São Petersburgo — Por dentro do Hermitage

Eliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

Um dos maiores museus de arte do mundo, o Hermitage, em São Petersburgo, conta com um acervo de mais de 3 milhões de peças. Coleção iniciada pela czarina Catarina, a Grande.

Para compor seu acervo pessoal, ela contava com os conselhos, por correspondência, dos iluministas franceses Voltaire e Diderot.

O museu fica no antigo Palácio de Inverno, residência oficial dos czares russos.

Ele faz parte de um complexo de edifícios que inclui também o Teatro (fechado à visitação), o Grande Hermitage, o Pequeno Hermitage e o Novo Hermitage.

As fachadas dos edifícios já são obras de arte que atraem as câmeras dos milhares de turistas que visitam o museu diariamente. Não  é por acaso que o Hermitage é considerado patrimônio arquitetônico mundial.

Lá  dentro, El Greco, Raphael, da Vinci, Cézanne, Rembrandt, Renoir, Picasso são apenas alguns nomes que enchem suas 1.057 salas. A do trono e a dedicada aos heróis russos que combateram na guerra napoleônica são imperdíveis.

Imperdível também é admirar as escadarias, janelas, assoalhos originais, tetos, lustres que compõem a decoração do museu.

Tudo isso faze do Hermitage a maior atração de São Petersburgo. Segundo o guia Lonely Planet, “existem galerias de arte, existem os museus, existem os grandes museus e, então, existe o Hermitage”. 

Visitação

O museu Hermitage abre diariamente, de terça-feira a sábado, das 10h30 às 17h, e aos domingos, das 10h30 às 16h. 

São Petersburgo, Petrogrado ou Leningrado?

Eliane Moreira

São Petersburgo tem apenas 300 anos. Mas nesse curto espaço de tempo, a cidade mais européia da Rússia já foi batizada e rebatizada várias vezes.

Fundada em 1703 por Pedro, o Grande, para defender o território russo dos ataques da Suécia, recebeu o nome São Petersburgo em homenagem ao apóstolo Pedro, por quem o czar tinha devoção.

O termo burgo é alemão e significa cidade (cidade de São Pedro). Assim, a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em que Rússia e Alemanha eram inimigas, gerou, entre os russos, descontentamento com o nome da cidade.

Foi por isso que, em 1914, a então capital russa perdeu seu germânico nome para ser rebatizada por outro mais nacional: Petrogrado.

Em 1924, a morte do maior líder bolchevique, Vladimir Lenin, mudou mais uma vez o nome da metrópole. A cidade símbolo dos czares passou a ser chamada Leningrado.

Até que em 1991, com a queda do regime soviético, um plebiscito devolveu à cidade seu nome original: São Petersburgo.

As igrejas ortodoxas russas

Moscou - Catedral de São Basílio

Moscou - Catedral do Cristo SalvadorEliane Moreira (texto) e Renato Alves (fotos)

A imagem da capital russa mais conhecida mundo afora é de uma igreja ortodoxa. Situada na Praça Vermelha, a Catedral de São Basílio (foto acima) causa fascínio pelas cúpulas em mosaicos coloridos. Parada obrigatória para qualquer turista em Moscou. Mas não é a única.

Embora não tão colorida, a Catedral do Cristo Salvador (foto ao lado) merece destaque não só por sua beleza, mas também por sua importância para os cristãos ortodoxos, como descrito em post anterior.

Já as catedrais do Kremlin (veja post anterior) foram palco da fé e de coroações de czares e czarinas.  Ivan, o terrível, e dois de seus filhos estão sepultados na Catedral do Arcanjo São Miguel.

São Petersburgo - Catedral da RessurreiçãoSão Petersburgo

Em São Petersburgo, o czar Nicolau II, deposto pela Revolução de 1917, e sua família encontraram a última morada na Igreja de Pedro e Paulo, dentro da fortaleza que deu origem à cidade.

E não foram só eles: em seu interior há vários túmulos de membros das dinastias que antes comandaram o país.

