Três lugares para acampar perto de Brasília

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Salto de Corumbá: queda de 50m e boa estrutura

Quem está acostumado sabe como acampar em qualquer canto — seja na beira da estrada, seja no meio de uma floresta — sem qualquer estrutura de apoio. Iniciantes não precisam correr tanto risco. Ter a primeira experiência em campings pode ser valiosa, pois há o mínimo de conforto — terreno plano, banheiro e cozinha. Alguns alugam barracas com colchões e oferecem atividades guiadas.

Há áreas com vocação natural, como Corumbá de Goiás. O município a 130km de Brasília foi destaque quando uma de suas cachoeiras ilustrou a capa da revista Traveler em dezembro de 2015. A publicação da National Geographic elegeu a cachoeira do Salto Corumbá (a mais alta entre as sete da região) como um dos 20 lugares obrigatórios para conhecer em 2016. A queda d’água de 50 metros de altura fica no Salto Corumbá Camping, Clube e Hotel, que recebe em média 46 mil hóspedes por ano.

Poços

Turistas vão ao local desde a década de 1970. Na época, uma das cachoeiras estava seca porque um trecho do leito do rio Corumbá foi desviado, no século 19, para a exploração de ouro no fundo de poços onde, hoje, os visitantes mergulham.

As barracas ficam perto das cachoeiras, protegidas pela sombra das árvores. Há banheiros, duchas externas com água quente, energia elétrica e tanques à disposição. As refeições podem ser feitas na lanchonete ou no restaurante do hotel.

Experimente

Salto Corumba
Preço: Diárias no camping a partir de R$ 60

Chapada Imperial
Preço: R$ 220 por dois dias no camping. Inclui pensão completa, atividades e guias

Chapada Imperial / Foto de Breno Fortes
A Chapada Imperial fica dentro do DF

Cataratas dos Couros
De Alto Paraíso de Goiás, são 16km até a estrada de chão que leva às cataratas
Informações: Centro de Atendimento ao Turista (CAT). Telefone: (62) 3446-1159.

Encontro na Chapada: índios, rezadeiras, raizeiros, kalungas, em um só lugar

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Aldeia Multiétnica, Encontro de Cultura da Chapada dos Veadeiros – Foto de Anne Vilela/Divulgação

Há 16 anos, na segunda quinzena de julho, o Brasil se encontra na Chapada dos Veadeiros. A Vila de São Jorge, distrito de Alto Paraíso (GO), recebe representantes de diferentes povos e comunidades de todo país para celebrar os saberes e fazeres da cultura tradicional. Durante 15 dias, os olhares se voltam aos interiores, às roças, às aldeias indígenas, aos remanescentes quilombolas, aos pequenos produtores, artesãos, raizeiros, rezadeiras, parteiras, batuqueiros, aos artistas populares. Uma representação da riqueza imensurável do patrimônio cultural imaterial brasileiro e da força da fé popular brasileira.

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Chapada dos Veadeiros – Foto de André Amorim/Divulgação

As atividades do 16º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros começam em 15 de julho, sexta-feira, com a décima edição da Aldeia Multiétnica, que este ano apresenta o tema “Comunicação, Saberes Tradicionais e Novas Linguagens”.

CONFIRA AS MELHORES CACHOEIRAS DA CHAPADA DOS VEADEIROS

TUDO SOBRE O TURISMO EM ALTO PARAÍSO

Serão sete dias de convivência com diferentes etnias indígenas, como Fulni-ô – os grandes anfitriões do encontro deste ano, Krahô, povos do Alto Xingu, Xavante, Kayapó, Kariri-Xocó, Guarani Mbya e Avá-Canoeiro. Pacotes incluindo alimentação, camping e vivência estão sendo vendidos pelo site http://www.aldeiamultietnica.com.br.

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Aldeia Multiétnica, Encontro das Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros – Foto de André Amorim/Divulgação

A proposta é que, iniciada a experiência, todos os participantes incorporem-se ao cotidiano de uma aldeia. Em 10 anos, mais de 20 etnias diferentes já passaram pela Aldeia, localizada a cerca de 10 km da Vila de São Jorge, em uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), às margens do rio São Miguel e entrecortada pelas serras da Chapada dos Veadeiros.

