica evidente em cada casa e no rosto miscigenado de seus moradores. Ambos lutaram bravamente para que a própria cultura predominasse na identidade local. Porém, por mais que os espanhóis tenham vencido a batalha das armas e dominado o Império Inca, a cultura indígena sobreviveu e ficou arraigada de tal forma que constitui a alma cusquenha.

Um exemplo claro da tentativa espanhola de apagar a cultura Inca está na Igreja de Triunfo, localizada no complexo de igrejas da Catedral de Cusco, na praça principal.

O templo foi construído em 1538, em cima da edificação Suntur Wasi, símbolo de respeito inca, onde se guardavam os emblemas e as bandeiras do Império. Inclusive, o nome Triunfo serve para glorificar a vitória espanhola contra os indígenas.

Porém, apesar da vitória católica, dentro da própria igreja encontram-se quadros da arte cusquenha, movimento artístico do século 16 que trabalhava com tinta a óleo e mesclava a iconografia indígena com a espanhola.

Uma das peças que mais chamam a atenção é a Santa ceia, em que se serve o cuy, animal semelhante ao nosso porquinho-da-índia, muito apreciado pelos indígenas.

Para visitar a catedral e as igrejas anexas, paga-se apenas um ingresso, porque elas estão conectadas. São construções coloniais maravilhosas, com altares de ouro e imagens adornadas com pedras preciosas. Nessas igrejas é proibido tirar fotografias.

Outro lugar impressionante para visitar é o centro cerimonial da Sacsayhuamán, o antigo templo do Deus Sol. Atualmente, há ruínas que, dizem, têm a forma da serpente, o animal que representa o subterrâneo na cultura inca.

O mal da altitude
Cusco está localizada em um vale a 3500m de altitude. Por lá, é comum os turistas sofrerem de soroche, o mal das alturas. Os sintomas recorrentes são náuseas, dor de cabeça e tontura. Para evitar esse mal-estar, é aconselhável tomar o chá de coca (mas nunca antes de dormir). Além disso, descansar por umas duas horas depois que se chega na cidade ajuda o organismo a se acostumar com a altitude.

Prata e lã
Para quem gosta de trazer o artesanato local de presente para a família e os amigos, Cusco tem ótimas opções de compras. No Centro Artesanal Cusco encontra-se de tudo, como objetos de prata ou tapetes de lã de lhama. Por ser um centro popular, os feirantes costumam aceitar as pechinchas.

Uma dica: falar que é brasileiro ajuda no descuentazo porque os comerciantes já conhecem a tradição brasileira de pechinchar. Outro lugar bacana para se fazer compras é a Vicuñita, uma fábrica de roupas feitas com lã de alpaca. Lá encontram-se bonitas roupas de frio a bons preços. A Fábrica de Plata também traz a oportunidade para comprar peças em prata bem trabalhadas e por valores acessíveis.

Aonde ir
Centro Artesanal Cusco: Avenida Pachacute com Avenida Tullunayo, perto do Ferrocarril Arequipa-Puno.
Joyería Paty, Fábrica de Prata: Rua Teatro, 348.
La Vicuñita: Avenida Julio Ochoa, 228.

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Jornada mágica pelo Peru

Flávia Maia, do Correio Braziliense / Fotos de Renato Alves

Ir ao Peru permite aguçar todos os sentidos, da visão ao paladar — esse último, encantado pelos sabores que a nova cozinha peruana apresenta. E é também encarar uma viagem mágica na história e na razão, seja em Machu Picchu, na encantadora Lima ou na cosmopolita Cusco. Nenhuma dessas cidades pode ficar de fora do roteiro mais básico. Lima representa o novo Peru, misturando a arquitetura colonial ao urbanismo moderno. Já Cusco é onde o mundo se encontra em uma única praça: a das Armas.

Cusco (foto ao lado) também é uma das cidades que dão acesso mais fácil a Machu Picchu, santuário de ruínas que fazem o coração palpitar. Cada pedra no caminho percorrido dentro da cidade sagrada desperta perguntas. A mente não consegue parar de pensar sobre como funcionava aquele local envolto por cordilheiras e mistérios.

A Montanha Velha — na tradução do quéchua — é a cidade do imaginário. Se antes da sua redescoberta em 1911, pelo americano Hiram Bingham, ela ficou preservada entre os mitos e as histórias dos camponeses vizinhos, quase um século depois, transformou-se no sonho de viagem de vários turistas por todo o mundo.

Para quem vive no Distrito Federal, a jornada encurtou no último mês, quando foi inaugurado o voo direto entre Brasília e Lima. O mundo mágico ficou ainda mais ao alcance da mão.