Outro templo ortodoxo em São Petersburgo, a Catedral de Nossa Senhora de Kazan guarda o coração do general russo Kutuzov, herói nacional na guerra contra Napoleão, imortalizado na obra Guerra e Paz, do escritor Leon Tolstoi. Pela arquitetura similar à da Basílica de São Pedro, os russos a chamam de “nosso Vaticano”.

Às margens de um dos braços do rio Neva, que corta São Petersburgo, a Catedral da Ressurreição (foto acima)  tem mosaicos coloridos como a de São Basílio. Foi erguida no lugar onde foi assassinado o czar Alexandre II, em um atentado à bomba em 1881. A areia manchada por seu sangue é conservada em uma das cúpulas da igreja.

Moscou - Interior de catedral do KremlinSimbolismo

Se a arquitetura das igrejas ortodoxas impressiona os turistas ocidentais não familiarizados com esses templos, o interior dessas construções pode impressionar ainda mais.

As paredes são tomadas por pinturas que muitas vezes vão do piso ao teto.

São Petersburgo - Catedral de Santo IsaacAo lado da porta de acesso ao altar, permitido apenas aos sacerdotes, há a imagem de Cristo, de Maria e do santo ou fato religioso que dá nome à igreja.

Nas pilastras geralmente estão representados os mártires, numa referência de que são eles que sustentam a igreja.

Fotografar o interior das catedrais só é permitido naquelas em que não ocorrem mais celebrações. Como a de Santo Isaac, ainda em São Petersburgo, transformada em museu.

Por cerca de 10 dólares, o turista pode visitar e fotografar seu interior. Mais alguns dólares e pode subir até sua cúpula e ter uma visão panorâmica da cidade.

Não há bancos nas igrejas ortodoxas, a não ser para idosos ou portadores de deficiências.

Moscou - Cúpula de catedralOs demais fiéis assistem às celebrações de pé ou de joelhos.

Alguns dizem que quanto mais pecados, mais tempo os fiéis passam ajoelhados.

Outras igrejas ortodoxas não são citadas em guias de viagem nem fazem parte de nenhum city tour de excursão.

Uma injustiça.

Para conhecê-las, permita-se se perder pelas ruas das cidades russas, sem compromisso ou roteiro definido. Olhe para o horizonte, sempre.

Você vai se surpreender.

São Petersburgo - Catedral

Entre as muralhas do Kremlin

Moscou - Fachada do Kremlin

Moscou - Canhões do exército de NapoleãoEliane Moreira  (texto) e Renato Alves (fotos)

Kremlin significa fortaleza, em russo. Muitas cidades russas têm seu kremlin, mas nenhum é tão famoso quanto o de Moscou.

Símbolo do governo soviético, entre suas muralhas nasceu Moscou, em 1156. Hoje é sede do governo russo, mas já serviu de residência aos czares.

Moscou - Jardim no interior do KremlinTalvez por isso, o Kremlin tenha sido escolhido para abrigar o Museu das Armas (Armoury Chamber), que acumula em seu acervo riquezas imperiais como os famosos ovos Fabergés, carruagens, jóias e vestidos usados pelas czarinas.

Vinte torres compõem os muros da fortaleza, sendo a principal a Torre do Salvador. 

O acesso ao complexo, após rigoroso controle de segurança (é preciso passar por aparelho de raios-x e mochila ou bolsa grande é proibido), se dá pelo portão da Torre Trindade.

Moscou - Faixa de pedestres no interior do KremlinGuerra napoleônica

Logo na entrada, centenas de canhões franceses capturados pelos russos durante a invasão napoleônica ostentam o poderio russo. Poderio que é refletido na disciplina imposta aos turistas.

Para circular pelo Kremlin, é preciso seguir certas regras, como só atravessar nas faixas de pedestres e andar pelas calçadas.

Dentre os prédios erguidos no Kremlin, a Torre do Sino de Ivan, o Grande, com 81m de altura, já foi a construção mais alta de Moscou. Hoje abriga um dos museus do Kremlin.

Moscou - Sino quebrado no interior do KremlinSino quebrado

Ao seu lado, sobre uma base de granito, o Sino do Czar, considerado o maior sino do mundo, impressiona por suas 200 toneladas.