A vivência possibilita o aprendizado sobre os fundamentos da organização social indígena, além de rudimentos do idioma, do artesanato, da gastronomia, das pinturas corporais, dos cantos, das danças e de outras manifestações culturais desses povos. É a oportunidade de conviver com líderes, xamãs, artesãos, agricultores. Uma dinâmica que oferece conhecimentos históricos, culturais e sociais das etnias participantes e dos povos indígenas em geral.

Comunidade Kalunga

No dia 22 de julho, como manda a tradição, ao final da vivência na Aldeia os indígenas se direcionam à Vila de São Jorge e passam o comando da festa aos remanescentes quilombolas da Comunidade Kalunga e aos povos e comunidades tradicionais convidados. Até o dia 30, a vila será tomada por atividades, como shows, apresentações dos grupos de cultura tradicional, oficinas, rodas de prosa, intervenções artísticas e espetáculos teatrais.

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Congada, Encontro das Culturais Tradicionais da Chapada dos Veadeiros – Foto de André Amorim/Divulgação

Raizeiros e pajés

Este ano, pela primeira vez, o evento recebe o I Encontro de Raizeiros e Pajés na Chapada dos Veadeiros, que acontecerá de 20 a 22 de julho na Aldeia Multiétnica, e o Encontro de Lideranças Negras, que será realizado de 23 a 25 de julho em São Jorge. A Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado é um dos destaques desta edição e contará com 14 estandes, que terão como foco a economia criativa do Nordeste Goiano.

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Aldeia Multiétnica, Encontro das Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros – Foto de Anne Vilela/Divulgação

A programação cultural contará com a participação das cinco comunidades precursoras do evento, representantes da região da Chapada dos Veadeiros: a Caçada da Rainha de Colinas do Sul (GO), a Comunidade do Sítio Histórico Kalunga (GO), o Congo de Niquelândia (GO) e a Folia de Crixás (GO).

Shows musicais

Além destes grupos, a 16ª edição contará com atrações musicais. Já está confirmada a participação de artistas como Mariana Aydar, Mestrinho, grupo Berimbrown, Gabriel Levy, Caixeiras do Divino da Casa Fanti Ashanti e o grupo mexicano Danza Del Venado.

Esta edição também contará com o Dia da Lavadeira. Realizado em 25 de julho, é uma releitura da tradicional Festa da Lavadeira, permeada pelas cores do Maracatu de Baque Virado, Ciranda, Afoxé e Caboclinhos do Côco, marcantes na cultura pernambucana.

 

Serviço

XVI Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

Quando? 15 a 30 de julho de 2016

Onde? Vila de São Jorge, Alto Paraíso, Goiás

Site oficial: http://www.encontrodeculturas.com.br

 

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Caçada da Rainha – Foto de Décio Gonçalves/Divulgação

 

 

As 30 melhores cachoeiras de Pirenópolis e da Chapada dos Veadeiros

Cachoeira dos Dragões

Verão é tempo de calor e, contra ele, a água é um dos melhores remédios. Por isso, nessa época, as cachoeiras de Goiás aparecem como um dos pontos turísticos mais procurados por quem mora no Distrito Federal e no Entorno. Elas se concentram ao redor de duas cidades do estado vizinho da capital da República: Pirenópolis e Alto Paraíso. Escolhemos 30 das mais belas e disputadas atrações de ambos. Há opções para todas idades e gostos.

Principal destino dos brasilienses nos fins de semana, além do centro histórico, com quase 100 construções centenárias em estilo colonial, Pirenópolis também tem como grande atrativo 82 cachoeiras. Muitas ficam a poucos minutos de carro da cidade goiana e são abertas para visitação e banho, mediante o pagamento de ingresso que vale para o dia inteiro. Algumas contam com pontos de apoio, como barzinhos, lanchonetes e bares. Na grande maioria, a água é cristalina.

Alto Paraíso fica na Chapada dos Veadeiros, a 243km de Brasília e a cerca de três horas de carro da capital do país, por rodovia asfaltada. É uma região de cerrado no nordeste do estado de Goiás. A altitude ultrapassa os 1,6 mil metros e é bastante conhecida pela beleza natural. São mais de 300 cachoeiras espalhadas por três principais municípios: Alto Paraíso, Cavalcante e a pitoresca Vila de São Jorge.

É aconselhável a todos que pretendem viajar para a Chapada dos Veadeiros sempre consultar os Centros de Apoio ao Turista (CAT), pois muitos dos passeios só podem ser feitos com o acompanhamento de um condutor de visitantes.