Soberana e caótica

Lima tem o ar soberano de quem nunca deixou de ser uma capital. A cidade, hoje composta por 43 bairros, foi palco de importantes momentos históricos do país e das Américas. Fundada como “Cidade dos Reis” em 1535, pelo conquistador Francisco Pizarro, ela tornou-se a sede do vice-reinado espanhol, que correspondia aos atuais territórios de Peru, Equador, Bolívia e Chile.

A elegância de Lima se traduz principalmente no centro histórico com a Plaza Mayor (antiga Plaza de Armas) e a Plaza de San Martín. Nessas praças, a arquitetura europeia é evidente e permanece bem preservada.

Na Plaza Mayor, é possível conhecer o Palácio do Governo e a bela catedral (foto ao lado). Já a Plaza de San Martín — com o busto de um dos líderes da independência do Peru no centro da praça — é onde melhor se presencia o dia a dia da cidade, com músicos tocando, turistas lendo seus guias, cachorros brigando, pessoas dormindo no banco da praça e o caótico trânsito limenho.

Muitas das construções coloniais presentes nessas duas praças já foram refeitas por causa dos constantes terremotos que assolaram o país. O mais assustador foi o de 1746, quando apenas 25% das construções limenhas ficaram de pé. Após o desastre, a técnica do tijolo cozido utilizada pelos espanhóis caiu em desuso e os conquistadores passaram a fazer muitas construções de pau-a-pique, como os indígenas.

Nos tempos de capital da colônia, todos os acontecimentos na história da Europa repercutiam em Lima. Por exemplo, no fim do século 18, o urbanismo da cidade imitava o de Paris, com ruas largas. Na arquitetura, os traços franceses também sobressaíam. Nas relações sociais, surgem as organizações tipicamente masculinas, como os grupos de maçons.

Começa nesta época também o movimento pela independência do vice-reinado espanhol. O argentino San Martín é o responsável pela libertação do Peru, em 28 de julho de 1821. Para conseguir negociar a independência, San Martín usa as antigas muralhas limenhas — construídas para proteger a cidade contra os piratas, demolidas em 1880 — e bloqueia a entrada de alimentos e suprimentos aos crioulos (filhos de espanhóis nascidos nas Américas). Dessa forma, ele consegue a assinatura deles favorável à libertação de boa parte do continente americano colonizado pelos espanhóis.

Por isso, ir ao Peru em julho e agosto é ver um país tomado pelas cores branca e vermelha, já que todas as residências e os comércios hasteiam a bandeira nacional em comemoração à independência. O gesto não é baseado somente em patriotismo — está na lei e precisa ser cumprido —, mas deixa as cidades mais bonitas aos olhos dos visitantes.


Livros, artes e catacumbas

A leste da Plaza Mayor, fica a Igreja de San Francisco (foto acima), uma construção seiscentista que resistiu à passagem do tempo e às devastações dos constantes tremores de terra. Dentro da Igreja há ainda uma biblioteca magnífica, azulejos pintados à mão do século 17 e pinturas feitas por Rubens, Jordaens e Van Dick, entre outros artistas. Também é possível encontrar obras dos alunos do italiano Mateo Perez de Alessio. Por causa da fragilidade das pinturas, é proibido fotografar o interior da igreja.

Porém, o mais fascinante que a igreja guarda é o Museu de Catacumbas. Estima-se que 25 mil corpos tenham sido enterrados entre 1672 e 1821, período que o cemitério ficou ativo. Trata-se de uma verdadeira viagem nos registros históricos. Os crânios e os fêmures são as provas palpáveis de que pessoas viveram ali, deixaram suas marcas e construíram a história do Peru.

O interessante é que os vestígios dos clérigos e dos nobres estão identificados, mas os dos indígenas, dos negros e dos mestiços pobres foram jogados em uma vala comum. Por isso, não há um registro preciso do número de corpos. A organização das catacumbas reflete a própria estrutura da sociedade limenha colonial: uma cidade dividida entre os guetos indígenas e negros e os redutos das classes abastadas.

Un descuentazo, por favor

Durante as quatro horas e meia de voo que separam Brasília de Lima, o espetáculo de paisagens enche as janelinhas do avião. E ninguém consegue despregar os olhos das montanhas com os picos congelados e, principalmente, do reflexo do sol nas águas azuladas do Titicaca. Trata-se de uma espécie de amostra grátis das belezas andinas, o que aumenta a ansiedade de qualquer passageiro até a chegada ao país.

O Aeroporto Jorge Chávez, onde pousa o avião vindo da capital federal brasileira, fica no distrito de Callao, zona portuária e industrial próxima de Lima. Por causa do poder econômico, Callao é independente de Lima, mas a distância entre as cidades não é tão grande, cerca de 14km. Aconselha-se pegar um táxi. Não se assuste: os táxis, apesar de velhos, rodam direitinho. E são baratos. Os taxistas peruanos não trabalham com taxímetro: você diz aonde quer ir e ele define o preço. A palavra descuentazo (“descontão”) ajuda na garantia de um preço ainda mais baixo.

