Todos os segredos de Istambul

Diego Amorim

Para todos os lados que você olhe em Istambul, a chance de ser surpreendido é grande. Ao arrumar as malas rumo à maior cidade da Turquia, prepare-se para pisar em um lugar repleto de contrastes. Visitar a antiga Constantinopla — agora ocidentalizada — significa passear por mundos distintos, muitas vezes contraditórios.

Não há como fugir da constatação de que Istambul abriga harmoniosamente Oriente e Ocidente. Ali, onde Ásia e Europa se encontram, o visitante esbarra em muralhas e prédios modernos, mercados seculares e shoppings luxuosos recém-inaugurados, ruelas de paralelepípedos e avenidas tomadas por carros do ano.

O mundo descobriu a riqueza histórica do turismo turco. Perto geograficamente dos países árabes, no limiar do Oriente Médio, mas distante de conflitos armados, a república tem atraído gente de todos os continentes. No ano passado, cerca de 50 mil brasileiros estiveram por lá, 1% do total de turistas.

Este ano, a expectativa é que pelo menos o dobro inclua Istambul no roteiro de férias. A alta temporada, quando o frio começa a dar uma trégua, começa este mês e segue até julho. Setembro e outubro também são meses em que o número de visitantes aumenta, ao lado dos preços nos hotéis e até dos souvenirs.

A estada em Istambul precisa incluir os passeios pelos monumentos erguidos na época dos impérios romano, bizantino e otomano. Todos estão bem preservados e valem por uma aula de história. A parada no Grande Bazar e no Bazar de Especiarias dá ao visitante a chance de viver um costume local: a pechincha. E, do Estreito de Bósforo, é possível ter uma visão ampla de uma das cidades mais populosas do mundo — são mais de 12 milhões de habitantes —, com cerca de 3 mil mesquitas e inúmeras gaivotas no céu.

Mistura religiosa

O sol se põe em Istambul em um sábado chuvoso e com temperatura média de 7ºC. Do alto dos minaretes das mesquitas, os alto-falantes fazem o convite para a quarta das cinco orações diárias muçulmanas. Dentro de uma loja de moda feminina na badalada Rua Taksim, importante centro comercial da cidade, uma jovem de pouco mais de 20 anos escolhe uma blusa tomara que caia ao som de música eletrônica turca. Acompanhada do namorado, vestida da cabeça aos pés, ela deixa à mostra somente os olhos e as mãos, tatuadas com desenhos florais.

Cerca de 95% da população de Istambul se declara muçulmana. Mas, assim como no Brasil existem católicos e evangélicos nada praticantes, a maior cidade da Turquia revela adeptos do islamismo que não seguem à risca as regras da religião. Ao mesmo tempo em que o visitante depara com cenas inusitadas para a realidade ocidental — como fiéis ajoelhados em pequenos tapetes, de pés descalços, rezando virados para Meca em pleno aeroporto —, encontram-se seguidoras de Alá sem véus e muçulmanos que bebem álcool, fumam e não frequentam mesquitas.

Para visitar Istambul, é necessário estar aberto ao novo, ao diferente. Ao tirar os sapatos para entrar na famosa Mesquita Azul, o turista também precisa despir-se de qualquer imagem preconcebida. Não dá para conhecer a cidade amarrado a estereótipos. A ocidentalização de Istambul, iniciada em 1923 pelo fundador da República da Turquia, Mustafa Kemal Atatürk, considerado o pai dos turcos, atribuiu à cidade um toque europeu, mas sem ofuscar o modo de viver asiático, tradicional.

É o resultado dessa mistura, do encontro de dois mundos tão distintos que atrai, todos os anos, cerca de 10 milhões de turistas a Istambul. No passeio de barco pelo Estreito de Bósforo — os 32km que ligam o Mar Negro ao Mar de Mármara e marcam o limite entre a Europa e a Ásia —, a diversidade característica da metrópole turca salta aos olhos. Iates de luxo e cargueiros navegam lado a lado. Nas margens, palácios onde os sultões moraram séculos atrás são vistos próximos de casas de veraneio milionárias.

Perto das mesquitas, ou seja, por toda a Istambul, há torneiras em que os muçulmanos se lavam antes das cinco orações diárias. Os fiéis limpam mãos, braços, pés, boca e nariz, partes do corpo mais expostas à sujeira.

Hagia Sofia

Na Hagia Sofia, a basílica que virou mesquita e hoje funciona como museu, o cristianismo e o islamismo se encontram. O local foi construído por volta de 530 a.C. pelo imperador Justiniano, para ser a maior catedral católica ortodoxa da época. Quase 900 anos depois, quando derrotou o Império Romano e tomou a então Constantinopla, o sultão Mehmet decidiu transformar o templo em mesquita. Hoje é possível ver, nas mesmas paredes, imagens de Nossa Senhora e Jesus Cristo e escritos em árabe em referência a Alá, a Maomé e aos primeiros califas.