Beleza hídrica

Chapada dos Veadeiros

Alto Paraíso

Loquinhas: acesso pela Rua do Segredo, a 3km do centro da cidade, um complexo de sete poços de beleza única, caracterizados pelas águas cor de esmeralda. Fácil visitação para crianças e pessoas da terceira idade. Muro de pedra feito por escravos, trilha ecológica, ponte pênsil, 780m de passarela de madeira, ladeando o Córrego Passatempo e facilitando os banhos e preservando o meio ambiente. A Fazenda Loquinhas também oferece hospedagem na Druid’s Pousada Xamânica do Cerrado.

Cachoeiras Almécegas 1 e 2: de Alto Paraíso, 9km de asfalto na estrada para São Jorge, até a Fazenda São Bento e mais 3km de estrada de terra, a partir de uma trilha de mais ou menos 1km, no Rio dos Couros, chega-se a Almécegas 1. Seguindo pela estrada de terra, fica a Almécegas 2, a poucos metros de caminhada. Na Almécegas 1, nível de dificuldade médio pela subida e descida. Na 2, fácil.

Cachoeira São Bento: a 9km de Alto Paraíso, na Fazenda São Bento, e menos de 200m de trilha, ou dando a volta, margeando o Rio dos Couros por um caminho suspenso de madeira, em um percurso de mais de 2km. A cachoeira de mesmo nome da propriedade, com uma linda piscina natural, recebe até campeonatos de polo aquático. Nivel fácil.

Parque Solarion: na estrada para o Moinho, no parque, encontram-se as cachoeiras dos Anjos e a dos Arcanjos, que formam piscinas naturais. O acesso para as cachoeiras é feito em terreno rústico e acidentado, exigindo preparo físico.

Cataratas dos Couros: na Fazenda Boa Esperança, sequência de quatro quedas no Rio Couros. Aconselha-se uso de veículo com tração nas quatro rodas e guia credenciado, pois o acesso é difícil.

Cachoeira do Rio Cristal: a 5km de Alto Paraíso pela GO-118. Estrada asfaltada para Teresina de Goiás e mais 1km de estrada de terra para chegar ao Rio dos Cristais, com diversas cachoeiras e piscinas naturais. Níveis baixo a médio.

São Jorge

Saltos do Rio Preto: localizados no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a 1km do povoado de São Jorge, a trilha de aproximadamente 5km passa por minas desativadas de cristal conhecidas como garimpão. Depois de uma descida de quase 100m de desnível, avista-se, do mirante, o Salto 1 do Rio Preto, com 120m de altura. Mais alguns metros de caminhada e surge a cachoeira de 80m de queda (Salto 2), com um poço de quase 200m de diâmetro. Na volta de aproximadamente mais 5km, a subida exige um esforço maior, mas oferece a opção de passar pelas corredeiras para relaxar. Nível de dificuldade alto.

Canyon 2 e Cariocas: no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, com uma caminhada leve de aproximadamente 4km, atravessando alguns riachos e veredas, a beleza dos campos rupestres chama a atenção. O Canyon 2 é um estreitamento do Rio Preto, que, entre rochas de quartzo, forma um delicioso poço. Mais aproximadamente 1km de trilha e aparecem entre as pedras do Rio Preto um espetáculo de quedas, as Carioquinhas. Nivel de dificuldade médio, com atenção principalmente na descida das cariocas.

Vale da Lua: de São Jorge, a 10km de estrada de terra, ou de Alto Paraíso, são 23km de asfalto e 11km de estrada de terra, com cerca de 700m da portaria, chega-se ao Vale da Lua (foto abaixo). É um dos lugares imperdíveis da Chapada dos Veadeiros, acompanhando a Serra do Segredo, com leito de pedras em formatos arredondados, lembrado as crateras da Lua. Nível de dificuldade baixo a moderado. Atenção extra no período de chuvas por causa das enxurradas.

Chapada dos Veadeiros - Vale da Lua

Morada do Sol: saindo de São Jorge em direção a Colinas por estrada de terra a menos de 3km a portaria da Morada do Sol, mais 1km de estrada de terra e menos de 1km de trilha um local com piscinas naturais cachoeiras e cânions do rio São Miguel. Nível de dificuldade fácil.

Abismo: em São Jorge, no período de chuvas, as águas canalizam pelas fendas das rochas que formam cachoeiras grandes e pequenas, com piscinas de hidromassagem. Linda caminhada de aproximadamente 40 minutos a partir do mirante do pôr do sol, com vista panorâmica da Estrada de Colinas. Nivel médio.

