Todas as atrações da reconstruída Varsóvia

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Quem vai a Cracóvia, tem de aproveitar a oportunidade e conhecer Varsóvia. Distantes 300km, as duas principais cidades da Polônia são ligadas por voos diários, estradas em excelente estado e trens nem tão modernos, mas que valem a viagem pelo cenário visto de suas janelas.

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As principais atrações da capital polonesa mantêm vivas as lembranças de um país que sofreu com a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial e com o comunismo imposto pela extinta União Soviética.

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Totalmente destruída pelos alemães, a Cidade Velha foi meticulosamente reconstruída, trazendo de volta a arquitetura centenária e colorida dos prédios do centro histórico. O resultado da reconstrução beirou a perfeição, o que rendeu à Varsóvia o título de Patrimônio Cultural e Natural Mundial, concedido pela Unesco.

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IMG_5509O povo polonês resistiu bravamente ao domínio alemão. Resistência que inspirou o filme O Pianista, vencedor de três Oscars. O longametragem mostra a construção e o confinamento dos judeus em um gueto em Varsóvia, e a luta dos poloneses contra a ocupação.

Dos muros do gueto sobraram poucos pedaços e referências, mantidos como forma de preservar a história.

Outros monumentos e museus também contam essa história.

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Insurreição

Merece destaque o Museu da Insurreição de Varsóvia. Além do farto acervo de fotos, documentos, filmes e outros objetos, a interatividade aproxima o visitante da história. Imagine estar no museu e, de repente, sem qualquer aviso prévio, ouvir um bombardeio. Uma dica: aos domingos, a entrada é gratuita.

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Partindo do centro antigo, vale a pena andar pelo Caminho Real, uma das avenidas mais importantes da cidade, até o Parque Lazienki. Percorrida pela realeza, essa rota liga o castelo real, na Cidade Velha, aos magníficos palácios e jardins do parque.

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Já do período comunista, um enorme edifício no estilo das construções soviéticas pode ser visto de vários pontos da cidade. Embora também faça pate de um passado de opressão, o Palácio de Cultura e Ciência se mantém como o mais alto edifício da cidade, o que desagrada a muitos poloneses.

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Fryderyk Chopin

Além da beleza do centro antigo, dos parques e da história de Varsóvia, a cultura é outro ponto forte que justifica a esticada até a capital. Considerado um gênio da música clássica, Fryderyk Chopin passou em Varsóvia os 20 primeiros anos de sua vida. A casa onde morou hoje é um museu, com a maior coleção de lembranças do compositor, e onde se pode escolher qual canção se deseja ouvir.

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Muitos outros lugares da cidade fazem referência a Chopin, que mereceu até uma estátua no parque Lazienki, onde, de maio a setembro, são executados concertos em sua homenagem. Se tantas homenagens não fossem suficientes, alguns dos bancos espalhados pela cidade também tocam trechos de suas composições. É só se sentar e apreciar.

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IMG_5480Símbolo da cidade

Na praça central da Cidade Velha, uma estátua chama a atenção dos flashes dos turistas. Trata-se de uma sereia empunhando uma espada, símbolo da cidade de Varsóvia. Reza a lenda que uma sereia, vinda do mar, parou na praça para descansar. Gostou tanto do lugar que decidiu ficar. Um rico comerciante capturou e aprisionou a sereia até que um pescador ouviu seu lamento e a libertou. Como gratidão, a sereira se prontificou a proteger o pescador, a cidade e seus habitantes, razão de sua espada e de seu escudo.

Dica de hospedagem

Por ser a capital, a maioria dos hotéis de Varsóvia visam o público executivo. Por isso, a grande oferta de alojamento fica ao redor da estação central de trem. No entanto, tente se hospedar nas proximidades da rua Nowy Swiat, cheia de restaurantes e cafés e a uma curta distância da Cidade Velha.

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Os campos de concentração da Polônia

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Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

A 75km de Cracóvia, a pequena cidade de Oswiecim, ou Auschwitz — nome alemão pelo qual é conhecida –, mantém preservada uma parte da história de atrocidades cometidas contra a humanidade. Seus campos de concentração, que levam seu nome (Auschwitz II também é conhecido como Birkenau), ainda conseguem dar uma dimensão do terror do holocausto.

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Um passeio pelos alojamentos, rodeados por guaritas e cercas de arame farpado, é deprimente, mas essencial para entender um dos episódios mais repugnantes da história da humanidade.

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Em Auschwitz I, o portão de entrada preserva os dizeres “O trabalho liberta”, escritos em alemão, em letras de ferro fundido. Mas a liberdade era morte certa, pelos meios mais cruéis, inimagináveis. Muitos que ali chegavam, eram recebidos c om música, tocada por uma banda formada por outros prisioneiros (foto abaixo). Uma forma dos alemães enganarem as vítimas, de mantê-las calmas, até serem encaminhadas à morte.

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Alguns de seus pavilhões, celas e câmaras de gás, hoje organizam-se como museus. Entre os objetos em exposição, roupas, óculos, sapatos e até cabelo dos prisioneiros, a maioria judeus. Milhares de latinhas de produto tóxico usadas nos crematórios também estão expostas.