Os principais monumentos de Istambul, a exemplo do Palácio Topkapi, ficam do lado europeu da cidade. O local, residência oficial dos sultões durante quatro séculos, é considerado o museu mais visitado da Turquia, com jardins estonteantes e um dos restaurantes mais tradicionais da gastronomia turca, com vista para o Bósforo. Ali, onde são guardadas relíquias como fios da barba de Maomé, será gravado o filme The Topkapi affair, com Angelina Jolie e Pierce Brosnan, cujo lançamento deve ocorrer entre 2012 e 2013.

Obeliscos

A Praça de Sultão Ahmet geralmente é o ponto de partida do city tour por Istambul. A área abrigou um hipódromo no século 4, com capacidade para 40 mil pessoas. As corridas de cavalos puxados por carroças serviam de propaganda para o imperador, que assistia a tudo do camarote do palácio, hoje a Mesquita Azul. A pista original está 2m abaixo do nível da praça. Daquela época, restaram dois obeliscos — um deles trazido do Egito — e uma coluna já danificada, no formato de duas serpentes entrelaçadas.

Próximo à praça, a cisterna da Hagia Sofia é parada obrigatória. O local, construído pelo imperador Justiniano para armazenar a água usada na então basílica, transformou-se em ponto turístico na década de 1970. O governo construiu trilhas para os visitantes, mas é preciso ficar atento às goteiras e ao chão escorregadio em alguns pontos. O ambiente escuro abriga 336 colunas, separadas umas das outras por 4m de distância. A criançada se diverte observando os enormes peixes na água e jogando moedas — para dar sorte, segundo a tradição.

Pechnichas

Só bater perna no Grande Bazar já é um baita programa em Istambul. Mas ir ao local sem deixar por lá algumas liras turcas não tem tanta graça assim. Esqueça todos os seus traumas de pechincha e se entregue ao jogo praticado naqueles corredores milenares. Tente (é possível!) não se incomodar com a abordagem feita pelo batalhão de vendedores espalhados pelo imenso galpão. Ao contrário, divirta-se com eles.

Não há comprovação científica, mas é fato: no Grande Bazar, as mulheres têm mais chance de se dar bem na pechincha. Isso porque as cerca de 4 mil lojas são comandadas por homens. “Para tí, cinco liras y un besito”, respondeu um vendedor, em legítimo portunhol, perguntado sobre o preço de um pingente de olho turco, famoso amuleto usado contra mau olhado e quaisquer outras energias negativas. A interessada levou o produto por duas liras, sem precisar beijar ninguém.

Até pedidos de casamento são lançados pelos vendedores mais assanhados. Quem leva as cantadas na esportiva pode acabar se aproveitando da situação e pagar ainda mais barato. Para mulheres e homens, porém, a dica mais importante é uma só: não aceite a primeira oferta. A negociação faz parte das compras no Grande Bazar. O primeiro preço anunciado estará sempre acima da média, justamente para o turista fazer a contraproposta e dar início a um lenga-lenga que pode durar longos minutos.

Também evite comprar na primeira banca em que parar, ainda que decida voltar nela depois. Os preços tendem a cair quanto mais distante você estiver das entradas principais. Fique atento à “periferia” do Grande Bazar, às lojas com aparência menos chiques. Para caminhar sem pressa, reserve, no mínimo, uma manhã ou uma tarde para o passeio. Os produtos se repetem bastante nas bancas, mas o ziguezague pelos corredores vale a pena.


Ching-ling

Nos últimos anos, os produtos chineses encontraram espaço no Grande Bazar. Por isso, muita atenção aos produtos de qualidade duvidosa e às falsificações escancaradas. Prefira levar para casa produtos típicos ou artesanais. Por exemplo: azulejos, porcelanas, lustres, pasheminas (espécie de xales), tapetes e joias, todos a preços finais bem convidativos. Estima-se que 100 toneladas de ouro sejam vendidas todos os anos no Grande Bazar.

Mesmo que se tente escapar, vendedores — engravatados ou de calça jeans, adolescentes ou senhores de cabelos brancos — abordam os passantes. Alguns tocam, pegam pelo braço. Outros oferecem chá e café turcos na tentativa de seduzir o freguês e trazê-lo para dentro das pequenas lojas. Diante do assédio, há a opção de simplesmente ignorar e continuar caminhando, o que é mais fácil quando não se está sozinho. Mas vale agradecer, em inglês mesmo, a cada oferta.

Os guias propagam a informação de que os vendedores falam um pouco de qualquer língua do planeta, o que, em parte, é verdade. Diante do vaivém de tantos turistas, os turcos do mercadão construído por volta de 1460 aprenderam o básico do básico dos principais idiomas. Se perceberem que você é do Brasil, soltarão expressões aleatórias: “Brasileiro? Bom-dia, boa-tarde, desculpa, por favor, peraí, gastar dinheiro, São Paulo, Rio de Janeiro, samba, samba…”. Quando não conquistam clientes, ao menos arrancam boas risadas.

Banho de sultão

Por mais que se leia ou se ouça falar sobre o assunto, a primeira experiência em um banho turco provoca sempre uma certa ansiedade. Serviço pago, chega a hora de seguir as orientações do local. Pegue sua chave e vá até o minúsculo quarto individual, onde deixará suas roupas. Todas, inclusive as íntimas. Quem preferir pode ficar somente de cueca ou calcinha, mas geralmente os visitantes tiram tudo mesmo. Do quartinho, você sairá com um tamanco de madeira nos pés e uma toalha fina, com jeito de tapete turco, enrolada na cintura.