Lima tem cerca de 6 milhões de habitantes. Com a estabilidade da moeda (o nuevo sol), o país vem crescendo bastante (cerca de 7% ao ano) e a capital mistura a história colonial com a arquitetura moderna dos prédios dos conglomerados internacionais que têm chegado. Nela, o centro histórico está bem preservado e separado da nova zona da cidade.


Declive

Na parte nova, vale a pena conhecer os bairros de Miraflores (foto acima) e Barranco. No passado, abrigavam fazendas de religiosos e áreas de veraneio das famílias aristocráticas limenhas. Com as guerras mundiais, europeus — em especial os espanhóis e os italianos — foram para Lima e montaram residência nessas áreas.

O interessante é que nesses dois bairros se encontra algo raro em Lima: telhado em declive. Como não chove na capital peruana por causa de uma massa de ar frio da Antártica que impede a formação de precipitações, e Lima já sofreu com terremotos, as construções tendem a ter a cobertura reta. Para Miraflores e Barranco, no entanto, os europeus trouxeram consigo sua arquitetura e ela fica ainda mais em destaque por causa do tipo de telhado.

Na Rua San Martín, no Barranco, vale a pena passear pela Ponte dos Suspiros, que tem esse nome por causa dos namorados e chegou a inspirar a cantora e folclorista peruana Chabuca Granda(1) (1920-1983). Mas a grande graça do Barranco está nos cafés, nas casas noturnas e nos bares concentrados em torno da Plaza Municipal.

Luxo em Miraflores

Miraflores é um dos bairros mais chiques de Lima. Ele se tornou turístico a partir de 1985, quando o centro da capital ficou perigoso por conta dos atentados terroristas promovidos por grupos como o Sendero Luminoso. Na época, as facções estragaram vários prédios públicos e ameaçavam os viajantes. Hoje, o grupo está enfraquecido e quase sem nenhuma ação.

No meio de Miraflores, há o sítio arqueológico de Huaca Pucllana, templo dos adoradores do mar. O museu funciona desde 1981 e está localizado onde era o centro cerimonial das antigas populações de Lima do século V depois de Cristo, entre os anos de 200 d.C. e 700 d.C.. O sítio conta também com um excelente restaurante de luxo. O lucro do estabelecimento e as vendas de ingressos permitem a realização de várias pesquisas no sítio.

Onde comprar

Para comprar suvenires, a dica é ir à Avenida Petit Tnouars, onde existem várias lojinhas e o Mercado Inca de artesanato.

Aonde ir

Huaca Pucllana (Calle General Borgoño, Cdra. 8 s/nº, Miraflores / pucllana.perucultural.org.pe ). De terça a domingo, das 9h às 16h. Os ingressos para as visitas guiadas custam 7 soles (adultos), 3 soles (universitários e professores) e 1 sol (estudantes, crianças e aposentados). Preços sujeitos a alterações.

Vale Sagrado (6) — O básico de Machu Picchu

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos) 

Considerada um dos grandes tesouros arqueológicos mundiais, a cidade inca de Machu Picchu escapou à dominação espanhola e só foi descoberta em 1911, pelo professor norte-americano Hiram Bingham (foto ao lado).

Interessado pela cultura inca, Bingham percorreu todo o Vale Sagrado, perguntando aos camponeses sobre os sítios arqueológicos.

Foi assim que, guiado por um menino, chegou às ruínas de Machu Picchu.

A 2.350m de altitude, muitas são as especulações sobre a finalidade de Machu Picchu.

Alguns estudiosos defendem que a cidade era uma fortaleza militar. Outros, a fazenda do imperador inca Pachacútec.

De qualquer forma, dois setores, um agrícola e outro urbano, são distinguidos nas ruínas.

Em excelente estado de conservação, as ruínas da mais famosa cidade inca retratam a organização desse povo.

A Cabana do Guardião, o Templo das Três Janelas, o Templo do Condor, o Templo do Sol e a pedra Intihuatana são algumas de suas principais atrações.

Para chegar a Machu Picchu, os mais aventureiros podem caminhar 40 km pela trilha inca, num percurso de 4 dias, passando por cidadelas e magníficas paisagens naturais.

Outra opção é ir de trem até Águas Calientes, partindo de Cusco, ou de Ollantaytambo.

Também conhecida como Machu Picchu Pueblo, Águas Calientes é a última cidade para quem vai às ruínas e serve de apoio aos turistas com hotéis e restaurantes. 