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Os arquivos com os dados dos prisioneiros permanecem rigorosamente organizados, uma característica dos nazistas. Tudo isso impressiona, mas são as fotografias dos presos em Auschwitz o que realmente dimensiona a crueldade do campo de extermínio.

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Durante todo o trajeto, algumas regras são impostas aos turistas, como não falar alto, não comer ou beber e em alguns locais não fotografar. Uma forma de respeitar a memória das vítimas.

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Embora Birkenau (foto abaixo) não tenha o mesmo acervo de Auschwitz, o imenso campo de concentração choca pelo tamanho e também deve ser visitado. Parte dos trilhos e um vagão dos trens que levavam os prisioneiros até os campos de concentração permanecem no local.

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Passeios guiados

Para chegar aos campos de concentração, hoje, várias excursões saem o dia todo de Cracóvia. Transporte público também dá acesso a Auschwitz, mas para visitar os campos é obrigatório o acompanhamento de guias. Em Auschwitz I, eles podem ser contratados e contam as histórias dos campos em diferentes idiomas.

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IMG_5243Para saber mais

Extermínio em massa

Maior símbolo do holocausto perpetrado pelo nazismo na Segunda Guerra Mundial, Auschwitz-Birkenau é uma rede de campos de concentração construídos e operados pelo Terceiro Reich no Sul da Polônia, durante a ocupação nazista.

A partir de 1940, o governo de Adolf Hitler construiu vários campos de concentração e um campo de extermínio nesta área. A alegação para a sua construção foi o fato de que as prisões em massa de judeus, especialmente poloneses, por toda a Europa que ia sendo conquistada pelas tropas nazistas, excediam em grande número a capacidade das prisões convencionais.

IMG_5234Após a guerra, em julgamento, o primeiro comandante alemão, Rudolf Höss, testemunhou que mais de 3 milhões de pessoas morreram em Auschwitz-Birkenau, sendo 2,5 milhões gaseificadas e 500 mil de fome e doenças.

Hoje em dia, os números mais aceitos são em torno de 1,3 milhão, sendo 90% deles de judeus. Outros deportados para Auschwitz e executados foram 150 mil poloneses, 23 mil ciganos romenos, 15 mil prisioneiros de guerra soviéticos, cerca de 400 Testemunhas de Jeová e dezenas de milhares de pessoas de diversas nacionalidades.

Quem não era executado nas câmaras de gás morria de fome, doenças infeciosas, trabalhos forçados, execuções individuais ou em experiências médicas.

Cracóvia: cores, sons, charme, tradição, religiosidade…

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Não espere a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) para conhecer a Cracóvia. Aliás, com um centro histórico medieval e compactado, o evento em 2016 não será o melhor momento para quem deseja fazer turismo nesta que é a nova queridinha na Europa Central.

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A segunda maior cidade da Polônia tem mais de mil anos. Um de seus mais ilustres moradores, Karol Wojtyla, o papa João Paulo II, tem imagens espalhadas por alguma ruas e é tema de museus. Mas com uma variedade de outras atrações, não é preciso ser cristão para pegar um avião e desembarcar por lá.

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Cracóvia também é terra de reis, rainhas, lendas medievais e cenário de uma das maiores atrocidades da humanidade, o holocausto. Tradições judaicas são preservadas em um bairro histórico, assim como lembranças das ações criminosas nazistas.

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Diferentemente da atual capital, Varsóvia, que ainda mantém uma atmosfera melancólica do pós-guerra e do comunismo, Cracóvia transborda alegria, cores e sons.

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Outra diferença entre as duas principais cidades do país está no fato que, enquanto Varsóvia foi devastada durante a Segunda Guerra Mundial, Cracóvia ficou imune às bombas.

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Por outro lado, como Varsóvia, Cracóvia viveu o extermínio de judeus pelos nazistas, a decadência econômica no período soviético e as diversas invasões que a dividiram entre Rússia, Prússia e Áustria até o início do século 20.

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No entanto, isso tudo parece superado, apesar de fazer parte do roteiro turístico obrigatório. Perto de Cracóvia ficam o maior campo de concentração nazista, Birkenau, e o mais famoso, Auschwitz (foto). Ambos ficam próximos. Os passeios a eles são feitos por meio de excursões guiadas, bate-e-volta, que podem ser contratadas com antecedência ou mesmo em hotéis e pousadas de Cracóvia.

Bom, bonito e barato

Três dias cheios são os suficientes para conhecer as atrações de Cracóvia e redondeza por causa do tamanho diminuto da cidade. Mas, se tiver tempo, dinheiro e disposição de sobra, vale ao menos mais duas noites de reserva em um hotel.

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Em Cracóvia, se faz quase tudo a pé. A segurança é quase total. Pode-se andar à noite sem se preocupar nem com batedores de carteira. Se comparados aos destinos mais badalados da Europa e às maiores cidades do Brasil, os preços são irrisórios. Se come e se bebe muito bem pagando muito pouco. E há muito artesanato legítimo para comprar.