O próximo passo é entrar em um grande salão. Ressalte-se desde já: homens no andar de baixo e mulheres, no de cima. Ao ingressar no espaço construído em 1741, você até esquece-se, por alguns instantes, de que está se equilibrando em cima de um tamanco desconfortável: no ambiente, há muito mármore, colunas romanas e bicas com baldes para todos os lados. O vapor quente é sentido de imediato. Quem tem fobia a sauna pode não se adaptar bem ao ambiente abafado e úmido.

Por cerca de 20 minutos, é só permanecer sentado no mármore quente (se aguentar), em uma sala reservada, e deixar o suor escorrer pelo corpo. Um termômetro na parede acusa os mais de 35ºC. Quando você já estiver pingando, um turco (para os visitantes homens) ou uma turca (no caso das mulheres) o chamará para se deitar em outro mármore — mais quente ainda — na área central do grande salão. Ali, não dá mais para voltar atrás. Prepare-se para uma massagem relaxante, mas, digamos, firme, com direito até a tapas nas costas.

Os funcionários falam o básico do inglês. Perguntarão de onde você é, se está tudo OK e provavelmente não deixarão de pedir gorjeta. O banho turco propriamente dito surge no momento pós-massagem. O visitante se senta em uma pedra também de mármore, geralmente preocupado em segurar a toalha que tampa as partes íntimas, e recebe água, sabão e muitos esfregões. Limpo e massageado, resta deixar o ambiente a vapor, enxugar-se e voltar ao quartinho inicial, para se vestir e ir embora com, tendo gostado ou não da experiência, uma boa história para contar.

Dicas do cotidiano

» Todos os principais pontos turísticos de Istambul dispõem de estrutura adequada para turistas, como banheiros, lojinhas e lanchonetes. Quem não estiver acompanhado de guia pode pagar pelo sistema de tradução por meio de fones de ouvido. O aluguel do equipamento custa entre 10 e 30 liras.

» Tudo bem que Istambul é uma cidade ocidentalizada, apesar de cerca de 95% da população se declarar muçulmana, mas é de bom tom que o turista respeite as tradições locais. Não é recomendável, por exemplo, fumar em frente às mesquitas.

Aonde ir

Cagaloglu Hamami
www.cagalogluhamami.com.tr
É um dos locais de banho turco dos mais tradicionais em Istambul. Aparece até na lista do New York Times como um dos mil lugares para conhecer antes de morrer e, por isso, atrai turistas e famosos todos os anos. O banho completo sai por 88 liras, algo em torno de R$ 91.

Pacotes

Terramundi Viagens
(11) 3588-1515
Quatro noites de duração. Inclui traslados, quatro noites de hospedagem, café da manhã, cartão de assistência.
Preço: a partir de US$ 576* (aproximadamente R$ 910*) por pessoa em apartamento duplo.

Apex Travel
(11) 3722-3000
Sete dias de duração. Inclui seis noites de hospedagem , meia pensão, passeios em Ancara, Capadócia e Istambul, serviços com guia em espanhol durante todo o itinerário, passagens aéreas (trecho interno), todos os ingressos, traslados.
Preço: a partir de US$ 1.270* (aproximadamente R$ 2.006*) por pessoa em apartamento duplo.

Destino Viagens
(31) 3045-2777
Dez dias de duração. Inclui guia falando espanhol, traslados, nove noites de hospedagem, café da manhã, passeios em Istambul, Troia, Canakkale, Pérgamo, Kusadasi, Pamukkale, Konya, Capadócia e Ancara.
Preço: a partir de US$ 1.230* (aproximadamente R$ 1.943,40*) por pessoa em apartamento duplo.

ViaBR Turismo
(11) 2124-9898
Sete dias de duração. Visitas a Istambul, Ancara, Capadócia  e Kayseri, seis noites de hospedagem, café da manhã, traslados, guia local falando inglês (em Istambul), ingressos de museus, passagem aérea com saída de São Paulo.
Preço a partir de  3.416* euros (aproximadamente R$ 7.822,64*) por pessoa em apartamento duplo.

Diego Amorim é jornalista, repórter do Correio Braziliense.

Istambul (8) – Como explorar, onde ficar, o que comer e comprar

Vista aérea do Palácio de Topkapi

Helena Mader (dicas e fotos)

COMO CHEGAR

Não há vôos diretos entre nenhuma cidade brasileira e Istambul. Mas há centenas de opções de vôos entre as principais cidades européias e Istambul. De Atenas, por exemplo, a companhia Olympic Airlines faz vôos diários para Istambul (120 euros). 

Há dois aeroportos na cidade. O Aeroporto Internacional Ataturk fica na parte européia e é de fácil acesso, até pelo metrô. Mas o Aeroporto de Sabiha Gokcen fica na parte asiática da cidade, a quase 60km do centro. É de acesso complicado.

MONUMENTOS

Todos os monumentos e pontos turísticos de Istambul ficam do lado europeu da cidade. A parte asiática é quase toda residencial e industrial e não costuma atrair turistas.  A melhor vista de Istambul é a do alto da Torre de Galata. O melhor horário para contemplar Istambul do alto é o final da tarde, pouco antes do pôr-do-sol.