Raizama: um pouco mais de 3km do povoado de São Jorge, o Sítio Espaço Infinito oferece um dos mais belos atrativos da Chapada dos Veadeiros, com um circuito de caminhada de pouco mais de 2km. Lá, o Córrego Raizama forma uma deliciosa hidromassagem, na qual despenca em um cânion de mais de 100m de extensão. Em alguns pontos, a água chega a mais de 50m de profundidade. Percorre-se uma trilha esculpida nas paredes do cânion até as piscinas. Nível de dificuldade baixo. Atenção no cânion.

Encontro das Águas: a 20 km de São Jorge, os Rios Tocantinzinho e São Miguel se encontram. Nível fácil.

Cachoeira Segredo: depois de São Jorge, ande 14km até a fazenda do seu Claro, deixe o veículo. Mais 8km a pé de trilha, cruzando o Rio São Miguel, e chega-se ao espetáculo. Nível difícil.

Cordovil: a 6km de São Jorge, o Cordovil cai no São Miguel. Passeio para o período de seca. Nível difícil.

Pirenópolis

Araras: no Rio Dois Irmãos, com um poço de 90 metros quadrados e queda de 7m. Acesso pela GO-338, saída para Goianésia, com 15km de asfalto. Entrar à direita e rodar mais 2km de terra. Trilha fácil, com 300m. Não tem estrutura para receber turistas.

Meia Lua: no Ribeirão Santa Maria com um poço com 300 metros quadrados e altura de 15m. Acesso pela estrada para as pedreiras, com 2km de asfalto. Entrar à direita e percorrer mais 3km de terra. Trilha de aproximadamente 50m. Estrutura: banheiros e lanchonete.

Cachoeira da Santa: no Ribeirão Santa, com queda de 2m. Chega-se pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 16km de terra. Trilha com 200m, com acesso fácil. Estrutura: Não tem. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira das Andorinhas: no Córrego Barriguda, com queda de 10m. Acesso: estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 5km de terra. Trilha com 1km de acesso difícil. Não aconselhada para idosos e crianças.

Cachoeira das Freiras: no Rio Dois Irmãos, com queda de 4m. Acesso pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 38km de terra. Trilha com 300m, com acesso médio. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira do Abade: no Rio das Almas, com um poço com 900m quadrados e queda de 22m (foto abaixo). Acesso: estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto. Entrar à direita, mais 12km de terra. Trilha fácil, com 300m.

Pirenópolis - Cachoeira do Abade

Cachoeira do Amor: no Córrego Barriguda, com queda de 4m. Acesso pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 5km de terra. Trilha de 600m, com acesso fácil. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira do Canyon: no Rio das Almas, com um poço com 200 metros quadrados e altura da queda de 8m. Chega-se pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto. Entrar à direita e percorrer mais 12km de terra. Trilha fácil, com 50m.

Cachoeira do Coqueiro: no Ribeirão Santa Maria, queda de 10m. Acesso pela Estrada das Pedreiras, em 17km de terra. Trilha para a cachoeira de acesso médio, com 200m. Não é aconselhada para crianças de colo e idosos. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira do Paredão: no Rio Dois Irmãos, com um poço de 10m quadrados e altura da queda 3m. Acesso pela GO-338, com saída por Goianésia, com 15km de asfalto. Entrar à direita e percorrer mais 2km de terra. Trilha média, com 2,5km. Não é aconselhada para crianças e idosos.

Cachoeira do Pilão: no Córrego Barriguda, com queda de 7m. Acesso: estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 5km de terra. Trilha com 1,2km de acesso difícil. Não aconselhada para idosos e crianças. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira dos Pireneus: uma queda de 4m e um grande poço. Acesso pela estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 20km de terra. Trilha com 400m e acesso fácil. A região tem mais três cachoeiras: a Vale Encantado, Gruta e a Pedra Furada. Estrutura: pode ser usada a da Pousada Tabapuã dos Pireneus, com piscina, banheiros, restaurantes.

Garganta do inferno: no Ribeirão Santa Maria, queda com altura de 10m. Acesso: estrada para o Parque dos Pireneus, com 2km de asfalto e 15km de terra. Trilha de 300m, com acesso fácil. Sem estrutura.