Dicas para a viagem:

• Compre o bilhete de trem pela internet, com antecedência (www.perurail.com). É seguro e você não dependerá das agências de turismo.

• Os trens saem da estação de Poroy, a 20 minutos de Cusco.

• Chegando a Águas Calientes, é preciso atravessar uma feira de artesanato para pegar o ônibus que sobe até Machu Picchu.

• O ingresso para Machu Picchu pode ser comprado em Águas Calientes (em dólar ou em soles) ou na entrada da cidade (apenas em soles).

• Não é permitido levar comida à Machu Picchu. Mas os fiscais fazem vista grossa se você recolher todo seu lixo.

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Vale Sagrado (5) — Ollantaytambo

Eliane Moreira

Reza a lenda que um general inca chamado Ollanta apaixonou-se pela filha do nono imperador, Pachacútec. E ela por ele. O amor era proibido, já que seus protagonistas pertenciam a castas sociais diferentes.

Sem saber desse amor, Pachacútec prometeu a Ollanta o que ele quisesse, em troca da expansão de seu império. Nessa guerra contra povos inimigos, Ollanta saiu vitorioso. Ao cobrar a promessa, o general pediu ao imperador a mão de sua filha.

Pachacútec ficou furioso e ordenou a Ollanta que partisse, ou lhe mataria. Com sede de vingança, Ollanta infringiu grandes derrotas ao império inca.

Até que foi pego em uma emboscada e enviado a Pachacútec. Ocorre que, durante o percurso, Pachacútec morreu e foi substituído por seu filho, Tupac Yupanqui.

Levado à presença do novo imperador, uma luz se irradiou sobre a cabeça de Ollanta, levando Tupac Yupanqui a, finalmente, conceder-lhe sua irmã como esposa. Em troca, Ollanta deveria fundar uma cidade e dedicá-la ao Império Inca.

Assim nasceu Ollantaytambo. Situada no nível mais baixo do Vale Sagrado, é considerada cidade inca vivente, por manter o plano original dos tempos do império. Terraços esculpidos em pedra, antigos templos, celeiros e observatórios astronômicos também foram preservados.

Dentre suas atrações está o inacabado Templo do Sol, cuja construção foi interrompida pela chegada dos espanhóis. Aliás, foi em Ollantaytambo que Manco Inca enfrentou e derrotou o conquistador Francisco Pizarro, em 1536, uma das poucas oportunidades em que os incas se saíram vitoriosos na guerra contra os invasores.

Vale Sagrado (4) — Pisac

Eliane Moreira

Em Pisac, a 32 km de Cusco, estão algumas das mais expressivas ruínas incas. Para conhecê-las, tem que ter fôlego.

A 3.300m acima do nível do mar, a caminhada de 1,5 km por uma subida íngreme não é para qualquer um. Mas vale a pena.

Terraços agrícolas escavados nas encostas, construções militares e residenciais, templos religiosos e observatórios astronômicos contam um pouco do modo de vida do povo inca.

Pisac também é famosa pela feira de artesanato que ocorre semanalmente, onde estão à venda pedrarias, coloridas vestimentas, peças de barro e cerâmica.

É também quando ocorre o peculiar comércio de produtos agrícolas que atrai os habitantes das comunidades vizinhas.

Mantendo um costume de mais de 300 anos, uma grande variedade de alimentos é negociada na forma mais primitiva de comércio: o escambo, ou trueque, como é chamado por lá. Milho, batata, cereais e até animais como ovelhas e cabras são expostos e trocados.

Outra grande atração de Pisac são as missas celebradas aos domingos, às 11h, em quéchua, idioma indígena pré-colombiano. Adotado pelo povo inca é a segunda língua oficial do Peru, falada por 3 milhões de andinos.

Vale Sagrado (3) — Mirante de Taray

Eliane Moreira

A 8 Km de Cusco, no mirante de Taray, surge a primeira visão do Vale Sagrado. Lá embaixo, vê-se o Rio Vilcanota, importante para os brasileiros por atravessar todo o Vale Sagrado e chegar ao Brasil, recebendo aqui o nome de Rio Solimões. Quando o Solimões encontra o Negro, passa a se chamar Rio Amazonas.

Ainda no Peru, o Vilcanota recebe o nome de Urubamba e suas águas banham todo o Vale Sagrado, fertilizando as terras ao seu redor. Aproveitando essa fertilidade, os incas construíram terraços de pedra nas encostas das montanhas, como grandes escadarias, cultivando várias espécies de batata e milho.

É a segunda parada no passeio pelo Vale Sagrado, rápida, apenas para fotos. Ainda assim, no mirante há peruanos vendendo souvenirs e grãos de diferentes espécies de milho para recordação.