Bonde cruza a Avenida IstiklalTRANSPORTE

O bonde de superfície cruza praticamente todos os pontos turísticos. É fácil se locomover pela cidade usando os transportes públicos. Cada passagem custa 1,8 liras (R$ 2,50).

COMPRAS

O Grande Bazar é um passeio imperdível, mas não tem os melhores preços. Vale a pena também fazer compras da Avenida Istiklal, em Beyoglu.

Mulheres no interior da Mesquita AzulMULHERES

Para entrar nas mesquitas, as mulheres precisam cobrir o corpo e, em alguns lugares, também o rosto. É recomendável andar com um lenço na bolsa durante a visita a Istambul. Apesar de ser uma cidade moderna, ainda há muito machismo. Mulheres andando desacompanhada à noite vão encarar muitas abordagens masculinas.

ONDE FICAR

O melhor lugar para se hospedar é na região de Sultanhamet, onde estão os melhores hotéis e as maiores atrações, como a Hagia Sofia, a Mesquita Azul e o Palácio de Topkapi.

Hotel Sultanhan – Avenida Piyerloti, 15. Localização: na região de Sultanahmet, m metros da Mesquita Azul. Reservas pelo e-mail info@sultanhanhotel.com Preço: De 190 a 280 euros a diária
 
Hotel Antea – Avenida Piyerloti, 21. Localização: na região de Sultanahmet, a 200m da Mesquita Azul. Reservas: info@anteahotel.com Preço: De 60 a 135 euros a diária.
 
Pera Art Suites – Avenida Istiklal, 14. Localização: na região de Beyoglu, a parte moderna de Istambul. Reservas pelo site www.artsuiteshotel.com Preços: a partir de 40 euros a diária.
 
Cordial House – Avenida Divanyolu, 29. Localização: na região de Sultanahmet, a cinco minutos a pé da Hagia Sofia. Reservas: enquiries@cordialhouse.com Preço: cama em quarto coletivo a partir de 8 euros. Quartos privativos a partir de 24 euros.

Bares no bairro de BeyogluONDE COMER

Não deixe de provar as famosas Baklavas – deliciosos doces turcos recheados com pistache, amêndoas ou chocolate. O melhor restaurante de Istambul é o badalado 360, no moderno bairro de Beyoglu. É preciso reservar com antecedência para jantar com uma vista aérea da Hagia Sofia e da Mesquita Azul.
 
360 – Avenida Istiklal, 32, Beyoglu. Com cozinha contemporânea e vista deslumbrante da cidade, o 360 é o restaurante mais badalado. Preços: pratos a partir de 30 liras turcas (R$ 42).
 
Karadeniz – Avenida Tahsinbey,1, Sultanahmet. Muito próximo da Mesquita Azul e da Hagia Sofia, este restaurante é uma opção boa e barata para quem está passeando pela região de Sultanahmet. Serve Kebabs e Pides, as pizzas turcas. Preços: a partir de 6 liras turcas (R$ 8,50).

Konak – Avenida Istiklal, 259, Beyoglu. O Konak é considerado um dos melhores restaurante de comida turca. Os famosos Kebabs são servidos com excelência. Não servem bebidas alcoólicas. Preços: a partir de 10 liras turcas (R$ 14).
 
Karakoyum – Avenida Kemeralti, 4, Beyoglu. Mais freqüentado por moradores da cidade, o restaurante fica escondido em um prédio comercial. Mas vale a pena almoçar com vista para o Palácio Topkapi. Destaque para o ravioli de carne com molho de iogurte. Preços: pratos a partir de 15 liras turcas (R$21).

Istambul (7) – Um passeio pelo Estreito de Bósforo

Vista de Istambul com o Estreito do Bósforo ao fundo

Helena Mader (texto e fotos)

À medida que o barco avança pelo Bósforo, o horizonte de Istambul ganha a forma dos minaretes das mesquitas, que decoram a paisagem e parecem furar o céu. Cruzar o estreito é entender a cidade e viajar por séculos de história.

Os 32km de águas, que dividem a Europa da Ásia, contam um pouco do passado de guerras, riquezas, conquistas e derrotas protagonizadas na encruzilhada dos continentes.

Mesquita às margens do BósforoA ponte entre o Mediterrâneo e o Mar Negro transformou Istambul em uma das cidades mais importantes e estratégicas da Idade Média e da Idade Moderna. Ainda hoje, o Bósforo é uma indispensável rota comercial.

Diariamente, centenas de cargueiros cruzam o estreito, com bandeiras dos mais diferentes países. Grandes navios turísticos, pequenos barcos que ligam as duas margens e embarcações transportando as mais variadas mercadorias disputam espaço com as gaivotas que voam de um continente para o outro.

Forte de Rumeli HisarTransporte público

A melhor maneira de explorar o Bósforo é justamente a mais barata. Há transporte público entre as duas margens do estreito, com três saídas diárias: 10h35, 12h e 13h35. Os passageiros embarcam no porto de Eminonu, ao lado da ponte Galata (veja post anterior).