Cachoeira Sonrisal: no Córrego Capitão do Mato, há seis cachoeiras em sequência. A maior queda tem altura de 10m. Chega-se pela estrada das pedreiras, 15km de terra, no Parque Estadual dos Pireneus. Trilha com 2km de acesso fácil. Visitas somente com guias credenciados.

Cachoeira dos Dragões: no Córrego Chapadão, há oito cachoeiras, sendo a maior com uma queda de 73m. Duas cachoeiras secam entre junho e setembro. Acesso pela GO-338, saída para Goianésia, com 25km de asfalto. Entre à direita e percorra mais 18km de terra. Trilha média com 4km. Não é aconselhada para crianças e idosos. Estrutura: banheiros, mosteiro, restaurante com reserva e trilha demarcada.

 

 

 

Chapada dos Veadeiros recebe seu primeiro festival de gastronomia

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Cachoeiras, boa comida e música ao vivo. Essa é a previsão para quem viajar para a Chapada dos Veadeiros (GO) neste fim de semana. A região receberá, a partir desta quinta (10/12), o 1º Festival Gastronômico de Alto Paraíso que vai durar até domingo (13/12), com programação gratuita. Além de Chefs renomados, o evento contará, ainda, com apresentação da cantora Fernanda Abreu e outros músicos.

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Nos três primeiros dias, a festa acontecerá em Alto Paraíso e no último, saltará para São Jorge. Entre os chefs que ministrarão aulas estão nomes conhecidos como Bela Gil, Paula Labaki, Ana Paula Jacques, Maria França, Ademir Santana, Arthur Barbosa e o sommelier José Honorato (confira a programação abaixo).

O evento faz parte do Circuito Gastronômico Goiás 2015, organizado pelo governo do estado, e já passou por Pirenópolis, Cidade de Goiás, Goiânia, Caldas Novas, Rio Quente e termina em Alto Paraíso e São Jorge.

Programação

Quinta feira (10/12)
11h30 – Abertura Solene com participação do Grupo infantil Camerata Municipal de violões e orquestra Kokopelli de flautas (Paróquia Alto Paraíso)
13h – Abertura Gastronômica – Chef Renato Valadares e Chef Sagari com uso de florais terapêuticos do Cerrado
19h às 20h30 Leitura do mapa astral do país e de Alto Paraíso – Lilian C. Moraes
21h – Chapa da rima – batalha de MC’s
22h20 – N’golo – show cultura herança africana
24h – Pacatto do Alto e Banda

Sexta feira (11/12)
14h – O Buriti e suas múltiplas aplicações – Chef Fabiana Pinheiro
15h15 – As delícias de Alto Paraíso – Chef Gabriel Fleijsman
16h30 – A influência da Lua nos alimentos – Chef Paula Labaki
17h45 – A Cozinha tecnológica com sabores da terra – Chef Leandro Andrade
18h35 – Construção de sabores – Chef Jimmy Ogro
21h – Ação Bistrô Nômade na Confraria do Café – Chef Karla e sua Gastronomia vibracional preparando –Risoto de Pequi com gorgonzola – Risoto de buriti com creme de barú servidos com Moqueca de cajuzinhos do Cerrado e Chutney de mangaba
21h30 – Show com Maira Lemos
23h00 – Show com a dupla Rei do Gado e Fazendeiro

Sábado (12/12)
13h – Vivência e aromoterapia com Luciane Schoppan (Vish Wa)
14h – Gastronomia Alternativa: Segredos e Encantos – Chefs Nives e Ana Paula
16h30 – Cor, sabor, textura, perfume e surpresa – Chef Guga Rocha
17h45 – O Charme e o sabor da carne suína – Chef André Rabelo
19h – Os encantos saudáveis de Bela Gil
21h – Chef DJ André Barros
22h – Show Fernanda Abreu

Domingo (13/12)
13h – A Conexão de sabores entre Recife e São Jorge – Chef Renato Valadares
14h30 – Gelados Gelatos, Refrescantes Refrescos – Chef Arthur Barbosa e Rosane Santos
15h45 – Alimentação Viva e criativa – Chef André Barros
17h – Cor, sabor, textura, perfume e surpresa – Chef Guga Rocha
18h15 – A magia do Cacau na terra dos cristais – Chocolatier Diego
19h45 -A cozinha de São Jorge falando sobre tradição e continuidade com Uiter e Maria França e os sabores de Goiás com chef Ademir Santana
22h – Doroty Marques e Turma que Faz

Alto Paraíso: onde o mundo não acaba

Chapada dos Veadeiros

Leilane Menezes, da Encontro Brasília

Dois homens conversam sentados à mesa, em um restaurante de Alto Paraíso, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, distante 230 km de Brasília. O assunto é improvável. “O povo diz que o mundo vai acabar. Tá preparado?”, pergunta o mais jovem entre eles, que está na casa dos 30 anos, mas com a feição envelhecida pela barba amarelada e longa.