Parte do sino se quebrou durante um incêndio, em que jogaram água fria sobre o sino ainda ardente.

Para muitos, no entanto, a grande atração do Kremlin é a praça das catedrais.

Ela é formada pela Catedral da Anunciação, pela Catedral do Arcanjo São Miguel, pela Catedral da Assunção e pela Igreja da Deposição do Manto Sagrado de Nossa Senhora.

Todos templos ortodoxos que, talvez por seu valor histórico, resistiram ao comunismo ateu.

Moscou - Cúpulas de catedral do KremlinVISITAÇÃO

O Kremlin abre diariamente, exceto quinta, das 10h às 17h.

Os ingressos geralmente fazem parte dos pacotes oferecidos pelas agências de turismo. Se estiver viajando por conta própria, poderá adquiri-los na bilheteria da Torre Kutafiya, próxima aos jardins Alexandrov.

Moscou - Interior do Kremlin

As Sete Irmãs de Stalin

Moscou - Universidade Estatal de Moscou

Moscou - Uma das Sete IrmãsEliane Moreira (texto e foto)

Construídos por ordem do líder comunista Joseph Stalin, sete arranha-céus dominam o horizonte de Moscou. São as Sete Irmãs, edifícios que impressionam tanto pelo gigantismo quanto pela arquitetura e por seus símbolos comunistas, como a estrela de cinco pontas e a foice e o martelo, sobreviventes à queda da cortina de ferro.

Cada “irmã” ganhou um destino: hotel, sede de órgão público, residência Uma das mais impressionantes abriga a Universidade Estatal de Moscou (foto acima). Com 236 metros de altura, muitas lendas cercam esse prédio. Dizem que ali foi construído um bunker nuclear. E salas criogênicas, para conservar os líderes comunistas.

Seus 36 andares estão localizados no alto de uma colina, bem em frente ao mirador Vorobyovy. A localização é perfeita: de Vorobyovy, pode-se avistar as Sete Irmãs, além de outras atrações moscovitas como o estádio das Olimpíadas de 80, o rio Moscou e o convento Novodevichy (veja post anterior sobre a Rússia).

A resistência dos símbolos comunistas

Moscou - Foice e martelo em parque publico / Foto de Renato Alves

Moscou - Imagem de Lenin em predio publico / Foto de Renato AlvesImaginava-se que, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), estátuas de líderes comunistas, placas, fotografias e tudo o que servia de propaganda  do regime totalitarista sumiria dos prédios, ruas e praças russas. 

O turista desavisado imagina não encontrar mais nada disso em Moscou ou em São Petersburgo. Mas eles resistem.

A foice e o martelo desenhados em alto relevo continuam fixados nos edifícios da administração do governo russo.

Também são vistos nos grandes parques de Moscou. Assim como bustos e estátuas de corpo inteiro de Lenin.

Mas esses símbolos já não são admirados por todo o povo russo.

Moscou - Estátua de Lenin em parque publico / Foto de Renato AlvesHumilhações

Os ataques contra as estátuas de Lenin, por exemplo, vêm se multiplicando na Rússia.

Uma das humilhações recentes ocorreu em abril, em Volgograd, cidade no sudoeste do país.

A estátua do dirigente comunista, calvo, foi enfeitada com uma peruca, uma brincadeira típica dos cossacos ucranianos.

Na véspera, em São Petersburgo, uma outra estátua do pai da Revolução Bolchevique foi atingida no traseiro por uma bomba colocada por atacantes misteriosos.

Por fim, na mesma época, a prefeitura de Piatigorsk, na região do Cáucaso russo, anunciou que um gigantesco retrato de Lenin, pintado sobre uma rocha, foi inteiramente danificado no fim de março.

Moscou - Símbolo soviético em parque público / Foto de Renato AlvesA pintura, datada de 1925, foi rabiscada com suásticas e sinais antissemitas.

Lenin, morto em 1924 e cujo corpo descansa no mausoléu da Praça Vermelha de Moscou (veja detalhes em post anterior), continua sendo venerado pelos russos nostálgicos da URSS, mas alguns pedem seu sepultamento definitivo.

Moscou - Imagem de Lenin / Foto de Renato Alves