É bom chegar ao menos uma hora antes para conseguir um bom lugar no barco e fazer um rápido passeio pela região. Sob a ponte Galata, há dezenas de restaurantes que servem peixes e o tradicional narguilé, espécie de cachimbo com água perfumada, muito usados pelos turcos. O bilhete de ida e volta custa 17,50 liras turcas (R$ 24).

Mesmo nos quentes dias de verão, é recomendável levar um casaco, pois o vento durante a viagem às vezes incomoda. Sentado em uma poltrona, com a máquina fotográfica e protegido contra a brisa do Bósforo, o turista pode começar a explorar o estreito.

O barco faz seis paradas até chegar ao destino final. O viajante vai, finalmente, pisar no continente asiático no ponto final do estreito: o pequeno vilarejo Anadolu Kavagi. Lá, é possível admirar o início do Mar Negro e comer frutos do mar baratos.

Fotos e mais fotos

O tour de barco dura uma hora e meia. Mas é impossível parar de fotografar durante todo o percurso. Enquanto a embarcação avança, novos monumentos surgem. Mesquitas, palácios ou residências às margens do Bósforo disputam a atenção do viajante. As casas, hoje reformadas, pertenciam a integrantes da aristocracia otomana, especialmente no verão. São conhecidas pelos turcos como yalis.

Yalis - Casas à beira do Estreito de BósforoOs sultões também deixavam a antiga Constantinopla nos dias mais quentes em busca de refresco nas águas que dividem a Ásia da Europa. Quando o Império Otomano caiu, há quase um século, viver em yalis passou a ser considerado retrógrado. Mas as casas foram restauradas e a maioria está ocupada. É interessante ver um pouco da rotina dos moradores enquanto o barco passa lentamente.

Palácio DolmabahcePalácio e castelo

Na primeira parada do barco está o Palácio Dolmabahçe. Construído entre 1843 e 1856, quando o Império Otomano dava seus últimos suspiros, o edifício tentou mostrar a riqueza dos sultões diante do inegável fato de que a queda era iminente. Assim como o Topkapi (veja post anterior), o palácio também é dividido entre os aposentos oficiais e o harém.

Um dos destaques do Dolmabahçe é um lustre de quase cinco toneladas, doado pela Inglaterra. O presidente Kemal Ataturk, que fundou a República Turca em 1938, substituiu o alfabeto árabe pelo latino e afastou os radicais islâmicos do poder, morou em Dolmabahçe durante três meses e faleceu no palácio.

Também chama a atenção o forte de Rumeli Hisar, uma das edificações otomanas mais antigas da cidade, construída antes mesmo da conquista de Constantinopla. Servia de base aos súditos de Mehmet, o conquistador, antes da tomada da cidade.

Outro monumento famoso às margens do Bósforo é o Palácio de Beylerbeyi, que fica do lado asiático. Era usado como residência de verão dos sultões.

Forte de Rumel Hisar
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Trecho do livro Istambul, de Orhan Pamuk

Viajar pelo meio de uma cidade grande, histórica e degradada como Istambul, e ao mesmo tempo sentir a liberdade do mar aberto — eis a emoção de um passeio pelo Bósforo. Impelido por suas fortes correntezas, revigorado pelos ares marinhos que não guardam nenhum vestígio da sujeira, fumaça e do barulho da cidade movimentada que o cerca, o viajante começa a sentir que, a despeito de tudo, aquele ainda é um lugar onde ele pode gozar a solidão e encontrar a liberdade.

Esse caminho aquático que passa pelo centro da cidade não pode ser confundido com os canais de Amsterdã ou Veneza, nem com os rios que dividem Roma e Paris ao meio: fortes correntezas avançam pelo Bósforo, sua superfície está sempre enrugada pelo vento e pelas ondas, suas águas são profundas e escuras. (…)

(…) Viajar pelo Bósforo, seja numa barca de passageiros, numa lancha a motor ou num barco a remo, é ver a cidade casa a casa, bairro a bairro, e também de longe, como uma silhueta, uma miragem em constante mutação.”

Cargueiros e navios turisticos cruzam Bósforo

Istambul (6) – Beyoglu, o bairro moderno

Vista da Torre de Galata

Helena Mader (texto e fotos)

Ao norte do Chifre de Ouro (veja post anterior), Beyoglu é um bairro que resume bem o espírito de Istambul. Aqui, modernidade e tradição estão lado a lado.

Na entrada da região está a torre Galata, considerada uma das mais antigas do mundo. Foi construída em 528, durante o Império Bizantino, e depois tomada pelo Império Otomano. Do alto da Galata, está a melhor vista aérea da cidade. Vale a pena pegar o elevador para ver Istambul do alto, sobretudo no fim da tarde.

Bares no bairro de BeyogluAo lado da torre de 61m de altura está a Avenida Istiklal, símbolo da moderna Istambul.

Galerias de arte, bares, cafés, clubes de dança, além de dezenas lojas de marcas conhecidas dão um ar jovial — e sobretudo ocidental — à cidade. Lojas de grifes famosas como Levi’s, Diesel, Adidas e Nike dividem a rua com antigas lojinhas de gravuras e fotos antigas.