Centro histórico conservado

Os monumentos de Cracóvia estão impecavelmente bem conservados, com toda sua elegância e charme originais. E, o melhor, se concentram em um compacto centro histórico, considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Em meio à sua riqueza arquitetônica e histórica, se destacam a Praça do Mercado e o Castelo Real Wawel (foto abaixo).

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A praça leva o nome de Rinek Glówny. É a maior praça medieval da Europa. Seu centro é ocupado pelo Sukiennice,  mercado em forma de corredor, ocupado por lojas de lembrancinhas com artigos religiosos, jóias, cristais e artesanatos (foto). No segundo piso encontra-se o Museu Nacional com acervos de arte polonesa do século 19.

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IMG_5339No Monte Wawel encontra-se a cidadela. No interior das muralhas fortificadas, ficava a sede do governo polonês. O edifício, imponente, está lá, como quando Cracóvia era a capital.

No monte também ficam o Castelo Real, a Catedral de Cracóvia e o Covil do Dragão. O acesso ao pátio da cidadela é gratuito, mas, nos demais, cobra-se entrada. No exterior das muralhas existe uma estátua de bronze do dragão cuspindo fogo, símbolo da cidade.

Reza a lenda que um dragão vivia no castelo, devorando as ovelhas e as virgens que encontrava, até que foi enganado e morto pelo fundador da cidade. Acredite ou não na história, a estátua do bicho, que cospe fogo de verdade de tempo em tempo, é uma atração e tanto para a criançada.

Já as capelas e sepulturas reais guardam os restos mortais dos mais importantes integrantes da família real polonesa, como o rei Kazimierz. O ingresso também dá direito à subida até o sino Zygmunt, do século 16, que só badala em ocasiões importantes, como a da morte do papa João Paulo II.

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Católicos, judeus e estudantes

Importante cenário do cristianismo, palco de algumas das importantes figuras do catolicismo, as suas mais de 140 igrejas têm fachadas e interiores de traços que vão do estilo gótico ao barroco. Por anos, o arcebispado de Cracóvia esteve sob o comando de Karol Wojtyla, que se tornou o papa João Paulo II. A sua imagem, claro, está em alguns cantos da cidade, que conta com museus dedicados ao pontífice.

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Como já dito, nem só de católicos vive a região. Cracóvia tem uma grande e próspera comunidade judaica, uma das que mais sofreram com o Holocausto. Portanto, o antigo Gueto criado pelos nazistas e as sinagogas do bairro judeu são visitas obrigatórias. Neles, há centenas de restaurantes, livrarias e outros estabelecimentos da cultura judaica.

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Cracóvia também é uma cidade estudantil. Tem a quinta universidade mais antiga do mundo, outras 14 escolas de ensino superior, e o ensino é gratuito até o fim da faculdade. Dos quase 900 mil habitantes, 200 mil são colegiais ou universitários. Muitos vindos de outras partes do mundo só para ter o gostinho de estudar nos mesmos bancos onde Nicolau Copérnico (1473-1543) sentou um dia.

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Como os judeus, os estudantes dos anos 1940 não escaparam dos alemãs. Em um dos episódios mais trágicos da cidades, soldados de Hitler invadiram a faculdade, arrastaram 180 professores e cientistas ao pátio e os executaram na frente de todos.

Como chegar

Cracóvia é conectada com várias cidades polonesas e com algumas metrópoles europeias através da boa malha ferroviária da PKP, como o trem noturno até Viena (oito horas) e os frequentes serviços ligando-a a Varsóvia (cerca de 3 horas e meia).

O Aeroporto Internacional João Paulo II tem voos para Paris, Roma, Madri e Londres, entre outros, tornando-a um destino de fácil acessibilidade.

Rápidos trens ligam os terminais ao centro da cidade em 18 minutos. As partidas desde o aeroporto vão das 5h34 até as 22h20, com intervalos regulares e saem por cerca de US$ 4.

Os táxis, mais convenientes para quem está em grupos ou com muita bagagem, funcionam 24 horas por dia e o trajeto até o centro costuma sair por volta de 50 zlotys, ou 16 dólares.

Onde comer

Cracóvia tem ampla variedade de restaurantes, para todos os gostos e orçamentos. Como em tantos outros lugares da Polônia, estabelecimentos especializados em pratos estrangeiros (italianos, franceses, chineses, alemães) estão um degrau acima dos de pratos típicos. Alguns destes últimos têm pratos um tanto insossos como sopa de beterraba e o famoso pierogi a preços inexplicavelmente altos, valendo-se de chamativas placas em inglês que atraem os turistas.

Experimente algumas boas receitas como panquecas de batata e pescoço de porco ou teste alguns novos restaurantes de cozinha judaica. O grande destaque, porém, vai para as bebidas. As cervejas do sul da Polônia são refrescantes e têm muita personalidade, o vinho de mel mead é excelente como aperitivo ou digestivo e as vodcas surpreendem pela variedade, sabor e perfume.