A resposta vem de pronto. “O mundo acaba todo dia para alguém, para quem morre, talvez. Mas não duvido nada se uma onda gigante sair pegando tudo no caminho”, avaliou o outro, um senhor de 70 e poucos anos, que parece ter saído há pouco do Woodstock.

O município de Alto Paraíso está dividido entre os que acreditam nas profecias do calendário maia, que, segundo interpretações de estudiosos, previu o fim do mundo para 21 de dezembro de 2012, e os que se irritam somente de ouvir falar no tema por considerá-lo uma alucinação coletiva.

Baseados nesse calendário, místicos apontaram Alto Paraíso como o lugar onde a humanidade sobreviverá à catástrofe, por questões geográficas e esotéricas.

Independente mente da crença individual, é fato que a profecia – que é controversa, chegou a ser contestada por uma ala de adeptos das crenças maias – mudou a rotina de Alto Paraíso e atraiu centenas de pessoas para a região.

Chapada dos Veadeiros

Imóveis em alta

O mercado imobiliário do pacato município nunca foi tão movimentado.

Corretores de imóveis de plantão agradecem. Só esse ano, eles venderam mais de 200 propriedades para pessoas que temem o fim do mundo ou simplesmente descobriram a existência de um lugar calmo e cheio de belezas naturais graças a essa divulgação.

Anteriormente, a conta não passava de 10 imóveis vendidos anualmente. “Se antes o metro quadrado valia R$ 50, hoje se aproxima dos R$ 100. Tudo graças à crença no fim do mundo”, conta Nilton Kalunga, dono de uma corretora.

Alto Paraíso jamais esteve tão destacado ao redor do globo. Em outubro, uma equipe da televisão francesa passou semanas no município para produzir um documentário sobre esse assunto.

Além disso, a cidade foi destaque em noticiários nacionais como “o lugar onde o mundo não acabará”.

Tamanho burburinho atraiu uma comunidade inteira de japoneses e descentes vindos de São Paulo, e ainda outros estrangeiros de pelo menos 30 nacionalidades que compraram casa ou montaram acampamento ali.

Atualmente, pelo menos 30% da população local são de gringos, de acordo com a prefeitura. “Os japoneses que estão aqui realmente acreditam na possibilidade do fim do mundo.

Alguns são traumatizados pelos tsunamis e terremotos e sentem-se seguros nessa região longe do mar e elevada”, explica um novo morador, que preferiu não se expor.

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Rotina alterada

Nas próximas semanas, a previsão de fim do mundo deve alterar de vez o dia a dia de Alto Paraíso, com a proximidade do suposto apocalipse.

A região sobrevive principalmente do turismo. Em segundo lugar, vem a agricultura. Em noites de semana, somente grilos fazem barulho nas ruas da cidade tranquila, que só vê agitação e forasteiros aos sábados, domingos e feriados.

O cenário se transformará em 21 de dezembro. Milhares de pessoas se preparam para passar a data fatídica em Goiás. A expectativa da Secretaria de Turismo de Alto Paraíso é de receber 10 mil turistas na região. A população local é de 7,3 mil habitantes. Portanto, haverá mais visitantes do que moradores.

Chapada dos Veadeiros

Se depender da programação organizada pela secretaria e por empresários locais, enquanto o resto do mundo estiver se acabando entre chamas e inundações, Alto Paraíso dançará ao som de música eletrônica e Raul Seixas (haverá festas com esses temas), além de promover um passeio ciclístico, a Corrida do Fim do Mundo.

“Nossa equipe percorreu o comércio local e principalmente as pousadas para saber sobre o movimento previsto a partir do dia 21. Preparamos tudo para receber essa quantidade de pessoas. O que nos preocupa é o abastecimento de energia elétrica e de água, que provavelmente será insuficiente”, diz a secretária de Turismo de Alto Paraíso, Fernanda Inês.

Em 2000, quando houve outra previsão de fim do mundo, na virada do milênio, mais de 3 mil turistas chegaram a Alto Paraíso. Restaurantes não tinham comida o suficiente para oferecer, faltou energia elétrica e não havia quartos para todos nas pousadas.