Na Avenida Istiklal, é raro ver mulheres com o rosto coberto por véu. As turcas que desfilam pela região seguem a última moda européia. A Istiklal também tem excelentes restaurantes, dos tradicionais Kebab’s, servidos com excelência no Konak, ao moderno 360, o mais badalado de Istambul.

Localizado no alto de um prédio, o 360 tem uma vista majestosa de Istambul. À noite, a Hagia Sofia e a Mesquita Azul (veja posts anteriores) ficam iluminadas, o que transforma um jantar em uma cerimônia de contemplação do horizonte da cidade.

Homem prepara uma baklavas, doce turcoO 360 tem um cardápio contemporâneo que inclui pizzas, sushis, carnes e entradas maravilhosas, como a mistura de beringela, nozes e queijo de cabra.

O restaurante tem o clima de Istambul: decoração moderna, cardápio ousado, iluminação avermelhada, drinks inovadores, tudo isso com vista para a antiga Constantinopla.

Tomar um vinho turco e observar as luzes de Istambul é uma das melhores experiências durante uma visita à cidade.

Para jantar no 360 é preciso reservar com alguns dias de antecedência. E durante o verão, os homens devem ficar atentos: é proibido entrar de bermuda.

tBonde cruza a avenida Istiklal

Istambul (5) – Ritual das compras no Grande Bazar

Grande Bazar de Istambul

Helena Mader (texto e fotos)

Esqueça os grandes shoppings do Rio de Janeiro, de São Paulo e até mesmo dos Estados Unidos. O paraíso do consumo tem outro endereço: o Grande Bazar de Istambul.

Grande BazarSão 6 mil lojas capazes de tirar do sério até mesmo os turistas mais controlados. Melhor do que ir às compras é admirar as lojas e contemplar o vaivém de turcos, visitantes e vendedores.

Uma simples transação comercial transforma-se em um longo ritual. Por isso, não coloque os pés no Grande Bazar se não estiver disposto a pechinchar, pechinchar e pechinchar.

Neste templo do consumo, a variedade de produtos é assustadora. Para facilitar a visita, as lojas são divididas em setores: alas onde há apenas jóias em ouro ou prata, outras especializadas em tapetes, existe ainda o espaço dos comerciantes de couro, de instrumentos musicais, lenços ou roupas baratas. Tudo é surpreendentemente organizado, com placas de sinalização.

Para os turcos, comprar um produto sem fazer uma contraproposta é praticamente uma ofensa. A negociação é obrigatória, até mesmo porque os vendedores colocam os preços nas alturas para depois baixar os valores durante a conversa. Um tapete turco anunciado por 500 liras pode cair para 150 liras depois de meia hora de negociação. Grande Bazar

Temperos de IstambulVapor do chá

O Grande Bazar foi reformado recentemente e hoje tem uma excelente estrutura para receber os moradores de Istambul e, principalmente, os turistas. As arcadas do teto são muito coloridas, com predominância do azul e do vermelho. O ambiente é contagiado pelo vapor do chá servido nas lojas pela maioria dos comerciantes.

Além da paciência para pechinchar, é preciso também ter calma para suportar o assédio dos vendedores, que algumas vezes chega a ser incômodo. Quase todos falam inglês e ficam na porta das lojas. Há até comerciantes que puxam os clientes pelo braço para tentar ganhar a venda. Outros gritam as ofertas no ouvido dos visitantes.

O mais recomendável é deixar o Grande Bazar para o último dia, quando o turista já terá visitado boa parte da cidade e terá uma boa noção dos preços em Istambul. Assim, fica fácil comparar, pechinchar e conseguir o melhor preço.

Bazar de TemperosBazar dos Temperos

O Bazar de Temperos, conhecido em Istambul como Spice Bazar, também é um passeio imperdível.

O cheiro é inebriante.

Em uma pequena caminhada é possível sentir aromas de canela, rosas, chá verde, açafrão e dos tradicionais temperos turcos.

Cem gramas de chá custam de 2 a 5 liras turcas e a maioria das lojas embala os produtos a vácuo para que os turistas possam transportá-los.

Produtos ditos afrodisíacos são anunciados em várias lojas, assim como o lokum, um dos mais tradicionais doces turcos.

Bazar de TemperosRecheados com nozes, pistaches, amêndoas ou chocolates, eles são conhecidos como turkish delight.

Vale a pena comprar algumas caixas de doces industrializados para trazer na volta ao Brasil.

Outros itens como queijo ou café moído na hora são mais complicados para transportar, mas vale a pena experimentar ou admirar as vitrines com dezenas de variedades.

Istambul (4) – Palácio de Topkapi, o lar dos sultões

Panorâmica do Palácio de Topkapi

Helena Mader (texto e fotos)

Lar dos sultões otomanos durante quatro séculos, o Palácio Topkapi reflete com perfeição a grandiosidade do império. Dos azulejos coloridos aos domos e arcadas douradas, o luxo e o poder estão latentes em cada canto. Jóias da coroa otomana, como um dos maiores diamantes do mundo, e objetos sagrados do Islamismo, como fragmentos da barba e marcas da pegada do profeta Maomé, estão expostos em diferentes pavilhões.

Portão de entrada do Palácio de TopkapiA riqueza dos objetos do palácio pode ser comprovada no aparato de segurança instalado na porta. Logo após ultrapassar a muralha — que se estende por 5km — o visitante passa por um controle rígido. O portal de arquitetura otomana, com inscrições em árabes, contrasta com a modernidade dos aparelhos de raios-x. Os seguranças vistoriam a mochila dos turistas para preservar a história do palácio.

Suntuosas construções

Uma das entradas do Palácio de TopkapiVisitar o Topkapi é voltar à época dos sultões. O complexo imperial começou a ser construído logo após a conquista de Constantinopla. A primeira parte do palácio ficou pronta por volta de 1480, mas cada sultão que assumia o império acrescentava novas e cada vez mais suntuosas construções ao Topkapi.

A entrada para visitar o local custa 20 liras turcas (cerca de R$ 28) e é possível contratar os serviços de um guia por mais 10 liras turcas. Há opções de visitas em várias línguas, como inglês, francês, espanhol ou alemão. Os guias credenciados acompanham o visitante durante todo o tour, que pode durar até quatro horas.

Prédio no Palácio de TopkapiÉ preciso de tempo para explorar o Palácio de Topkapi. O ideal é chegar cedo e passar a manhã no local ou deixar a tarde livre para o passeio. O edifício fica bem próximo da Hagia Sofia e da Mesquita Azul (veja posts anteriores) e o turista pode circular entre esses pontos a pé.

O Topkapi fica às margens do Chifre de Ouro, no ponto exato em que o Bósforo se encontra com o Mar de Marmara. A vista dos jardins é esplêndida: as águas do estreito, as gaivotas que circulam entre os continentes e as pontes que ligam Ásia e Europa podem ser admirados de dentro do palácio.

Megacozinhas

Cozinha do Palácio de TopkapiÀ direita do portal de entrada ficam as cozinhas do Topkapi. No complexo de salas, eram preparadas refeições para até 15 mil pessoas. Porcelanas chinesas, trazidas pela rota da seda, e grandes panelas em bronze estão expostas. O galpão tem 170m de comprimento e nele eram preparadas, separadamente, as refeições do sultão e também dos milhares de funcionários e visitantes do palácio.

Assim como a comida do imperador otomano não podia se misturar com os alimentos dos plebeus, o sultão também tinha áreas exclusivas no palácio. Havia até uma mesquita para que o líder máximo do império e sua família pudessem fazer as preces diárias longe dos súditos e dos empregados. O pequeno templo tem um minarete e vista para o Bósforo.

Conselho imperial

Entrada da Sala do Conselho ImperialLogo na entrada do prédio principal, há uma sala que era usada para a recepção de autoridades. A tapeçaria e a decoração eram trocadas de acordo com a importância do convidado. Os turistas também podem visitar a sala de reuniões do conselho imperial, um dos mais belos aposentos do Topkapi.

O pórtico dourado com inscrições em árabe leva o visitante à uma sala rodeada por sofás. Na parede há um vão coberto por grades douradas, que liga o local de reuniões aos aposentos do sultão. Do quarto ele ouvia as deliberações da equipe sobre o futuro do Império Otomano.

Segredos do harém

Harém do Palácio de TopkapiO quarto de circuncisão dos príncipes, repleto de azulejos azuis, é um dos mais belos e visitados. As jóias, as relíquias e os aposentos são grandes atrativos, mas o lugar mais inusitado e interessante do Topkapi é o harém.

Essa ala, antes restrita ao sultão e familiares, atiça a imaginação dos turistas e encanta com as cores e a beleza dos quartos.

Para entrar no local, é preciso comprar outro ingresso de 15 liras (cerca de R$ 21). Vale o gasto extra. O espaço é dividido em salas, que eram ocupadas pelas milhares de mulheres que tinham a grande responsabilidade de garantir os prazeres do sultão.

Harém dos príncipesDe acordo com a preferência do imperador, as moradoras eram classificadas em consortes ou concubinas. Muitas eram escravas capturadas durante as guerras lideradas pelos otomanos. A chamada rainha mãe era a primeira mulher do sultão. Ela tinha um quarto especial onde era servida pelos empregados e recebia visitas do sultão.

Os príncipes também tinham um quarto reservado no harém, onde tinham diversão garantida. Como ninguém é de ferro, todas as dependências eram guardadas por eunucos — homens castrados, que não ofereciam nenhum risco no harém do sultão.

Azulejo no Palácio de Topkapi

Istambul (3) – Os segredos das mesquitas

Interior da Mesquita Azul

Helena Mader (texto e fotos)

Frente a frente, os dois maiores e mais famosos monumentos de Istambul disputam a atenção dos turistas. A localização não é mero acaso. A Mesquita Azul, a poucos metros da Santa Sofia (veja post anterior), foi construída para disputar espaço com a antiga catedral ortodoxa. Em 1606, o sultão Ahmet quis construir um prédio maior e mais imponente que a Hagia Sofia. Encomendou o projeto de um templo grandioso, que comprovasse a superioridade dos arquitetos otomanos sobre os predecessores bizantinos.

Homem vende artesanato na frente da Mesquita AzulPara decorar essa obra prima do Império Otomano, o sultão mandou decorar o interior com mosaicos feitos com mais de 20 mil azulejos em cerâmica azuis, que vieram especialmente da região turca de Iznik.