Moradores deixaram suas residências e alugaram-nas para visitantes, com intuito de fugir do caos de cidade grande que invadiu as vilas. A administração local trabalha para que em 2012 o “fim do mundo” seja diferente.

Vale da Lua

Comida e energia 

Pousadas compraram geradores de energia e ampliaram o número de leitos. Entre as seis maiores hospedarias da cidade, quatro já estão lotadas para esse período, desde julho. “Estamos tranquilos, pois temos gerador de energia.

Mas foi necessário reforçar o abastecimento de alimentos e de pessoal para receber a quantidade esperada de turistas”, conta Luciana Yoda, dona da pousada Casa Rosa, uma das maiores de Alto Paraíso, que já tem 80% de ocupação reservada para 21 de dezembro.

Chapada dos Veadeiros3Localização

A crença de que o lugar estará a salvo de catástrofes naturais se explica pela localização geográfica de Alto Paraíso. A altitude dessa área da chapada é de 1,3 mil metros, aproximadamente. É o ponto mais alto de toda a região Centro-Oeste.

Além disso, a cidade fica em cima de uma placa de quartzo com cerca de 4 mil metros quadrados, o que traria energia diferente ao local. O paralelo 14, um dos círculos traçados paralelamente à Linha do Equador, que determinam a latitude de um lugar, seria o responsável por trazer seres extraterrestres a Alto Paraíso, o que explica a presença de discos voadores de brinquedo espalhados por toda a cidade.

Essa aura atrai turistas – e também novos moradores – com estilo de vida alternativo ou cansados da rotina das grandes metrópoles, como a paulista Tatiana Galliac, que chegou a Alto Paraíso para ficar alguns dias e está lá há dois meses. “Essa energia diferente potencializa tudo. Não acredito nem desacredito na profecia.” E diz ainda que, como Alto Paraíso está em uma altitude privilegiada, poderia sobreviver a desastres como inundações: “A Terra é um organismo vivo e a posição planetária influencia em tudo, estamos todos conectados. O fim do mundo, para mim, é o caos, a violência”, reflete.

Nave espacial

A região reserva surpresas inusitadas ao visitante desde a chegada. Logo na estrada, passa-se por debaixo de um arco de concreto branco que lembra uma nave espacial. Discos voadores, extraterrestres, casas em formato de cúpula e até moradias subterrâneas são comuns por lá.

De acordo com a prefeitura, existem cerca de 40 grupos místicos e esotéricos em Alto Paraíso. Habitações ou templos em formato de gota são herança da Cavaleiros de Maitreya, grupo formado por seguidores do profeta conde de Saint-Germain, figura mística da Pensilvânia que alguns acreditavam ter o elixir da juventude.

São Jorge

Outro atrativo da região é São Jorge, uma vila com 500 habitantes e sem asfalto, a 30 km de Alto Paraíso. Ao todo, a região tem 66 pousadas, 14 áreas de camping, além de 37 casas para temporada.

São 32 restaurantes em Alto Paraíso, a maioria com cardápio que atende também aos vegetarianos, e 16 em São Jorge. Em geral, as acomodações são simples e as opções de alimentação também não oferecem requinte. Quando o assunto é originalidade e inovação, o visitante tem muito para ver.

Há uma pousada em construção que terá os quartos em formato de nave espacial, sem telhas em cima e feita somente em concreto e vidro. O hotel foi projetado assim para evitar que telhas voem em possíveis vendavais apocalípticos.

Na Chapada, a maior pousada da cidade, o visitante é recepcionado por um disco voador que brilha à noite. Lá dentro, há vários ETs de brinquedo, além de quadros com astros do rock e do cinema.

Revista de Turismo de Brasilia.

Cachoeiras

Excentricidades à parte, os maiores atrativos da Chapada dos Veadeiros são as dezenas de cachoeiras, trilhas e o Vale da Lua, onde as rochas esculpidas pelo movimento das águas lembram o solo lunar. Existem várias opções de passeios, inclusive com esportes radicais, como rapel e escalada.

Entre as cachoeiras, uma das mais próximas, a 7 km do centro de Alto Paraíso, é a dos Cristais. Como na maioria, é preciso pagar R$ 10 para chegar até as quedas d’água. A mais alta, conhecida como Véu da Noiva, é como um presente para os que conseguem concluir a caminhada.