O nome da mesquita vem justamente dos adornos utilizados em sua decoração. Mas o local também é conhecido como Mesquita Sultão Ahmet, em referência ao imperador que concebeu o projeto do templo. Como determina a religião, não há muitos ornamentos nem imagens. O ambiente vazio, constantemente à meia luz, é iluminado por um imenso e redondo lustre, de quatro toneladas, com pequenos candeeiros.

Além do projeto ambicioso e da beleza das cerâmicas, a Mesquita Azul é a única do mundo com seis minaretes. Só em Meca, na Arábia Saudita, há templos com mais torres.Mesquita Azul e seus seis minaretes

Fiéis rezam na Mesquita AzulPeregrinação

De tão conhecida e celebrada em todo o mundo muçulmano, a Mesquita Azul serviu como ponto de partida para caravanas de peregrinos que rumavam em direção a Meca, a cidade sagrada do Islamismo. Mas a atração ultrapassa os limites da religião muçulmana. A beleza da Mesquita Azul foi reverenciada até pelo papa Bento XVI, em novembro de 2006, quando esteve no local em sua visita oficial à Turquia.

Se olhar para o teto, com sua gigantesca cúpula, é um deleite para o visitante, pisar na Mesquita Azul também causa sensações. O chão do interior do templo é totalmente coberto por um tapete de fundo vermelho. O piso é confortável para deixar o ambiente mais acolhedor e para que os muçulmanos possam se ajoelhar, voltados em direção a Meca. Para dar a direção exata, há um mirhab — altar que mostra para onde o fiel deve se voltar — feito de mármore branco de Marmara. Na mesquita, há uma área as mulheres fazerem a prece separadamente.

Assim como nas outras mesquitas da cidade, os visitantes não podem entrar nos horários de prece. É preciso esperar os fiéis saírem para poder apreciar o interior da Mesquita Azul. Não é necessário comprar ingresso, mas há um quiosque na saída para que os turistas possam deixar contribuições em dinheiro para a manutenção do local. 
 
Mesquita NovaOutras mesquitas

A Mesquita Azul é a mais famosa de Istambul, mas há outros templos na cidade tão belos e imponentes quanto ela. Ao todo, são cerca de 2 mil na cidade. A segunda maior é a mesquita de Suleymaniye.

Perto do Chifre de Ouro — um pedaço de mar com 7km de extensão na parte européia de Istambul — ela foi construída por volta de 1550, devastada por um incêndio em 1660 e castigada pelo terremoto de 1766.

Comerciantes diante da Mesquita NovaA Suleymaniye está em reforma. Os visitantes que esperam o fim das preces se decepcionam com os tapumes. O turista só tem acesso a uma minúscula área. Mas é possível apreciar um pouco mais da construção com fotos do seu interior. O fim dos trabalhos é previsto para 2009.

A Yeni Camii, ou Mesquita Nova, também é importante ponto de peregrinação de fiéis e turistas. Fica ao lado do Grande Bazar e próximo à ponte Galata, que cruza o Chifre de Ouro. Perto de tantas atrações, o viajante certamente passará diante da mesquita. No fim da tarde, há ainda o fluxo dos visitantes do Bazar e usuários dos ferry boats.Vista aérea da Mesquita de Suleymaniye (ao alto) e da Mesquita Nova, com a Ponte Galata

Mulçumanos se lavam antes de entrar na Mesquita NovaObservando os rituais

Observar de longe o entra-e-sai dos templos religiosos é uma das melhores experiências para quem visita Istambul. Enquanto aguarda o horário adequado para entrar na mesquita, o turista pode acompanhar os rituais que antecedem as rezas. O fiel chega e vai direto aos lavatórios localizados na parte externa. Senta-se, arregaça as mangas e começa a lavar os pés. Em seguida, esfrega o rosto, os braços, as mãos e lava a boca com água.

Depois de devidamente limpo, o muçulmano retira os sapatos na entrada da mesquita e ruma em direção ao interior do templo para fazer suas preces.

Muçulmana se lava antes de entrar na Mesquita NovaEm todas as mesquitas, é proibido entrar durante as orações. Também é necessário vestir roupas adequadas. Mulheres não podem usar roupas curtas nem deixar as pernas à mostra. No verão, devem ter sempre um lenço na bolsa para as visitas. Mas as desprevenidas não perderão a oportunidade de entrar nos templos: a maioria oferece uma espécie de canga para cobrir o corpo.

Mulheres no interior da Mesquita AzulO chamado para as cinco rezas diárias, conhecido como ezan, também impressiona. O canto hipnótico é entoado do alto dos minaretes para convocar os muçulmanos a orarem. A voz dos muezins — responsáveis pelo canto — desperta devoção até entre católicos, judeus ou ateus.

Hoje em dia, na maioria das mesquitas é raro encontrar um muezin autêntico. São gravações que ecoam do alto dos minaretes. Em algumas partes de Istambul, como a região de Sultanahmet, as vozes que saem das diferentes mesquitas se misturam no ar. O reflexo involuntário é seguir na direção da música, rumo à mesquita mais próxima.